quinta-feira, 17 de abril de 2014

24º Capitulo - « Aturar-te também dá trabalho e não é por isso que não o faço. »

Abri a porta do quarto e quando entrei reparei como a Gabriela olhava para mim, atenta e séria como se à espera de algo.
- Sim… - disse tentando compreender o que queria ela.
- Demorou a água. – comentou enquanto eu me deitava na cama.
- É…foi. – respondi.
- Rita tem cuidado por favor. - disse agarrando-me uma das mãos.
- Com o quê? – perguntei.
- Com o Rafael.
- Outra vez essa conversa Gabriela?
- Sim, outra vez. Precisamos mesmo de a ter. Ambas sabemos que o Rafa é um rapaz com…- sorri percebendo a onde ela queria chegar – oh meu Deus como é que eu digo isto? – também ela gargalhou – O Rafael é raro, consegue ser aquele típico bad boy mas também consegue ser aquele rapaz tão querido ao ponto de encantar qualquer uma só com aquela capacidade que ele tem de usar as palavras certas nos momentos certos.
- Fala a bad girl que também já foi na cantiga do Rafael.
- Tu também já foste e não foi só uma vez. – atirou – Mas vou continuar… - prosseguiu – nós sabemos o quanto ele consegue ser irresistível e perfeito ao mesmo tempo mas também sabemos que não tens cá o Stephan…
- Gabi… – interrompi-a – não precisas sequer de continuar, eu sei o que  o Rafa é mas sei o que tenho em casa e…a verdade é que eu nunca tive tantas certezas na minha vida de querer alguém ao meu lado e esse alguém é o Stephan por isso não te precisas de preocupar, há muito tempo que não tenho olhos para mais ninguém.
- Nem se ele se atirar a ti? Uma mulher não é de ferro não é?
- Ele já tentou.
- O quê? – perguntou a Gabriela levantando o tom de voz.
- Oh Gabi controla-te, ainda acordas o senhor Salvador e a sua donzela.
- Temos que falar nisso nós mas antes Rafael.
- Sim Gabriela, ele tentou. Que queres que te diga? Mas eu não sou a mesma Rita com quem ele brincou há uns anos. Tenho objetivos, e um deles é que eu e Stephan dure muito tempo.
- Isso é bonito, é mesmo bonito!
- É não é? Dia onze de Julho fazemos oito meses.
- Só queria que fosses feliz e parece que é isso que está a acontecer.
- Eu sou feliz, mais do que pensei alguma vez ser.


***

(Salvador)

- Bom dia! – saudou a Rita a entrar na cozinha com a Gabriela.
- Estás muito contente. – comentei.
- O meu bebe vem hoje. – disse ela com um sorriso enorme na cara.
- Coitada de ti, Gabriela. – comentei - vais ficar sem companhia de noite.
- Já viste? Vai-me trocar por um Italiano qualquer. – disse a Gabriela.
- Não é um italiano qualquer, é o meu italiano. – resmungou a Rita.
- Quando é que ele vem? – perguntou a Francesca.
- À tarde, foi ontem para Itália e hoje vem para cá. – respondeu – e nós vamos indo para a praia. – disse.
- Adeus. – despediu-se a Gabriela enquanto saiam as duas pela porta.
- A tua irmã está tão feliz. – comentou a Francesca sentando-se nas minhas pernas.
- Não sei é será por muito tempo.
- Oh Salvador, porque é que dizes isso?
- Sejamos sinceros ele está em Itália e é jogador de futebol e ela é uma rapariga de dezoito anos que acabou agora o secundário. Eu tento pensar que sim…que eles têm futuro mas é complicado.
- Salvador olha para nós…conhecemo-nos na universidade quando me praxaste e olha apaixonamo-nos, depois namoramos por volta de dois anos e tu foste para Paris com a Mariana e começaram a namorar os dois. Se alguma vez te esqueci? Claro que não. E agora passados estes dois anos voltamos a encontrar-nos e estamos felizes, a trabalhar os dois em Itália. Pelo que conheci do Stephan deu para ver o rapaz maravilhoso que é e como trata a tua irmã, trata-a como uma verdadeira rainha e mesmo que ele mude de país por alguma razão eles podem sempre voltar a ficar juntos…tal como nós.
- É por isso que te amo…dizes sempre as coisas de uma forma tão simples mas tão complexa ao mesmo tempo, e tens sempre esse pensativo positivo.
- É, já tinha saudades disto. Saudades tuas…saudades destes momentos…saudades de Portugal porque quem está aqui não imagina o quanto dói estar longe mas quando é por um bom motivo como o nosso, recompensa.
- Ai que românticos! – disse o Rafael entrando na cozinha.
- Querias não era? – perguntei.
- Não tarda muito tenho , com o meu charme é garantido. – disse rindo.
- Continuas o mesmo tu.


