sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

18º Capítulo « (..) a miudita pode virar mulher e depois acredita que não vais querer saber o que vem a seguir »

É na verdade impressionante como uma simples frase, meia dúzia de palavras podem mudar tudo, todos os nossos planos, em escassos segundos tudo o que estava planeado vai a baixo. De um momento para o outro tudo mudou com aquela simples frase dita pelo Salvador, além de ter mudado o sítio onde vamos passar o Natal mudou uma coisa mais importante…o facto de o Salvador ir viver para Itália faz-me crer que mesmo que eu não queira, agora há algo que me vai ligar para sempre ao Stephan, há mais uma razão para a nossa relação existir, há algo que me vai unir a Itália além dele, mesmo assim continuo-me a questionar em relação a muita coisa. ‘’O que é amar?’’ tenho-me questionado várias vezes mas nunca cheguei a uma resposta…concreta. Cheguei a algumas conclusões quando alguém se apaixona o que a atrai mais no sexo oposto é o olhar, não digo que não o olhar do Stephan é de todo cativante prende-me a ele era capaz de o olhar durante horas sem me cansar, depois quando se começa a amar alguém o que atrai mais é o caracter, se atrai…o que eu vi nele? Apenas aquilo que não vi nos outros todos.
Depois a distância é o que mais me assusta, como dizem quem inventou a distância não sabia o que era a saudade. Por vezes acredito que já passei a fase da paixão, mais rápido que o normal. Se estivesse apenas apaixonada por ele com a nossa separação a ‘’chama’’ ia acabar por se apagar aos poucos, ia acabar o meu interesse por ele mas não foi isso que aconteceu, não é isso que está a acontecer, demos um tempo mas não foi por isso que o meu amor por ele foi ficando mais fraco, a verdade é que cada vez aumenta, cada vez sinto mais a falta dele cada vez tenho mais necessidade daqueles beijos daquela segurança que só ele me dá.
Olhei novamente para aquele relógio que permanecia naquela parede da sala, marcava 3:25 da madrugada.
- Estás…bem? – Perguntou a minha mãe sentando-se ao meu lado.
- Estou – disse limpando aquela pequena lágrima que tinha caído.
- Estás…ansiosa?
- Não sei se ansiedade é o nome adequado para o que estou a sentir.
- Então?
- Tenho medo, muito medo, não sei o que ele sente não sei como é que ele está percebes?
- Vai correr tudo bem – assegurou-me.
- Quando é que vocês vão?
- Vamos domingo à noite, dia 23. O teu pai tem coisas a fazer e vamos mais tarde.
- Não sei se me aguento tanto tempo em Itália com o Salvador e o Afonso.
- São poucos dias ora vais amanhã dia 19 e nós chegamos dia 24, porque no dia 23 já não nos devem ver, 5 dias aguentam-se bem e sempre podes fugir para casa do rapaz da crista.
- Mãe é Stephan o nome dele.
- Não era El ‘’Shaatewy’’? - foi impossível não me rir com o que ela disse, e ela apercebeu-se e riu-se comigo.
- Mãe! Shaa-ra-wy. – Soletrei ainda a rir-me.
- Então foi o que eu disse! El ‘’Shaatewy’’. – Ri-me novamente – quem te manda arranjar um namorado com um nome tão complicado?

***

- Sabes? Eu acho que a conheço de algum lado!
- Não conheces nada!
- Conheço sim, eu lembro-me dela mas não assim.
Já estávamos no avião, antes tinha estado com a Francesca e tinha-a apresentado ao Afonso.
- Como é que a podes conhecer? Ela é de Braga.
- Rita a sério que eu a conheço, não de agora mas eu lembro-me dela.
- Andas a sonhar é que só pode.

***

- Aqui o mestre sou eu! – Disse o Afonso.
- Só ganhas-te porque eu me distraí. – Desculpou-se o Salvador.
- Olhem lá e que tal sairmos desta casa não?
- Onde é que queres ir?
- A algum lado!
- Correção – disse o Afonso – a algum lado frequentado por El Shaarawy.
- Que piada!
O Afonso saiu da sala e eu aninhei-me mais à manta o Salvador sentou-se no sofá ao meu lado.
- Estou admirado, ainda não foste ter com ele.
Os meus irmãos continuam a achar que está tudo igual e sinceramente não vale a pena contar-lhes porque sei que tanto um como o outro vão-se virar contra o Stephan sem razão.
- É – respondi.
- Rita…- olhei para ele – ele não sabe que tu estás cá pois não?
- Não.
- Mas está tudo…bem?
- Acho que sim.
- Eu acho que não.
- Salvador…podemos apenas sair?
- Sim, podemos.
- Eu vou-me vestir.
Peguei na manta e fui subindo devagar as escadas. Atirei a manta para a cama e olhei-me ao espelho tinha um aspeto mesmo assustador. Fui penteado o cabelo à frente do espelho. Tinha uma necessidade de cantar baixinho aquela música.

