domingo, 16 de março de 2014

22º Capitulo - «Tanti auguri amore mio.»

- Hoje o dia promete! – disse a Gabriela enquanto tomávamos o pequeno almoço.
- Claro que promete, há coisa melhor que ter aula de português logo de manhã?
A Gabriela sorriu e eu continuei a comer os meus cereais.
- O que é que ele tem? – perguntou apontando para o Afonso que tinha os fones colocados enquanto comia também os seus cereais.
- Não faço a mínima.- respondi-lhe.
Cheguei a minha cadeira mais para perto dele e retirei os fones do seu telemóvel fazendo-se ouvir a música que ele escutava.
- Ainda não me deste os parabéns! – atirei – seu irmão desnaturado.
- Parabéns!
- Obrigada. – agradeci-lhe.
Levantei-me da mesa com a intenção de ir até ao meu quarto para me acabar de preparar quando o meu telemóvel começou a tocar, vi que era o Stephan e parei.
- Bom dia! – disse-lhe.
- Fazes anos hoje não é verdade?
- O meu cartão de cidadão diz que sim…que foi há dezoito anos que nasci.
- Tanti auguri amore mio.
- Obrigada. Como anda aí Barcelona?
- Anda bem, isto até é engraçado.
- Vão levar poucos hoje, vão!
- Rita!
- Desculpa lá Ste. Não era isso que eu queria dizer, vai correr tudo muito bem e vais fazer um jogo lindo meu amor.
- O Balotelli quer dar-te os parabéns.
- Olha não, não mesmo Stephan, esquece lá isso sim?
- Oh Rita ele quer ser querido.
- Não é preciso, a sério.
Ouvia o Stephan a rir-se do outro lado.
- Tens medo dele? – perguntou levando-me a rir com ele.
- Não mas não tenciono conhecer tutti plantel do Milan.
- Não fales ‘’portiliano’’.
- E tu não inventes palavras estranhas.
- Rita?
- Sim.
- Sabes que agora sabia mesmo bem passar as minhas mãos por esse teu corpo?
- Stephan!
- Agora não quero outra coisa, não tenho culpa sim?
- Tens, tens!
- Não tenho, és…
- Sou apaixonada por ti e tenho que ir para a escola, certo?
- Que mau.
- Que mau! – disse tentando imitando a sua voz, a gargalhada do outro lado fez-se ouvir. Provavelmente a minha imitação era horrível – Curto de ti, adeus.
- Rita!
- Vais tu justificar as minhas faltas? Amo-te adeus.
- Também te amo, até já. – foram as ultimas palavras que disse antes de eu desligar aquela chamada.

O meu dia de anos foi talvez um dos melhores dias até hoje. Passa-lo com a Gabriela foi especial, foi como ficar quase completa com a presença dela e digo quase porque para tudo ser perfeito, para me sentir totalmente completa, o Stephan teria de estar presente.
O dia em si passou a correr, já ao fim da tarde me encontrava à frente daquela televisão a ver o tão esperado Barcelona vs AC Milan , como esperado o resultado não foi o melhor apesar do Milan ter ganho a primeira mão por 2-0 , levou 4-0 em Camp Nou.
Já no fim do jogo e de jantarmos tanto eu como a Gabriela fomos para o meu quarto.
O meu telemóvel começou a tocar provavelmente com mais uma chamada de parabéns. Olhei para o visor e reparei que era o Rafael, o melhor amigo do meu irmão, atendi e ainda estivemos algum tempo a falar.
- Quem era? – perguntou-me a Gabi no fim de eu desligar a chamada.
- O Rafa. – respondi-lhe calmamente.
- O Rafa?
- Sim, Gabriela o Rafa. – a cara que fez foi de todo estranha – e pára de fazer essas caras. O Rafael é meu amigo.
- Amigo não seria a palavra certa.
- Gabriela!- repreendi-a - Quem te ouvir falar até pensa que ando a trair o Stephan com ele ou coisa parecida.
- Não é isso mas…se eu fosse Stephan tinha cuidado com ele.
- E porquê? – perguntei sem perceber até onde queria ela chegar.
- Rita – disse aproximando-se de mim – vocês…têm história.
- Tivemos. Agora somos amigos.
- Se tu o dizes, eu acredito não é verdade?
. Acredita Rafael é meu amigo e teu também ou já te esqueceste que passámos a passagem de ano juntos?
- Verdade. Bela passagem de ano.
- Vais amanhã embora? – perguntei já que a Gabriela estava em aulas.
- Eu não tenho aulas Rita, porque é que haveria de ir embora amanhã?
- Não? – perguntei confusa.
- Não senhora, Belas Artes é outra coisa. – disse levando-me a rir – e tu, já decidiste para que universidade vais?
- Calma Gabi, calma.
- Acabas o segundo período esta semana e o terceiro passa a correr, quando não deres por isso já está na altura de vir a conversa das universidades e cursos.
- Se eu ficar por cá de certeza que vou para Coimbra.
- Se? Já há um se?
- Sabes bem que de um momento para o outro tudo pode mudar. Não te vou dizer que a minha vontade é licenciar-me cá porque estaria a mentir.
- Pões Itália como hipótese?
- Acho que sim – acabei por sussurrar.
- Estavas disposta a abdicar de tudo?
- Por ele… sim. – disse segura.


