domingo, 19 de janeiro de 2014

19º - Capitulo « O sentimento que tenho por ela é tão forte que sinto que pode durar até à morte »

O Stephan saiu de onde estava e chegou-se perto de mim.
- Tu és como as outras, elas vêm e vão mas sou eu quem continua aqui.
Aquela pequena frase magoou-me mais do que imaginei. Estava a crescer uma raiva enorme dentro de mim, sei que provavelmente não ia aguentar e dentro de pouco tempo estaria a chorar porque aquelas palavras magoaram-me, magoaram-me a sério. Fizeram-me duvidar do amor do Stephan, amor esse que não posso ter duvidas.
Virei-me para trás encarando o Stephan, poisei as minhas mãos no peito dele.
- Stephan…tira-me daqui, por favor. – Sussurrei.
Agarrou-me a mão e começou a caminhar em direção às escadas que davam acesso ao andar de cima. Antes de subirmos as escadas reparei numa senhora de cabelo pelos ombros, loiro e de óculos a sair da cozinha, aquela devia ser a mãe do Stephan.
Quando chegamos ao quarto o Stephan sentou-se do lado da cama que ficava de costas para porta. Cheguei-me devagar perto dele, fez-me sinal para me sentar no colo dele e assim o fiz.
Não aguentei mais toda a raiva e as lágrimas começaram a cair sem eu ter possibilidade de as conter.
- Principessa - sussurrou o Stephan – quanto ao que ela disse.
- Não Stephan – interrompi – não quero falar sobre isso, não agora.
Deu-me um pequeno beijo na bochecha e abraçou-me contra ele.
É bom perceber o quanto querido ele é, o quanto me respeita.
Acabei por me levantar e deitar-me na cama, deitando a minha cabeça nas pernas dele. Ele foi acariciando o cabelo o que fez com que o meu choro fosse parando.

(Stephan)

Ia passando a minha mão pelo cabelo dela, partia-me o coração ver a Rita neste estado, ela é tão nova, tão inocente e tem levado com tanta coisa. Fui eu quem lhe trouxe este último problema, dou eu o culpado do choro dela.
Aos poucos reparei que o choro dela foi abrandando, já não chorava tão intensamente e a respiração dela foi ficando mais pesada. Apercebi-me então que tinha adormecido.
Com cuidado levantei-me poisando a cabeça dela na cama, sei a acordar tentei endireita-la e cobri-a com uma manta.
Sentei-me no sofá perto da cama e mirei-a, até a dormi consegue ser perfeita.
Senti passos no corredor e vi a minha mãe entrar no quarto. Sentou-se junto a mim e olhou para a Rita e depois para mim.
- É muito bonita – disse.
- É não é?
- Gostas mesmo dela não é?
- Ela é muito especial mãe. O sentimento que tenho por ela é tão forte que sinto que pode durar até à morte, que vai ser eterno, acho que é impossível sentir isto por alguém que não seja ela.
- Eu sei o que é isso…- agarrou-me as mão – mas Stephan não deixes ninguém, mesmo ninguém meter-se entre vocês, porque de um momento para o outro pode acabar tudo.
- Não vou deixar. – assegurei-lhe.
- Nós temos que ir, amanhã não te atrases por favor Stephan.
- Não vou atrasar.
- Adeus – disse levantando-se – cuida bem da menina.
A minha mãe acabou por sair do quarto. E eu permanecia ali sem saber o que fazer, de certa maneira sentia-me culpado.
Acabei por me deitar junto dela e pensar que amanhã é outro dia e tudo ficará bem.

