segunda-feira, 3 de março de 2014

21º Capitulo - « Se calhar ando a dar demasiada importância à nossa relação. »

A verdade é que nunca estamos preparados para a morte de ninguém, para um adeus final, para deixarmos de ter aquela pessoa ao nosso lado.
Custa a crer que de um momento para o outro perdemos alguém que tanto foi na nossa vida, que nunca mais lhe vamos tocar, dar um beijo de bons dias ou até rir até não poder mais.
E tudo se desmoronou quando foi ele quem partiu.
Custa acreditar que nunca mais me vai dizer para ter cuidado, que tenho que lutar para alcançar, que não posso desistir sem antes tentar e tentar. Dói pensar que quando for a entrar naquela casa não o vou ver, que não vai estar naquele cadeirão a ler o seu jornal e a ver as notícias logo de manhã. Nunca mais vai estar naqueles jantares de Natal, sentava-se na ponta da mesa para que nos pudesse ver a todos. Vou ter saudades de quando me dizia que era a princesa dele. Vou ter saudades de ter o meu avô junto a mim.
Estamos em princípios de Fevereiro, perto das férias de Carnaval. Foi tudo rápido, demasiado rápido. Lembro-me como se fosse ontem do primeiro de fim-de-semana de Janeiro, daquele almoço em Castelo Branco junto dos meus avós maternos, daquele típico almoço de família em que o meu avô me deu todo o amor de sempre.
Estava bem, estava alegre um pouco mais magro por causa do cancro, mas fazia um esforço enorme para demonstrar a felicidade que tinha por estar a família toda reunida mas foi no fim de Janeiro que o vi partir e um vazio formou-se dentro do meu coração porque nunca estamos preparados para o partir de alguém tão próximo…
Desde da morte do meu avô que a minha mãe foi para Castelo Branco, tem lá estado para estar com a minha avó e tratar de algumas coisas.
Sem o Salvador nem a minha mãe por cá, além de irmã do Afonso tenho sido uma mãe. Lavar, estender, passar roupa tem sido a minha função. O meu pai tem passado mais tempo em casa para nos ajudar mas está tudo uma confusão, não consigo ter tempo para mim, ora estou a limpar a casa, a fazer o almoço ou a ajudar o Afonso com trabalhos da escola. Quando não estudo durmo porque o cansaço tem vindo a aumentar.

Ontem foi o último dia de aulas para estas mini férias de Carnaval, bem que preciso delas. A minha mãe em princípio vem segunda-feira de Castelo Branco e o meu desejo é que tudo volte ao normal.
Acordei cedo e deixei-me ficar algum tempo na cama, acendi a luz do meu candeeiro e comecei a ler a carta do Stephan uma vez mais.

Rita,
Por onde hei-de começar? Para te ser sincero nunca escrevi uma carta na vida, muito menos em português, como sabes tive a pequena grande ajuda da Francy.
Não sei onde estás agora nem em que momento da tua vida estás. Dei-te esta carta e disse-te para a leres quando não estivesses bem e precisasses de mim ou apenas quando as saudades fossem muitas.
Agora sim, vou escrever o que te quero dizer há muito tempo mas a coragem é pouca. Sabes que não sou romântico de natureza e às vezes quero-te dizer certas coisas mas não consigo, simplesmente não saem.
És especial para mim, tu sabes disso e digo-to algumas vezes. Mudas-te completamente a minha vida, acho que isso nunca te disse mas sei que desconfias. És a mulher da minha vida, sim tu és a mulher da minha vida.
Relações sérias nunca foi o meu forte e nunca as pensei ter antes dos 30 anos, estou a ser sincero, mas depois apareceste tu de uma forma inesperada. Podia ter olhado para milhares de raparigas naquele momento mas foi para ti que olhei, podia-me ter apaixonado por outra qualquer mas foi por ti que me apaixonei, até podia ter ''corrido'' atrás de uma outra rapariga mas foi atrás de ti que ''corri''. Senti aquela necessidade de correr atrás, senti algo dentro de mim que me dizia: é aquela a tal, não a deixes fugir! E a verdade é que nunca tinha sentido aquilo antes, a necessidade de ter alguém por perto. Hoje necessito de ti a cada minuto que passa, desespero outros tantos para te ter junto a mim novamente. 
Vezes sem conta me tento mentalizar que são apenas uns quilómetros e que são temporários mas no fundo sei que não são. Mas eu não desisto! Eu não desisto de ti Rita, eu não desisto de nós, não agora, não nunca.
Nós vamos ficar juntos, sei que sim, sei que um dia vamos estar juntos e felizes. E quando formos velhinhos vamos ficar orgulhosos do nosso passado.
Vai começar 2013, para te ser sincero não o prevejo muito bom. Vai ser o ano em que vamos lutar pelo nosso amor mas sem nunca desistir. Vai ser o ano em que acabas o 12º ano e decides o que fazer da tua vida. Mas sabes que mais? Não importa o tempo que vais ficar mais em Portugal, eu quero que sejas feliz, que tires o curso que sempre sonhas-te e depois sim pensamos num futuro a dois. Porque eu esperarei por ti o tempo que for necessário. Podem ser um, dois, três, cinco ou nove anos mas no fim desses anos eu vou estar aqui de braços abertos para te receber.
Sabes que te amo, e nunca disse um amo-te tão sentido a alguém, a verdade é que nunca o disse a ninguém mas agora sinto necessidade em o dizer porque não há outra palavra que exprima o que sinto por ti. Na verdade nem um ''amo-te'' é suficiente para dizer o quanto és importante para mim.
Amo-te muito Rita,

