segunda-feira, 25 de novembro de 2013

14º Capitulo - «- Acho que ela lá no fundo sabe que são um casal, um casal lindo. »

7:30, só faltam 15 minutos, só 15 minutos.
Estava no sofá com as pernas em cima da pequena mesa que estava ali, tinha o Afonso ao meu lado e acho que o nervosismo me está a invadir, nervosismo junto com um pouco de raiva e com muitas saudades, tudo junto dá uma mistura muito esquisita de sentimentos e uma vontade enorme que aquele jogo comece.
- Ai, sabes quem me dera ser gajo, assim um Falmini ou um Alexandre Pato, sabes o que isso é?
- Eu sou gajo, por isso não sei o que isso é! O teu desejo de ser gajo passa pela parte de dormir no mesmo quarto que o El Shaarawy?
- Eu não sou! E é nestes momentos que o gostava de ser! acredita que a parte de o ver de boxers me deixa ainda mais animada.
 O Afonso riu-se tanto que só depois pensei no que tinha dito, quer dizer não acredito que disse aquilo na presença do meu irmão.
- Ai que eu não acredito que estou a ter esta conversa contigo!
- Nem eu acredito que me disseste aquilo, eu não sou uma Gabi maninha.
- É isso falta-me a Gabi, mas a Gabi não vê jogos de futebol e tu vês.
Ele saiu da sala, e voltou rapidamente com as pipocas.
- Grazie.
- Estás em modo italiano já?
- Parece que sim.
O jogo começou, escusado será dizer que cada imagem que mostravam dele eu babava completamente, com um sorriso parvo na cara. Enquanto o meu irmão via aquele jogo como um bom jogo de futebol eu simplesmente o estava a usar para ver o El.
- Ele é mesmo fofo não é? – saiu-me sem pensar.
- Não Rita! É que tu nem penses, podes-me pedir tudo mas eu não aprecio gajos.
- Não é preciso apreciar gajos para ver o quanto ele é fofo! – fixei na televisão com aquele remate falhado dele – viste? É mesmo fofo.
- É fofo e falha o que não deve.
- Livra-te de o criticares comigo aqui! Expulso-te a sala.
- Rita, olha ele pode ser muito fofinho mas se falha mais daqueles, o Milan não ganha hoje.
Não consigo ter conversas sobre o El com o Afonso. Ouvimos a porta bater quando o Salvador entra.
- O que é que se passa aqui? – perguntou – pipocas?
- Estamos a ver o Milan.
- Ah, isso explica o porquê da Rita estar ali fixada.
Ignorei os comentários deles e continuei a ver o jogo.
- Salvador? – chamou o Afonso.
- Traz um balde que a Rita faz aqui um rio de baba daqui a um bocado.
- Parvo! – dei-lhe uma palmada no ombro.
Continuamos a ver o jogo, Milan a perder aquilo estava bonito, o jogo estava a acabar quando a minha coisinha boa marcou, bem babei mas babei mesmo, tanto com o golo como com ele.
- Olha ali Afonso! Diz lá se ele não é fofo?
- Se fofo quer dizer, finalmente no fim de falhar tanta coisa marcou, sim ele é fofo.
- Não critiques o Stephan, juro que me chateio contigo.
- Vá mana, não te chateies, não temos culpa que ele não acerte na baliza quando deve.
- Não vou comentar o que tu acabas-te de dizer, não vale a pena, estás na adolescência e mudas muitas vezes de opinião. Agora tu livra-te de contares a alguém, e quando digo alguém refiro-me à tua mãe, que eu e o Stephan somos amigos.
- Ela também é tua mãe. E vocês não são amigos!
- Isso de ela ser minha mãe não sei, e não vou dizer mais nada quanto a isso. E sim nós somos amigos.
- Amigos especiais, porque tu não vais ter com o Francisco todas as semanas.
- Também não vou ter com o Stephan todas as semanas.
- Não vais porque não podes.