***

(Rita)

Acordei naquela cama, sem me lembrar bem de como tinha parado ali. Lembrava-me de ter estado ali com o Stephan mas não de me ter deitado, principalmente vestida.
Olhei para o meu lado direito e reparei no Stephan a dormir. Decidi não o acordar e levantei-me. Procurei pela minha mala que estava no sofá e fui até à casa de banho. A maquilhagem que antes estava bonita. Agora estava toda borratada. Tentei arranjar-me ao máximo já que a minha cara metia medo.
Voltei ao quarto instantes depois e como desajeitada que de vez em quando sou, deixei cair a mala fazendo algum barulho e acordando o Stephan.
- Desculpa, não te queria acordar.
Ele, nada disse, estava ensonado e como tal ainda não tinha bem noção de tudo, ainda estava a acordar muito lentamente. Continuei a apanhar os objetos que tinham caído da minha mala.
- As horas! - disse assustado. – Eu tenho que ir para Savona.

***


Este dia de Natal não podia estar a ser mais divertido. Tinha uma certa saudade daquelas tardes em família que se acabaram há anos. Primeiro a minha mãe quando deixamos Coimbra decidiu abrir a tal loja com uma amiga dela e maior parte dos dias não os passa em casa, de vez em 2quando tira um dia de folga mas nada de especial porque o meu pai também só tem dois dias de folga e maior parte das vezes não coincidem com os da minha mãe. O Salvador decidiu fazer a mudança radical e ir para Paris, agora Itáli, e nunca mais tivemos momentos destes em família.
 Como não dá nada, e quando digo nada é mesmo nada, de interessante na televisão Italiana há que ver um filme e o filme escolhido foi ‘’ Natal Radical’’. Já vi um filme uma quantidade de vezes mas continuo a rir-me como da primeira vez.
Enquanto vi-a o filme andava às mensagens com o Stephan pelo telemóvel do Salvador, já que ele tem número italiano.

‘’ Tua companhia era melhor’’

Foi a mensagem que recebi. Ele tinha ido para Savona para casa dos pais dele.

‘’ Não era nada. Estás aí bem. Sabes? A minha saia é muito gira e é curta’’

Se calhar até que abusei um bocadinho, mas dá-me um certo gosto provoca-lo, então por mensagem é ótimo porque ele não pode fazer nada. Senti o telemóvel a vibrar, respondeu rápido desta vez. Abri a mensagem sem olhar bem.

‘’ Vou aí ter contigo à noite. Ainda não matamos as saudades todas, são tantas.’’

Havia aqui qualquer coisa que não batia certo. A mensagem era da Francesca e não do Stephan.
- Aberta por engano! Desculpa – disse dando-lhe o telemóvel.
A cara que ele fez não foi de toda bonita. Passado algum tempo deu-me o telemóvel para a mão.
- Aberta por engano, desculpa.
‘’Parvo’’, pensei.

‘’ Não me provoques que não estou em situação de ser provocado. Passas a noite comigo?’’

Respondi-lhe com um talvez e continuamos a ver o filme.

