segunda-feira, 22 de agosto de 2016

46º Capítulo - «Porque eu quero viver a minha dor sozinha, Stephan»

- Estás pronta? – gritou o Stephan da sala.
- Estou quase – assegurei, correndo em direção a ele – toma – dei-lhe a minha mala e virei-me para a Angelie – ele deve adormecer pouco depois de jantar. Qualquer coisa liga-me por favor – implorei.
- Pode ir descansada, Rita, eu prometo que qualquer coisa lhe ligo.
- Obrigada – agradeci – adeus, filho – cheguei perto do Matteo e enchi a sua bochecha de beijos, acabando depois de parar quando ele se mostrou incomodado com aquilo.
- Mamã para! – pediu visivelmente aborrecido com toda aquela sequencia de beijos.
- Já parei! – levantei os braços e acabei por sorrir – adeus! Porta-te bem com a Angelie.
- Tchau! – agitou a sua mão, claramente animado por nos ver ir embora.
- Acho que se está a tornar independente demais! – agarrei a minha mala que estava nas mãos do Stephan – já nem gosta dos meus beijos.
- Sabes que isso é completamente normal, tornaste-te uma mãe galinha desmedida nos últimos tempos. Além disso ele tem dois anos!
- Mas… - abriu a porta de casa e saímos os dois – ok, talvez tenhas razão…
- Eu tenho sempre razão!
- Que mentira! – acabámos por nos rir os dois e entrar para o elevador. Colocou a sua mão no meu rosto e aproximou vagarosamente os seus lábios dos meus – não quero ir para Milão sem ti – admiti antes dos seus lábios chocarem com os meus.
- Porquê? – abracei-me a ele colocando as minhas mãos nas suas costas, afastou uma mecha de cabelo do meu rosto e olhou-me atento – tens medo?
- Custa-me voltar lá, principalmente sem ti – pousei a minha cabeça sobre o seu peito – Milão traz-me imensas recordações e as últimas não são muito boas – entre aquele terrível parto e passando por todas as notícias da perda da Ellie, Milão ficou assinalado pela negativa nos últimos tempos que lá vivemos.
- Eu não posso ir contigo – pousou os seus lábios na minha testa – e além disso tu precisas de vencer esse medo, Rita – o elevador abriu-se, entrelaçou a sua mão com a minha e saímos em direção ao carro – podemos compará-lo ao meu medo de voltar a jogar depois das lesões, que te parece?
- Parece-me que é melhor ainda não ultrapassar este medo, por agora! – acabou por se rir e olhar-me atento antes de me abrir a porta do carro.
- Tens que ir a Milão.
- Mas eu não quero, Stephan.
- Queres sim – entrei no carro e ele fechou-me a porta, entrando depois no seu lugar – a Milena precisa lá de ti. Tu tens lá o teu irmão, tens lá a Gabi, até tens lá o cão.
- Mas não te tenho lá a ti nem ao Matteo que são a minha verdadeira família.
- Podes muito bem levar o Matteo.
- Stephan, para de arranjar soluções por favor! Eu não quero voltar lá.
- O que é que se passa? – colocou uma das suas mãos na minha perna e olhou-me atento, percebendo que se passava algo – ainda há pouco tempo estavas empolgada por voltar a Milão, ias estar com a Milena e iam preparar uma edição especial deste mês.
- Tu sabes…
- Eu sei?
- Claro que sabes. O convite que eu recebi do casamento do meu irmão tu também recebeste. Tu conheces-me melhor que ninguém e tens plena consciência que isso mexeu imenso comigo. Comecei a pensar: porque não tentar voltar a ter uma relação “normal” com a minha família? Mas depois lembrei-me da carta da minha mãe e que prefiro sofrer sozinha a ter que partilhar tudo com eles.
- Eu ainda não te disse isto, mas…tu sabes que ao ter essa atitude estás a agir da mesma maneira que o teu pai quando vos escondeu o cancro?
 Realmente. Tantas vezes criticamos os outros pelas suas escolhas, mas raramente refletimos sobre as nossas que por vezes são iguais ou piores.
- Eu sofri contigo, meu bem – agarrou a minha mão apertando-a – nós perdemos os dois um filho e sofremos os dois com isso, mas não é ao continuares afastada da tua família que a nossa dor vai atenuar. Eu sei que as palavras da tua mãe te magoaram. Sei que neste momento esperavas que a tua família se tentasse aproximar de ti e não te deitar a baixo, mas foi só a tua mãe que teve essa atitude. O Salvador tem-se tentado aproximar de ti, tu é que não tens deixado.
- Porque eu quero viver a minha dor sozinha, Stephan. Entendes isso…?
- Entendo. Entendo porque também já quis fazer o mesmo quando me lesionei, mas depois compreendi que não foi o mais acertado. Eu afastei-me de ti se bem te lembras. Achas que fiz a melhor escolha? – olhei para os meus pés, abanei a cabeça em sinal negativo para depois o voltar a olhar – com isto tudo eu só te quero dizer para não desperdiçares esta oportunidade do casamento do teu irmão para voltares a ter uma boa relação com a tua família. Deixa um pouco o orgulho de lado, segue o teu instinto e faz o que achas que está mais acertado. Não interessa se nos próximos tempos fores para Milão ou até para Portugal, eu só quero que te sintas bem contigo.
- E se eles não me aceitarem de volta? E se eles não quiserem mais a minha companhia? Eles estão no seu direito de não me querer de volta porque fui eu que me afastei deles.
- Mas eles são a tua família. Por mais defeitos e asneiras que tu faças, ou que eles façam, vocês vão sempre ser uma família. Eu aposto que tens imensas saudades do Afonso. Aposto que tens imensas saudades, também, das tuas conversas com a Gabriela – entrelaçou uma das suas mãos com a minha e sorriu-me – saudades do Salvador…e do teu sobrinho, o Miguel.
- Achas que deva ir a Portugal?
- Acho que deves ir a Milão, deixar os medos para um canto e ires a casa do Salvador em primeiro.
- E em segundo?
- Logo se vê! – atirou sorrindo-me – não somos pessoas de fazer planos ou somos?
- Não – respondi sorrindo-lhe – mas temos um jantar planeado para esta noite, não temos?
- Hum-hum – deu-me um beijo rápido na bochecha – temos e é melhor irmos indo.