Heart beats fast [Coração bate rápido]
Colors and promises [Cores e promessas]
How to be brave [Como ser corajosa]
How can I love when I'm afraid to fall [Como posso amar quando tenho medo de cair]
But watching you stand alone [Mas vendo-te ficar sozinho]
All of my doubt suddenly goes away somehow [Todas as minhas dúvidas desaparecem de repende de alguma maneira]

One step closer [Um passo mais perto]

I have died every day waiting for you [Eu morri todos os dias esperando por ti]
Darling, don't be afraid I have loved you [Querido, não tenha medo eu amei-te]
For a thousand years [Por mil anos]
I'll love you for a thousand more [Eu te amarei por mais mil]

Poisei a escova e voltei a olhar para o espelho, consegui ver o reflexo do Salvador que estava à porta.
- É só…vestir-me. – Disse-lhe.
- É isso não é?
- Isso o quê?
- Tu tens medo Rita, estás a ficar assustada porque percebeste que o Stephan não está só de passagem.
- Ele é importante, mais importante do que alguma vez pensei que ele pudesse vir a ser.
- Isso assusta-te?
- Muito. Estou em território desconhecido não sei se devo reagir nem sei como reagir.
- E já pensaste em dizer-lhe que estás aqui em Itália.
- Não sei se o devo fazer.
- Não te conhecia tão insegura.
- Eu não sou insegura é esse o problema Salvador, há uns meses atrás era tudo tão diferente eu não pensava muito antes de dizer fosse o que fosse, agora eu penso e muito porque qualquer coisa que faça ou diga pode arruinar tudo. É esse o meu medo que tudo se acabe antes de mal ter sido construído.
- Não podes viver com esses medos Rita, livra-te deles por ti e…por ele.
- Tu não tens…medo?
- Por experiência própria digo-te que o medo…estraga tudo. – Quando acabou de falar o seu olhar estava totalmente distante.
- Há algo que eu não sei mas que deva saber?
- Apenas percebe que o medo estraga muita coisa, por isso não o tenhas.
- Vou tentar.
- Agora veste-te que estamos há não sei quanto tempo para sair de casa.
- Calma que eu já desço.

***

(Stephan)

O treino já tinha acabado, agora era aproveitar o resto do dia que amanhã vamos para Roma.
- O que é que vais fazer à tarde? – Perguntou o Prince.
- O que tenho feito todos os outros dias. – Respondi
- Vais estar com a tua miúda estes tempos?
- Era suposto não era?
- Ui que isso não anda nada animado. Estás mesmo apanhadinho.
O telemóvel tocou, uma mensagem, não tem sido muito habitual nos últimos dias. Tirei-o do bolso e vi que a mensagem era da Rita.

‘’ Já deves saber que o meu irmão veio para Itália. Cheguei ontem e vou andar o resto da manhã por aquele centro comercial muito giro azul e grande, tu sabes qual é. Bacio ‘’


 (Rita)

