sábado, 7 de dezembro de 2013

16º Capitulo - «E por muito magoada que eu tenha ficada, há quem já tenha curado tudo (..) »

Passeamos durante pouco tempo, ele tinha de ir embora e eu não podia evitar isso, deixou-me em casa dele e disse que a Erika depois vinha ter comigo e que íamos as duas para o jogo.
- Adeus namorada – deu-me um beijo na testa.
Desde manha que não se cala com o ‘’namorada’’, passou o tempo todo a chamar-me namorada, mas ele esqueceu-se de uma coisa.
- Olha lá tu não me pediste em namoro por isso não sei porque é que me chamas namorada.
- Lá isso é verdade. – Pegou no saco e dirigiu-se à porta.
- Nem tenho direito a um pedido de namoro?
- Por agora não- chegou o seu rosto perto do meu – por agora só mesmo um beijo.
Beijou-me e saiu de ao pé de mim.
- E não te esqueceste de nada?
- Ti amo. – Disse antes de fechar a porta.
- Eu também – gritei já depois de ter fechado a porta.
E agora vou apanhar uma grande seca, sozinha em casa dele sem nada para fazer agora é que me dava jeito um Manu por aqui, é um chato mas pelo menos fazia-me companhia.
***
- Mas vocês já avançaram com isso? – Perguntou a Erika já na bancada do estádio.
- Depende ao que te referes com esse já avançaram.
- Namoram oficialmente? Eu vi fotos de manhã.
- A nossa relação é boa, nunca pensei encontrar uma pessoa como ele, mas daí a oficializarmos alguma coisa é muito cedo.
- Percebo-te.
- Como é que foi quando oficializaste a cena com o Mattia?
- Por um lado foi bom, não nos termos de esconder de nada, mas por outro é sempre um desafio.
- Um desafio?
- Sim Rita, há muitas pessoas que se aproximam de ti por interessa, vai haver fãs que te vão adorar, idolatrar até, e depois vai haver outras que…
- Me vão odiar!
- Não é odiar, é apenas inveja.
- Elas vão-me desejar morte.
- Não vão nada, não tenhas medo Rita, o Stephan como é nunca irá deixar que ninguém te faça mal, nunca o tinha visto assim, sabes?
- Isso é bom?
- Muito, anda tão alegre, tão apaixonado. Nunca pensei.
Sorri, e olhei para o relvado o jogo ia começar, e ali estava o meu menino, agora é hora de o ver.


O jogo acabou, 1-3 não é muito, acontece levar três da Fiorentina é a vida.
Eu e a Erika ficamos ainda algum tempo nas bancadas depois do jogo, segundo ela os meninos demoram mais no balneário que nós a arranjarmo-nos de manhã.
Quando finalmente eles vieram ter connosco, o estádio já estava vazio, o Stephan sentou-se ao pé de mim e o Mattia e a Erika foram-se embora.
O Stephan deixou-me sozinha durante algum tempo, disse que ia tratar de uma coisa, enquanto isso fiquei a olhar para aquele estádio, foi ali que nos conhecemos.
Voltou passado pouco tempo com um ramo de rosas na mão, já estava a ficar um bocado assustada.
Entregou-me o ramo e eu encostei-o a mim, pediu para me levantar e eu lá lhe fiz a vontade.
- Rita…
- Espera, não me vais pedir em casamento pois não?
- Não!
- Ah, ainda bem, podes continuar.
- Rita, nós conhecemo-nos há pouco mais de um mês, aqui neste mesmo sitio, foi quando te vi pela primeira vez e sinto que de certo modo o San Siro vai estar ligado a nós para sempre, parece pouco tempo eu sei, 30 dias,  mas eu sinto que te conheço há anos, no pouco que estivemos juntos sei tanto sobre ti, acordas mal-humorada quando não te deixam dormir até às horas que queres, quando estás nervosa mexes no cabelo, demorás-te mais tempo do que eu a dizer que me amavas, porque querias ter certezas, simplesmente tudo isso é perfeito em ti. És teimosa, és refilona e quando não te fazem as vontades és uma chata, por outro lado, as tuas qualidades, demoras pouco tempo até te relacionares com alguém, és uma querida, és uma irmã mais velha muito preocupada porque adoras o Afonso, és…muito especial. As nossas diferenças todas completam-nos.
Estava petrificada, não tinha palavras não sabia o que dizer, não sabia mesmo.
- Eu…
- Shiu – disse-me – eu ainda não acabei.
Comecei a mexer no cabelo, como ele disse quando estou nervosa é o que faço, ele sorriu, percebi que ele entendeu que eu estava nervosa.
- Não preciso de mais tempo, não preciso de provas nenhumas, eu simplesmente sei que és tu quem eu quero ao meu lado nos verões quentes e nos invernos frios, nas tuas dores de cabeça e nas minhas lesões, quero-te agora e sempre…Rita, tu queres namorar comigo?
Agarrei-me ao pescoço dele e abracei-o bem de força precisava de o sentir, que ele era real, que ele estava ali.
- Claro que sim – respondi – és tipo assim o homem da minha vida.
- E tu és tipo assim a pequenita da minha vida.
- Amo-te, sabes?
- Sei – respondeu – e eu também te amo.