- Stephan, és capaz de te despachar por favor? – questionei farta de esperar por ele à entrada de casa.
- Onde está o pai? – o Matteo agarrou-se à minha perna fazendo-me aquela pergunta.
- É uma coisa que eu também gostava de saber! – acabei por pousar a mala que tinha na mão e pegar no Matteo – sabes que eu tenho um avião para apanhar?
- Sei! – chegou junto a mim com…uma mala de viagem – aliás, temos os três um avião para apanhar.
- Porquê?
- Tenho que tratar de umas coisas em Milão…com o clube.
- Alguma coisa que eu deva saber?
- Não – olhou-me de uma forma estranha e eu olhei-o tal e qual como o olhava sempre que o queria intimidar – podes parar?
- Não, claro que não posso parar! Conta-me! – exigi – vamos voltar para Milão?
- Não!
- Então?
- Quem é que adora o pai? – retirou o Matteo dos meus braços e deu-lhe um beijo na bochecha.
Coloquei em frente à porta, encostei-me a ela e olhei o Stephan.
- Ou me contas ou ninguém vai para Milão!
- Rita eu não posso. Tu és jornalista eu não me atrevo a contar-te seja o que for.
- Pelo amor de Deus! Eu dirijo uma revista de mulheres com a Milena, achas mesmo que é relevante para o meu trabalho para que clube vais no mercado de inverno?
- Para a tua revista não, mas para o jornal da Milena talvez ou já te esqueceste que ela dirige um jornal?
- Mas eu sou tua namorada, ou melhor, sou tua noiva! – levantei a minha mão esquerda – apesar de não haver nada que o indique eu estou noiva!
- Noiva de um homem muito charmoso, diga-se de passagem.
- Nem tentes mudar de assunto! – atirei.
- Olha para a mãe – disse o Stephan ao Matteo – já viste bem? Está má hoje! Muita má! – disse má em voz alta e chegando a sua boca perto da bochecha do menino, no final deu-lhe um beijo na bochecha.
- A mamã é má! – disse apontado para mim.
- A mamã é melhor que o pai! – peguei nele, retirando-o dos braços do Stephan – quem é que vai para Milão ter com a tia Bi?
- Nós! – gritou.
- E quem é que vai para Milão, mas não se sabe fazer o quê? – apontei para o Stephan já que o menino me olhava confuso.
- O pai, claro! – falou com toda a segurança levando-me a rir.
- É isso campeão! – dei-lhe um grande beijo na bochecha.
Pousei o Matteo no chão. Coloquei a minha mochila às costas e peguei nas nossas duas malas de viagem. Dei uns passinhos atrás e dei um beijo ao Stephan perto do seu lábio inferior.
- Não te livras de me contares isso, ai não livras não Stephan El Shaarawy.