- Estás à procura de alguma coisa? – Perguntou o Afonso.
- Não…estou só a ver se…
- Fogo isto deve ser de família, é que ninguém mesmo ninguém sabe mentir! O salvador começa-se a rir, tu engasgas-te toda…
- Eh pá cala-te sim? Se vires o Stephan avisa-me.
- Não é muito difícil de o encontrar, quando vires assim um bocado de cabelo espetado para o ar vês o El Shaarawy.
- Oh vamos lá ver, tu não falas mal da crista do Stephan.
- Também já defendes a crista?
- Olha quem está ali! – Disse o Salvador.
- Quem? – Perguntei num impulso.
- O Robinho. Vamos ter com ele.
- Que desilusão, a Rita a pensar que era o namorado.
- O Stephan? Ele está ali!
- Oh pois está. – Disse o Afonso.
- A onde? – Perguntei, esperando por uma resposta rápida.
- Á direita está ao pé do Robinho.
O meu olhar foi direcionado para as indicações que eles me tinham dado, e lá estava ele. Uma sensação inexplicável invadiu-me, foi completamente perfeito como se fosse a primeira, naquele momento foi como se me voltasse a apaixonar por ele. Tive medo que este dia chegasse, mas agora que chegou só tenho vontade de correr para os braços dele e dizer que…ele é muito especial dizer-lhe tudo o que sinto, até ele me mandar calar porque esta farto de me ouvir.
Começamos os três a caminhar em direção a eles, não imaginava assim o nosso reencontro com tanta gente à volta. Quando chegamos perto deles olhei para ele e aqueles olhos olharam para mim e ele sorriu, tinha saudades daquele sorriso que me faz acreditar que nada é impossível. Continuamos a olhar os dois um para o outro o tempo tinha parado ali…mas eu não consegui resistir por muito mais tempo, atirei-me para os braços dele sem ligar muito ao que estava ao nosso redor.
- Tinha saudades tuas – sussurrei nos braços dele.
- Eu também. – Respondeu.
Larguei-me dele mas fiquei com as minhas mãos nas costas dele, olhei para ele e deu-me um beijo na testa.
- Desculpa – disse – fui tão parva, eu não te quero perder.
- Eu também não meu amor.
- Eu não sei se vocês repararam mas a gente está aqui! – Disse o Robinho.
- Guardem lá as declarações para depois. – Disse o Salvador.
- Já cá tenho a minha – disse o Stephan.
- Quem te disse que eu não tenho a minha. – Disse o Salvador.
- Porque é que eu acho que vocês estão a conspirar qualquer coisa os dois?
- São assuntos nossos – disse o Salvador.
- Ui que eles já têm assuntos deles. Nem penses em roubar-me o namorado – disse para o Salvador – e tu muito menos em me roubares o irmão – disse para o Stephan.
Eles riram-se e eu larguei-me do Stephan e fui até ao Afonso.
- Bem, bem apresento-te o teu cunhado mais novo que tem 15 anos mas é maior que eu. Afonso é o Stephan e pronto é o Afonso. – Disse a sorrir.
- Não é muito difícil ser maior que tu, oh princesa – Comentou o Stephan.
- Viram como é que ele me trata?
- Rita, ele não disse mentira nenhuma, és mesmo baixa. – Disse o Afonso.
- Boa! Virem-se contra mim.
- Chora lá um bocadinho. – Disse o Salvador.
Típico, desde pequena que ele me faz o mesmo. Lembro-me de muitas vezes dizer: ‘’ Mãe já não há chocolate’’, aí o Salvador entrava e dizia: ‘’ chora lá um bocadinho’’, já quando era mais velha e entrei para o básico dizia: ‘’ Mãe o teste correu-me mal’’ e mais uma vez entrava o Salvador:’’ chora lá um bocadinho. Conclusão há anos que me faz a mesma coisa.
- Maldito dia em que nasceste!
- Sou o teu irmão preferido! – Disse o Salvador.
- O segundo irmão preferido queres tu dizer. – Concluiu o Afonso que levou tudo a rir.