Passado algum tempo os meus pais despediram-se porque iam ter voo para Portugal.
Finalmente ficámos só os três em casa sozinhos mas não por muito tempo porque a Francesca apareceu. Tanto eu como o Afonso nos estávamos a tornar castiçais, aquilo estava romântico demais. Eles bem negaram qualquer tipo de relação mas de longe sentia-se que aquilo era bem mais que amizade.
Não tinha intenção nenhuma de dormir cá em casa hoje. O tempo com o Stephan é pouco e tem que ser aproveitado.
Quando o Stephan me veio buscar já era tarde e a minha intenção era ir logo com ele, coisa que o Salvador não deixou porque disse que queria falar com ele. Conversa mais bonita entre os dois não podia ter existido, falaram sobre futebol.
A cada segundo que passava sentia-me mais nervosa, sabia que quando estivéssemos os dois sozinhos íamos ter uma conversa séria. Desde o momento que cheguei a Itália nenhum de nós teve a iniciativa de pegar no assunto da nossa separação, daquele tempo que demos.
A conversa entre os dois acabou por terminar e acabamos por sair de casa do Salvador.
A viagem de uma casa para a outra estava a ser silenciosa, silenciosa demais, nós não somos assim.
Decidi quebrar o gele e levei a minha mão à perna dela a expressão de assustado surgiu na cara dele.
- Rita! – disse.
- Agora já olhas para mim! – atirei.
- Sempre olhei para ti.
-Olhaste, olhaste… - levei novamente a minha mão à perna dele.
- Rita! – voltou a dizer e a olhar para mim.
- É o meu nome – respondi.
- É perigoso a tua mão aqui.
- Ai é?
- Eu estou a conduzir. – disse mantendo os olhos na estrada.
- Estas a dar-me uma tampa!
- Não estou nada.
- Estás pois!
- Rita, tenho a tua vida nas minhas mãos.
- Isso dito assim…
- É a verdade.
- Porquê eu? – perguntei do nada.
- Porquê tu o quê?
- Porquê eu Ste? Porque não outra qualquer, daquelas todas giras e perfeitinhas?
- Porque eu gosto de feias e imperfeitas como tu. – respondeu no gozo.
- Stephan a sério, porque eu?
- Queres que te comece a enumerar as razões?
- São muitas?
- Algumas.
- Começa lá.
- Foste das primeiras, se não foste a primeira a dar-me para trás. E aí percebi que não era o centro do mundo que nem toda a gente tinha que gostar de mim.
- Eu sou mesmo horrível.
- Rita eu estou a falar a sério...precisamos de uma conversa depois de tudo o que aconteceu.
- E podemos ter essa conversa quando chegarmos a casa? - aquela era, talvez, das conversas mais assustadoras que me esperavam...nem eu sei o que esperar dela porque é tudo tão incerto. Na minha relação com o El nada está garantido, nada está igual ao que era...talvez seja o nosso recomeço, o recomeço daquilo que pode ter um futuro.
- Claro...prefiro assim. Olhar nos teus olhos é melhor do que olhar para a estrada – nada disse...não sei se estar a olhar nos olhos dele durante a conversa será o melhor, mas também sei que não é o melhor ter a conversa aqui no carro.
O El estava concentrado na estrada mas era impossivel manter a mão quieta...parece que a separação me faz querer estar a tocá-lo a toda a hora, a garantir que aproveito cada minuto, cada segundo aqui com ele. Fiz com que a minha mão subisse um pouco, sem grandes atrevimentos.
- Rita! - percebi que aquilo tinha mexido com ele e acabei por retirar a mão da sua perna...o que causou uma reacção estranha no El. Ele olhou para mim com uma cara nada satisfeita.
- Que se passa? - perguntei já que não obtive mais nada da parte dele.
- A mão estar onde estava não incomodava nada...sabes que tenho a tua vida nas minhas mãos, não sabes?
- Outra vez? sei...por isso sei que não vais fazer porcaria. Vamos lá para casa que está a ficar frio.
- Podes sempre aquecer...
- Stephan!
- É o meu nome.
- Parvo. 
- Parva - desta vez foi ele que colocou a mão dele na minha perna...não foi algo que me assustasse. Só sei que vamos ter uma conversa e não sei o que pensar – ti amo.
- Eu também te amo, El – coloquei a minha mão em cima da mão do El e até chegarmos a casa pouco mais foi dito.