O primeiro dia com dezoito anos é um dia…normal como o esperado nada muda além o ano a mais acrescentado. Como quarta-feira que era só tive aulas de manhã e à tarde o passeio a três, com a Gabi e o Afonso, foi o que fizemos.
Eles afastaram-se um pouco de mim e eu fiquei sozinha naquele muro que separava o passeio da praia. Debrucei-me sobre o muro mirando o mar. A primavera já dava sinais de querer chegar e o sol já se sentia e como era bom senti-lo.
De repente senti umas mãos na minha cintura, se me assustei? Não. Podia-me ter assustado já que podia ser as mãos de qualquer pessoa mas eu, eu sabia que aquelas mãos não eram de qualquer pessoa, aquelas mãos pertenciam á pessoa que mais me faz feliz neste mundo. O cheiro dele começou a fazer-se sentir. Sentia também a sua respiração e o seu corpo mais perto do meu. Voltei a sentir aquela proximidade passado três meses sem o ter por perto.
Fechei os olhos e continuei voltada para a frente. Assentou a sua cabeça no meu ombro e depositou um pequeno beijo na minha bochecha.
- Senti tanto a tua falta… - sussurrou junto do meu ouvido.
- E eu a tua.- disse-lhe.
Virei-me finalmente para ele encarando-o. Aquele sorriso foi qualquer coisa de magnífico. Senti-me a tremer como da primeira vez que nos voltamos a encontrar. Também eu lhe sorri, fechei os olhos e abri-os novamente para acreditar mesmo no que via. Eu não estava a sonhar, ele estava mesmo ali junto a mim outra vez…
Abracei-o como há muito não o fazia, a saudade era tanta e a vontade de o sentir junto a mim outra vez também. Agarrou a minha cara entre as suas mãos e beijou-me. Que saudades tinha eu daqueles beijos…que saudades tinha eu de o abraçar, que saudades tinha eu de o sentir assim bem perto de mim.
- Feliz aniversário atrasado. – disse encostando os seus lábios ao meu nariz.
- Estás mesmo aqui? – perguntei deixando a minha cabeça ir ao encontro do seu peito.
- Estou Rita. – disse acariciando-me o cabelo.
- Como é que tu…
Sei deixar que eu acabasse a frase virou-se para trás apontando para a Gabriela que estava sentada num banco mais atrás acompanhada pelo Afonso.
- Hoje não ia ter treinos e de Barcelona aqui é perto por isso foi falar eles e vir para aqui. Tinha saudades tuas não ia aguentar estar em Espanha e não vir cá ter contigo.
- Vais cá ficar muito tempo? – perguntei-lhe ainda com a minha cabeça junto ao seu peito.
- Não meu amor, hoje à noite tenho voo. Hoje era o meu dia livre e amanhã volto ao trabalho.
- Vou ver se nas férias da Páscoa consigo com que a minha mãe e o meu pai me deixem ir para Itália.
- É quando?
- Meto férias esta semana, por isso as duas próximas são férias e sempre posso dar um salto por lá.
- Era ótimo…
- Perfeito…
- Maravilhoso. – completou unindo novamente os nossos lábios.