- Sim isso é verdade. – disse antes de me levantar e de me dirigir ao quarto.
Deitei-me já com o pijama vestido e mandei uma mensagem ao Stephan.
Já desespero para o voltar a ver, acho que não aguento nem mais um dia, mas eu não posso tenho a consciência disso, tenho aulas tenho a minha vida cá em Portugal e não sei como passar por isto tudo.
Agarrei-me bem à minha almofada, fechei os olhos, quem me dera voltar aquela noite em que tinha o cheiro dele naqueles lençóis, naquela cama, naquele quarto.


***
Passou uma semana desde aquele jogo, feio dia 6 de novembro que está hoje, estes dias têm passado tão devagar.
O Salvador foi para Paris na quarta e voltou ontem, mas ainda não pôs os pés em casa, o Afonso têm-me deixado sozinha estes dias, por isso tem sido uma seca. Na escola as coisas também não têm andado nada animadas, ganhamos as eleições da associação de estudantes, o que é normal porque só havia a nossa lista.
Já era fim de tarde e estava na sala já de pijama com uma taça de  chocapic, quando o Salvador entra.
- Sabes? – sentou-se ao pé de mim.
- Não, não sei, tu ainda não me disseste nada.
Ele ia falar, mas eu interrompi-o, havia um assunto a falar e era agora.
- Olha lá oh Salvador! Temos que falar, que conversa foi aquela de teres ido para Itália ter com uma gaja?
- O que é que estás a dizer?
- Tu não me enganas oh miúdo! Quem é ela?
- Ninguém! – disse aquilo com uma convicção meu Deus.
- Mentes pior que o Afonso devias ter vergonha!
- Rita tu tens uma moral para falar, foste para Itália ter com quem?
- Com o meu namorado!
Sim eu acabei de dizer ‘’ o meu namorado’’, não acredito que o disse, saiu-me assim sem querer. Mas nem soou mal, o meu namorado, a única coisa que não me agrada é o compromisso que isso implica, namorados implica distância por vezes, mas eu quero-o como meu namorado sem distâncias.
- Isso já anda a evoluir! Já admites que são namorados.
- Nem penses! Nada de mudar de assunto. É loira?
- Não, mas o que é que isso interessa?
- Muito! Interessa muito! Quando é que a conheço?
- Rita, percebe ela é minha amiga.
- Então há mesmo uma ela!
- Há.
- Sei que mais tarde ou mais cedo a vou conhecer, mas agora preciso da tua ajuda!
- Para quê?
- Eu preciso de estar com o El.
- O que é que eu tenho a ver com isso?
- Preciso de ti maninho, preciso assim de uma coisa.
- O quê?
- Itália e eu, este fim-de-semana.
- Eu falo com os pais.
- Falas mesmo?
- Falo mesmo.
- E vais comigo?
- Não, lamento mas vais ter de ir sozinha.
- Está bem.
- Sabes que ele tem jogo dia 11?
- Sei mas é ás duas da tarde, consigo passar tempo com ele.
- Sabes que é jogo com a Fiorentina e são capaz de levar uma goleada?
- Isso a mim não me interessa, interessa que vou estar com o Stephan.
- Nunca te pensei voltar a ver assim!
- Assim como?
- Assim, apaixonada!
Sorri, sim ele conseguiu trazer a Rita de volta, a Rita sem medos, a Rita apaixonada, a Rita solta.
- Obrigada Salvador, por tudo, por tudo mesmo.
Passei mais algum tempo com ele, ali na sala.
No fim de jantar enfiei-me no quarto precisava de falar com o Stephan sem interrupções como a entrada do Afonso no quarto no outro dia.
Passado pouco tempo já estava com a imagem dele á minha frente e a ouvir a voz dele.
- Sabes? Amanhã faz um mês que nos conhece-mos. – disse ele.