****

Estavamos os dois no sofá. O El sentado e eu deitada com a cabeça nas pernas dele. O tema da conversa séria ainda não tinha sido mencionado, começámos a ver televisão (e não consigo gostar de tekevisão italiana) mas sentia que estava quase a adormecer.
- Ainda tens medo? - do nada, aquela pergunta surgiu da boca do El. E agora? Como é que se responde a isto?
- Estás a falar de...
- De nós. Da nossa separação. Tu pediste um tempo porque causa do medo, tu disseste que eras fraca para aguentar isto. Eu acredito que seja dificil, mas eu não quero que tenhas medo de nós.
- Stephan... - involuntariamente tinha saído o primeiro nome dele...nem sei porque. Levantei-me para o olhar, para perceber o que é que se passava nos olhos dele. Fiquei junto dele e...aquela conversa era preciso que existisse. Era mesmo – El...eu tenho 17 anos e ter uma relação assim...era algo que nunca pensei que fosse acontecer. Tu és jogador de futebol, tens 20 anos e vives em Itália. Acredita que se este último facto fosse outro...os meus medos não existiam.
- E porque é que eles existem? Acho...que podes confiar em mim, eu quero estar contigo, não quero andar com mais ninguém.
- Ninguém me garante isso...hoje pode ser assim e aparecer outra rapariga que te faça feliz.
- Mas tu fazes-me feliz Rita. A cada hora que passa do dia. Podes não estar aqui todos os dias, podemos não falar horas porque não estamos juntos...mas cada imagem tua, cada momento nosso aqui em Milão, cada palavra...muda tudo. Faz com que eu acredite que o nós será para durar.
- Acredita que eu também penso em ti...a toda a hora. Mas quando estou cá não quero ir embora e as despedidas acabam por acontecer, aquela tristeza de te deixar volta e os medos sobrepõem-se uns nos outros. Eu quero estar contigo, quero que o nós seja ainda mais verdadeiro do que já é. Eu estou no 12º ano...e vai haver alturas em que não vou puder cá vir...como é que vamos aguentar isso?
- Não sei...quando tu não puderes cá vir...eu posso sempre ir conhecer Portugal. Posso eu ir ter contigo e passar nem que sejam poucas horas contigo. Mas eu quero-te – o Stephan chegou-se mais para junto de mim juntando as nossas mãos – não foi por acaso que te pedi em namoro...nunca nenhuma mulher antes me tinha feito querer pensar em namorar...e tu fizeste com que fosse imediato.
- E...não achas que, por isso, seja precipitado demais?
- Não Rita. Não porque eu não tenho medo. Podiam vir 500 modelos de topo que eu ia sempre escolher-te a ti. Porque tu és a minha principessa.
- Promete-me uma coisa.
- Diz.
- Quando acharmos que isto pode não dar certo, temos de falar um com o outro.
- Como tu fizeste?
- Sim.
- Eu prometo.
- Eu prometo também...eu quero mesmo que resulte El. Quero mesmo mas...tenta compreender estes medos que às vezes são chatos.
- São como tu, deixa lá.
- Ei! - dei-lhe uma palmada no braço que, talvez, tenha sido com força demais.
- Que violência oh Rita!
- Desculpa – cheguei-me ainda mais para junto dele...e esta proximidade fazia-me sentir bem, feliz e com vontade que tudo desse certo, que o meu amanhã, depois de amanhã e para a semana, fosse aqui. Do lado dele. Com ele.