***

Os dias passaram-se e estive pouco tempo com o Stephan ele teve de ir para Roma ia ter jogo e com isto tudo já estamos em véspera de Natal.
Hoje passamos o dia com os meus pais que vieram ontem. Eu, o Afonso e eles estivemos o dia todo a passear, o Salvador não veio, não sei bem porquê mas bem ficou lá por casa.
No fim da tarde voltámos para casa do Salvador mas quando abrimos a porta tive uma grande surpresa.
- Viste? Eu disse que a conhecia de algum lado! – Disse o Afonso baixo para mim.
- Há aqui qualquer coisa que não bate certo. – Respondi-lhe.
- Aposto contigo como ela é ex-namorada dele.
- Não tive conhecimento de nenhuma Francesca na vida do Salvador.
- É esse o nome da minha nova cunhada? É italiana?
- Meia. Afonso e nós estamos aqui a falar e tal mas não sabemos se coiso.
Saímos daquele canto da sala e fomos ter com eles.
- O que é que vocês estiveram ali a fazer? – Perguntou a minha mãe.
- A falar. – Respondeu o Afonso.
- De quê? – Perguntou o meu pai. O Afonso mandou-me com o cotovelo.
- Do jogo do Milan no sábado. Foi bonito.
- O namorado da Rita marcou.
Raio do miúdo que leva a conversa de tal forma a ir parar ao Stephan.
- Ainda não o conhecemos é verdade. – Disse a minha mãe.
- Mãe é Natal, como eu estou com vocês ele está com a família.
- Isso cheira-me a desculpa – disse o Salvador.
- Falemos em ti, Salvador! Então Francesca, eu nunca pensei ver-te aqui. Vocês namoram?
- Não! – Apressou-se o Salvador a dizer – Mas vocês as duas conhecem-se? – Perguntou.
- Conhecemos pois.
- De Coimbra? – Perguntou o Salvador.
Coimbra? Havia alguma coisa que não batia certo.
- Coimbra? – Perguntei.
- Não, nós conhecemo-nos numa viagem para aqui.
- Ah – disse o Salvador.
- Nós temos de preparar o jantar não é? Vá Afonso anda ajudar-nos! – Disse o meu pai.
Saíram os três da sala, o Salvador estava visivelmente nervoso.
- Eu não sei mas acho que há aí umas coisas que eu tenho que saber.
- Nós temos uma…história – disse a Francesca a sorrir.
Podia ter quase a certeza que aquele sorriso era parecido com o meu sorriso parvo quando estou com o Stephan.
- Oh que lindo e contarem.
- Não hoje – Disse o Salvador.
- Desculpa mas tu agora estás em segundo plano meu amor, substituíste-me pelo Stephan agora a Rita vai-te substituir pela Francesca.
Ela sorriu, com aquele sorriso que deixa qualquer um à vontade.
- Eu depois conto-te tudo – Assegurou-me.

***

- Vão sair hoje? – Perguntou a minha mãe.
Os meus planos passavam unicamente por passar em casa do Stephan, só isso e o Salvador sabia disso.
- Devemos ficar cá por casa.
- Então o Afonso fica cá.
- Claro que fica, a Francesca depois deve cá vir ter, vamos passar um bom serão a três. – Disse o Salvador.
- A três? – Perguntou o meu pai.
- É o Salvador não sabe contar, a quatro Salvador! Nós somos quatro. – Disse tentando remediar ali a situação.
- Isso! – Disse ele. – Quando é que voltam para Portugal?
- Dia 26, e vocês?
- Temos os bilhetes para dia 30 de manhã.
- Só digo para se portarem bem estes dias cá os três sozinhos. – Disse a minha mãe.
- Nós portamo-nos sempre bem! – Disse o Afonso.

(Stephan)

- É hoje que conheço a minha nora? – Perguntou a minha mãe.
- Mãe!
- Stephan aqui que ninguém nos ouve, gostas mesmo dela não gostas?
- Se gosto…- respondi – mas como é que sabes que ela existe?
- Esse teu sorriso não engana ninguém – não estava nada convencido com esta resposta – e o teu irmão deu uma ajuda.
- Esse também não sabe estar calado!
- Não posso mesmo conhece-la?
- Ela deve passar por aqui depois mas porquê tanto interesse em conhece-la?
- Deve ser melhor do que…aquela. – Disse a minha mãe, com ‘’aquela’’ referia-se à Giulia.
- Mãe! Ela chama-se Giulia.
- Oh Stephan. Porque é que a defendes?
- Ela é boa pessoa.
- Engraçado nunca conheci esse lado dela.
- Já têm uma coisa em comum.
- Quem?
- Tu e a Rita, ela também não gosta dela.
- Quem é que gosta?
- Mãe nem te vou responder a isso. Sabes que o Manu gosta dela.
- Não gosta nada! – Atirou com a maior naturalidade do mundo.
- Oh mãe!
- Não te digo mais nada, uma mãe sabe quando um filho gosta de alguém sabes? E o Manu sim gosta, mas…não como devia. Ela atira-se um bocado a ti não?
- Não!
- Que ideia.
- Mãe até pode vir a Nicole Kidman.
- Gosto de te ver assim – chegou-se perto de mim – homem de uma só mulher. – Concluiu apertando-me a bochecha.