Que sorriso que se formou na minha cara, ele não se esquece, ele contou os dias desde que nos conhece-mos, eu percebo que sou importante para ele, sinto mesmo. Quero tanto voltar a estar com ele, quero tanto abraçar-me a ele, quero tanto ser a pequena dele.
- Contas os dias?
- Conto tudo, e acredita que não gosto de matemática, mas sim eu conto tudo, há oito dias que disseste a primeira vez que me amavas.
Será que foi tão marcante para ele como foi para mim? Aquele amo-te que eu disse aliviou muita coisa em mim, fez me ter certezas, certezas que ele é muito importante para mim, e que eu o amo…sim é a melhor palavra eu amo-o. E ele lembra-se do dia em que eu o disse pela primeira vez, contou os dias.
- Sabes eu conto é os dias, as horas para estar novamente contigo?
- E vai demorar muito?
- Deixa-me fazer contas, bem daqui umas 72 horas já devo estar nos teus braços. – olhei para a cara dele, estava a pensar mas não estava a lá chegar – Stephan, Stephan não penses muito! Dia 9 vou para aí.
- Vens? – um sorriso lindo formou-se na cara dele.
- Vou, e ai de ti que me deixes pendurada no aeroporto, juro que te mato.
- Eu nunca deixaria a minha princesa à espera nem vou deixar. Sabes que te amo?
- Tenho assim uma ligeira ideia disso, acho que já me disseste isso uma ou duas vezes.
- Não sei se vou dizer muitas mais vezes!
- Então porque?
- Depois ficas convencida!
- Quem é que não fica convencida de ter assim o rapaz mais perfeito do mundo a dizer que a ama?
- Sabes ele diz esse amo-te á rapariga mais especial do mundo..
- Tenho inveja dela.
- E eu tenho inveja dele.
- São assim o casal mais fofo do mundo.
- Achas que ela os vê como casal?
- Acho que ela lá no fundo sabe que são um casal, um casal lindo.
- E ela gosta de os ver como casal?
- Ela ama.
- Ele ama-a a ela. – disse o Stephan.
- E ela ama-o a ele.
- E eu amo-te a ti.
- E eu também te amo.

***
Finalmente instalada naquele avião, agora são só umas duas horas e meia mais ao menos até chegar a Itália.
 Estava ao pé da janela e tinha uma rapariga ao meu lado. Era bonita, morena e com uns olhos mesmo lindos, tinha aparência de uma rapariga nova.
Olhei para o telemóvel e tinha uma mensagem do Stephan, a dizer que me ia buscar e claro no fim disse que me amava, nunca a palavra amar teve tanto significado para mim. Passei a mão pelo ecrã do telemóvel onde estava uma foto dele, sussurrei um ‘’ti amo’’.
- Italiana? – Perguntou a rapariga que estava ao meu lado.
- Portuguesa – respondi.
- Oh, eu também– sorriu-me – Francesca.
- Rita. – Respondi – nome italiano?
- É, mas bem portuguesa. Amizades em aviões não sei se é possível mas não custa tentarmos!
Ri-me com a afirmação dela, porque não? Parece tão simpática, e tenho a certeza que é.
- Tens cara de novinha, de certeza que se és portuguesa não vives em Milão!
- Tenho 17 anos, e vou visitar uma pessoa, e tu?
- Eu vivo mesmo em Milão, vim visitar a minha família, e agora volto para casa.
- De onde é que és?
- Braga e tu?
- Coimbra, mas a viver em Setúbal.
- És gira! Aposto que há Italiano á tua espera! E por essa cara estás mesmo apaixonada.
- Fazes mesmo o quê em Milão?
- Sou jornalista.
- Começo a achar que devias ter ido para psicóloga.
 A conversa alongou-se até chegarmos a Milão, a Francesca era divertida e senti que podia partilhar tudo com ela, apesar de a ter conhecido á pouco mais de uma hora, ela conseguiu que eu confiasse nela, e ela em mim. Partilhamos de todo o tipo de assuntos. Não lhe falei o El apenas porque é um assunto complicado, porque há um ‘’nós’’, essa palavra que apesar de tudo, ainda me mete um pouco de confissão.