- Rita! – disse escondendo-se atrás de mim.
A Gabriela começou por se rir já que a figura do Stephan era cómica. Escondeu-se atrás de mim quando entramos em minha casa e a Leci veio até nós. A Gabriela continuava a rir-se já que o Stephan era bem mais alto que eu mas continuava atrás de mim.
- Stephan! – pronunciei – tens medo da Leci?
- Não!
- Não? Sai lá detrás de mim então.
- Não!
- Ste – baixei-me ficando da altura da Leci – mostra lá ao Ste que és linda e que não fazes mal.
Olhei para trás procurando o Stephan que já não estava atrás de mim mas sim do outro lado da sala junto à Gabriela.
- Stephan anda cá! – ordenei. – Saíste-me cá um medricas, medo de cães a sério?
- Não é medo de cães, eu já tive um mas sei lá ela é grande e mete medo.
Reparei na Gabriela a fazer gestos à Leci para ir ao seu encontro enquanto o Stephan falava. A cadela obedeceu-lhe e foi até junto dela. Vi a cara de assustado do Stephan e foi impossível conter o riso.
- Chega aqui Ste – disse-lhe – e segura a Leci , Gabi.
Ela assim o fez e o Stephan veio ter comigo.
- Se as tuas fãs ficassem a saber disto ia ser o teu fim – comentei.
- Mas não vão ficar a saber meu amor.
- Não vão porque tens a namorada mais fixe do mundo! – atirei rindo-me. – vamos lá fazer uma festinha ao bicho.
- Não Rita, não é preciso.
- É sim! Confias em mim ou não?
- Confio.
- Então anda cá, ela não te faz mal.
Comecei a caminhar em direção a ela com o Stephan junto a mim, baixei-me e ele também o fez. Fiz-lhe algumas festas e o Stephan a medo lá colocou a sua mão no pelo da Leci, no fim de fazer algumas festas à cadela reparei num sorriso a formar-se naquela cara linda.
Ouvi o bater da porta e olhei para trás e reparei na minha mão a entrar em casa. Reparei na sua cara de espantada ao ver o Ste ali, também ele olhou para trás e vi uma expressão de assustado na sua cara.
- Boa tarde – disse a minha mãe chegando-se junto a nós.
- Olá mãe. – disse levantando-me acompanhada do Stephan – é o Stephan – disse naturalmente – tu sabes… - acrescentei no fim.
- Sei… – disse chegando junto ao Stephan – olá Stephan – disse-lhe – ele percebe português certo? – perguntou o que nos levou a rir.
- Percebo – disse com aquele sorriso encantador na face – muito gosto em conhece-la Dona Margarida.
Percebi pela cara da minha mãe que ficou encantada, talvez por ele saber o nome dela e ter um à-vontade enorme. Ele mantinha um sorriso enorme na cara sem perde-lo uma única vez.
- Jantas connosco ? – perguntou-lhe a minha mãe.
- Lamento mas não posso, tenho voo daqui a pouco.
- Vieste a Portugal por um dia para ver a minha filha? – perguntou a minha mãe surpreendida.
- Sim.
- Ui, não o deixes fugir Rita, olha que namorados como este não se encontram muitos! – disse a minha mãe saindo da sala.
- Não deixo não, agora que te tenho não me vais fugir meu amor. – disse beijando-o.

A parte pior do dia foi de todo despedir-me dele, é bom quando o tenho junto de mim mas quando chega o momento de lhe voltar a dizer adeus é tudo horrível. É dizer adeus a metade de mim é dizer adeus ao rapaz que tanto amo.


***
- Ste? – chamei tentando que ele me ouvisse na cozinha.
- Sim – gritou da cozinha.
- O Balo está a chatear-me! – disse já irritada.
- Não estou nada! – defendeu-se o Balotelli mandando-me mais uma vez com uma almofada à cara.
- Mas tu paras de chatear a minha namorada? – inquiriu o Stephan aparecendo na sala de avental.
Não contive o riso, nem eu nem o Balotelli e gargalhamos com a figura do Stephan.
- Estás lindo! – atirei.
- E eu a pensar que já era lindo. – disse.
- E és, e és.
- Posso? – disse o Balotelli pegando no seu telemóvel e virando para ele.
- Não, não! Estou sexy demais, depois as pessoas vêm e apaixonam-se por mim e a minha namorada não quer isso.
- Sim, dá desculpas – atirou o Balotelli mandando-me outra almofada para a cara.
- És mesmo chato miúdo! – atirei.
- Oh miúda é a vida.
- A sério – disse levantando-me do sofá – atura-lo não é nada fácil!
- Então imagina o que aturo todos os dias – disse-me o Stephan.
A tarde foi passada entre brincadeiras e muita animação. Conhecer o Balotelli fora de campo foi uma experiência interessante. Nunca pensei que ele fosse assim…tão querido. Descobri que por detrás de Balotelli durão, há um Balotelli sentimental e que é uma boa pessoa.