(Rita)

A horinha das prendas chegou, por incrível que pareça nenhum de nós estava muito ansioso por isso.
- Rita toma – disse a minha mãe.
Era uma caixa quadrada embrulhada com um papel verde, estava um pouco curiosa, afinal o que é que podia ser? Abanei a caixa para ver se algo chocalhava lá dentro e sim chocalhava.
- Rita! Não faças isso! – Disse a minha mãe preocupada.
- Pronto desculpa, não sabia que podia ferir os teus sentimentos a abanar a caixa.
- Os meus não mas o da…coisa podes.
Decidi matar a minha curiosidade e abri a prenda como uma criança.
- Ah! - Deixei escapar.
- Gostaste?
- Eu amei!
Não podia estar mais contente com a minha prendinha de Natal, máquina fotográfica linda, eles bem sabiam da minha paixão pela fotografia, a minha segunda grande paixão a seguir ao jornalismo.
- Agora é que não nos vai dar sossego. – Disse o salvador.
- Ai não, agora não te livras assim de umas fotos aqui tiradas por mim.
- Depois de tirares o curso eu deixo.
- Curso? – Perguntei confusa.
- Sim começas em…- pegou num pequeno papel – Janeiro.
- Eu gosto tanto de vocês! Obrigada, isto faz-me mesmo feliz.

Passado pouco tempo os meus pais foram-se embora, estavam num hotel ali perto, eles até podiam ter ficado cá em casa, mesmo só com dois quartos nós arranjávamo-nos mas eles quiserem assim, e ainda bem que agora posso ir ter com o Stephan.
Tinha a perfeita noção que quando alguém me abrisse aquela porta ia enfrentar a realidade de ter os pais do Stephan ali, mas também sabia que ia ter o Stephan e que ele me iria fazer sentir segura ao seu lado.
Via-me em frente aquela porta sem saber o que fazer. Tinha um certo…medo. Ganhei a coragem que precisava e bati à porta.
- Cunhada! – Sim uma receção destas é top.
 - Manu! – Tentei mostrar alguma felicidade mas acho que não fui muito convincente.
- Vieste aqui para estares com o Stephan não é? É melhor eu deixar-te entrar.
- É capaz de ser uma boa ideia. Está frio cá fora. Buon Natale!
- Para ti também cunhada. O teu namorado está ali no sofá, descansa que os meus pais estão na cozinha.
Sim, muito mais aliviada sogros na cozinha, ainda tinha tempo para me preparar. Olhei para onde o Manu apontou e bem lá estava o meu chuchu, mas infelizmente com má companhia ao lado. Era impossível não me passar com tudo isto. Já estava muita coisa a pesar desde que conheci o Stephan e isto era a gota de água ela estava quase em cima dele e quando digo que é quase é mesmo quase em cima dele. Mãozinha no ombro dele, fotos dele nas redes sociais dela, temos que esclarecer uma coisa, Stephan meu, Manu é dela. Estava com muita raiva, raiva a mais talvez me excedi.
- Tu não desiste pois não? – Atirei – tu és capaz de largar o que é meu? Eu juro que se continuas a pôr as mãos no que não é teu…não tu não vais querer ver o que acontece!
- Acalma lá a miudita Ste!
- Vamos por partes, primeiro a miudita pode virar mulher e depois acredita que não vais querer saber o que vem a seguir e segundo aqui quem chama o meu namorado de Ste e de El e de nomes fofinhos sou eu!
O Stephan estava visivelmente assustado e não é para menos, ou muito me engano ou esta troca de palavras ainda agora começou.

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Boa noite meninas *.*
Espero que tenham tido um Natal maravilhoso, bem trago-vos o último capítulo do ano e assim uma prenda de Natal um pouco atrasada.
Espero que gostem e espero as vossas opniões :)
Aproveito e desejo-vos um 2014 melhor que 2013, cheio de coisas boas e muito amor.
Beijinhos,

Mahina 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

17º Capitulo - « Por vezes amar não chega… »

Umas semanas se passaram desde o pedido de namoro mais lindo que me fizeram, foi tudo tão perfeito, perfeito demais até. Hoje, sexta-feira, à noite a Gabriela vem para passar o fim-de-semana comigo. Só tenho mais uma semana de aulas até ao Natal e não tenho ideia do que vai ser da minha vida, tenho muito medo do que vai acontecer a partir de agora.
Quando saí das aulas á tarde fui para um jardim, sentei-me num banco e deixei-me estar lá por muito tempo, era ali que a Gabriela ia ter comigo como combinado.
Tinha o telemóvel na mão, olhava para ele constantemente sem saber bem o que fazer, uma parte de mim queria ligar mas havia outra parte de mim que não o queria fazer, no fundo sei que me vou arrepender tanto.
Não sei qual o pior, sofrer por estar longe dele ou simplesmente esquecer o que ele é para mimo que é impossível.
É horrível quando há uma decisão para tomar e não se sabe o que decidir, é horrível quando sofro tanto com a distância que sei que nunca vai acabar, quando vejo que os dias nunca mais passam e o meu único desejo era estar novamente ao pé dele.
Lembro-me tão mas tão bem da nossa despedida, foi como se tivesse morrido ali, no exato momento em que ele me deu o ultimo beijo.

