sábado, 22 de fevereiro de 2014

20º Capitulo - «Nunca vou desistir de nós» - II parte

Estava um profundo silêncio naquela casa. A televisão que se encontrava à nossa frente estava desligada e o que se ouvia naquela sala era apenas as nossas respirações.
Mantinha a minha cabeça nas pernas do Stephan e olhava para ele. Com a sua mão ia acariciando-me o cabelo.
- Diz-me
- O quê? – perguntei confusa, afinal ele queria que eu dissesse o quê?
Pegou na minha mão entrelaçando-a com a dele.
- Diz-me que nunca me vais deixar que por mais obstáculos que possam existir nunca vais desistir… - fez uma pausa e olhou intensamente para mim – …de nós.
- Nunca vou desistir de nós. – chegou-se junto de mim e beijou-me como se fosse o selar de um pacto. – Ste?
- Sim.
- Porque é que estamos sempre a ter estas conversas?
- Porque temos medo de um fim.
- Nós passamos a vida a ter conversas destas! E Porquê?
- Porque só sabemos falar.
- Eu não sei só falar – disse levantando e sentando-me junto do Stephan.
- Ai não? – disse rodeando a minha cintura com as suas mãos e levando-me para o seu colo.
- Não – disse beijando-lhe uma parte do pescoço.
- Sabes beijar…
- E morder – pronunciei levando os meus dentes novamente ao seu pescoço.
- Estás doida Rita – sussurrou.
- Por ti – disse antes de tomar os lábios do Stephan.
Em cada beijo, em cada simples beijo, nos completávamos um ao outro, parecia que tudo encaixava que os meus lábios foram feitos para os dele. Cada toque é algo especial. São momentos perfeitos, em que tudo parece um sonho. Sonhava encontrar alguém que me fizesse feliz e encontrei o Stephan e como ele mo diz muitas vezes: ele é bem real.
Levei a minha mão ao interior da camisola do Stephan e senti-o a arrepiar-se. Percorrer assim o seu corpo, estar em contacto com a sua pele é algo novo para mim. Sinto-me bem. Não sinto que esteja a ser atrevida, sinto-me eu.
Tenho o meu lado mais doido e o meu lado mais calmo, o lado que maior parte das vezes é o que o Stephan vê mas hoje tenho a certeza que conhecerá o meu lado mais provocante e doido, conhecerá a Rita mais solta e que o fará conhecer cada parte de mim, cada recanto do meu corpo.
Senti as suas mãos frias nas minhas costas e a sua boca a percorrer o meu pescoço. Ergui os braços e num gesto retirou-me uma das minhas camisolas. Agarrou as minhas pernas com delicadeza levantando-se do sofá. Permaneci no colo dele entrelaçando as minhas pernas à volta da sua cintura.
Andou um pouco até ao início das escadas subiu o primeiro degrau entre beijos e caricias.
- Vamos cair Ste…- avisei separando os nossos lábios.
- Também acho que sim – disse entre risos e beijos.
Desci do seu colo e subi as escadas em passo acelerado, estava desejosa de o ter só para mim.
O Stephan veio atrás de mim. Poisou as suas mãos na minha cintura e foi caminhando encostando-me à parede. Acabei por retirar a sua única camisola e com as minhas mãos percorrer o seu tronco. As suas mãos percorriam o meu corpo aceleradamente apenas o toque dele me fazia levar a esta loucura extrema.
Retirou-me a minha segunda e ultima camisola e fez com que subisse para o seu colo mais uma vez.
- Tu deixas-me louco! – atirei já com a respiração descontrolada.
- E eu a pensar que…- tornou a beijar-me antes de acabar a frase -…que eras apenas tu que provocavas isso em mim.
- No. – pronunciei antes de o voltar a beijar.
Chegámos à altura em que estava tudo descontrolado, os nossos beijos eram tudo menos calmos. Havia paixão, loucura mas acima de tudo havia amor. Havia amor em cada toque, em cada caricia.
Após pequenos passos chegamos finalmente ao quarto do Stephan. Com brandura deitou-me sobre a cama. Cada toque dele era calmo e delicado, os beijos passaram a ser menos descontrolados e a cada momento o desejo aumentava. Tudo se resumia a mim e a ele, a nós e a entrega um ao outro.
Os nossos corpos uniram-se como se conhecessem desde sempre. Por momentos senti-me completa.


