sábado, 15 de fevereiro de 2014

20º Capitulo - «Nunca vou desistir de nós» - I parte

- Não sei Ste – acabei por responder.
- Não sabes?
Agarrei a sua cara entre as minhas mãos.
- Tenho medo. É tudo ainda recente, demasiado recente. Não levas a mal pois não?
- Não princesa.
- Não mesmo?
- Não. – encostou os seus lábios aos meus – Quando te sentires preparada conheces os meus pais e vamos a Savona.
- Obrigada sim?
- De quê?
- De tudo, principalmente de seres quem és.
- É tão bom ter-te na minha vida.
Juntou novamente os nossos lábios. É assim que me sinto feliz, junto dele.
- Quando é que tens jogo?
- Só para o ano dia 6 de Janeiro, Siena. E tu quando é que te vais embora?
- Ainda este ano dia 30 de manhã tenho voo.
- Gostava de passar a passagem de ano contigo sabias?
- Oh eu também mas tu sabes bem que na nossa relação nem tudo o que gostávamos que fosse é.
- É, eu sei.
- Tenho a certeza que passaremos muitas passagens de ano juntos e que até te vais fartar de mim.
- É impossível fartar-me de ti.
Levantamo-nos os dois e fomos para o quarto. O Stephan foi tomar banho enquanto eu ajeitei o quarto dele que mais parecia uma feira. A roupa que ele deixa de noite ao fundo da cama de manhã está sempre no chão e apanha-la nunca está nos planos dele.
- Ste? – chamei do quarto.
- Sim.
- Passamos por minha casa sim? Não quero andar com esta saia o dia todo.
- Nem eu quero que andes.
Ter estas conversas da casa de banho ao quarto é bem interessante.
- Olha, porquê?
- Os outros olham!
- Claro e como eu sou propriedade tua os outros não podem nem sequer olhar.
- Pois não! Eu tenho ciúmes. – disse aparecendo no quarto em boxers.
Poisei a minha mão no seu peito e tapei os olhos.
- Eu é que tenho de ter ciúmes! Já viste o que era tu assim nesses preparos à vista de todas?
- Eu nestes preparos é mesmo só para ti.
- Acho bem que sim. Vá Stephan despacha-te.
- Dois minutos. – disse-me.
- Mais vinte minutos para arranjar a crista. Não saímos daqui hoje. – disse num suspiro.
- És tão má com ela. – disse abraçando-me por trás. Com o ‘’ela’’ referia-se à crista.
- Pois sou. Ela tem mais atenção que eu!
- Não tem nada.
- No, que ideia.
- Eu despacho-me. – assegurou-me beijando-me o pescoço.

****

- Tenho uma pergunta. – disse o Afonso.
- O que é que foi? – perguntei.
- Como é que tu conheces-te o El Shaarawy?
- Pergunta-lhe! – disse apontando para ele.
Estávamos em casa do Salvador, sem Salvador em casa. Estava sentada no sofá com as pernas em cima no Stephan, o Afonso estava sentado noutro sofá a mudar constantemente de canal.
- Como é que conheces-te a minha irmã? – perguntou-lhe o Afonso.
- Como foi? – perguntei-lhe.
O Stephan olhou para mim assustado, não queria de todo falar naquilo ao Afonso.
- Foi no fim do jogo com o Inter de Milão. – respondeu-lhe.
- E pronto tens a resposta à tua pergunta – disse antes do Afonso poder dizer alguma coisa.
O Afonso convidou o Stephan para jogar PES e foram os dois para o chão jogar. Acabei por me deitar totalmente no sofá e ficar a olhar para o ecrã da televisão. O jogo era entre Real Madrid e AC Milan, o que me levou a gargalhar durante todo o jogo. Os falhanços do Stephan viraram comentários da minha parte como: ‘’ Oh Stephan não fazes nada! É que nem em campo real nem em campo virtual’’, escusado será dizer que sofri com cócegas os minutos que se seguiram até admitir que Stephan El Shaarawy era o melhor jogador do mundo.

Depois daquele momento na sala com o Stephan e o Afonso, o Salvador acabou por chegar a casa e eu acabei por sair. Juntamente com o Stephan fomos até a casa dele. Era hora de jantar e ele tinha dito que íamos jantar fora...sendo que o jantar fora iria envolver pessoas e isso não me deixa ainda muito à vontade.
Estávamos a entrar em casa e cheirava a comida, cheirava bem mas não percebia o que era.
- Acho que um jantar num restaurante ia chamar à atenção... - começou o Stephan por dizer - pedi à Paola que fizesse o jantar e que saísse mais cedo...assim podemos jantar os dois, sozinhos.
- Jantar...romântico?

