quinta-feira, 17 de abril de 2014

24º Capitulo - « Aturar-te também dá trabalho e não é por isso que não o faço. »

Abri a porta do quarto e quando entrei reparei como a Gabriela olhava para mim, atenta e séria como se à espera de algo.
- Sim… - disse tentando compreender o que queria ela.
- Demorou a água. – comentou enquanto eu me deitava na cama.
- É…foi. – respondi.
- Rita tem cuidado por favor. - disse agarrando-me uma das mãos.
- Com o quê? – perguntei.
- Com o Rafael.
- Outra vez essa conversa Gabriela?
- Sim, outra vez. Precisamos mesmo de a ter. Ambas sabemos que o Rafa é um rapaz com…- sorri percebendo a onde ela queria chegar – oh meu Deus como é que eu digo isto? – também ela gargalhou – O Rafael é raro, consegue ser aquele típico bad boy mas também consegue ser aquele rapaz tão querido ao ponto de encantar qualquer uma só com aquela capacidade que ele tem de usar as palavras certas nos momentos certos.
- Fala a bad girl que também já foi na cantiga do Rafael.
- Tu também já foste e não foi só uma vez. – atirou – Mas vou continuar… - prosseguiu – nós sabemos o quanto ele consegue ser irresistível e perfeito ao mesmo tempo mas também sabemos que não tens cá o Stephan…
- Gabi… – interrompi-a – não precisas sequer de continuar, eu sei o que  o Rafa é mas sei o que tenho em casa e…a verdade é que eu nunca tive tantas certezas na minha vida de querer alguém ao meu lado e esse alguém é o Stephan por isso não te precisas de preocupar, há muito tempo que não tenho olhos para mais ninguém.
- Nem se ele se atirar a ti? Uma mulher não é de ferro não é?
- Ele já tentou.
- O quê? – perguntou a Gabriela levantando o tom de voz.
- Oh Gabi controla-te, ainda acordas o senhor Salvador e a sua donzela.
- Temos que falar nisso nós mas antes Rafael.
- Sim Gabriela, ele tentou. Que queres que te diga? Mas eu não sou a mesma Rita com quem ele brincou há uns anos. Tenho objetivos, e um deles é que eu e Stephan dure muito tempo.
- Isso é bonito, é mesmo bonito!
- É não é? Dia onze de Julho fazemos oito meses.
- Só queria que fosses feliz e parece que é isso que está a acontecer.
- Eu sou feliz, mais do que pensei alguma vez ser.


***

(Salvador)

- Bom dia! – saudou a Rita a entrar na cozinha com a Gabriela.
- Estás muito contente. – comentei.
- O meu bebe vem hoje. – disse ela com um sorriso enorme na cara.
- Coitada de ti, Gabriela. – comentei - vais ficar sem companhia de noite.
- Já viste? Vai-me trocar por um Italiano qualquer. – disse a Gabriela.
- Não é um italiano qualquer, é o meu italiano. – resmungou a Rita.
- Quando é que ele vem? – perguntou a Francesca.
- À tarde, foi ontem para Itália e hoje vem para cá. – respondeu – e nós vamos indo para a praia. – disse.
- Adeus. – despediu-se a Gabriela enquanto saiam as duas pela porta.
- A tua irmã está tão feliz. – comentou a Francesca sentando-se nas minhas pernas.
- Não sei é será por muito tempo.
- Oh Salvador, porque é que dizes isso?
- Sejamos sinceros ele está em Itália e é jogador de futebol e ela é uma rapariga de dezoito anos que acabou agora o secundário. Eu tento pensar que sim…que eles têm futuro mas é complicado.
- Salvador olha para nós…conhecemo-nos na universidade quando me praxaste e olha apaixonamo-nos, depois namoramos por volta de dois anos e tu foste para Paris com a Mariana e começaram a namorar os dois. Se alguma vez te esqueci? Claro que não. E agora passados estes dois anos voltamos a encontrar-nos e estamos felizes, a trabalhar os dois em Itália. Pelo que conheci do Stephan deu para ver o rapaz maravilhoso que é e como trata a tua irmã, trata-a como uma verdadeira rainha e mesmo que ele mude de país por alguma razão eles podem sempre voltar a ficar juntos…tal como nós.
- É por isso que te amo…dizes sempre as coisas de uma forma tão simples mas tão complexa ao mesmo tempo, e tens sempre esse pensativo positivo.
- É, já tinha saudades disto. Saudades tuas…saudades destes momentos…saudades de Portugal porque quem está aqui não imagina o quanto dói estar longe mas quando é por um bom motivo como o nosso, recompensa.
- Ai que românticos! – disse o Rafael entrando na cozinha.
- Querias não era? – perguntei.
- Não tarda muito tenho , com o meu charme é garantido. – disse rindo.
- Continuas o mesmo tu.