- Foi impressão minha ou achaste que me tinhas aleijado e tiveste pena?
- Não foi isso que aconteceu? Stephan Kareem El Shaarawy tu enganaste-me?
- Tudo por causa da tua proximidade – dito isto...beijámo-nos. Era algo que poderíamos fazer a qualquer momento mas...este veio na altura certa, no momento indicado. O Stephan sabe dos meus medos...mesmo que eu não tivesse dito directamente quando pedi um tempo, ele ficou a saber e isso só significa que ele...está empenhado? Será? - não me voltes a pedir um tempo – ele interrompeu o beijo falando quase em sussurro.
- Porque? Foi assim tão mau?
- Foi...fiquei com medo de nunca mais te ter nos meus braços. Tinha medo que te esquecesses de mim.
- Também tens medo, Ste?
- Claro que tenho...quem me garante que lá na tua zona não há um rapaz que te dê mais do que eu?
- Ninguém me dará mais que tu...fica descansado. Podiam vir 500 rapazes à minha porta que eu mandava-os dar uma curva.
- E não ias com eles?
- Não. Vinha ter contigo.
- Não me deixes – ele encostou a cabeça dele no meu peito e eu comecei a mexer nela. Quase como instintivamente mexi-lhe na crista. Pensei que ele fosse mandar vir comigo, mas ficou sossegado, agarrando-me ainda mais pela cintura – fica sabendo que és a única que pode estar a mexer na crista!
- Aposto que muitas mais mexem e mexeram.
- Não...só o cabeleireiro, eu e uma vez a minha mãe. Quem toca no Milan ou o Manu é porque é para fazer porcaria. Assim, como estás a tocar, és só tu.
- Espero bem que sim.
Ficamos algum tempo os dois encostados um no outro, só a trocar carinho e alguns beijos.
- Rita?
- Diz El.
- Achas que vamos ter filhos?
- Que raio de pergunta é essa?
- Não sei...não queres ter meninos comigo?
- Não sei...acho que não estou preparada para isso.
- Eu não te estou a pressionar a nada, não penses que quero levar-te lá para cima e fazer bebés.
- Não queres?
- Essa vontade existe...mas não te vou forçar a nada.
- Obrigada.
- Mas nunca pensaste em ser mãe?
- É o sonho de qualquer mulher...casar e ter filhos, mas não sei. Não me vejo daqui a uns anos com uma barriga enorme, o corpo todo esquisito, mudanças de humor e depois tudo o que vem com um bebé: noites mal dormidas, fraldas...eu sou nova Stephan...ainda não sei quando será...mas quero.
- Um dia, mais tarde, pode ser que te faça a mesma pergunta e que possamos estar os dois preparados.
- Queres ser pai?
- Quero...não sei. Pode ser, mas ainda não sei. Não me vejo com uma criança minha nos braços mas só no futuro é que poderei saber. Como tu, ainda sou novo para essas coisas. Além do mais o processo de fazer bebés é bem melhor do que os ter.
- Bem melhor que os ter!
- Pensei que fosses...
- Esquece sim? Sou nova demais para ser mãe e a nossa cena é recente demais. Controla-te lá com essas vontades.
- Sim senhora.
- Esta está a ser a nossa conversa séria?
- Pois...acho que ficámos mais esclarecidos ou não?
- Muito mais.
- Rita?
- Sim? Acho que hoje me gastas o nome.
- Não...dormes cá?
- Queres que durma cá?
- Quero.
- Então...eu durmo cá.
- Obrigado.
- De nada Stephan...tu estás muito calmo.
- Porque é que estás a dizer isso?
- Porque estás...é um facto.
- Estou cansado é só isso.
- Então descansa.