- Nada disso! Eu pedi-lhe um jantar normal – fomos até à sala de jantar...e era mesmo um jantar “normal”, tal e qual como o Stephan tinha acabado de intitular. 



- Isto é normal, Ste?
- Poderei ter dito que queria uma coisa mais bonita...e foi isto que ela deixou. Mas está bonito.
- Está sim!
Jantamos os dois...sem qualquer tipo de interrupções. O Stephan parecia...demonstrar um lado mais calmo, mais romântico mesmo que não o fizesse directamente. Continuava a ser o Stephan meio desbocado, tontinho, mas com uma tornura mais especial, mais nossa.
Sei que, como qualquer rapaz, o Stephan deve ter algum tipo de desejo ou vontade, mas também sei que ele sabe esperar, sei que não me vai pressionar a nada e que quando eu sentir que devemos avançar ele irá estar preparado.
- Que é que queres fazer depois de jantar? - perguntou ele.
- Não sei...não tens nada planeado?
- Não...podíamos ver um filme ou assim.
- Por mim pode ser.
- Tenho por ali uns quantos que ainda não vi, pode ser que encontres um que seja bom.
- É deve ser tudo de porrada e tiros.
- Não sei...uns fui eu que comprei, outros o Manu e outros oferecidos.
- Então deve de haver pornografia à mistura...
- Não Rita!
- Hum-hum...és rapaz! Solteiro e sozinho...
- Solteiro não sou.
- Eras.
- Mas, garanto-te que não há dessas coisas cá em casa.
- Está bem.
- Olha...por falar em Manu.
- Ai.
- É Manu, não envolve mais ninguém.
- De certeza?
- Sim. Ele convidou-te para almoçares lá em casa amanhã.
- A mim?
- E a mim. A Giulia não está cá, foi ter com os pais dela...e o Manu pensou que poderia ser uma boa forma de vocês os dois se conhecerem melhor.
- A sério? - estava um bocadinho surpreendida...tendo em conta os últimos acontecimentos que envolviam a namorada do meu cunhado. Mas...só mostra que ele é boa pessoa e que, acima de tudo, tenta estar envolvido na vida do irmão.
- Sim.
- Por mim...tudo bem.
- Obrigado.
- De que?
- Por ires.
- É teu irmão...é a tua família. Não me peças é para conviver com a outra.
- Não te pedidiria.
- É pediria – apesar de eu já me ajeitar com o italiano, de vez em quando o Stephan dava-lhe para falar em português...e isso envolvia calinadas a torto e a direito.
- Hã?
- Não se diz pedidiria, é pediria – foi impossível não rir.
- Pronto...é isso, tu percebeste.
- Percebi.
Acabámos de jantar e o Stephan queria logo ir para a sala...e deixar tudo por arrumar. Fiz com que ele ajudasse a levantar a mesa e a arrumar tudo na cozinha. Acabei por ficar eu a dar um último toque para depois seguir para a sala.
O Stephan, ao contrário do que eu esperava, estava deitado no sofá: a dormir! Ver filmes era aquilo que não íriamos fazer. Fui até junto dele, dando-lhe um beijo na bochecha e ele acordou.
- Vamos dormir? - perguntei.
- Não...e o filme?
- Vês nos teus sonhos. Estás com sono, eu por acaso também...e amanhã é outro dia.
- Está bem...
Subimos até ao quarto...e adormecer nos braços do Stephan é a melhor coisa que estes dias podem ter. É o melhor que Itália e Milão me dão.
***