Quando saímos do avião fomos as duas buscar as malas e continuamos a falar, despedi-me dela minutos depois, para de seguida ir á procura do El.
De longe mirei a silhueta dele, mesmo estando escuro aquela crista é inconfundível.
Ele estava de costas quando cheguei junto a ele, poisei a mala com cuidado no chão e tapei-lhe os olhos.
- Esse teu cheiro é inconfundível oh princesa!
Tirei-lhe as mãos dos olhos e ele virou-se para mim agarrando-me pela cintura. Beijou-me, que saudades daqueles beijos, desesperei tanto para que este dia chegasse e agora tê-lo aqui ao me lado é tão bom.
Agarrei-me ao pescoço dele, e ele continuou com as mãos dele na minha cintura.
- Eu amo tu – disse-lhe.
- Não gozes com o meu português menina Rita! Eu quando disse isso não sabia o que estava a dizer.
- Foi lindo á mesma, as calinadas que dás no português dão-me uma certa vontade de rir.
- Não te rias de mim, que o teu italiano é horrível.
- Ah, não insultes o meu italiano!
- Ti amo – disse-me dando-me um grande beijo.
- Eu também amo tu.
Rimo-nos os dois, e continuamos aos beijos.
- Stephan? – ouvi chamar.
Olhei para o lado e vi a loira que á um mês e uns dias me estragou a noite quando se agarrou ao Stephan.
- O que é que ela está aqui a fazer? – perguntei.
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Olá, bem aqui está ele o 14º
Peço desculpa por ser mais pequeno que o normal, e estar um bocado atrasado ao normal.
Se não conseguir publicar nas próximas semanas, compenso-vos no Natal (:  sim porque só falta um mês.
Beijinhos,

Mahina

domingo, 17 de novembro de 2013

13º Capitulo - « (...) é tão…é tão tudo o que eu sonhei.»

- Olha, o teu namorado marcou um golo! – disse o Afonso.
Aquela reação dele deixou-me desprevenida, sem saber bem o que dizer.
- Eu agora tenho namorado e ainda por cima marca golos?
O meu olhar foi parar á televisão, os festejos dele…eu vi aquilo mas voltar a ver, é tão bom mesmo.
Fixei-me só mesmo na televisão, ele…ele é mesmo sexy.
- Olha, está fixada. – disse o Afonso.
- Boa tarde – disse o Salvador entrando na sala.
- Se é tarde viesses mais cedo! – disse o Afonso.
- Que engraçado que o puto está! O que é que se está aqui a passar?
- O namorado da Rita marcou um golo.
- Pois foi o El Shaarawy! E até que foi um bom golo, mas o cruzamento ajudou.
- Salvador! – repreendi-o , parece pior do que o Afonso.
Os miúdos, despediram-se do Afonso e foram-se embora, eu não pretendia continuar a ter aquela conversa, mas o Afonso quis continuar.
- Ai mas nós estávamos aqui a dizer alguma mentira?
- Estavam! Claro que estava. Ele não é meu namorado.
- Não é não! Daqui a uns meses já tenho sobrinhos e com crista!
- Oh Afonso! – o Salvador começou a rir-se que nem um perdido – E tu ainda és pior que ele! Primeiro pedes sobrinhos ao teu irmão daqui a uns nove anos já me podes pedir a mim.
- Daqui a nove anos? Até eu já tenho filhos.
- Olha ainda bem, é sinal que vais contribuir para a natalidade.
- Deixa lá de mudar de conversa- disse o Afonso- falemos no teu namorado.
- Ele não é meu namorado! Quantas vezes é que preciso de dizer isso? E como é que tu sabes?
- Como sei do quê? Que ele é teu namorado? Foi o Salvador é pior que as velhinhas, conta tudo.
- Contei porque tu pediste oh puto!