Stephan 


Voltei a poisar a carta na mesa-de-cabeceira e fechei os olhos tentando pensar que ele tinha razão, que era apenas uma distância temporária e que um dia íamos ficar juntos.
Ouviu uns passos no corredor e calculei que fosse o Afonso, a porta do meu quarto abriu-se e era ele tal como eu esperava.
- Anda cá. – disse-lhe afastando um pouco a roupa da cama para ele poder entrar na minha cama.
Assim o fez e deitou-se junto a mim.
- Estás bem? – perguntou-me.
- Desculpa Afonso.
- De quê? – perguntou confuso.
- De tudo…não te tenho dado atenção nenhuma quando mais precisas, tenho o pensamento longe, onde ele não devia estar. Não tenho sido uma boa irmã.
- Tens sido uma ótima irmã Rita.
- Não, não tenho. Não tenho estado à altura. Sabes que és a pessoa mais importante na minha vida? Tu, os pais e o Salvador?
- E o El Shaarawy?
- O Stephan é diferente Afonso, é totalmente diferente o amor que sinto por vocês e o que sinto por ele. E tenho pensado demasiado no Stephan e tenho-me esquecido de ti especialmente. Se calhar ando a dar demasiada importância à nossa relação.
- Se calhar porque tem importância.
- E tem mas eu tenho dezassete anos.
- Quase dezoito, falta mais ao menos um mês! Dia 12 de março vai ser épico.
- Andas a contar os dias?
- Ando! Este ano vai ter que ser daquelas festas fixes com muita gente.
- Cinco pessoas chegam?
- Não, assim umas trinta pelo menos.
- És doido!
Virei-me na cama enterrando a cabeça na almofada.
- Não penses demasiado Rita. Ele gosta de ti, tu gostas dele deixa as coisas correrem.
- Palavras certas para o momento certo, vais ser psicólogo?
- Não obrigada.
- Nós vamos fazer dia onze, três meses de namoro.
- Já é um record!
- Para ele talvez.
Rimo-nos os dois e acabámos por sair da cama e nos prepararmos para mais um dia, talvez este fosse diferente.

***

Voltei a casa, acompanhada pelo Afonso, no fim de um dia de aulas cansativo.
Estávamos no dia dos namorados mas nem um pouco me conseguia animar, nem um telefonema, nem uma mensagem, nem nada. Estava desiludida, esperava um reação diferente ao dia dos namorados do Stephan.
Quando entrei na sala reparei na minha mãe com uma rosa na mão.
- Pouco original o pai. – comentei a rir – podia ter-te dado uma margarida e ter dito: uma margarida para uma Margarida.
- O teu pai não tem assim tanta imaginação, e uma rosa é sempre mais romântica.
- Lá isso é.
- Mas tu tens mais do que uma filha.
- Tenho mais do que…- reparei para onde a minha mãe olhava, na mesa da sala estava um ramo de flores, um ramo grande.
- Na tua idade não tinha nada disso, nem agora tenho.
Percorri o caminho da porta da sala até aquela mesa em passo acelerado. Olhei o ramo e sorri, era grande, bonito e era dele.
Reparei que tinha um pequeno envelope e abri-o.