Depois de acordarmos e de o Stephan se arranjar, fomos até casa do Salvador onde eu tomei um duche rápido e vesti uma outra roupa.
Próximo destino? Almoço em casa do Manu.
Não sabia bem o que esperar deste almoço. O Manu é uma pessoa divertida, diz umas quantas coisas fora do contexto, mas é boa pessoa, vejo isso. O único problema dele é mesmo a namorada que tem. Não a consigo suportar, mesmo que o Ste diga que é uma boa pessoa. Aposto que só ele e o irmão é que vêm esse lado dela. Só com eles é que ela se deve derreter toda. Ai que nervos! Só de pensar até me deixa mal disposta aquele loiro oxigenado e o ar de bruxa.
Chegando à casa do Manu...o que eu rezei para não a encontrar. Sabia que o Stephan não me ia por no mesmo sítio que ela..mas nunca se sabe! Ele tocou à campainha e pouco tempo depois o Manu abriu a porta.
- Vejam só se não são os meus pequenos...entrem! - o Manu, estava estranhamente bem disposto. Ou a noite correu-lhe bem ou então andou a tomar qualquer coisa. O Stephan cumprimentou-o e eu fiz o mesmo antes de entrarmos para a sala dele, onde pude ver uma mesa já posta para o almoço com três pratos.
- Fizeste o almoço ou é preciso encomendar alguma coisa? - perguntou o Stephan, fazendo-me rir.
- Por acaso está tudo feito.
- Encomendado... - atirei eu.
- Cunhada...é a primeira vez que te surpreendo com um almoço...tinha de estar tudo bem.
- Sim, porque o meu irmão a cozinha não dá com nada. Nem sei como é que a Giulia o aguenta... - boa...aquele nome que me deixa mal disposta.
- Mas ela não está cá, por isso não tenho de a aturar... - o Manu comentou logo, continuando com um sorriso. Ele acabou por se ausentar, deixando-me com o Stephan.
- Esclarece-me uma coisa.
- Diz.
- O teu irmão está bem-disposto porque a namorada não está cá?
- Acho que andam com uns stresses e ele sem ela por aqui fica assim.
- Ai de ti que faças o mesmo!
- Nunca! - ele puxou-me para junto dele, beijando-me.
- Putos! Tenham mais respeito pelos mais velhos! - disse o Manu, entrando na sala com o almoço.
- Tu encomendas-te para o almoço para surpreender a tua cunhada, pizza? - perguntou o Stephan.
- São as melhores, sim? Que é que queres? Não me lembrei de mais nada...se ela não gosta podemos ver o que há por ali.
- Eu gosto de pizza.
- Vês?! Vamos então almoçar.
O almoço em tudo serviu para conhecer melhor o Manu. E comprovar que é 100 vezes pior que o irmão. Meu rico Stephan!
Eram cerca das quatro horas quando saímos de casa do Manu. Estava a começar a nevar e antes que começasse a piorar voltamos para casa do Stephan. Íamos a entrar em casa...
- Não tenho as chaves aqui... - comentou o Stephan, indo até ao carro – boa...era mesmo isto que faltava.
- Que se passa?
- Não tenho as chaves de casa...estão ali dentro.
- Então abre a porta do carro.
- Não dá...
- Como não dá?
- Trancou-se! E as chaves estão lá dentro, era preciso as suplentes... - ele olhou para mim e percebi onde é que essas suplentes estavam.
- E as suplentes estão em casa...não tens nenhuma janela aberta?
- Duvido... - começámos em busca de uma janela aberta...mas sem sucesso.
O que fazer? Ligar ao Manu que tinha a chave suplente de casa do irmão. Enquanto ele não chegava...congelava-se ao frio.
- Está tanto frio Stephan! - estávamos os dois sentado na parte mais resguardada do jardim, mas mesmo assim o frio estava de gelar os ossos.
- Calma...o Manu está a chegar. Depois entramos, faz-se um chá e ligamos a lareira.
- Como é que os carros se trancam sozinhos?
- Opá...não sei. É qualquer coisa lá do sistema de segurança.
- Tens de rever isso do sistema de segurança. Ou então ser menos esquecido!
- Vá...calma – ele aconchegou-me nos braços dele, esperando pela chegada do irmão.