- A tua irmã está tão diferente. – disse-me o Rafael quando estávamos só os dois na esplanada de um café junto da praia. A uns bons metros de nós estava o Afonso, a Gabi, a Francesca e a minha irmã.
- Estiveste com ela na passagem de ano, não? – perguntei-lhe.
- Sim mas mesmo assim, estamos nos princípios de julho. Passaram quê? Sete meses mais ao menos? E ela está diferente.
- É o namorado. Nunca ouviste dizer que namorar faz bem? Já tu namoradas longe delas não é?
- Namorado? – perguntou espantado.
- Sim…ela não te disse?
- Ainda não falámos muito. – admitiu. – Oh Salvador? – chamou o que me levou a olhar para o sítio para onde ele olhava. - Aquele não é o El Shaarawy? – perguntou – Eu não sou muito adepto de Serie A mas é ele…- fez uma pequena pausa - e porque é que ele está a beijar a tua irmã ? – perguntou olhando para mim.


(Rita)

- Obrigada por me mentires. – disse-lhe colocando as minhas mãos em volta da sua cintura.
- São mentiras boas. – disse-me o Stephan beijando-me mais uma vez. – podemos aproveitar assim a manhã, a tarde a noite…
- Esquece lá isso… - disse colocando as minhas mãos desta vez no seu pescoço – Além de nós vai haver mais cinco pessoas naquela casa, logo não nos safamos.
- Podemos sempre fugir.
- Nunca me agradou tanto uma ideia tua, acreditas?
- Eu tenho boas ideias, Rita.
- Só de vez em quando.
- Já te disse que ficas assim toda sexy com pouca roupa? – disse deslizando as suas mãos pelo meu corpo parando depois nas minhas nádegas.
- E eu já tu já reparaste que estamos num sítio publico?
- Já mas pensei que os pudéssemos esquecer.
- Tinha tantas saudades tuas. – acabei por me abraçar a ele como já não fazia há algum tempo.
- Eu também, acredita que eu também.
- Stephan – disse olhando para ele – há quanto tempo é que não fazes a barba?
- Dá trabalho Rita.
- Aturar-te também dá trabalho e não é por isso que não o faço.
- Magoaste-me agora. – disse tentando fazer cara séria algo que não conseguiu.
- Não, não me enganas com essa do magoado. – acabei por dizer – queres ficar tipo o quê? Luis Neto?
- É neto de quem? – perguntou a rir.
- Do avô dele, sei lá de quem! – respondi tentando fazer cara séria.
- Mas quem é esse?
- Oh Stephan, eu corto relações contigo!
- Não eras capaz. – disse agarrando-me e puxando-me para junto dele.
- É assim eu sou obrigada a saber, quem é o Marchisio, Montolivo, De Rossi, Sirigu, Chiellani…
- É Chiellini, Rita. – disse a rir.
- Que seja Chiellini isso não interessa, o problema aqui é tu não saberes quem é o Luis Neto, tu que jogas futebol!
- Vais-me dizer quem é?
- Stephan! Jogou contigo na serie A esta época.
- Oh não jogou nada.
- Siena, não?
- Sabes em que lugar ficou?
- Sei lá, és tu o Italiano aqui.
- Décimo nono se não me engano, logo eu não conheço lá nada daquilo. E já agora a que propósito veio esta conversa?
- Tua barba Stephan.
- Faço isso amanhã. Não me vais dar os parabéns?
- De quê? Do recorde que bateste em não fazer a barba há dois meses?
- Não dos meus dezasseis golos esta época. – olhou para mim como que esperando algo - estás a implicar muito com ela. – disse passando a mão pelo seu rosto.
- Enquanto não implico com ela já é muito bom não? – perguntei apontando para  crista.
- É meu amor, é. – respondeu agarrando-me mais uma vez e beijando-me.