Se tive receio que este momento chegasse? Não, eu ansiei por ele vezes sem conta. Imagina-se de todas as formas mas a verdade é que nunca é igual, nem sequer parecido, ao imaginado. É tudo muito mais espontâneo, muito mais sincero, sem pressas nem nada planeado, tudo natural e por fim, acaba por ser a noite que qualquer pessoa deseja. O meu primeiro envolvimento com o Stephan não podia ter sido melhor, penso que era impossível.
O acordar foi o mais natural possível, reparei que naquela manhã daquele frio Inverno estava um sol lindíssimo, não para durar creio.
Levantei-me sem intenção de acordar o Stephan, vesti algo e fui em silêncio até à janela. Era realmente bonito aquele sol, uma manhã perfeita e das últimas passadas em Milão.
Senti aqueles braços que tão bem conheço a rodear-me a cintura mas não evitei um pequeno grito do susto que apanhei.
- Olha que acordas…
- O quê? – interrompi-o – as baratas?
- Não há baratas aqui Rita!
- Só formigas.
- Ponho-te na rua se continuas a insultar a minha casa.
- Não eras capaz.
- Já disse que te amo hoje?
- Não.
Baixou-se ficando de joelhos à minha frente, pegou na minha mão direita e começou o seu discurso.
- Eu amo-te Rita, és a minha vida. És parte de mim. Junto a mim nunca precisas de ter medo, eu protejo-te de tudo e de todos porque tu és a minha vida. De um momento para o outro tornaste-te uma das razões de eu viver. És linda, perfeita, o teu cabelo está constantemente a querer ser uma refeição minha. – gargalhei com o que acabava de dizer – tens uns glúteos bastante…
- Tinha que vir porcaria! – atirei.
- Deixa-me acabar! Tens uns glúteos bastante interessantes.
- E mais nada?
- Sim, o teu corpo é todo ele interessante.  
- É o teu também – disse beijando-o a primeira vez naquela manhã.
- Podíamos ir exercitar os nossos corpos! – olhei para ele seriamente – não! Só pensas nisso sua tarada!
- Eu é que sou a tarada? – perguntei perplexa.
- Sim – disse – mas continuando, vamos correr?
- Correr? Oh Ste…
- És mesmo preguiçosa.
- Levas-me ao colo se me cansar?
- Levo.
- Temos acordo então. – disse-lhe juntando novamente os nossos lábios.



E chega o momento em que tenho que dizer adeus a Itália, guardar os bons momentos no coração e ir para Portugal.
Estava a dormir em pé literalmente, passei mal a noite e só de pensar que hoje me ia embora…
Já estávamos no aeroporto e o sono apoderava-se de mim a cada segundo.
Estava abraçada ao Stephan há muito tempo.
- Vais ficar aí? – perguntou o Salvador.
- Posso?
- Lamento mas não.
- Oh mas eu queria, - disse fechando os olhos e apoiando a minha cabeça no peito dele.- a Francy vai connosco?
- Vou – respondeu-me a Francesca com aquele tom doce na voz.
- Vou ter muitas saudades tuas. –sussurrei para que só ele pudesse ouvir.
- Eu sei princesa e eu também.
- Detesto isto. Odeio despedidas.
- Elas vão acabar um dia. – assegurou-me.
- Quem me dera…
- Estás mesmo cheia de sono.
- Estou e sem vontade de te deixar.
-Mas tem de ser, tens de ir meu amor.
Deixei os braços dele e olhei-o. Estava com uma carta na mão.
- Não, não a escrevi sozinho – sorri com o que tinha dito – esta carta foi escrita para momentos difíceis. Só a vais ler quando estiveres mal ou com muitas saudades minhas porque ela está escrita para isso, para matar saudades e saberes de tudo o que sinto que nunca te disse, sim?
- Está bem Ste mas vai ser uma tentação.
- Confia em mim, lê apenas quando precisares.
- Está bem.
- Hora de dizer adeus?
- Não é adeus! É até daqui a uns meses.
- Amo-te.
- E eu também te amo daqui até à lua e da lua até aqui.
- Eu mais.
- Shiu, eu mais.
Cheguei-me junto a ele e beijei-o, talvez o ultimo beijo…
- Ti amo – disse antes de me tornar a beijar.
- Eu também meu amor.
Afastei-me aos poucos dele sem nunca separar as nossas mãos. Dei mais um passo e aí sim as nossas mãos largaram-se a falta dele já me era sentida.
- Rita? – olhei para trás ao encontro dele.
- Eu amo mais. – sorri e continuei o meu caminho.
Daqui a poucas horas estava em Portugal e daqui a uns dias a começar 2013.