- Oh Salvador! E se ele te pedisse para te atirares a um poço tu atiravas. – disse eu.
- Oh pá saiu-me desculpa.
- Ele também me disse que foi ter com uma miúda!
- Afonso! Isso não era para dizer!
- Obrigada por me deixarem na ignorância, irmãos do meu coração. Tipo Salvador, tu vais ter com uma gaja que se calhar ainda é loira, e não me dizes nada, ainda tens a lata de me mentir! Nunca esperei isso de ti.
- Maninha…
- Maninha nada!
- Rita ele é gajo!
- E eu sou gaja e não foi por isso que não te contei as minhas coisas com o Stephan.
- Rita..
- Rita nada Salvador! Eu estou a brincar contigo, sabes que nunca me chatearia contigo, mas fogo, eu sou tua irmã.
- E eu gosto muito de ti, desculpa. – disse o Salvador.
- Oh obrigada por me deixarem de lado, eu também gosto muito de vocês, és a minha irmã preferida.
- Também não tens mais nenhuma oh parvo!
Passamos um fim de tarde em família, sem pais apenas nós os três a fazer...’’porcaria’’ é a palavra certa, aqueles patos no lavatório, não comentei acho que ignorei o facto de haver patos na casa de banho.
Por pouco da conversa que ouvi sobre os patos, percebi que eles só estão ali até amanha, por causa de alguma coisa da escola que não percebi.
E amanhã é segunda é verdade, só quero que chegue o dia em que o possa ter novamente ao meu lado.

***
Intervalo da manhã, estava a ver que nunca mais, estas a aulas começam a ser tão seca.
- Rita, Rita, Rita, Rita – disse a Daniela atravessando-se á minha frente – hoje começamos a campanha!
- Campanha? – perguntei bastante confusa.
- Lista F, para a associação de estudantes.
- Qual é o ‘’slogan’’ ?
- Vota F e seremos felizes!
- Que foleiro oh Daniela!
- O que é que queres? Melhor coisa que se arranja. Vá distribui os panfletos e diz vota F e serás feliz com um sorriso na cara.
- Isso vai ser um bocado difícil.
Ela deu-me os papeis para a mão e eu comecei a fazer ‘’a campanha’’, vota F e seremos felizes, bem não podiam ter arranjado uma letra melhor que F, assim um S era muito mais engraçado, vota S e vamos ser um sempre, bem isto não faz sentido nenhum, mas os meus pensamentos agora andam mesmo só nele.
- Vota F e seremos felizes – disse pela centésima vez neste intervalo.
- Nós os dois é que podíamos ser felizes juntos!
E de vez em quando calham-me assim uns doidos na rifa, que tenho que tentar manter a calma e responder sem me enervar.
- Não obrigada, acredita que sou muito mais feliz longe de ti.
Remédio santo, o rapaz desapareceu.
Tocou para voltar a entrar e lá vou eu para a aula horrível de português, também é a ultima do dia, mas mesmo assim fico na escola até o Afonso sair, aproveito e faço uns trabalhos na biblioteca.
- Viram o Real? E o Milan?
- Sim vi o Milan, o golo do El Shaarawy, olhem que o miúdo tem jeito para a coisa.
Aquelas conversas de principio de aula assustam-me, será que de um momento para o outro tudo começou a ver o Milan? O mais provável era já verem o Milan á muito tempo, mas agora só essa palavra, ‘’Milan’’, me faz chama logo á atenção, e ‘’El Shaarawy’’, nem se fala, acho que tremo só por dentro de a ouvir.
A aula pareceu uma eternidade, a professora em vez de falar do que interessa fala da vida dela, já sei que tem dois filhos e que tem um cão e…sei lá, acho que sei mais dela do que da minha mãe.
No fim daquela aula fiquei sem vontade nenhuma de ficar na escola, decidi mesmo ir para casa, estava vazia e hoje tenho que fazer algumas coisas, falar com o Salvador sobre aquela conversa esquisita de uma rapariga, e tenho que falar com o Francisco e ainda tenho que falar hoje com o El, se não, não sei mesmo como vou enfrentar esta semana de aulas.