- Eu disse que vinha a Milão, não disse? – sentei-me na cadeira que estava em frente da secretária da Milena. Ela sorriu pegando no Matteo que foi ter rapidamente com ela.
- Como está o meu Matteo? – perguntou ela sorrindo-lhe.
- Bem! Já sabe contar até dezasseis em português! – fiz-lhe sinal para vir até mim e coloquei-o sobre as minhas pernas.
- Porquê dezasseis?
- Isso é uma boa pergunta, mas terás que a fazer ao Stephan porque é ele que lhe ensina os números! – ela acabou por se rir e eu fixei o meu olhar no menino – conta até dezasseis para a Milena – incentivei.
- Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez – ia contando devagar e pelos dedos tal e qual como o Stephan o ensinara. Olhou-me um pouco preocupado já que não tinha mais dedos – e agola mamã?
- Eu ajudo! – levantei um dos meus dedos à sua frente – continua, filho.
- Onze, doze, treze, catorze, quinze e dezasseis – sorrimos as duas e batemos palmas, ele sorriu e acabou por sair do meu colo e ir até à Milena.
- O Stephan? – questionou. Colocou o menino sobre as duas pernas. Agarrou numa caneta e num papel para o entreter a desenhar o abstrato.
- Foi ao centro de treinos – respondi – foi ver os colegas e foi tratar de umas coisas.
- Está tudo bem? – aquela vontade dela de saber tudo e mais alguma coisa era tão natural.
- Está…
- Oh conta lá, Rita.
- Não te ponhas com ideias, Milena, eu não sei de nada.
- O Stephan não vem a Milão só porque sim.
- Já te disse que ele veio ver os colegas e tratar de uns assuntos.
- Que assuntos?
- És uma melga! – atirei cruzando em seguida os braços – nem eu sei! Acreditas? Ele não me conta nada e eu sei que há algo para contar – e se…voltássemos para Milão já este inverno? – eu não quero nada voltar para Milão… - acabei por sussurrar.
- Milena! – o Salvador…, sim o Salvador, entrou de repente ali. Olhei-o atenta e ele olhou-me por segundos – só vinha dizer que já há para aí rumores sobre o mercado de inverno.