- Nós vamos sair. – avisei de mão dada com o Stephan já perto da porta.
- Oficialmente trocada pelo italiano. – reclamou a Gabriela que se acabava de sentar no sofá junto do Rafael e do Afonso.
- Oh minha Gabi linda, queres vir? – perguntei.
- Nop, para fazer de vela faço aqui em casa para aqueles dois. – disse apontando para o Salvador e a Francesca.
- E eu a pensar que era para esses dois. – disse referindo-me ao Afonso e ao Rafael.
O Rafael olhou para mim e mandou-me com uma das almofadas.
- Sou muito homem! – reclamou.
- O meu irmão não se queixou. – disse levando os presentes a rir menos o Afonso.
- As tuas bocas passam-me ao lado, minha querida irmã.
- Não duvido, não duvido. – disse atirando novamente com a almofada para perto deles. - Bem, nós vamos.
- Tenham cuidado. – disse o Salvador.
- É de noite mas não me perco, descansa. – disse saindo finalmente por aquela porta.


- Gosta tanto disto – disse suspirando.
Estávamos há pouco mais de meia hora a olhar o mar sentados na areia. O Stephan acolhia-me nos braços dele enquanto trocávamos alguns beijos e caricias.
- Eu adoro estar aqui contigo, sem termos de fugir.
- Nunca fugimos de ninguém Stephan. – disse rindo.
- Percebes o que eu quero dizer, em Milão podemos sempre ser apanhados aqui…é tudo muito mais calmo e o risco de sermos apanhados é menor.
- Sinto-me tão bem contigo. – admiti.
- E eu contigo.
- Somos muito pirosos não somos? - perguntei levando-o a rir.
- Também é preciso, ou não?
- É. – virei-me um pouco para trás olhando-o nos olhos e beijando-o - Pronto para uma noite a três?
- A três? – perguntou sem perceber.
- A Gabi dorme connosco.
- É suposto ter medo? – perguntou receoso.
- Não Stephan, vais ver que será uma noite tranquila.


- Tenho dois avisos a fazer. – disse a Gabi sentando-se no fundo da cama.
- O quê? – perguntei a medo.
- Nada de diversão noturna.
- Gabriela! – reclamei.
- Estou a precaver-me.
- Qual é o outro?
- Não falem Italiano que isso irrita-me muito. – disse com uma cara enjoada o que levou eu e o Stephan a rir.
- Tens a certeza que não queres dormir aqui? – perguntou o Stephan – eu não me importo de ir dormir para o chão.
- Não. A Rita ia ter contigo de noite à mesma por isso não vale a pena. E vocês são um casal até bonito que precisam de matar saudades mas sem movimentos por favor.
- Não somos nenhuns coisos. – reclamei.
- Coisos, pois coisos. Durmam! – disse a Gabriela apagando a luz e deitando-se na sua cama inventada.
- Ela estava a falar a sério não estava? – perguntou o Stephan baixinho colocando as suas mãos em volta da minha cintura.
- Estava, muito a sério. – respondi-lhe.
- És mesmo linda. – disse beijando-me.
- Oh, tu também meu amor. – disse-lhe juntando os nossos lábios.
- Oh por favor! – reclamou a Gabriela – os vossos beijos e as vossas declarações são audíveis aqui! Quero dormir! – disse a Gabriela o que nos levou a rir aos dois.


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Boa noite meninas :)
Aqui fica mais um capitulo.
Espero as vossas opiniões.
Beijinhos,
Mahina 

domingo, 13 de abril de 2014

23º Capitulo - « Queres festa tu! »