#RecordaçãoON
E quando chega a hora de me despedir não consigo reagir, olho para ele e ele olha para mim e há sempre aquela pergunta no ar: ‘’ quando é que nos vamos voltar a ver’’.
Entrelaçou as nossas mãos e olhou para mim, sorriu e juntou os nossos lábios.
- Vale a pena muitas palavras? – Perguntei.
- Não – respondeu a sorrir – depois começas a chorar e eu não gosto nada de te ver chorar.
- Vou chorar de qualquer maneira.
- Eu sei que custa.
- Muito.
- Mas vamos ser felizes?
- Já somos – respondi a sorrir.
Agarrou-me pela cintura e beijou-me, são tão bons estes momentos.
- Sabes que os meus colegas gostam muito de ti?
- Não era suposto seres tu a gostar de mim? – Disse a rir.
- E gosto mas eles também gostam.
- Engraçado.
- Sabes que também dizem que és muito bonita?
- É e tu ameaças os pobres dos rapazes com a frigideira?
- Rita…percebe o meu lado.
- Se eu fosse ameaçar todas as raparigas que gostam de ti e te acham giro haviam de chover frigideiras.
- Mas tu tens uma coisa que essas raparigas todas não têm.
- Que é…
- Eu.
- Tu? Também não tenho grande coisa.
- Muitas Italianas gostavam de me ter, tu tens essa sorte.
- Acho que no fim de passarem um dia contigo rifavam-te logo.
- Tão querida que ela está.
- Também amo tu.
- Vais gozar comigo até quando por causa de eu ter dito isso?
- Até dares assim uma calinada muito pior no português.
- És mesmo parva.
- Que engraçado tu também!
- Ti amo.
- Eu também te amo apesar de seres o maior parvo que eu conheço.
- És perfeita.
- Que perfeição.
- Já me perguntaram se eras modelo.
- Passei ao lado de uma grande carreira, diz lá tenho mesmo cara de Miranda Kerr ou será Adriana Lima, se calhar é Alessandra Ambrosio.
- Tens mesmo cara da parva da Rita Almeida e chega bem.
- É que eu ainda gostava de saber porque é que aceitei namorar comigo! Isso é maneira de me tratar?
- Não amore mio.
Chegou-se perto de mim outra vez e beijou-me, é surpreendente como nos tratamos ou muito bem ou muito mal.
- Tenho de ir, mas eu não quero.
- Também não quero que vás.
- Mas tem de ser, vá despedida curta se não choro muito.
- Oh princesa, nós vamos estar juntos mais cedo do que possas imaginar, vais ver!
- Quero pensar que sim, custa muito sabes?
- Sei.
- Vá, despachemos isto, dá-me um beijo e vai-te embora.
- Só um?
- Dois, três mas rápido.
Juntou os nossos lábios mais uma vez, só de pensar que é o ultimo beijo dá-me um aperto enorme no coração.
No fim do beijo encaminhei-me para dentro do aeroporto quando o Stephan me agarrou.
- Mais um.
Sorri e beijamo-nos outra vez, agora sim o ultimo beijo…por agora.
#RecordaçãoOFF