Os dias em Itália têm sido animados. Entre acompanhar o Stephan a alguns treinos e conhecer plantel do Milan, tem passado tudo muito rápido. Os dias para a minha partida aproximam-se mas toda a semana foi aproveitada ao máximo por nós.
Mais uma noite que foi passada a dois, passeamos um pouco por Milão e em seguida fomos para casa. Ficámos no sofá a ver televisão. Mantinha a minha cabeça no colo do Stephan e ele ia acariciando-me o cabelo.
- Rita...tu…
- Eu? – perguntei olhando para ele.

- O teu futuro, o meu futuro. Tu eras capaz de abdicar da tua vida em Portugal para ficares comigo?

segunda-feira, 3 de março de 2014

21º Capitulo - « Se calhar ando a dar demasiada importância à nossa relação. »

A verdade é que nunca estamos preparados para a morte de ninguém, para um adeus final, para deixarmos de ter aquela pessoa ao nosso lado.
Custa a crer que de um momento para o outro perdemos alguém que tanto foi na nossa vida, que nunca mais lhe vamos tocar, dar um beijo de bons dias ou até rir até não poder mais.
E tudo se desmoronou quando foi ele quem partiu.
Custa acreditar que nunca mais me vai dizer para ter cuidado, que tenho que lutar para alcançar, que não posso desistir sem antes tentar e tentar. Dói pensar que quando for a entrar naquela casa não o vou ver, que não vai estar naquele cadeirão a ler o seu jornal e a ver as notícias logo de manhã. Nunca mais vai estar naqueles jantares de Natal, sentava-se na ponta da mesa para que nos pudesse ver a todos. Vou ter saudades de quando me dizia que era a princesa dele. Vou ter saudades de ter o meu avô junto a mim.
Estamos em princípios de Fevereiro, perto das férias de Carnaval. Foi tudo rápido, demasiado rápido. Lembro-me como se fosse ontem do primeiro de fim-de-semana de Janeiro, daquele almoço em Castelo Branco junto dos meus avós maternos, daquele típico almoço de família em que o meu avô me deu todo o amor de sempre.
Estava bem, estava alegre um pouco mais magro por causa do cancro, mas fazia um esforço enorme para demonstrar a felicidade que tinha por estar a família toda reunida mas foi no fim de Janeiro que o vi partir e um vazio formou-se dentro do meu coração porque nunca estamos preparados para o partir de alguém tão próximo…
Desde da morte do meu avô que a minha mãe foi para Castelo Branco, tem lá estado para estar com a minha avó e tratar de algumas coisas.
Sem o Salvador nem a minha mãe por cá, além de irmã do Afonso tenho sido uma mãe. Lavar, estender, passar roupa tem sido a minha função. O meu pai tem passado mais tempo em casa para nos ajudar mas está tudo uma confusão, não consigo ter tempo para mim, ora estou a limpar a casa, a fazer o almoço ou a ajudar o Afonso com trabalhos da escola. Quando não estudo durmo porque o cansaço tem vindo a aumentar.

Ontem foi o último dia de aulas para estas mini férias de Carnaval, bem que preciso delas. A minha mãe em princípio vem segunda-feira de Castelo Branco e o meu desejo é que tudo volte ao normal.
Acordei cedo e deixei-me ficar algum tempo na cama, acendi a luz do meu candeeiro e comecei a ler a carta do Stephan uma vez mais.