Dia 31 de Dezembro, o ultimo dia do ano, o dia em que pensamos em tudo o que se passou ao longo de cada mês. Refletimos e acabamos por chegar a conclusões. Maior parte das vezes massacramo-nos por dentro e pensamos no que podíamos ter feito de diferente mas este ano é diferente, eu não me arrependo de nada e se voltasse atrás não fazia nada diferente. Talvez 2012 tenha sido o ano em que a minha vida voltou a fazer sentido, em que a Rita voltou e na sua melhor forma. Acabo o ano comprometida, com um namorado de sonho e uma família ‘’recomposta’’, posso assim dizer.
O dia foi atarefado, passagens de ano com toda a família dá trabalho a preparar. Nunca me habituei a passar passagens de ano fora de casa, nunca as passei e este ano não vai ser diferente. Os planos é passa-la cá em casa, em Coimbra claro, e depois sim a verdadeira festa onde entra Gabriela (que faz a contagem decrescente comigo) , Francisco, Salvador, Rafael ( melhor amigo do Salvador) e a Francesca.
- Quantos é que já comes-te hoje? – perguntei à Gabriela referindo-me aos bolos da minha avó.
- Hoje sete!  – olhou para mim pensativa – mas daqueles pequeninos! – acrescentou logo a seguir.
- Vais ficar uma bola! – disse a rir.
- Culpa da tua avó Ritinha. – sentou-se no sofá junto de mim – O Pedro gosta à mesma.
- Não sei, nunca o vi Gabi e nunca me falas-te muito dele, por isso não sei.
- É bonito.
- Não confio muito em ti desde que disseste que o Buffon, repito Buffon , era ‘’interessante’’ – fiz as aspas com os dedos.
- Rita, Gianluigi Buffon é tão charmoso.
- Sim, claro.
- Não tenho culpa que agora só vejas à tua frente o Stephan!
- Não vejo só Ste à frente Gabi…
- Pois não! – ironizou – Mas pronto eu mostro-te o meu príncipe. – atirou-me o telemóvel para a mão.
Olhei para o visor do telemóvel e vi um rapaz completamente diferente do que eu imaginava, Pedro era um rapaz alto e moreno tinha uns olhos verdes bonitos. Não tinha ar de bad boy nem nada parecido, tinha um ar calmo muito diferente da Gabi.
- É bonito, quando é que vou ter oportunidade de o conhecer?
- Não sei, quando decidires ir para o Porto passar uns dias comigo.
- Vou pensar nisso.

O dia passou rápido, entre correrias para estar tudo pronto a horas e com as loucuras de fim do ano, foi um dia bem passado.
E eis que chega a hora de dizer adeus a 2012, um ano que de calmo não teve nada mas que teve os últimos meses do ano mais bem passados de sempre. Chorei e ri, conheci o Stephan e tive os melhores momentos de toda a minha vida até agora.
- 10, 9 , 8 , 7 – era o que se ouvia naquela sala, uma mistura de vozes fazia a contagem decrescente e na minha cabeça só me ocorriam memórias.