***
Foi a pior viagem de avião que fiz, não consegui parar de chorar, e quando pensava que já tinha conseguido, havia sempre algo que me fazia lembrar dele, está a tornar-se insuportável esta distância, estas despedidas, sinto-me mal.
Quando cheguei a Portugal o Salvador estava a minha espera, consegui não chorar mais e divertimo-nos bem entre a viagem do aeroporto até casa.
O Salvador deixou-me em casa, e foice embora. Domingo à noite, nem o Afonso nem o meu pai deviam estar em casa, quando entrei fui até ao meu quarto e arrumei as coisas, ia até á cozinha quando a voz da minha mãe me deteve.
- Rita? – chamou.
- Sim – respondi.
- Precisamos de falar…
De falar? Não era de todo o que esperava ouvir da boca da pessoa a quem chamo mãe, os únicos ‘’precisamos de falar’’ que ouvi até hoje ou foi do Salvador ou do meu pai.
- De falar? Nós?
- É assim um espanto tão grande?
- Se é!
Ficou a olhar daquela maneira que eu odeio, está a tentar ver o que vai na minha cabeça.
- E é suposto falarmos agora? Ou…
- Agora Rita.
- Não vejo...o que é que podemos ter para falar.
- Eu sou tua mãe.
- É pena que te tenhas esquecido disso nos últimos anos!
Saiu-me sem pensar muito, a verdade é que é o que eu penso. Há anos que não temos conversas de mãe filha, penso que as ultimas vezes que falamos foi quando estive fora de Portugal, e pelo telefone consigo chama-la mãe, consigo acreditar que é o que ela me é, mas vê-la aqui, assim à minha frente magoa, ela não sabe de metade da minha vida, não sabe de metade do que se passou simplesmente não é uma mãe.
- Peço-te apenas que me oiças, eu tenho razões…razões para a maneira como tenho agido contigo.
- Ai há razões? Pensei que apenas te tinhas esquecido que eu existia.
Sentou-se no sofá da sala, e fez sinal para também eu me sentar junto a ela, eu lá fui sem saber muito bem o que esperar desta conversa.
- Estou à espera. – Disse já impaciente.
- Apenas não sei qual será a melhor forma de começar, e a melhor forma de dizer isto.
- Diz de uma vez.
- Eu sei…de tudo.
- De tudo? Como assim…de tudo?
- Sei do Filipe, sei da tua automutilação.
Como? Como é que ela sabe de tudo? Só o Salvador, a Gabriela e o Stephan, só eles é que sabem, e de um momento para o outro descubro que a minha mãe sabe e nunca mo disse.
- Sabes? Como é que sabes? E nunca me disseste, nunca pensas-te que eu precisasse de uma mãe?
- Rita, não comeces já com perguntas a que nem eu consigo dar resposta, deixa-me falar…por favor.
- Sinceramente, não sei se consigo ouvir o que tens para dizer.
- É a única coisa que te peço, por favor Rita, preciso de te contar.
- Mas contar o quê?
- Antes de tudo aquilo que se passou contigo, a nossa relação já não estava famosa, a nossa relação nunca foi famosa, sempre tivemos feitios diferentes e nunca nos conseguimos dar bem. E quando entraste na adolescência, cresceste tão rápido que eu não consegui acompanhar, mais tarde percebi o porquê de teres crescido tão depressa.
Aquela conversa estava-me a deixar confusa, não percebi nada do que ela estava a dizer, mas não me atrevia a perguntar simplesmente queria ouvir o que ela tinha para dizer, as tais razões dela.
- Afastei-me muito de ti, do Salvador e do Afonso por causa do trabalho, não queria mas muitos dos casos que tinha em mãos ocupavam-me demais, e esqueci-me que tinha família. No final do mês de Outubro mais ao menos, fiquei com um novo caso em mãos…o caso do Filipe.
Talvez agora tudo fizesse sentido, tudo me veio à memória, o Filipe estava frágil também quando eu o conheci, a avó a segunda mãe dele tinha morrido, e ele andava numa psicóloga, mas nunca me veio à cabeça a hipótese de ser a minha mãe quem acompanhava o caso dele.
- Comecei a acompanhar o caso dele, estava tão revoltado com a morte da avó que percebi que o desejo dele era encontrar uma vítima e depressa.
- Como assim uma vítima?
- No caso do Filipe, a pessoa afetada procura magoar alguém para esqueceres a dor.
- E eu fui a vítima… - desiludida? Acho que já me desiludiram o suficiente, isto não é nada…- e tu sabias?
- Achas que se soubesse, não fazia nada?
- Sinceramente? Eu não sei…
- Posso ter muitos defeitos mas se pudesse ter evitado tudo o que passaste, eu evitava.
- Continua.
- Como já disse, eu acompanhei o caso do Filipe, e tentei avisá-lo para não descarregar em cima de outras pessoas, mas ter avisado ou ter ficado calada resultou no mesmo. Passado umas semanas, ele disse-me que tinha uma namorada, que ela se auto mutilava, praticamente todas as consultas me dizia a evolução da que mais tarde vim a saber que era a vossa relação. Passado já algum tempo, ele disse-me que a namorada tinha acabado com ele, não me admirei nada já que ele não andava só com uma. O tempo foi passando e via a raiva a crescer nele, eu sou psicóloga ajudo e dou conselhos, mas não consigo mudar a ideia de uma pessoa, não a do Filipe. Eu tentava mudar, influencia-lo mas ele tinha ideias fixas, ele queria apenas uma coisa…a vingança, vingança essa que não tem pés na cabeça, ele simplesmente estava a dar em doido, ele queria vingar-se de algo que não tem sentido.
Olhava-a, não queria acreditar no que ouvia, pensava que isto não acontecia na vida real, isto é simplesmente impossível de acreditar. Não sei se conseguia ouvir mais.