Rita,
Por onde hei-de começar? Para te ser sincero nunca escrevi uma carta na vida, muito menos em português, como sabes tive a pequena grande ajuda da Francy.
Não sei onde estás agora nem em que momento da tua vida estás. Dei-te esta carta e disse-te para a leres quando não estivesses bem e precisasses de mim ou apenas quando as saudades fossem muitas.
Agora sim, vou escrever o que te quero dizer há muito tempo mas a coragem é pouca. Sabes que não sou romântico de natureza e às vezes quero-te dizer certas coisas mas não consigo, simplesmente não saem.
És especial para mim, tu sabes disso e digo-to algumas vezes. Mudas-te completamente a minha vida, acho que isso nunca te disse mas sei que desconfias. És a mulher da minha vida, sim tu és a mulher da minha vida.
Relações sérias nunca foi o meu forte e nunca as pensei ter antes dos 30 anos, estou a ser sincero, mas depois apareceste tu de uma forma inesperada. Podia ter olhado para milhares de raparigas naquele momento mas foi para ti que olhei, podia-me ter apaixonado por outra qualquer mas foi por ti que me apaixonei, até podia ter ''corrido'' atrás de uma outra rapariga mas foi atrás de ti que ''corri''. Senti aquela necessidade de correr atrás, senti algo dentro de mim que me dizia: é aquela a tal, não a deixes fugir! E a verdade é que nunca tinha sentido aquilo antes, a necessidade de ter alguém por perto. Hoje necessito de ti a cada minuto que passa, desespero outros tantos para te ter junto a mim novamente. 
Vezes sem conta me tento mentalizar que são apenas uns quilómetros e que são temporários mas no fundo sei que não são. Mas eu não desisto! Eu não desisto de ti Rita, eu não desisto de nós, não agora, não nunca.
Nós vamos ficar juntos, sei que sim, sei que um dia vamos estar juntos e felizes. E quando formos velhinhos vamos ficar orgulhosos do nosso passado.
Vai começar 2013, para te ser sincero não o prevejo muito bom. Vai ser o ano em que vamos lutar pelo nosso amor mas sem nunca desistir. Vai ser o ano em que acabas o 12º ano e decides o que fazer da tua vida. Mas sabes que mais? Não importa o tempo que vais ficar mais em Portugal, eu quero que sejas feliz, que tires o curso que sempre sonhas-te e depois sim pensamos num futuro a dois. Porque eu esperarei por ti o tempo que for necessário. Podem ser um, dois, três, cinco ou nove anos mas no fim desses anos eu vou estar aqui de braços abertos para te receber.
Sabes que te amo, e nunca disse um amo-te tão sentido a alguém, a verdade é que nunca o disse a ninguém mas agora sinto necessidade em o dizer porque não há outra palavra que exprima o que sinto por ti. Na verdade nem um ''amo-te'' é suficiente para dizer o quanto és importante para mim.
Amo-te muito Rita,

Stephan 


Voltei a poisar a carta na mesa-de-cabeceira e fechei os olhos tentando pensar que ele tinha razão, que era apenas uma distância temporária e que um dia íamos ficar juntos.
Ouviu uns passos no corredor e calculei que fosse o Afonso, a porta do meu quarto abriu-se e era ele tal como eu esperava.
- Anda cá. – disse-lhe afastando um pouco a roupa da cama para ele poder entrar na minha cama.
Assim o fez e deitou-se junto a mim.
- Estás bem? – perguntou-me.
- Desculpa Afonso.
- De quê? – perguntou confuso.
- De tudo…não te tenho dado atenção nenhuma quando mais precisas, tenho o pensamento longe, onde ele não devia estar. Não tenho sido uma boa irmã.
- Tens sido uma ótima irmã Rita.
- Não, não tenho. Não tenho estado à altura. Sabes que és a pessoa mais importante na minha vida? Tu, os pais e o Salvador?
- E o El Shaarawy?
- O Stephan é diferente Afonso, é totalmente diferente o amor que sinto por vocês e o que sinto por ele. E tenho pensado demasiado no Stephan e tenho-me esquecido de ti especialmente. Se calhar ando a dar demasiada importância à nossa relação.
- Se calhar porque tem importância.
- E tem mas eu tenho dezassete anos.
- Quase dezoito, falta mais ao menos um mês! Dia 12 de março vai ser épico.
- Andas a contar os dias?
- Ando! Este ano vai ter que ser daquelas festas fixes com muita gente.
- Cinco pessoas chegam?
- Não, assim umas trinta pelo menos.
- És doido!
Virei-me na cama enterrando a cabeça na almofada.
- Não penses demasiado Rita. Ele gosta de ti, tu gostas dele deixa as coisas correrem.
- Palavras certas para o momento certo, vais ser psicólogo?
- Não obrigada.
- Nós vamos fazer dia onze, três meses de namoro.
- Já é um record!
- Para ele talvez.
Rimo-nos os dois e acabámos por sair da cama e nos prepararmos para mais um dia, talvez este fosse diferente.