- Três! – ia falar mas ele não deixou- agora calas-te que eu quero falar. –fez uma pausa -Rita..
- Sim- olhou-me com cara de mau- pronto desculpa não era para falar.
É assim , sei o que tempo que nós passamos juntos foi mínimo , e para ti talvez não teve nenhum significado – fez uma pausa – mas para mim teve e muito acredita. Talvez nunca mais te veja, ou nunca mais oiça falar de ti , ou talvez…talvez isto seja só o inicio. O facto de talvez nunca mais te ver assusta-me , de nunca mais ver esse teu sorriso perfeito. Mas eu tenho esperança, tenho esperança que um dia possas vir a ser minha.
Sinto-me mal sabendo que a primeira mulher que me fez tremer que me fez ficar nervoso quando estou junto a ela se vai embora.
Tu despertas-te em mim um sentimento que não conhecia , um sentimento muito especial que me faz querer agarrar-te e nunca mais te largar, não lhe posso chamar de amor porque ainda não é tão forte mas talvez lhe chame de paixão.
Não vou desistir de ti acredita, porque sei que te hei de ver neste mesmo sitio e chamar-te de namorada.

- Rita…
- Espera, não me vais pedir em casamento pois não?
- Não!
- Ah, ainda bem, podes continuar.
- Rita, nós conhecemo-nos há pouco mais de um mês, aqui neste mesmo sitio, foi quando te vi pela primeira vez e sinto que de certo modo o San Siro vai estar ligado a nós para sempre, parece pouco tempo eu sei, 30 dias,  mas eu sinto que te conheço há anos, no pouco que estivemos juntos sei tanto sobre ti, acordas mal-humorada quando não te deixam dormir até às horas que queres, quando estás nervosa mexes no cabelo, demoraste mais tempo do que eu a dizer que me amavas, porque querias ter certezas, simplesmente tudo isso é perfeito em ti. És teimosa, és refilona e quando não te fazem as vontades és uma chata, por outro lado, as tuas qualidades, demoras pouco tempo até te relacionares com alguém, és uma querida, és uma irmã mais velha muito preocupada porque adoras o Afonso, és…muito especial. As nossas diferenças todas completam-nos.


3 , 2 ,1 –  a contagem decrescente chegou ao fim, 2013 chegou finalmente – FELIZ ANO NOVO – ouviu-se.
Percorri a sala saindo de casa em direção à varanda o fio fazia-se sentir e bem, peguei no telemóvel e iniciei chamada para o Stephan.
- Apesar de já teres entrado em 2013 há mais de uma hora, cá vai feliz ano novo meu amor.
- Para ti também princesa.
- Vais sair?
- Possivelmente sim e tu?
- Também a minha vontade era mesmo estar ao pé de ti mas isso agora não é possível não é verdade?
- Isto custa…
- Se custa…
- Diverte-te sim? Muito, diverte-te muito mesmo mas livra-te de fazeres asneiras Stephan!
- Não te preocupes.
- Eu confio em ti.
- Eu também.
- Diverte-te meu amor.
- Tu também. Ti amo.
- Eu também te amo Stephan. 

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Boa noite :)
Trago-vos a segunda parte, espero que gostem muito.
2013, vai ser cheio de : amor e drama essencialmente.Vai ser o ano em que se decide o futuro deles :)
Espero manter-vos agarradas à história e as vossas opiniões. 
Beijinhos
Mahina 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