20 minutos! Estivemos 20 minutos ao frio! Quando o Manu chegou entrámos logo em casa e a diferença de temperatura foi brutal. Sentei-me no sofá, enquanto o Manu ligou a lareira e o Stephan foi até ao quarto e trouxe cobertores.
- Precisam de alguma coisa? - perguntou o Manu.
- Não. Obrigado.
- Se precisarem liguem. Até logo.
- Obrigado.
O Manu saiu e nós ficámos ali. Aconchegados um no outro, quentes e sem grandes movimentos.
- Tens frio? – perguntou-me acariciando-me o cabelo.
- Agora não.
- Princesa?
- Hum…- respondi de olhos quase fechados aconchegada a ele.
- Quando é que nos vamos voltar a ver depois de ires embora?
- Não sei Stephan. Tenho férias de carnaval dia 11, 12 e 13 de Fevereiro.
- 14 é dia de São Valentim. Vai ser o nosso primeiro.
- É Ste.
- E sem ti…
Senti uma certa tristeza na voz dele, senti que a nossa relação era importante para ele e que não passar o dia dos namorados comigo era algo mau.
- Vão haver muitos Stephan.
- Como vão haver muitas passagens de ano?
- Sim, agora é complicado passarmos tempo juntos mas um dia vai deixar de ser.
- Rita?
- Sim.
- E quando acabares o 12º ano?
Pergunta assustadora.
- Não sei. Sabes bem que tanto a tua como a minha vida pode mudar no estalar de dedos. Há coisas inesperadas que acontecem, circunstâncias que fazem mudar tudo…a nossa maneira de pensar, a nossa maneira de viver, circunstâncias que nos fazem mudar a nossa vida por completo.
- Eu sei, o meu medo é que nessas mudanças todas eu posso desaparecer da tua vida.
- Eu não te quero fora da minha vida. Eu quero-te nela, custe o que custar, doa o que doer por ti…eu arrisco, eu mudo de vida, por ti vejo-me a fazer coisas que eram impensáveis há uns meses.
Vi um sorriso formar-se na sua cara e os lábios dele a juntarem-se aos meus.
- Passas esta noite comigo?
- Gostava imenso mas tenho um irmão adolescente em casa do meu irmão adulto e os dois precisam de uma mulher lá por casa.
- E o que vais fazer amanhã?
- Amanhã é sexta, provavelmente nada. Onde é que me vais levar?
- Eu tu e o Afonso tarde em Milão.
- Compras? – perguntei animada.
- Sim.
- Naquela coisa grande e azul, que eu amo?
- Sim e isso tem o nome.
- Não é preciso dizeres, é um nome esquisito e eu não me vou lembrar amanhã.
 Ele gargalhou e deu-me outro beijo.
- Temos mais três dias até eu me ir embora. – disse.
- Temos três dias para aproveitar.
- Para aproveitar bem – disse-lhe a sorrir.
- Eu sempre desconfiei que essa tua faceta de não partir um prato não ia durar muito.
- Stephan! Até me ofendes assim.
- Não ofendo nada! Não mintas.
- Parvo – disse dando-lhe um beijo – Agora preciso de ir para casa, levas-me?
- Levo.
Levantamo-nos do sofá e preparámo-nos para sair de casa.
As viagens entre a casa dele e a do Salvador eram sempre bem animadas, rimos cantamos. Com ele não tenho medo de ser eu, com ele sou eu própria.
A chegada a casa do Salvador foi bem animada, demorei tanto tempo para conseguir a porta que o Afonso me veio abrir a porta quando percebeu que eu tentava entrar mas sem sucesso.
- Seja bem aparecida – disse o Salvador que estava sentado no sofá e ao lado a Francesca.
- Olha…nem te vou responder a isso! – disse dando-lhe pouca importância.
Agarrei a mão do Stephan e subi para o andar de cima.
- Vejam lá o que vão fazer! – disse o Salvador.
- Um sobrinho para ti!
- Rita! – expressou o Salvador chocado.
- Estavas a pedi-las Salvador. – disse antes de chegar completamente ao andar de cima.
- Tu és doida! – disse-me o Stephan.
- Ele provocou, eu respondi. Nada de mais.
Ele sorriu e continuamos o pequeno caminho até ao quarto.
Sentei-me na cama e ele fez o mesmo.
- Portugal é bonito? – perguntou-me.
- Portugal tem gente bonita! – disse a rir.
- Tu és uma delas.
- Tão querido que estás mas sim, Portugal é bonito, é um país acolhedor com gente simpática.
- É…tenho que ir lá um dia.
- Um dia…- disse a sorrir.

- E talvez seja mais cedo do que possas imaginar…- disse chegando-se junto a mim e depositando um beijo na minha testa.

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Boa noite,
I parte meninas e tem uma razão sim.
Eu decidi que o capítulo 20 ia dar fim a 2012 e como o fim de 2012 leva a muitos acontecimentos decidi dividir o capitulo em duas partes, e a segunda está para breve.
A minha dificuldade ainda continua e por isso este capitulo teve mais uma vez a ajuda da Ana Patrícia Moreira ,agradeço-lhe mais uma vez por aquele jantar e almoço lindo.
Agora vou falar-vos um pouco da segunda parte, vai ter lágrimas mas muito amor.
Espero as vossas opiniões sinceras.
Beijinhos,
Mahina


4 comentários:

  1. Adorei quero o proximo.bjs

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  2. Oláá :)
    Bom tinhas razão quando disseste que já tinha lido quase tudo, porém é sempre bom, óptimo, maravilhoso, perfeito ler capítulos teus. Só quero mais e mais e muito mais! Hoje, amanhã, depois de amanhã, poderias dar-nos um capitulo todos os dias, mas sei que é completamente impossivel.
    Ai...a parte 2 acho que me vai doer a ler...mas com amor tudo se consegue e este casal tem tudo, mas tudo para aguentar todo o sofrimento.

    Espero que venha a parte 2, depressinha :)
    Besos.
    Ana Patrícia Moreira.

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  3. Olá!
    Eu amei! Ja te disse que adoro as tuas histórias! E agora que posso le las deitadinha na minha cama antes de dormir ainda e melhor!
    Eu adoro os! Sao fofos, divertidos, sérios, sentimentais... E estes momentos em que pensam na próxima despedida e no futuro deixa me sempre tristinha! Mas ja que o Ste so recomeça a vidinha dele dia 6 entao porque nao vai conhecer os encantos portugueses e passar uma passagem especial?? E porque e que tenho a sensação que a loira ainda vai dar trabalho??
    Hum ja espero o próximo!

    Beso
    Ana Santos

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