- O teu futuro, o meu futuro. Tu eras capaz de abdicar da tua vida em Portugal para ficares comigo?
- Queres a verdade? – perguntei.
- Quero.
- Era, claro que era. Não é a primeira nem vai ser a última vez que esse assunto vai ser o nosso tema de conversa. Sabes que tu és muito importante para mim mas és mesmo. Isto não é uma paixão de miúdos, já passou disso há muito tempo sabes? Por isso sim, eu era capaz de deixar toda a minha vida para trás para estar contigo e fazer uma vida ao teu lado.
- Mas eu não quero.- disse deixando-me completamente à nora.
- Não queres…como assim não queres? – perguntei tentando o perceber o que queria dizer com aquilo.
- Não quero que mudes a minha vida por mim.
- Porquê? Não me queres ao teu lado, é isso? – perguntei a medo.
- Não, não é isso, apenas…apenas não quero que desistas da tua vida por mim, quero que a sigas mesmo que isso implique distância por anos, não interessa sei que o nosso amor é forte para superar essa distância toda. Não quero que um dia te arrependas por teres desistido de tudo por mim, especialmente por mim, eu que não mereço tudo o que fazes ou queres fazer por mim.
- Não digas asneiras Stephan, mereces bem mais do que eu te posso dar. E eu nunca me vou arrepender se decidir ficar ao teu lado.
- Não…não pode ser.
- Não pode ser? Como assim não pode ser?
- Promete-me uma coisa Rita, por favor.
- O quê?
- Independentemente do que acontecer no futuro promete-me que não vais desistir do teu futuro para ficares junto a mim.
- Não te posso prometer isso…
- Porque não?
- Porque não posso! – disse sem me preocupar muito com o tom de voz  - Não quero nem posso, não sei o futuro e pode acontecer tanta coisa , boa ou má e eu quero estar ao teu lado e se for preciso desistir de tudo…eu desisto porque tu és talvez das únicas pessoas que me faz sentir viva e és o único que me consegue deixar completa, se te perder a ti…acho que perco tudo. – finalizei baixo.
- Não te mereço.
- Pois não mereces não! Raparigas como eu não se encontram aí em qualquer esquina. – disse tentando aliviar um bocadinho o ambiente.
- A tua mãe disse isso de mim, não foi de ti!
- A minha mãe não sabe o que diz, ela também diz que eu tu és bonito e como podes comprovar com o reflexo do espelho isso não é verdade!
- Fica sabendo que sou um dos jogadores mais apreciados por cá.
- A taxa de pessoas com problemas de visão tem subido nos últimos anos.
- É normal nós não conseguirmos ter uma conversa séria sem acabar assim, em brincadeira?
- É, tu sabes que é.
- Sei.
- Sabes para onde vou na viagem de finalistas? – disse mudando o tema da conversa.
- Itália?
- Era, então não?
- Diz lá.
- Calpe, assim o paraíso.
- Há rapazes?
- Não, achas? A viagem de finalistas é só de raparigas! – ironizei.
- Podia ser, era bem mais seguro.
- Oh sim, claro.
- E quando é que vais?
- Vou domingo à noite por isso é que sexta-feira me tenho que ir embora, tenho que passar o meu sábado a dormir para descansar de Itália e preparar-me para Espanha. Ando a levar os meus pais à falência, eles vão deserdar-me.
- Não vão nada. Vais-te portar bem?
- Claro que não, vou divertir-me.
- Rita…
- Não te vou trocar, não te preocupes.
- Tenho medo.
- Olha tu passas os dias todos aqui e há fãs malucas por todo lado e como vês eu não tenho medo.
- Porque tens um cão. Vocês não dizem que quem tem medo compra um cão?
- Tu mesmo que quisesses não podias não é? Já que Stephan El Shaarawy tem medo de cães!
- Goza…
- Eu amo-te sim? Mesmo com ou sem medo de cães.
- É um trauma de criança sim?
- Andaste a correr com carne na mão e eles vieram todos atrás de ti?
- Não, a minha mão tinha um cão e ele pensava que voava e atirou-se da janela.
- Ste – disse poisando a minha mão sobre a sua - O cão está no céu a olhar por ti e tenho a certeza que o desejo dele no fim de morrer era ver-te feliz. – disse com uma enorme vontade de me rir.
- Tu ainda gozas!
- Tem piada, desculpa mas tem piada.
- Não sabes o que dizes! – atirou mandando-me com uma almofada à cara.
- Tu é que não sabes o que dizes! Isso é a convivência com o avariado do Balotelli.
- Rita!
- Pronto desculpa, gosto muito de ti italiano do meu coração – disse sentando-me ao colo e tentando rodear a sua cintura com as minhas pernas.
- Queres festa tu!
- Olha que lata!
- Até parece que é mentira!
- Nem vou comentar isso. Tenho sono – disse apoiando a minha cabeça no seu ombro.
- Tens? – perguntou. – Tu não dormes de noite?
- Não, eu passo as noites todas a olhar para ti, ainda não reparaste?
- Estás sempre a gozar comigo não é?
- Pensei que já tinhas reparado. – disse-lhe.