***

Voltei a casa, acompanhada pelo Afonso, no fim de um dia de aulas cansativo.
Estávamos no dia dos namorados mas nem um pouco me conseguia animar, nem um telefonema, nem uma mensagem, nem nada. Estava desiludida, esperava um reação diferente ao dia dos namorados do Stephan.
Quando entrei na sala reparei na minha mãe com uma rosa na mão.
- Pouco original o pai. – comentei a rir – podia ter-te dado uma margarida e ter dito: uma margarida para uma Margarida.
- O teu pai não tem assim tanta imaginação, e uma rosa é sempre mais romântica.
- Lá isso é.
- Mas tu tens mais do que uma filha.
- Tenho mais do que…- reparei para onde a minha mãe olhava, na mesa da sala estava um ramo de flores, um ramo grande.
- Na tua idade não tinha nada disso, nem agora tenho.
Percorri o caminho da porta da sala até aquela mesa em passo acelerado. Olhei o ramo e sorri, era grande, bonito e era dele.
Reparei que tinha um pequeno envelope e abri-o.



E por ti…
Espero o tempo que for preciso

Ti amo,
Stephan


- Queres um balde? – perguntou o Afonso despertando-me.
- Cala-te!- disse dando-lhe uma chapada no braço.
 Fui até ao quarto e fechei a porta para ter a certeza que não era interrompida.
Peguei no telemóvel e iniciei chamada para o Stephan.
- Rita! – ouvi do outro lado. O barulho de fundo era enorme e percebi que estava acompanhado, provavelmente pelos colegas todos.
- Ola Ste.
- Recebes-te as minhas rosas?
- Sim recebi, são lindas.
- São como tu.
- Ui que o dia de São Valentim faz-te bem ficas querido.
- Eu sou querido todos os dias meu amor.
- Oh- deixei escapar completamente deslumbrada com o que ouvia.
- Rita?
- Sim.
- Está aqui uma pessoa que quer falar contigo.
- Que venha ela.
- Oi beleza. – ouvi a voz inconfundível do Robinho do outro lado.
- Quê?
- Oh, você não fale assim comigo não, graças a mim conheceu o Stephan.
- Sim, sim.
- E você não me está para aturar né?
Deixei de ouvir a voz do Robinho para passar a ouvir a voz do Stephan.
- Amor da minha vida!
- Diz lá.
- Sabes quem é o meu novo companheiro?
- Ouvi dizer aí umas coisas.
- Balotelli.
- Agora é que tu ficas doido da cabeça com esse ao teu lado.
- Rita! – repreendeu-me.
- Ste, é verdade! Balotelli é doido, acho que toda a gente o sabe.
- Ele é divertido e extrovertido.
- E maluco, vá admite Stephan ele é maluco.
- Sim ele é maluco e está ao meu lado.
Começamos os dois a rir.
 - Vou ter de desligar, levas-me à falência.
- Já foi muito bom ouvir a tua voz.
- Foi. Amo-te.
- Eu também te amo.
Desliguei o telemóvel e a porta do meu quarto abriu-se. O Afonso entrou no meu quarto com a Leci atrás.
- Está na hora do passeio não é Leci? – perguntei fazendo-lhe algumas festas.
- És maluca, estás a falar com um cão!
- Não, não sou maluca. A Leci vale mais que certa gente que anda para aí.
- Lá nisso tens razão.


***

Acordei de manhã com uma sensação estranha. O dia do meu aniversário não costuma ser assim mas este ano é diferente porque faço dezoito anos. Quer queiram quer não o meu futuro está agora nas minhas mãos.
O Stephan joga hoje em Barcelona para a Liga dos Campeões, custa a querer que não o vou ter por perto.
Assustei-me com a porta do meu quarto a abrir.
- Gabi? Que estás aqui a fazer? É terça-feira não devias estar a ter aulas na faculdade?
- Rita isso agora não é nada importante. Tu és importante! Hoje é o teu dia e estás por minha conta minha coisa linda.

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Olá.
Espero que não achem este capitulo uma seca, eu especialmente não estou muito contente com ele. Espero as vossas opiniões.
Beijos, 
Mahina