- Que se passa? – perguntou Salvador ao chegar ao meu lado.
- Não sei – coloquei a minha mão sobre a minha barriga, acariciando-a – a bebé hoje está muito parada – observei – e estou com uma dor nas costas… - acabei por dizer.
- Queres ir ao hospital? – senti uma certa preocupação na sua voz.
- Não, não – assegurei – está tudo bem, ainda só vamos nas 23 semanas – passei os meus dedos pela barriga tentando com que ela se mexesse um pouco – sabes o que é que eu preciso?
- Não te ponhas com ideias! Eu sou teu irmão, não sou o teu namorado que te mata os desejos todos.
- Salvador? – falei um bocadinho alto, fazendo com que ele me olhasse assustado – quem é a grávida aqui?
- Tu.
- Resposta certa! Quem é que manda aqui então?
- Eu.
- Resposta errada! – alertei-o – aqui quem manda sou eu! E como quem manda sou eu, apetecia-me muito uns ovos moles ou uma queijada de Sintra! – o que eu dava por um desses doces!
- Rita? – deixei de olhar para a minha barriga e encarei-o – estás em Milão. Não estás nem em Aveiro nem em Sintra.
- Com muita pena minha – lamentei.
- O máximo que te posso arranjar por aqui é um panetone!
- Dispenso! Mas aceitaria um pão de ló de Ovar, um pastel de Belém ou mesmo um pastel de Tentúgal. Como vês contento-me com pouco, Salvador!
- Com pouco e com o impossível.
- Ouvi dizer que tinha aberto aí uma pastelaria portuguesa…não sabes de nada?
- Não, melga!
- És horrível! – atirei – Gabi? – chamei em boa voz.
Ouvimos os passos acelerados e barulhentos na escada. Segundos depois a Gabriela já estava ao nosso lado e olhava-me como que esperando uma razão para a minha gritaria.
- O que se passa?
- Apetecia-me tanto uma bola de Berlim! – exclamei passando os dedos pela minha barriga.
- Ainda há pouco era um paste de Tentúgal! Mudas de desejos muito depressa!
- Cala-te Salvador! – mandei – és meu irmão. Devias fazer estas coisas por mim! Devias correr Milão inteiro em busca de ovos moles!
- O Stephan faz isso? – questionou a Gabriela.
- Não, claro que não. O Stephan consegue dar-me a volta e acabo sempre a comer gelado de noz quando tenho desejos impossíveis.
- Salvador – a Gabriela encostou-se a ele com um sorriso no rosto – é melhor ires em busca do gelado de noz que duvido que se encontrem ovos moles por aqui!

- Tio! – o Matteo saltou do colo da Milena e correu na direção do Salvador. A inocência das crianças é algo tão maravilhoso.
- Olá campeão! – o Salvador pegou no menino ao colo dando-lhe depois um beijo na bochecha.
- A tia Bi?
- Está a trabalhar.
- Poquê?
Rimo-nos todos perante aquela pergunta. O Stephan chamava-lhe a idade dos porquês.
- Porque tem que ser. Queres vir com o tio? – o Salvador olhou para o relógio – está quase na hora de almoço. Vamos os dois buscar a tia Bi, depois o Miguel e almoçamos todos juntos, queres?
- Sim! – respondeu animado.
- Posso levá-lo? – perguntou olhando-me de uma maneira estranha.
- Claro – porque não?
- Depois vais lá busca-lo?
- Sim – sorri e disse adeus ao Matteo agitando a minha mão – adeus!
O Salvador colocou o menino no chão e deu-lhe a mão.
- Tchau mãe! – disse adeus todo sorridente e saíram os dois daquela sala.
- Para quem não se vê há meses até que tiveram uma conversa bem pacífica!
- O Stephan fala com o Salvador praticamente todas as semanas – falei vendo a cara de espantada da Milena – pois é, o meu namorado pensa que eu sou tapadinha e não sei, mas eu sei! Por isso é que não foi tão chocante este encontro – esclareci – o Salvador sabe como eu estou e a minha evolução depois de tudo o que aconteceu.
- Acho que finalmente chegou a hora de vocês resolverem tudo – ela tinha razão. Estava na hora de finalmente eu me voltar a dar com o Salvador como verdadeiros irmãos que somos.