Decidi começar por ligar ao Francisco, precisava dele, precisava mesmo dele, do meu melhor amigo. Peguei no telemóvel e iniciei a chamada.
- Olá amore mio.
Aquilo que o Francisco disse com toda a normalidade do mundo, fez-me lembrar dele, agora tudo me faz lembrar dele, por momentos voltei á uns dias atrás quando o tinha ao meu lado quando tinha o seu toque na minha pele, quando o tinha só para mim e bem perto de mim. Todos estes meus pensamentos me fizeram pensar duas vezes antes de responder, eu não consigo responder, estou agarrada ao El estou agarrada aquele ‘’ Ti amo amore’’ estou agarrada ao passado de á poucas horas atrás.
- Francisco...
- Que se passa princesa?
Mais uma vez, este ‘’princesa’’ parte-me o coração, só porque tudo me liga a ele pequenas palavras, ou até pequenos gestos.
Deitei-me na cama pus em alta voz e comecei a contar tudo, mesmo tudo, comecei a contar quando o conheci até ao dia de ontem.
- Onde é que ele está agora? – perguntou.
- Provavelmente em Palermo, ele vai ter jogo amanhã lá.
- Já falas-te com ele hoje?
- Não…
- Isso são as saudades a falar mais alto.
- Não Francisco, não mesmo. Cheguei a um ponto que eu não aguento, sabes que quando gosto, gosto mesmo. Eu não sei lidar com isto, não sei lidar com esta coisa que nós temos á distância, não sei mesmo lidar com isto, eu mal consigo lidar com a nossa amizade á distância, sofro todos os dias por tu estares aí em Coimbra e a Gabi estar no Porto, sofro porque não vos tenho ao meu lado e estão no mesmo país que eu, agora…agora eu sofro todos os dias por ter o rapaz que…o rapaz que eu gosto noutro país. Eu não sei por quanto mais tempo vou aguentar isto, não sei se consigo viver assim, parece que metade de mim ficou em Itália quando me vim embora.
- Tem calma, tu és tão forte Ritinha, tu já passas-te por tanta coisa, por tanta porcaria, já enfrentas-te meio mundo e agora é que vais desistir? Do rapaz que te voltou a fazer acreditar no amor? Eu conheço-te melhor que ninguém sei o quando ele te faz feliz, eu não te estou a ver eu simplesmente estou a ouvir a tua voz, e percebo o medo que tens, além do medo, eu percebo que gostas dele e percebo que gostas mesmo!
-Mas eu não vou conseguir! Eu não vou, ele está tão longe, só o vejo daqui a uns bons dias, eu não aguento.
- Aguentas sim, tu não és fraca és forte, tão forte! Tomara tanta gente que passou por coisas parecidas com as tuas, virar a página como viras-te, passar á frente como tu passas-te, começar uma nova vida como tu conseguiste começar és forte, mais forte até do que imaginas.
- O que seria de mim sem ti?
- A Rita sem o Francisco.
- Quero falar com ele. E quero manga.
- Manga? Hoje? Queres manga?
- Sim apetece-me.
- Estás grávida Rita? – perguntou.
- É e eu sou a Virgem Maria! Engravidei pela obra do espirito santo.
- Não, mas pela obra de El Shaarawy não sei!
- Não, não mesmo.
- Ainda não?
- Ainda não, e duvido que seja muito cedo já que eu estou aqui e ele lá a uns 2500 quilómetros, sim Francisco não sou boa a matemática por essas e por outras é que deixei as ciências e tecnologias de lado.
- Vá não te exaltes, vai lá falar com o miúdo que já estas a ficar doida, isso é a falta dele.
- Sim é capaz. Gosto muito de ti, adeus.
- Pronto, vai falar com o rapaz e eu que me lixe.