- No dia antes de teres ido para o hospital, o Filipe esteve comigo, e quando se foi embora do consultório eu reparei que tinha um pequeno papel em cima da mesa, esse papel dizia que hoje ia ter a vingança dele, e que além de magoar a rapariga, ia magoar-me muito mais a mim, eu simplesmente ignorei, nunca pensei que a rapariga fosses tu…quando naquela noite foste para o hospital, eu não consegui entrar naquele quarto, porque eu liguei tudo, percebi que eras tu a rapariga, percebi que durante todo aquele tempo eu acompanhei o rapaz que te destruiu a vida.
Talvez a primeira vez que eu via a minha mãe com as lágrimas nos olhos, o choro dela foice intensificando ao longo das palavras que dizia. Não queria acreditar nisto tudo, eu não conseguia…
- Eu não consegui entrar naquele quarto de hospital, eu simplesmente culpei-me de tudo e afastei-me ainda mais de ti. Não consegui lidar com tudo, com a culpa principalmente, e quando me afastei de ti fiz pior, mas eu não conseguia, não peço que me perdoes…apenas que tentes entender tudo o que passei, a culpa que sentia…
- Não sei o que dizer…nunca pensei…
- Por enquanto só quero uma resposta tua.
- Diz.
- Porque é que eu nunca soube de nada do que se passou contigo?
- Porque eu simplesmente tenho vergonha.
- Vergonha?
- Ter-me apaixonado pelo Filipe, eu simplesmente tenho vergonha, sinto que nunca o conheci, eu namorei com um autêntico desconhecido, eu confiei-lhe a minha vida tenho vergonha disso. Ele é uma pessoa…horrível.
- Culpo-me tanto de nunca ter percebido, é que além de psicóloga eu sou mãe, e uma mãe percebe tanta coisa sem lhe ser dita, e eu simplesmente desiludi-te, não te apoiei na pior fase da tua vida, estiveste mais alguma vez com o Filipe depois de termos vindo para aqui?
- Quando fui para Coimbra, depois do batizado da miúda, ele apareceu-me à frente. Foi tão horrível, percebes? Não tive qualquer tipo de apoio nesse tempo, tanto a Gabriela como o Salvador souberam no fim, sentia-me tão sozinha.
- Sinto-me tão culpada, e pergunto-me se algum dia vamos poder recuperar todo o tempo perdido, pergunto-me se me vais conseguir perdoar.
- Eu nunca fui pessoa de guardar rancor, tu sabes disso. E por muito magoada que eu tenha ficada, há quem já tenha curado tudo, não gosto de ficar chateada com ninguém, principalmente com a minha própria mãe. Não te sintas culpada, por algo que não tiveste culpa, não gostei do que passei, mas já passou e graças a tudo o que passei tornei-me uma pessoa melhor, aprendi tanto e gostava muito de ter uma mãe persente, eu e o Afonso. Não vou dizer que tudo isto não foi uma surpresa para mim porque foi, mas não vale a pena fazer pior, não vale a pena ficar chateada contigo, porque a meu ver não há razão nenhuma para estar chateada contigo, tu sabes e é bom tu saberes, quero apenas melhorar a nossa relação a partir de agora.
- E eu estou disposta a isso, eu já te contei tudo e contei-te porque acho que já está bem na hora de conseguirmos ter uma relação minimamente normal, sim porque normal nunca vai ser esse teu feitio.
Já tínhamos aliviado o ambiente que estava até ao momento, foi um choque saber de tudo aquilo, mas eu quero ter uma vida completa, tenho o Stephan e o que me faltava agora esta presente, a minha mãe.
- Hei oh mãe, então? Tenho um feitio bastante bom.
- Não é que seja mau, até é…mas nós chocamos.
- Se fosse tudo muito perfeitinho era uma seca.
Ela riu-se e bem, acho que finalmente passado muito tempo, estamos a ganhar uma cumplicidade.
- Agora temos outro assunto a tratar, e bem sério.
- O quê?
- Se juntarmos aquela chamada quando estives-te em Paris, que o teu irmão acusou-te quando disse que tinhas arranjado namorado em Itália, as tuas idas a Itália, esse teu brilho nos olhos, e essa tua vontade de haver paz e amor em todo o mundo…
E é o que dá quando se tem uma mãe psicóloga, dá nisto percebe mesmo que não lhe digam, uma mãe consegue ter esse poder, mas a minha abusa dele.
- Vontade de haver paz e amor em todo o mundo?
- Sim, essa tua grande vontade de me ter de volta, queres ter a tua vida toda bem, estás contente, estás apaixonada! Disseste durante a nossa conversa que ficaste magoada mas há quem já tenha curado tudo.
- Disse? Não disse nada.
- Disseste pois, e nem penses é que tu nem penses que te escapas desta conversa!
- Não há muito para dizer.
- Há, há.
- Há um rapaz.
- Pois deve haver.
Ela estava gozar comigo, á espera que eu desenvolvesse.
- Chama-se Stephan, tem 20 anos, é Italiano e bem…joga no Milan.
- Ui um genro jogador de futebol.
- Mãe!
- Estou a revelar-me, sempre tive uma atração por jogadores de futebol.
- O pai era?
- O teu pai jogava nas distritais de Coimbra.
- Dedicou-te muitos golos?
- Não, nessa altura não havia essas modernices.
Ela levantou-se do sofá e voltou com um álbum de fotos, abriu-o e mostrou-me uma foto, era o meu pai sem dúvida como nunca pensei vê-lo todo equipado e a rematar.
- Sim, sem dúvida que passou ao lado de uma grande carreira – disse no gozo – um Cristiano Ronaldo autêntico.
- Fica sabendo que tinha muitas pretendentes na altura.
- Oh claro esse cabelinho à tigela atrai qualquer uma.
A minha mãe começou a rir muito com o que tinha dito.
- És mesmo doida!
- Não sou nada, disse alguma mentira? O cabelinho do Stephan é muito mais sexy. – Disse pegando no telemóvel e mostrando-lhe uma foto dele.
- Os meus netos vão ter esse penteado?