E por ti…
Espero o tempo que for preciso

Ti amo,
Stephan


- Queres um balde? – perguntou o Afonso despertando-me.
- Cala-te!- disse dando-lhe uma chapada no braço.
 Fui até ao quarto e fechei a porta para ter a certeza que não era interrompida.
Peguei no telemóvel e iniciei chamada para o Stephan.
- Rita! – ouvi do outro lado. O barulho de fundo era enorme e percebi que estava acompanhado, provavelmente pelos colegas todos.
- Ola Ste.
- Recebes-te as minhas rosas?
- Sim recebi, são lindas.
- São como tu.
- Ui que o dia de São Valentim faz-te bem ficas querido.
- Eu sou querido todos os dias meu amor.
- Oh- deixei escapar completamente deslumbrada com o que ouvia.
- Rita?
- Sim.
- Está aqui uma pessoa que quer falar contigo.
- Que venha ela.
- Oi beleza. – ouvi a voz inconfundível do Robinho do outro lado.
- Quê?
- Oh, você não fale assim comigo não, graças a mim conheceu o Stephan.
- Sim, sim.
- E você não me está para aturar né?
Deixei de ouvir a voz do Robinho para passar a ouvir a voz do Stephan.
- Amor da minha vida!
- Diz lá.
- Sabes quem é o meu novo companheiro?
- Ouvi dizer aí umas coisas.
- Balotelli.
- Agora é que tu ficas doido da cabeça com esse ao teu lado.
- Rita! – repreendeu-me.
- Ste, é verdade! Balotelli é doido, acho que toda a gente o sabe.
- Ele é divertido e extrovertido.
- E maluco, vá admite Stephan ele é maluco.
- Sim ele é maluco e está ao meu lado.
Começamos os dois a rir.
 - Vou ter de desligar, levas-me à falência.
- Já foi muito bom ouvir a tua voz.
- Foi. Amo-te.
- Eu também te amo.
Desliguei o telemóvel e a porta do meu quarto abriu-se. O Afonso entrou no meu quarto com a Leci atrás.
- Está na hora do passeio não é Leci? – perguntei fazendo-lhe algumas festas.
- És maluca, estás a falar com um cão!
- Não, não sou maluca. A Leci vale mais que certa gente que anda para aí.
- Lá nisso tens razão.


***

Acordei de manhã com uma sensação estranha. O dia do meu aniversário não costuma ser assim mas este ano é diferente porque faço dezoito anos. Quer queiram quer não o meu futuro está agora nas minhas mãos.
O Stephan joga hoje em Barcelona para a Liga dos Campeões, custa a querer que não o vou ter por perto.
Assustei-me com a porta do meu quarto a abrir.
- Gabi? Que estás aqui a fazer? É terça-feira não devias estar a ter aulas na faculdade?
- Rita isso agora não é nada importante. Tu és importante! Hoje é o teu dia e estás por minha conta minha coisa linda.

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Olá.
Espero que não achem este capitulo uma seca, eu especialmente não estou muito contente com ele. Espero as vossas opiniões.
Beijos, 
Mahina 

4 comentários:

  1. Olá, olá, olá!
    Não tinhas qualquer razão para dizeres que o provavel era não gostar do capitulo, sabes? Porque, apesar de ser mais pequenino e dos imprevistos que teve, é um capitulo bonito (apesar de ser super triste). Porque sei e sinto que as coisas não estão nem vão ficar melhores. Mas...é o dia de anos dela, logo SÓ PODE haver DIVERSÃO!! Não me ponhas a menina triste.
    Sabes o que era de valor? A Gabi levar a Rita à noite a um sitio e tcharam Ste lá para ela todinho inteiro.

    Espero o próximo.
    Beijinhos.
    Ana Patrícia.

    PS: Não estava mesmo NADA à espera da morte do avô :(

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  2. Ola!
    A reflexao inicial da rita foi... Tocante!
    Mas por outro lado a carta do Ste foi ultra fofa e o raminho? Tambem quero!! quanto a carta e a prova que e mais facil escrever do que dizer determinadas coisas!
    E ate houve uma chamada semi romântica! Semi porque o Robinho nao resistiu a ter o seu momento de protagonismo xD
    Balotelli? Concordo com a Rita! Nao e la grande exemplo para o Ste! Eu sou da opinião da Rita : o rapaz e maluco, faltam lhe cartas ao baralho!
    E agora Rita nas maos da Gabi? Ui ate tenho medo xD
    Ja espero o próximo!

    Beso
    Ana Santos

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  3. Olá. Não digas que os capítulos são secantes...pq n o são ;)
    Não gostei da morte do avô da Rita :(
    Amei a carta do El :D
    A sério que o Balotelli tinha q vir ao barulho?...logo esse que não é um grande exemplo para ninguém :p ehehehe
    Agora esta parte final assusta-me...até vou ter pena da Rita ehehe :P
    Espero pelo próximo sff bjs

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  4. Oláaaaa


    Adoreiiiiii


    Beijinhos


    Catarina

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