Bati à porta de casa do Salvador. O meu coração parecia querer saltar fora do meu corpo a qualquer momento. Estaria eu preparada para fazer as pazes com a minha “antiga vida”.
Fui surpreendida pela Gabriela que me acolheu nos seus braços num abraço apertado. Há imenso tempo que já não a sentia assim tão perto de mim.
- Tinha tantas saudades tuas – a sua voz amável foi a única coisa que se ouviu naquele espaço. Tinha saudades, não o podia negar, há muito que já sonhava com um abraço daquela que sempre foi a minha melhor amiga – eu não consigo imaginar a tua dor – assim que falava uma emoção enorme apoderava-se dela – mas está tudo bem – assegurou – já sofreste muito – finalmente os nossos corpos separaram-se e sem que eu pudesse evitar algumas lágrimas inundaram o meu rosto – agora vais ser feliz – limpou as minhas lágrimas e sorriu-me – a Ellie está a olhar por todos nós, eu tenho a certeza.
- Eu também – acabei por dizer ainda que com uma enorme dor a atravessar-me o peito – ela é o nosso anjo.
E era. Não tinha a menor dúvida de que a minha filha me ia traçar um caminho melhor daqui para a frente.
Assim que perdi a Ellie ninguém neste mundo me conseguiu confortar. A dor era demasiado grande para ser atenuada com palavras ou atos. Aquela dor gigante precisou de tempo para abrandar, mas provavelmente nem o tempo de uma vida inteira vai fazer com que a dor despareça. Tenho certezas de que é eterna. Aos poucos aprendi a viver com ela.
“A culpa não foi tua” – quantas vezes ouvi isto e quantas vezes o detestei ouvir. A culpa pode até não ter sido minha, mas aquela bebé era minha, era a minha responsabilidade e eu sinto que falhei redondamente. A Ellie dependia apenas de mim para conhecer este mundo e eu não consegui que ela o conhecesse. Eu devia trazê-la para uma longa vida e não lhe pude dar ao menos a sua infância.
A Ellie foi a minha primeira filha e perdê-la foi sem dúvida o pior que já me aconteceu.



- Dá-me um lenço, Stephan! – exigi assim que espirrei pela segunda vez. Atirou-me o maço de lenços que tinha na sua mesa de cabeceira acertando-me na cara e rindo-se em seguida – não gosto destes lenços! – reclamei.
- Fogo! – afastou os lençóis e levantou-se da cama desparecendo daquela divisão.
Olhei em volta observando atentamente cada pormenor daquele quarto. Naquele espaço tinha passado os momentos mais felizes e mais dolorosos da minha vida, até agora.

- Anda demasiada quieta – constatei assim que me deitei junto do Stephan na cama. Peguei na sua mão colocando—a sobre a minha pequena barriga – não mexe… - constatei.
- Ela ainda é pequenina – comentou – 23 semanas é pouquinho.
- Mas começou a mexer cedo – pousei a minha mão sobre a do Stephan – não gosto quando ela está parada.
- Se calhar já está a dormir – baixou-se um pouco beijando a minha barriga – buonanotte mia principessa – aquele gesto emocionava-me mais do que qualquer coisa – e nós também devíamos dormir – voltou a pousar a sua cabeça na almofada olhando-me com um sorriso no rosto.
- Dói-me as costas.
- Eu faço-te uma massagem – acabei por me rir sozinha. Juntei o meu corpo ao seu. A minha barriga ficou em contacto com a sua e ficámos virados um para o outro. Com alguma lentidão começou a passar os seus dedos pela minha coluna.
- Tu não estás a fazer-me uma massagem – elucidei-o – estás a seduzir-me!
- A sério? Pelo menos ainda sei seduzir! Pensei que já me tinha esquecido como isso se fazia!
- Não comeces!
- Começo sim! Tenho que reclamar os meus direitos enquanto homem!
- Olha eu a reclamar um direito enquanto mulher grávida: deixa-me dormir! – atirei, fechando os olhos em seguida – daqui não vais levar nada, só para avisar…
- Que novidade!
- A tua filha não quer – abri os olhos e dei-lhe um rápido beijo nos lábios.
- A minha filha sabe lá o que é…
- Shh – coloquei rapidamente o meu dedo indicador sobre os seus lábios.
- Daqui a uns tempos já nem sabes como se faz…
- Tu hoje estás chato! – interrompi – porque é que és tão chato?
- Porque tu gostas de mim assim! – respondeu beijando-me em seguida.