- Olhem lá! – atirou o Manu, olhamos rapidamente para ele para tentar perceber o que é que se tinha passado – o que é que está a fazer um soutien no sofá?
- Mas agora os meus soutiens andam nas mãos de toda a gente?
- Oh! – disse o Stephan tirando o soutien das mãos do Manu – não tens nada que mexer nos soutiens da Rita! Agora vou ter que por isto na máquina de lavar!
- Mano, sejamos sinceros, tu não sabes pôr uma máquina a lavar!
- Cala-te! – disse-lhe o Stephan.
- Ste é verdade, quando descobrires que a roupa preta só se põe com a preta e a roupa branca só se põe com a branca eu deixo-te lavar a minha roupa, até lá não o faças.
- Ainda não me responderam à pergunta. E…porque é que isso tem silicone? – perguntou o Manu olhando para o soutien.
- Vê-se mesmo que são irmãos! – atirei – isso serve para…não vale a pena explicar, vocês são homens e não percebem nada disto.
- Eu percebo! – disse o Stephan – eu explico-te – disse virando-se para o irmão – tipo isto não tem alças e tem que segurar de alguma forma.
- Mas para isto estar aqui vocês…
- Oh oh bem que podes já parar por aí, não inventes. – avisei sentando-me ao colo do Stephan que estava no sofá em frente ao irmão.
- Vocês são frescos são. Vou-me mudar para cá!
- Vais…então não? – gozou o Stephan.
- Por mim estás à vontade, só que quando estiver cá eu, como é o caso, tens que dar à sola. Até me dá um certo jeito, controlas aqui o Stephan para não fazer porcaria.
- Até parece Rita.
- Não sei o que fazes na minha ausência.
- Na tua ausência é um chato, está sempre a falar de ti até enjoa.
- Não enjoa nada – disse passando a minha mão pelo rosto do Stephan – é bonito isso.
- É bonito isso – disse imitando-me – vocês enjoam uma pessoa.
- Tens bom remédio, abres a porta e sais. – disse-lhe o Stephan.
- Nunca pensei ser tão desprezado pelo meu próprio irmão. A culpa é tua Rita!
- Cala-te! – disse atirando-lhe com uma das almofadas que estavam junto ao sofá – trata-me bem, sabes bem que sou a única, repito, a única que te pode dar um sobrinho.
- Não…os irmãos da minha futura mulher também podem.
- Isso é se tiveres futura mulher o que duvido. - disse o Stephan.
- Não trates assim o teu irmão – disse virando-me para o Stephan – agora os homossexuais são mais aceites pela sociedade! É uma vantagem Manu! – disse levando o Stephan a rir.
- Sem dúvida que vocês andam com umas piadas loucas. – comentou ofendido.
- Oh Ste sabes o que é que o Manu me mostrou há uns dias?
- O que é que tu lhe mostraste? – perguntou o Stephan preocupado virando-se para o irmão.
- O catálogo das tuas ex-namoradas, há lá com cada uma!
- O que é que tu lhe andaste a mostrar? – perguntou novamente.
- Andámos pelas redes socias e eu mostrei-lhe aquelas tuas semi-namoradas de cinco ou seis dias. A Bianca, a Sandra, aquela sueca a Aleyna.
- Digo-te já que eram todas bem feias. – comentei.
- Por falar nisso, a Aleyna está grávida sabias? – perguntou o Manu.
- O que é que eu tenho a ver com isso? Por mim até podia virar para o outro lado. E porque é que tu lhe andaste a mostrar isso?
- Para ela ver a concorrência! – disse ele.
- Desculpa mas não, eu não tenho concorrência, Ste é exclusivamente meu. E sempre será.
- Eu deliro nesta casa. – comentou o Manu.