- Vá Chiquinho, estou a precisar da voz dele, ou é a voz dele ou é manga!
- A voz dele é mais fácil de arranjar, também gosto muito de ti , beijinhos.
Desliguei o telemóvel, mandei uma mensagem ao El e liguei o skipe, agora espero por ele. O Afonso deve estar prestes a chegar, já são quase 5 e meia, por isso tenho que aproveitar para dizer umas coisas fofas enquanto ele não aparece.
Deitei-me na cama de barriga para baixo e a vídeo chamada dele não demorou a chegar.
- Olá principessa.
Agora sim a voz dele, a imagem dele, e o meu coração começou a bater mais depressa, sinto-me bem sinto-me quase completa, porque há uma coisa que me falta o toque, o toque dele.
Simplesmente fiquei a olhar para ele, para aquele sorriso maravilhoso que ele mantinha na cara, sim ele faz-me tão bem.
- Olá chuchu.
- Sinto a tua falta.
É nestes momentos que percebo que o conheço mesmo bem, é nestes momentos que sinto que sou importante para ele, porque ele abra-se para mim sem medos sem receios, ele simplesmente diz o que pensa diz o que sente sem medo de nada. A pessoa que vejo em campo a jogar com aquele 92 nas costas, é muito diferente da pessoa que eu conheço como Stephan, a pessoa com quem passei um fim-de-semana espetacular, a pessoa que apenas com um beijo me faz delirar. Ele é tão querido, é tão…é tão tudo o que eu sonhei.
E acho que chegou a hora de me deixar de medos de dizer o que sinto, de mandar fora todos os medos que ainda restam do passado e ser a Rita apaixonada que fui em tempos.
- Eu também, eu quero-te tanto, quero-te aqui ao pé de mim, quero que me agarres, quero que me beijes sinto falta disso El.
Ficou a olhar para mim de forma surpreendida, e depois vi o sorriso dele formar-se.
- Melhor que tu só…não…melhor que tu não há.
- Tens a certeza que não és um sonho.
- Sou bem real amore mio.- ele poisou a mão no peito dele – sabes?- ele sorriu- Ele bate por ti.
- E eu quero tanto ouvi-lo a bater de perto. – consegui responder.
Foi impossível, não me caírem aquelas lágrimas teimosas pelos olhos, apressei-me a limpa-las.
- Não chores, por favor não o faças Rita! Quando menos esperares nós vamos estar outra vez juntos, eu sei que sim, mas não chores por favor, o meu coração quebra-se só de te ver assim amore mio.
- Desculpa, estou uma chorona, só porque eu percebi que…eu gosto mesmo de ti, gosto mesmo, mesmo.
Ele sorriu, o que me fez sorrir a mim também, poisei também a minha mão no meu peito.
- Ele só bate assim quando ouve a tua voz.
Os momentos seguintes foram passados entre brincadeiras e muitas declarações, acho que já me estava a habituar aquilo, ele consegue ser tão amoroso, sem aquela faceta de ‘’bad boy’’.
- E como está aí Palermo? – perguntei.
Ele ia ter jogo amanhã, e já estavam em Palermo, notava-se que ele estava no quarto na cama como eu, quem me dera que aquelas duas camas se transformassem numa só.
- Está bem, estou no quarto com o Flamini.
- Eu estou no quarto sozinha.
- Ai que engraçada que ela está, e debaixo da cama?
- Não El, não está nenhum rapaz debaixo da cama.
De repente vejo a Leci a entrar pelo meu quarto a dentro, a minha cadela boxer que se baba mais que eu a ver o Stephan.
-Olha a minha cadela, El Shaarawya anda cá!
- El Shaarawya, a sério? Que estás a chamar a tua cadela de El Shaarawya, o meu nome mas em feminino?
A Leci subiu para a minha cama e deitou-se ao meu lado.
- Vá Leci, diz olá ao tio El!
- Tio? Afinal o que és tu á cadela.