- És mesmo refilona! – atirou-me os lenços e desta vez consegui apanhá-los – está bom assim? – deitou-se novamente na cama ao meu lado.
- Está ótimo – retirei um dos lenços do pacote enquanto o Stephan me olhava atento – o que foi?
- És tão linda, Rita.
- Não! – disse rapidamente olhando-o desconfiada.
- Mas não o quê?
- Não sei, mas…seja lá o que for que vás pedir a resposta é não! Além disso, não me trouxeste o crepe de chocolate que te pedi ontem quando foste a casa do Salvador.
- O quê? Como é que tu…
- Sei que foste a casa do Salvador? – questionei interrompendo-o – além de linda, eu sou inteligente! – atirei piscando-lhe o olho.
- Tudo o que fiz até hoje foi para o teu bem e tu sabes disso! – passou o seu indicador no meu nariz – desde o início que a minha ligação com o Salvador é muito forte – olhei-o espantada.
- A nossa ligação é que devia ser forte, não a tua com o meu irmão.
- Não sejas tonta – voltou a passar o seu indicador pelo meu nariz – o Salvador é teu irmão e preocupa-se contigo e eu sempre me senti na obrigação de o pôr a par de tudo o que se passa e passou contigo.
- Fizeste bem – acabei por dizer passando a minha mão pela sua face – há uns tempos para cá tornaste-te o mais ponderado dos dois – admiti.
- Eu sempre fui o mais ponderado…o mais engraçado, o mais jeitoso, o mais giro…
- Shh – colei o meu indicador aos seus lábios – falas demasiado! – atirei levando-o a rir – às vezes estás tão bem calado, fofinho.
- Deixa-me só dizer mais uma coisa – colocou a sua mão na minha cara e fez o seu polegar deslizar pelos meus lábios – quando voltarmos ao Mónaco, tu vais para Portugal. É para o teu bem. Tu precisas de estar com a tua família.
- A minha família és…
- Sim – interrompeu-me como que mandando-me calar – eu sei que a tua família sou eu e o Matteo, mas vá lá Rita! E o Afonso? Ele está a precisar de ti, de certeza. Além disso o Natal está prestes a chegar. É tempo de…paz, harmonia e…família – ele tinha razão – a primeira parte está cumprida. Vieste a Milão e conversaste com o Salvador, agora é hora de ir a Portugal - finalizou aquele momento dando-me um curto beijo nos lábios.


________________________________________________________________

Olá, olá!
Estou TÃO chateada! Passo a enumerar os motivos da minha chatice:
1 – Tinha demasiado para escrever neste capítulo e pouco tempo, por isso este capítulo não é nem metade do que eu queria! Eu prometo que para a próxima compenso.
2- Este ano é o segundo capítulo da I Will que eu publico. Que VERGONHA!
Bem, mas são 3 anos! Parabéns a vocês que ao fim de três anos e com cada vez menos capítulos me continuam a ler! Muito mas mesmo muito obrigada. Não tenho palavras e não me vou alongar muito que daqui a pouco já é dia 23 e eu prometi a mim mesma que ia publicar um capítulo hoje porque senão fosse hoje, só poderia fazê-lo daqui a algum tempo.
Pior mensagem de aniversário até hoje…EU COMPENSO! (estou sempre a dizer isto e raramente o faço [desculpem])
Espero que gostem deste capítulo, que não é de todo o que eu tinha idealizado, e do fundo novo.
Aguardo os vossos comentários e mais uma vez desculpem a demora a publicar!
Beijinhos,
Mahina