Peguei no telemóvel, tomei a minha decisão. Fui até aos meus contactos, andei até encontrar Stephan e carreguei em chamar. O telemóvel tocou uma, duas, três vezes até ouvir a voz dele do outro lado.
- Olá amore mio. – E com aquela voz sinto um aperto no coração enorme.
- Stephan – consegui dizer já com lágrimas nos olhos.
- Está tudo bem? Estás…estranha.
- Precisamos de falar.
- Mas…aconteceu alguma coisa?
- Eu não quero fazer isto, a sério que não mas…eu não aguento mais…desculpa.
- Rita, o que é que se passa? Porque é que estás a chorar?
- Stephan, cheguei a um ponto que não consigo, eu não aguento, não aguento esta distância, não consigo…desculpa, mas não dá – falava entre choro, não me conseguia explicar, não conseguia dizer tudo o que tinha planeado dizer…saiu tudo ao lado – eu sofro com cada despedida, sofro tanto…
- Rita, tu estás a acabar tudo?
- Não me odeies por favor, não me odeies…
- É impossível odiar uma pessoa que tanto amo.
- Stephan ouve-me – fiz uma pausa, limpei as lágrimas e tentei falar com mais calma – Tu és uma pessoa tão especial, foste tu que fizeste com que eu voltasse a acreditar no amor, foste tu que conseguiste curar cada ferida em mim, foi em ti que confiei a minha vida, confiei porque tu és muito especial, és quem eu quero ao meu lado todos os dias, mas tu estás longe, faço todos os dias um esforço enorme para tentar acreditar num amor à distância, e lembro-me do que a minha avó me disse uma vez, que a distância não significa nada se tu significares tudo, a verdade é que significas mas eu sou fraca demais eu não aguento isto, magoa-me cada vez que nos despedimos e cada vez custa mais, à medida que a tua importância aumenta, aumenta também a dor, sim dói, dói muito.
- Vais desistir? Agora? – Começava a notar a tristeza na voz dele.
- Eu…eu não quero desistir mas…- as lágrimas voltaram á recarga, aquele choro intenso voltava a tomar conta de mim – eu não aguento percebes? Sou fraca demais para aguentar isto tudo, não quero que tudo o que temos acabe a sério que não mas peço-te um tempo apenas…acho que nos precipitamos nisto tudo.
- Se é um tempo que queres é um tempo que te vou dar – a reação dele deixou-me a mim sem reação, ele compreendeu-me Não vou dizer que concordo com tudo isto porque não concordo, mas eu ia até ao fim do mundo para te ter ao meu lado, e se é um tempo que queres é um tempo que te vou dar.
- Desculpa, não te consigo dizer mais nada. Não te vejo há semanas e começo a desesperar, este tempo que te peço não é para pensar no que sinto por ti, porque em relação a esse assunto eu não tenho duvidas, apenas quero este tempo para pensar na nossa relação.
Ele não disse nada e eu apenas chorava sem saber o que dizer, sem saber o que pensar.
- Rita?
- Diz.
- Nunca te esqueças de uma coisa eu amo-te sim?
Cada palavra dele me matava aos poucos por dentro, e quando ele disse que me amava tudo desabou. Comecei a chorar ainda mais sem conseguir controlar as lágrimas que iam caindo.
- Sei que vai haver algo que te vai fazer mudar de ideias, e perceber que a nossa relação de precipitada não tem nada. Esse tempo que me estás a pedir vai durar pouco, eu sei que sim, e digo-te mais uma vez, princesa e tu nunca te esqueças que te amo.
- E eu também te amo, acredita.
Desligamos a chamada, dobrei as pernas e levei-as até mim, enterrei a cabeça nos meus joelhos.
- Oh minha gorda – sim eu conhecia aquela voz, levantei a cabeça – ai ai, o que é que se passa?
- Eu acabei com ele, Gabi.
- Com ele? O italiano? Porquê?
- Eu não aguento percebes? A distância vai-me matando aos poucos.
- Mas vocês amam-se.
- Por vezes amar não chega…
- Estás bem?
- Não, mas vai ficar. Nós demos um tempo.
- Oh princesa, eu quero-te ver contente.
- Vais ver, isto vai fazer-me bem eu sei que sim.
- Oi? A Gabi ama-te.
Dei-lhe um beijo na bochecha, só ela para me pôr um sorriso na cara.