20º Capitulo - «Nunca vou desistir de nós» - I parte

- Não sei Ste – acabei por responder.
- Não sabes?
Agarrei a sua cara entre as minhas mãos.
- Tenho medo. É tudo ainda recente, demasiado recente. Não levas a mal pois não?
- Não princesa.
- Não mesmo?
- Não. – encostou os seus lábios aos meus – Quando te sentires preparada conheces os meus pais e vamos a Savona.
- Obrigada sim?
- De quê?
- De tudo, principalmente de seres quem és.
- É tão bom ter-te na minha vida.
Juntou novamente os nossos lábios. É assim que me sinto feliz, junto dele.
- Quando é que tens jogo?
- Só para o ano dia 6 de Janeiro, Siena. E tu quando é que te vais embora?
- Ainda este ano dia 30 de manhã tenho voo.
- Gostava de passar a passagem de ano contigo sabias?
- Oh eu também mas tu sabes bem que na nossa relação nem tudo o que gostávamos que fosse é.
- É, eu sei.
- Tenho a certeza que passaremos muitas passagens de ano juntos e que até te vais fartar de mim.
- É impossível fartar-me de ti.
Levantamo-nos os dois e fomos para o quarto. O Stephan foi tomar banho enquanto eu ajeitei o quarto dele que mais parecia uma feira. A roupa que ele deixa de noite ao fundo da cama de manhã está sempre no chão e apanha-la nunca está nos planos dele.
- Ste? – chamei do quarto.
- Sim.
- Passamos por minha casa sim? Não quero andar com esta saia o dia todo.
- Nem eu quero que andes.
Ter estas conversas da casa de banho ao quarto é bem interessante.
- Olha, porquê?
- Os outros olham!
- Claro e como eu sou propriedade tua os outros não podem nem sequer olhar.
- Pois não! Eu tenho ciúmes. – disse aparecendo no quarto em boxers.
Poisei a minha mão no seu peito e tapei os olhos.
- Eu é que tenho de ter ciúmes! Já viste o que era tu assim nesses preparos à vista de todas?
- Eu nestes preparos é mesmo só para ti.
- Acho bem que sim. Vá Stephan despacha-te.
- Dois minutos. – disse-me.
- Mais vinte minutos para arranjar a crista. Não saímos daqui hoje. – disse num suspiro.
- És tão má com ela. – disse abraçando-me por trás. Com o ‘’ela’’ referia-se à crista.
- Pois sou. Ela tem mais atenção que eu!
- Não tem nada.
- No, que ideia.
- Eu despacho-me. – assegurou-me beijando-me o pescoço.

****

- Tenho uma pergunta. – disse o Afonso.
- O que é que foi? – perguntei.
- Como é que tu conheces-te o El Shaarawy?
- Pergunta-lhe! – disse apontando para ele.
Estávamos em casa do Salvador, sem Salvador em casa. Estava sentada no sofá com as pernas em cima no Stephan, o Afonso estava sentado noutro sofá a mudar constantemente de canal.
- Como é que conheces-te a minha irmã? – perguntou-lhe o Afonso.
- Como foi? – perguntei-lhe.
O Stephan olhou para mim assustado, não queria de todo falar naquilo ao Afonso.
- Foi no fim do jogo com o Inter de Milão. – respondeu-lhe.
- E pronto tens a resposta à tua pergunta – disse antes do Afonso poder dizer alguma coisa.
O Afonso convidou o Stephan para jogar PES e foram os dois para o chão jogar. Acabei por me deitar totalmente no sofá e ficar a olhar para o ecrã da televisão. O jogo era entre Real Madrid e AC Milan, o que me levou a gargalhar durante todo o jogo. Os falhanços do Stephan viraram comentários da minha parte como: ‘’ Oh Stephan não fazes nada! É que nem em campo real nem em campo virtual’’, escusado será dizer que sofri com cócegas os minutos que se seguiram até admitir que Stephan El Shaarawy era o melhor jogador do mundo.

Depois daquele momento na sala com o Stephan e o Afonso, o Salvador acabou por chegar a casa e eu acabei por sair. Juntamente com o Stephan fomos até a casa dele. Era hora de jantar e ele tinha dito que íamos jantar fora...sendo que o jantar fora iria envolver pessoas e isso não me deixa ainda muito à vontade.
Estávamos a entrar em casa e cheirava a comida, cheirava bem mas não percebia o que era.
- Acho que um jantar num restaurante ia chamar à atenção... - começou o Stephan por dizer - pedi à Paola que fizesse o jantar e que saísse mais cedo...assim podemos jantar os dois, sozinhos.
- Jantar...romântico?

- Nada disso! Eu pedi-lhe um jantar normal – fomos até à sala de jantar...e era mesmo um jantar “normal”, tal e qual como o Stephan tinha acabado de intitular. 