- Anda – disse agarrando-me a mão e levantando-me do sofá.
- Stephan…por favor são onze da noite e tenho sonho. – queixei-me.
Nada disse e continuou a andar para o exterior da casa era literalmente puxada por ele.
- Confias em mim? – disse já no exterior da casa.
- Que pergunta é essa, claro que confio! – disse ainda com uma voz calma.
Chegou-se perto de mim e começou a revistar os meus bolsos.
- Stephan? – chamei baixinho.
- O quê?
- Porque é que me estás a apalpar?
- Tens telemóvel ou alguma coisa nos bolsos?
- Não ficou tudo lá dentro.
- Boa – disse atirando o telemóvel dele para a relva.
- Começas a assustar-me seriamente.
- Confias em mim? – voltou a perguntar aproximando-se novamente de mim.
- Confio.
Poisou as suas mãos na minha cintura e levantou-me do chão por momentos tive medo do que se podia passar a seguir. Rodeei a sua cintura com as minhas pernas e o Stephan assentou as suas mãos nas minhas nádegas.
- Oh Ste, eu não sei o que é que vai nessa cabeça mas olha lá aquela tua vizinha idosa pode estar a esta hora na janela do seu quarto a vigiar-nos.
- A esta hora está a dormir. Preparada?
- Preparada para quê?
Não se dignou a responder-me, andou uns passos para a frente, olhou-me nos olhos e sorriu. Olhei para trás e reparei que estávamos à frente da piscina.
- Oh meu Deus – sussurrei antes de o Stephan saltar.
A água estava fria mas naquele momento parecia nada importar. O Stephan pegou-me ao colo já dentro de água.
- Stephan El Shaarawy, eu nunca mais digo na minha vida que confio em ti.
- Podes confiar.
- Começo a duvidar.
- Eu amo-te.
- E tivemos que vir para a piscina para me dizeres isso?
- É mais romântico.
- Stephan diz-me uma coisa seriamente.
- O quê?
- Tu nunca me vais trair, pois não?
- Que conversa é essa Rita?
- Inseguranças de uma rapariga de 18 anos.
- Que tal as esqueceres? Uma pessoa só trai a outra quando não está contente com o que tem em casa mas eu estou e muito contente com o que tenho, sim?
- Mas sei lá…tu és tu sozinho em Itália não é? Uma pessoa fica com medo.
- Não sejas tonta. Eu sou eu e só te quero a ti.
- Acho bem que sim. – acabei por dizer beijando-o.


***

- Oh beleza? – chamou o Salvador atirando-me areia para cima da toalha.
- O que é que tu queres pá? – respondi nada contente com a areia que estava na minha toalha.
- O teu homem?
- O meu homem deve estar a esta hora a preparar-se psicologicamente para a disputa do terceiro lugar com o Uruguai.
- A que horas é que é o jogo?
- Ás cinco, vou ter que dizer adeus à praia à tarde para ver lá o jogo do meu Italiano.
- Ui, que sacrifício que ela vai fazer por Il Faraone. – disse a Francesca brincando.
- E vou, vão ser menos umas horas de bronze só para ver aquele meu namorado a passear por plena Arena Fonte Nova sim porque ele diz que lá está muito calor e não se consegue jogar como deve ser.
- Ele que se prepare para o mundial que vai ser igual. – comentou a Francesca.
- Ele tem lá capacidade para ir a isso!
- Pensei que tinhas o teu namorado em melhor conta. – disse o Afonso deitando-se todo molhado em cima de mim.
- Sai mas é daqui sua coisa! – atirei tentando com que ele saísse de cima de mim. – E tenho mas o meu namorado é o meu namorado, o El Shaarawy é o El Shaarawy.
- São pessoas diferentes? – perguntou o Salvador.
- São. Bastante diferentes. Ste é Ste e o outro é o outro.
- O outro? – perguntou a Francesca rindo-se.
- Oh vocês perceberam. Sabem porque é que ele joga com o número catorze na seleção?
- Não – responderam os três ao mesmo tempo.
- Eu também não, estava mesmo à espera que me dissessem. 
- Sabes o que vai ser bom para as minhas vistas? – perguntou-me a Francesca.
- Diz-me lá.
- A final hoje, espanhóis e brasileiros mas há melhor que aquilo?
- Para mim até há mas aquelas duas seleções são bem constituídas.
- Se são. – disse ela.
- Vocês não se contentam com o que têm? – perguntou o Salvador.
- Nós não somos cegas tá? Se passar aí uma loira toda cheia de silicone também vais olhar ou vais dizer que não?
- E olho!
- Então calas-te Salvador, sim?
- Andas muito enervada rapariga.
- Ando com saudades sabes? Já não vejo o meu bombom desde março, três meses.
- Mas ele vem cá? – perguntou a Francesca.
- Vem, passa cá uns dias comigo depois de vir do Brasil.
- Que romântico. – comentou a Francesca
- O Rafael também vem cá ter daqui a uns dias. – informou o Salvador.
- E vai dormir com o Afonso na sala. – comentei.
- É capaz. – disse o Salavador.
Duas semanas sem pais foi o que nos foi concebido e  Leiria, mais precisamente Nazaré, foi o destino que escolhemos. Como os meus tios têm casa por cá e não estão em Portugal deram-nos a oportunidade de ficar nela. A casa não é muito grande tem apenas dois quartos e logo decidimos que como era a única rapariga ficava num e como o Salvador trouxe a Francesca ficou ele no outro e o Afonso ficou na sala a dormir no sofá.
Os dias têm passado rápido e com a taça das confederações a decorrer ainda mais. A verdade é que nunca mais vejo a hora de ter o meu namorado junto a mim.
- Quem faz o almoço hoje? – perguntou o Afonso.
- Tu também só queres comer, faze-lo nada! – disse-lhe.
- Eu acho que devíamos fazer todos dieta e não almoçamos hoje. – disse o Afonso.
- Fala por ti. Eu almoço, tenho fome. E acho que vou já para casa.
- Eu vou contigo. – disse o Afonso arrumando as coisas.
- Vejam lá se compram o almoço não é? – disse virando-me para o Salvador e a Francesca.
- Sim, nós vamos ver isso. Não se percam! – gozou o Salvador.
Acabamos por sair da praia e caminhar até casa, não era longe em quinze minutos se chegava lá.
O caminho foi feito aos encontrões e muita brincadeira entre o Afonso e eu.
- Acho que temos visitas. – disse o Afonso.
Olhei em frente e reparei em quem estava junto à porta de casa dos meus tios.
- Gabi! – disse correndo na sua direção.
- Rita! – disse ela abraçando-me.
- Vocês quando se juntam são piores que…é que eu nem sei o quê – comentou o Afonso chegando perto de nós.
- Somos nós – disse a Gabriela dando-me um beijo.