- Sei lá! – a Leci rosnou para o ecrã, levantou-se e foice embora toda senhora de si. – Olha rosnou-te! Já não podes vir cá se não ela arranca-te um bocado do rabo.
- E tu toda preocupada não é? Depois o que é que apalpavas?
- O rapaz que está de baixo da cama.
- Ai que piada.
- Oh mana tu – disse o Afonso entrando pelo quarto a dentro- … eh pá que tas a falar com o El Shaarawy! – deitou-se ao meu lado – olá.
Uma pá, preciso de uma pá para me enterrar.
- Olá Afonso – disse o El.
- Eh pá ele fala português!
Dei-lhe um calçudo.
- Tu disseste olá em português, e esperavas que ele te responde-se o quê?
- Sei lá.
- Não tens trabalhos de casa para fazer? – perguntei.
- Não!
- E não tens assim nada para fazer?
- Acho que não.
- Afonso, vá vai-te lá embora, já disseste olá ao El Shaarawy e ele respondeu-te, já ganhas-te o dia.
- Não posso contar isto a ninguém pois não? – perguntou.
- Oh pá é assim, tipo tás a ver? Poder podes, mas duvido que acreditem em ti.
- Pronto está bem. – deu-me um beijo na testa – vou ter com o Tiago. Adeus El Shaarawy.
- Adeus – respondeu-lhe o El.
- Finalmente a sós – disse eu.
- Ou não – disse o El, e vi barulho no quarto.
- Olha o El Shaarawy falando com a sua musa, olá Rita – vi a cara do Flamini.
- Oh Olá Rita – vi a cara de outro rapaz se não me engano era o Abate.
- Olá Rita – sim este eu conhecia bem, Alexandre Pato.
- Olá, acho eu. Porque é que eles sabem todos o meu nome? – perguntei.
- Ah isso é fácil! El Shaarawy está sempre a dizer, aquela miúda é mesmo perfeita.
- Aí nos perguntamos, quem? – disse o Alexandre.
- E ele responde, a Rita. – finalizou o Flamini.
Bem ia ali uma mistura de brasileiro com italiano, que nem digo nada. Mas o importante é que percebi tudo e que o meu menino ficou meio envergonhado.
- Vá, podem se ir embora não? – perguntou para eles.
- Vá, nós vamos deixar-te aí a falar com a musa.
- Mas é para inspirar o El Shaarawy, ele tem que marcar!
- E temos que ganhar!
- Eu faço muita coisa mas milagres não! – disse no gozo.
- Olha que piada que a namorada do El Shaarawy tem!
Eles acabaram por sair do quarto mas disseram ao Stephan que tinham que ir para baixo, para qualquer coisa que não percebi.
Agora eu tinha-me que despedir dele.
- Eu tenho mesmo de ir.
- Sim, pois é. Boa sorte para o jogo de amanhã.
- Um beijo calhava mesmo bem agora.
Sorri com a afirmação dele.
- Se calhava.
- Não me apetece mesmo nada, mas mesmo nada despedir-me de ti mas tem que ser não é? Mais tarde ou mais cedo esses lábios vão ser meus outra vez, muitos bacios, ti amo amore mio.
Chega a parte de não saber o que fazer o que responder, será que estou preparada para dizer o mesmo? Será que não me vou arrepender?
- Promete-me uma coisa.
- Diz.
- Nunca vamos desistir do nosso amor, e nunca me vais deixar.
- Eu prometo que jamais desistirei do nosso amor e que nunca, mas nunca te deixarei.
Sorri, agora eu estou preparada.

- Eu também te amo.

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Olá, bem aqui está ele o 13º.
Espero as vossas opiniões sinceras, porque são muito importantes.
Obrigada Ana, por me aturares dia a dia, com as minhas inseguranças todas.
E obrigada a vocês desse lado, que me têm acompanhado, um grande OBRIGADA (:
Beijinhos,
Mahina ღ