- Isto é normal, Ste?
- Poderei ter dito que queria uma coisa mais bonita...e foi isto que ela deixou. Mas está bonito.
- Está sim!
Jantamos os dois...sem qualquer tipo de interrupções. O Stephan parecia...demonstrar um lado mais calmo, mais romântico mesmo que não o fizesse directamente. Continuava a ser o Stephan meio desbocado, tontinho, mas com uma tornura mais especial, mais nossa.
Sei que, como qualquer rapaz, o Stephan deve ter algum tipo de desejo ou vontade, mas também sei que ele sabe esperar, sei que não me vai pressionar a nada e que quando eu sentir que devemos avançar ele irá estar preparado.
- Que é que queres fazer depois de jantar? - perguntou ele.
- Não sei...não tens nada planeado?
- Não...podíamos ver um filme ou assim.
- Por mim pode ser.
- Tenho por ali uns quantos que ainda não vi, pode ser que encontres um que seja bom.
- É deve ser tudo de porrada e tiros.
- Não sei...uns fui eu que comprei, outros o Manu e outros oferecidos.
- Então deve de haver pornografia à mistura...
- Não Rita!
- Hum-hum...és rapaz! Solteiro e sozinho...
- Solteiro não sou.
- Eras.
- Mas, garanto-te que não há dessas coisas cá em casa.
- Está bem.
- Olha...por falar em Manu.
- Ai.
- É Manu, não envolve mais ninguém.
- De certeza?
- Sim. Ele convidou-te para almoçares lá em casa amanhã.
- A mim?
- E a mim. A Giulia não está cá, foi ter com os pais dela...e o Manu pensou que poderia ser uma boa forma de vocês os dois se conhecerem melhor.
- A sério? - estava um bocadinho surpreendida...tendo em conta os últimos acontecimentos que envolviam a namorada do meu cunhado. Mas...só mostra que ele é boa pessoa e que, acima de tudo, tenta estar envolvido na vida do irmão.
- Sim.
- Por mim...tudo bem.
- Obrigado.
- De que?
- Por ires.
- É teu irmão...é a tua família. Não me peças é para conviver com a outra.
- Não te pedidiria.
- É pediria – apesar de eu já me ajeitar com o italiano, de vez em quando o Stephan dava-lhe para falar em português...e isso envolvia calinadas a torto e a direito.
- Hã?
- Não se diz pedidiria, é pediria – foi impossível não rir.
- Pronto...é isso, tu percebeste.
- Percebi.
Acabámos de jantar e o Stephan queria logo ir para a sala...e deixar tudo por arrumar. Fiz com que ele ajudasse a levantar a mesa e a arrumar tudo na cozinha. Acabei por ficar eu a dar um último toque para depois seguir para a sala.
O Stephan, ao contrário do que eu esperava, estava deitado no sofá: a dormir! Ver filmes era aquilo que não íriamos fazer. Fui até junto dele, dando-lhe um beijo na bochecha e ele acordou.
- Vamos dormir? - perguntei.
- Não...e o filme?
- Vês nos teus sonhos. Estás com sono, eu por acaso também...e amanhã é outro dia.
- Está bem...
Subimos até ao quarto...e adormecer nos braços do Stephan é a melhor coisa que estes dias podem ter. É o melhor que Itália e Milão me dão.
***