***
 O sábado passou a correr, quando temos as pessoas que gostamos ao nosso lado o tempo passa a correr e é o que tem acontecido.
Acordamos por volta das 10 horas da manhã e começamos logo na risada de manhã.
- Mas tu viste a lata do miúdo? – Perguntou a Gabriela a rir-se muito.
- Então não vi? Ele disse: Oi, eu chamo-me Arlindo mas podes só tratar-me por lindo que o ar já tu mo tiras-te.
- Essa é tão velha pá!
- Teve ainda mais piada quando o amigo veio chama-lo e disse: Oh Albertino vamos embora que a tua mãe disse que tinhas que estar em casa ás 11horas e já são 11 e 5!
- Mas eu aturo cada emplastro! Deus me dê paciência.
- Eu pensei que ele tivesse um nome fixe tipo…sei lá qualquer um sem ser Albertino.
- Mas eu tenho namorado e tu também, por isso vieram meter-se com as miúdas erradas.
- Desculpa…-disse olhando para a cara com que fiquei – mas o Stephan será sempre teu namorado, nada mudou continuas a amá-lo.
- Sim…- respondi.
- E tipo bom dia! – disse começando a fazer-me cócegas – o meu nome é Gabriela mas trata-me só por Gabi que o ela…não, não tem sentido.
Começamos as duas a rir muito, fizemos um pouco de barulho a mais. Quando olhamos para a porta vimos o Afonso à porta.
- Talvez que eu morra na praia – começou a cantar o Afonso.
- Oh então? Amália Rodrigues a esta hora não! – disse eu.
- Cercada em pérfido banho – cantou a Gabriela.
- Por toda a espuma da praia / Como um pastor que desmaia /No meio do seu rebanho. – Acabei por cantar – e parou! Chega de Amália Rodrigues por hoje!
Rimo-nos todos e o Afonso atirou-se para a minha cama.
- Gabriela meu amor – disse o Afonso.
- Diz lá Afonso.
- Lembras-te do nosso acordo?
- Se me lembro, quando tu tiveres 18 anos vamos ter uma relação extraconjugal.
- Oh meninos! Não brinquem com coisas sérias!
- Onde é que ter uma relação extraconjugal é sério? – Perguntou o Afonso.
- Eu nasci de uma! – Disse a Gabriela – foi bem séria para tua informação.
- Gabi, o teu caso é diferente!
- A sério? – Perguntou o Afonso.
- Cusco como ele é, agora vais ter que lhe contar tudo. – Disse eu.
- Digamos que o meu pai saltou a cerca antes de ser meu pai. Por isso relações extraconjugais são maravilhosas, fizeram uma Gabriela linda.
- Bom dia! – Disse a minha mãe entrando no quarto.
- Bom dia D. Margarida – disse a Gabriela.
- Bom dia mãe – disse eu.
- Do que é que estavam a falar tão animados?
- Relações extraconjugais – Disse o Afonso.
- Bom assunto para começar o domingo. – Disse a minha mãe a rir.
- E o que é o almoço? – Perguntou o Afonso.
- Raio do miúdo sempre cheio de fome! – Disse a rir.
O Afonso saiu do meu quarto e a minha mãe também, senti o meu telemóvel a vibrar na cama.
- Onde é que ele está? – pergunta a Gabi a rir.
No meio dos lençóis andamos À procura do telemóvel acabei por cair no chão e a Gabriela só se ria.
- Está aqui! – Disse eu deitada no chão e tirando-o do fundo da cama, no meio dos lençóis.
- Como é que ele foi aí parar?
- Não sei – disse a rir.
Peguei no telemóvel e desbloqueei-o e vi que tinha uma mensagem do Stephan.
Olhei para a Gabi à espera de alguma reação dela.
- O que foi? – Perguntou.
- Uma mensagem…dele.
- Vê Rita!
Lá abri a mensagem como ela tinha dito.

‘’ Sinto a tua falta ‘’

- Então? – Perguntou a Gabriela.
- Ele disse que sente a minha falta…
- Como tu sentes a dele?
- Sim…mas foi melhor assim…
- Se tu achas que foi.
- Foi – respondi.
Ficamos mais um pouco na conversa, e fomos vestir-nos, quando ficamos prontas a minha mãe chamou para almoçar e fomos até à mesa.
O almoço decorreu entre muitos risos e gargalhadas, a Gabriela era parte da família,
- Tenho uma coisa para vos dizer, agora que estamos todos reunidos.- disse o Salvador.
- Vais-te casar! – Palpitou o Afonso.
- Para se casar era preciso que alguém, o quisesse. – Disse eu a rir.
- Meninos deixem o Salvador falar. – Disse a minha mãe.
- Vai haver umas mudanças na redação e eu vou sair de Paris.
- Sim, e? – Perguntei.
- Eu…vou para Itália.

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Boa noite minhas queridas leitoras.
Este é um capitulo ‘’diferente’’ se é assim que eu lhe posso chamar, com estas mudanças todas que aconteceram a única coisa que vos peço é os vossos comentários grandes ou pequenos, apenas deixem-nos por favor.
Volto a repetir, se não nos ‘’virmos’’ até lá, Feliz Natal
Beijinhos,

Mahina