(Stephan)

Depois da conversa que tivemos, acho que as coisas estão mais claras do que nunca. Somos dois namorados completamente apaixonados um pelo outro, com medos, com dúvidas mas que querem aproveitar o presente enquanto o amanhã não chega.
Estávamos sentados no sofá mas a Rita à muito que não se mexia nem falava. Olhei para ela e constatei que estava a dormir. Achei melhor levá-la até ao quarto e deitá-la na cama. Para ela estar mais confortável, acabei por lhe tirar a roupa e tapá-la.
Voltei ao andar debaixo para desligar algumas das luzes que ficaram acessas e a televisão, subindo de seguida para o quarto. Deitei-me ao lado da Rita...e esta sensação não poderia ser a melhor. Ela. Aqui. Comigo.

(Rita)

Acordei com a luz que estava a entrar pela janela. Não sei como, porque não me lembro, mas estou no quarto do Stephan...o mais provável foi ter adormecido. Reparei que estava só de roupa interior e que o meu estomago só fazia barulho necessitando de comida.
Levantei-me sem fazer barulho para não acordar o El e fui até ao roupeiro dele, de onde retirei uma camisola dele (que a mim mais parecia um vestido até ao joelho).
Desci as escadas e fui até à cozinha...ouvia vozes, italianas. Estaria aqui alguém?
Entrei na cozinha e uma senhora com os seus 50 e poucos anos estava por detrás da bancada. Vi que, tal como eu, ficou surpreendida.
- Buongiorno – disse ela.
- Buongiorno...
- É a menina Rita... - percebi que já era conhecida nesta casa...ainda bem que já consigo falar italiano com alguma facilidade, caso contrário não me safava desta.
- Sim.
- Eu sou a Paola – ela dirigiu-se a mim, abraçando-me – eu tomo conta aqui da casa do menino Stephan. E ele não parava de falar de si, mas a menina está cá e é mesmo muito bonita.
- Obrigada Paola... - ela olhou para mim e sorria.
- O menino ainda está a dormir?
- Sim...
- Vá até à salinha que eu faço-lhe o pequeno-almoço. Que é que quer? Torradinhas? Café? Cereais?
- Eu não quero estar a dar trabalho, Paola.
- Este é o meu trabalho. Diga lá.
- Pode ser cereais...
- Vá lá que eu depois levo.
- Obrigada – sai da cozinha e quando estava a chegar à sala o Stephan vinha a descer as escadas.
- Bom dia – disse ele, chegando ao pé de mim. Agarrou-me pela cintura e beijou-me.
- Bom dia...conheci a Paola.
- Ela já cá está?
- Sim...está a fazer o pequeno-almoço.
- Ela já andou a dizer coisas, aposto.
- Não...é muito querida ela.
- É. É amiga da minha mãe...desde que vim morar sozinho para Milão que ela está cá.
- Isso é bom...
- Menina Rita... - a Paola entrou na sala, olhando para nós – o menino também já está acordado. Vou por então tudo na mesa.
- Bom dia Paola! - disse o Ste indo abraçá-la e deando-lheu-lhe um beijo na face.
- Bom dia menino! - a Paola voltou à cozinha e o Stephan agarrou-me pela mão e fomos para lá também, onde já estava um cheirinho a café e torradas...mas a mim apetecia-me cereais.
Apesar de haver cadeiras, sentei-me no colo dele, a isto chamava-se tomar um pequeno-almoço a dois, enquanto eu comia os meus cereais assaltava as torradas do El. Riamo-nos muito, estava a ser tudo muito especial, bem que me habituava a isto todos os dias. Olhei para a porta onde vi a Paola, olhava-nos com uma ternura enorme.
- Tenho uma proposta para ti! – disse-me.
- Tens?
- Eu e tu em Savona durante uns dias.
- Eu e tu o quê? – perguntei perplexa.
- Em Savona, quero aproveitar o tempo que me resta contigo e gostava que conhecesses os meus pais e nos divertíssemos e Savona é uma boa ideia, não?
Eu e ele em Savona? Não sei se neste momento é a melhor ideia.



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Olá meninas.
Bem, começo por vos pedir milhões de desculpas.
Tem sido complicado conciliar tudo, o tempo também não tem sido muito e a vontade de escrever tem sido pouca (nenhuma).
Comecei este capítulo no dia em que acabei o 18º. Fui escrevendo aos poucos e quando já tinha uma boa parte do capítulo escrita perdi-a. Desmotivou-me, não vou dizer que não. A vontade de escrever tem sido cada vez menos, não vos vou mentir. Se já pensei em desistir disto? Já mas não o vou fazer, não por agora. Vou fazer de tudo para vos continuar a dar capítulos (bons ou maus).
Bem, este foi complicado de sair e se está aqui é graças à Ana Patrícia Moreira, minha madrinha fofa. Este 19º é metade metade, ela escreveu uma grande parte do capítulo. Obrigada, agradeço mais uma vez a ela que tem sido essencial.
Um grande obrigado a vocês que continuam desse lado que leem e comentam.
Vamos ver como vai ser a partir de agora. Aqui está o 19º e fica com uma pergunta: será que Rita vai aceitar?
Beijinhos,
Mahina