- Mãe…é inevitável.

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Olá meninas.
Bem este capitulo está enorme desculpem não resisti.
Peço-vos assim um grande pedido de desculpas, vocês mereciam uma despedida decente, bonita mas eu não consegui, desculpem
Espero as vossas opiniões, principalmente destas revelações da mãe da Rita.
Beijinhos,
Mahina

4 comentários:

  1. Amei demais <3
    Que fofos, são namorados *-*
    Ainda bem que ela fez as pazes com a mãe...
    Quero ler mais, por favor...
    Beijinhos

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  2. Olá!
    Ameeiiii!!!
    Tu pedes desculpa por o capítulo ser grande?? Ainda podia ser maior que eu não me importava nada!
    Agora em relação ao casal lindo....tiveram um dia muito bom...e aquele pedido de namoro foi perfeito!! Mas tiveram de se separar :( É tão mau! Devia ser proibído!
    Depois esta cena da mãe fiquei :o uau! Mas ainda bem que a mãe falou com ela e contou tudo porque assim agora podem tentar dar-se bem e recuperar o tempo perdido! E foi lindo começar a ver isso...principalmente nesta ultima parte da conversa sobre os netos e o penteado *_* foi lindo!
    Quero maissss!! Próxximmoo!!
    Beijinhos,

    Sofia

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  3. Olá!
    Eu ano gosto nada quando o Stephan e a Rita estao separados mas agora valeu a pena! Grandes revelações e acima de tudo uma relaçao que se começa a construir. E esta ultima parte da conversa ainda deu para rir. Sao parecidas aquelas duas, ja sei a quem sai a Rita com aquelas saidas mais disparatadas!
    E nao esta grande, ate esta pequeno, eu li-a mais um cap igual a este ;)
    Adorei e ja sabes que espero o proximo!

    beso
    Ana Santos

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