Depois de acordarmos e de o Stephan se arranjar, fomos até casa do Salvador onde eu tomei um duche rápido e vesti uma outra roupa.
Próximo destino? Almoço em casa do Manu.
Não sabia bem o que esperar deste almoço. O Manu é uma pessoa divertida, diz umas quantas coisas fora do contexto, mas é boa pessoa, vejo isso. O único problema dele é mesmo a namorada que tem. Não a consigo suportar, mesmo que o Ste diga que é uma boa pessoa. Aposto que só ele e o irmão é que vêm esse lado dela. Só com eles é que ela se deve derreter toda. Ai que nervos! Só de pensar até me deixa mal disposta aquele loiro oxigenado e o ar de bruxa.
Chegando à casa do Manu...o que eu rezei para não a encontrar. Sabia que o Stephan não me ia por no mesmo sítio que ela..mas nunca se sabe! Ele tocou à campainha e pouco tempo depois o Manu abriu a porta.
- Vejam só se não são os meus pequenos...entrem! - o Manu, estava estranhamente bem disposto. Ou a noite correu-lhe bem ou então andou a tomar qualquer coisa. O Stephan cumprimentou-o e eu fiz o mesmo antes de entrarmos para a sala dele, onde pude ver uma mesa já posta para o almoço com três pratos.
- Fizeste o almoço ou é preciso encomendar alguma coisa? - perguntou o Stephan, fazendo-me rir.
- Por acaso está tudo feito.
- Encomendado... - atirei eu.
- Cunhada...é a primeira vez que te surpreendo com um almoço...tinha de estar tudo bem.
- Sim, porque o meu irmão a cozinha não dá com nada. Nem sei como é que a Giulia o aguenta... - boa...aquele nome que me deixa mal disposta.
- Mas ela não está cá, por isso não tenho de a aturar... - o Manu comentou logo, continuando com um sorriso. Ele acabou por se ausentar, deixando-me com o Stephan.
- Esclarece-me uma coisa.
- Diz.
- O teu irmão está bem-disposto porque a namorada não está cá?
- Acho que andam com uns stresses e ele sem ela por aqui fica assim.
- Ai de ti que faças o mesmo!
- Nunca! - ele puxou-me para junto dele, beijando-me.
- Putos! Tenham mais respeito pelos mais velhos! - disse o Manu, entrando na sala com o almoço.
- Tu encomendas-te para o almoço para surpreender a tua cunhada, pizza? - perguntou o Stephan.
- São as melhores, sim? Que é que queres? Não me lembrei de mais nada...se ela não gosta podemos ver o que há por ali.
- Eu gosto de pizza.
- Vês?! Vamos então almoçar.
O almoço em tudo serviu para conhecer melhor o Manu. E comprovar que é 100 vezes pior que o irmão. Meu rico Stephan!
Eram cerca das quatro horas quando saímos de casa do Manu. Estava a começar a nevar e antes que começasse a piorar voltamos para casa do Stephan. Íamos a entrar em casa...
- Não tenho as chaves aqui... - comentou o Stephan, indo até ao carro – boa...era mesmo isto que faltava.
- Que se passa?
- Não tenho as chaves de casa...estão ali dentro.
- Então abre a porta do carro.
- Não dá...
- Como não dá?
- Trancou-se! E as chaves estão lá dentro, era preciso as suplentes... - ele olhou para mim e percebi onde é que essas suplentes estavam.
- E as suplentes estão em casa...não tens nenhuma janela aberta?
- Duvido... - começámos em busca de uma janela aberta...mas sem sucesso.
O que fazer? Ligar ao Manu que tinha a chave suplente de casa do irmão. Enquanto ele não chegava...congelava-se ao frio.
- Está tanto frio Stephan! - estávamos os dois sentado na parte mais resguardada do jardim, mas mesmo assim o frio estava de gelar os ossos.
- Calma...o Manu está a chegar. Depois entramos, faz-se um chá e ligamos a lareira.
- Como é que os carros se trancam sozinhos?
- Opá...não sei. É qualquer coisa lá do sistema de segurança.
- Tens de rever isso do sistema de segurança. Ou então ser menos esquecido!
- Vá...calma – ele aconchegou-me nos braços dele, esperando pela chegada do irmão.