A tarde passou rápido, a Gabriela ficou comigo e vimos as duas o jogo, que foi a penáltis ganhando depois a Itália, para depois nos dedicarmos a fazer o jantar.
- Chegámos! – disse o Salvador quando abriu a porta de casa.
- Olá meninas. – aquela voz, olhei para trás e confirmei as minhas suspeitas era o Rafael.
- Olá Rafa. – disse-lhe.
- Olá. – disse a Gabriela de uma forma seca.
Eles foram para a sala deixando-nos a nós na cozinha.
- Oh Gabi! – reclamei.
- O quê?
- Aquilo é maneira de falares para o Rafael.
- É…porque ou eu muito me engano ou ele trás problemas.
- Ele é o melhor amigo do meu irmão, que problemas pode trazer?
- Problemas contigo e escusas de te fazer de desentendida.


- Não me vais chamar Stephan e agarrar-me pois não? – perguntou a rir enquanto nos deitávamos na cama.
- Não! Está descansada, já dormi mais vezes contigo do que com ele, não precisas de ter medo.
- Já está tudo deitado a dormir e nós aqui.
- Falamos mais que eles todos juntos e tínhamos conversa a por em dia. – disse-lhe. – vou à cozinha beber água.
- Não te percas!
- Gabi…- disse percebendo ao que ela se referia.
Percorri o pequeno caminho do quarto à sala para depois ir para a cozinha. Foi o toque de alguém que me fez parar na sala. Controlei-me para não gritar enquanto alguém me agarrava o pé. Olhei finalmente para o meu pé percebendo de imediato quem é que me agarrava.
- Nunca te assustaste com o meu toque. – sussurrou o Rafael.

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Olá :)
Peço-vos muitas desculpas pela demora do capítulo, já passou quase um mês desde o último capitula publicado. Espero que me desculpem e que não tenham desistido disto :) Este capítulo esteve algum tempo ainda nas minhas mãos mas hoje decidi que o acabava e aqui está.
Mais uma vez agradeço os comentários e por continuarem aí :)
Espero que gostem, deixem as vossas opiniões.
Beijinhos,
Mahina