20 minutos! Estivemos 20 minutos ao frio! Quando o Manu chegou entrámos logo em casa e a diferença de temperatura foi brutal. Sentei-me no sofá, enquanto o Manu ligou a lareira e o Stephan foi até ao quarto e trouxe cobertores.
- Precisam de alguma coisa? - perguntou o Manu.
- Não. Obrigado.
- Se precisarem liguem. Até logo.
- Obrigado.
O Manu saiu e nós ficámos ali. Aconchegados um no outro, quentes e sem grandes movimentos.
- Tens frio? – perguntou-me acariciando-me o cabelo.
- Agora não.
- Princesa?
- Hum…- respondi de olhos quase fechados aconchegada a ele.
- Quando é que nos vamos voltar a ver depois de ires embora?
- Não sei Stephan. Tenho férias de carnaval dia 11, 12 e 13 de Fevereiro.
- 14 é dia de São Valentim. Vai ser o nosso primeiro.
- É Ste.
- E sem ti…
Senti uma certa tristeza na voz dele, senti que a nossa relação era importante para ele e que não passar o dia dos namorados comigo era algo mau.
- Vão haver muitos Stephan.
- Como vão haver muitas passagens de ano?
- Sim, agora é complicado passarmos tempo juntos mas um dia vai deixar de ser.
- Rita?
- Sim.
- E quando acabares o 12º ano?
Pergunta assustadora.
- Não sei. Sabes bem que tanto a tua como a minha vida pode mudar no estalar de dedos. Há coisas inesperadas que acontecem, circunstâncias que fazem mudar tudo…a nossa maneira de pensar, a nossa maneira de viver, circunstâncias que nos fazem mudar a nossa vida por completo.
- Eu sei, o meu medo é que nessas mudanças todas eu posso desaparecer da tua vida.
- Eu não te quero fora da minha vida. Eu quero-te nela, custe o que custar, doa o que doer por ti…eu arrisco, eu mudo de vida, por ti vejo-me a fazer coisas que eram impensáveis há uns meses.
Vi um sorriso formar-se na sua cara e os lábios dele a juntarem-se aos meus.
- Passas esta noite comigo?
- Gostava imenso mas tenho um irmão adolescente em casa do meu irmão adulto e os dois precisam de uma mulher lá por casa.
- E o que vais fazer amanhã?
- Amanhã é sexta, provavelmente nada. Onde é que me vais levar?
- Eu tu e o Afonso tarde em Milão.
- Compras? – perguntei animada.
- Sim.
- Naquela coisa grande e azul, que eu amo?
- Sim e isso tem o nome.
- Não é preciso dizeres, é um nome esquisito e eu não me vou lembrar amanhã.
 Ele gargalhou e deu-me outro beijo.
- Temos mais três dias até eu me ir embora. – disse.
- Temos três dias para aproveitar.
- Para aproveitar bem – disse-lhe a sorrir.
- Eu sempre desconfiei que essa tua faceta de não partir um prato não ia durar muito.
- Stephan! Até me ofendes assim.
- Não ofendo nada! Não mintas.
- Parvo – disse dando-lhe um beijo – Agora preciso de ir para casa, levas-me?
- Levo.
Levantamo-nos do sofá e preparámo-nos para sair de casa.
As viagens entre a casa dele e a do Salvador eram sempre bem animadas, rimos cantamos. Com ele não tenho medo de ser eu, com ele sou eu própria.
A chegada a casa do Salvador foi bem animada, demorei tanto tempo para conseguir a porta que o Afonso me veio abrir a porta quando percebeu que eu tentava entrar mas sem sucesso.
- Seja bem aparecida – disse o Salvador que estava sentado no sofá e ao lado a Francesca.
- Olha…nem te vou responder a isso! – disse dando-lhe pouca importância.
Agarrei a mão do Stephan e subi para o andar de cima.
- Vejam lá o que vão fazer! – disse o Salvador.
- Um sobrinho para ti!
- Rita! – expressou o Salvador chocado.
- Estavas a pedi-las Salvador. – disse antes de chegar completamente ao andar de cima.
- Tu és doida! – disse-me o Stephan.
- Ele provocou, eu respondi. Nada de mais.
Ele sorriu e continuamos o pequeno caminho até ao quarto.
Sentei-me na cama e ele fez o mesmo.
- Portugal é bonito? – perguntou-me.
- Portugal tem gente bonita! – disse a rir.
- Tu és uma delas.
- Tão querido que estás mas sim, Portugal é bonito, é um país acolhedor com gente simpática.
- É…tenho que ir lá um dia.
- Um dia…- disse a sorrir.

- E talvez seja mais cedo do que possas imaginar…- disse chegando-se junto a mim e depositando um beijo na minha testa.

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Boa noite,
I parte meninas e tem uma razão sim.
Eu decidi que o capítulo 20 ia dar fim a 2012 e como o fim de 2012 leva a muitos acontecimentos decidi dividir o capitulo em duas partes, e a segunda está para breve.
A minha dificuldade ainda continua e por isso este capitulo teve mais uma vez a ajuda da Ana Patrícia Moreira ,agradeço-lhe mais uma vez por aquele jantar e almoço lindo.
Agora vou falar-vos um pouco da segunda parte, vai ter lágrimas mas muito amor.
Espero as vossas opiniões sinceras.
Beijinhos,
Mahina