- A tua irmã está tão diferente. – disse-me o Rafael quando estávamos só os dois na esplanada de um café junto da praia. A uns bons metros de nós estava o Afonso, a Gabi, a Francesca e a minha irmã.
- Estiveste com ela na passagem de ano, não? – perguntei-lhe.
- Sim mas mesmo assim, estamos nos princípios de julho. Passaram quê? Sete meses mais ao menos? E ela está diferente.
- É o namorado. Nunca ouviste dizer que namorar faz bem? Já tu namoradas longe delas não é?
- Namorado? – perguntou espantado.
- Sim…ela não te disse?
- Ainda não falámos muito. – admitiu. – Oh Salvador? – chamou o que me levou a olhar para o sítio para onde ele olhava. - Aquele não é o El Shaarawy? – perguntou – Eu não sou muito adepto de Serie A mas é ele…- fez uma pequena pausa - e porque é que ele está a beijar a tua irmã ? – perguntou olhando para mim.


(Rita)

- Obrigada por me mentires. – disse-lhe colocando as minhas mãos em volta da sua cintura.
- São mentiras boas. – disse-me o Stephan beijando-me mais uma vez. – podemos aproveitar assim a manhã, a tarde a noite…
- Esquece lá isso… - disse colocando as minhas mãos desta vez no seu pescoço – Além de nós vai haver mais cinco pessoas naquela casa, logo não nos safamos.
- Podemos sempre fugir.
- Nunca me agradou tanto uma ideia tua, acreditas?
- Eu tenho boas ideias, Rita.
- Só de vez em quando.
- Já te disse que ficas assim toda sexy com pouca roupa? – disse deslizando as suas mãos pelo meu corpo parando depois nas minhas nádegas.
- E eu já tu já reparaste que estamos num sítio publico?
- Já mas pensei que os pudéssemos esquecer.
- Tinha tantas saudades tuas. – acabei por me abraçar a ele como já não fazia há algum tempo.
- Eu também, acredita que eu também.
- Stephan – disse olhando para ele – há quanto tempo é que não fazes a barba?
- Dá trabalho Rita.
- Aturar-te também dá trabalho e não é por isso que não o faço.
- Magoaste-me agora. – disse tentando fazer cara séria algo que não conseguiu.
- Não, não me enganas com essa do magoado. – acabei por dizer – queres ficar tipo o quê? Luis Neto?
- É neto de quem? – perguntou a rir.
- Do avô dele, sei lá de quem! – respondi tentando fazer cara séria.
- Mas quem é esse?
- Oh Stephan, eu corto relações contigo!
- Não eras capaz. – disse agarrando-me e puxando-me para junto dele.
- É assim eu sou obrigada a saber, quem é o Marchisio, Montolivo, De Rossi, Sirigu, Chiellani…
- É Chiellini, Rita. – disse a rir.
- Que seja Chiellini isso não interessa, o problema aqui é tu não saberes quem é o Luis Neto, tu que jogas futebol!
- Vais-me dizer quem é?
- Stephan! Jogou contigo na serie A esta época.
- Oh não jogou nada.
- Siena, não?
- Sabes em que lugar ficou?
- Sei lá, és tu o Italiano aqui.
- Décimo nono se não me engano, logo eu não conheço lá nada daquilo. E já agora a que propósito veio esta conversa?
- Tua barba Stephan.
- Faço isso amanhã. Não me vais dar os parabéns?
- De quê? Do recorde que bateste em não fazer a barba há dois meses?
- Não dos meus dezasseis golos esta época. – olhou para mim como que esperando algo - estás a implicar muito com ela. – disse passando a mão pelo seu rosto.
- Enquanto não implico com ela já é muito bom não? – perguntei apontando para  crista.
- É meu amor, é. – respondeu agarrando-me mais uma vez e beijando-me.


- Nós vamos sair. – avisei de mão dada com o Stephan já perto da porta.
- Oficialmente trocada pelo italiano. – reclamou a Gabriela que se acabava de sentar no sofá junto do Rafael e do Afonso.
- Oh minha Gabi linda, queres vir? – perguntei.
- Nop, para fazer de vela faço aqui em casa para aqueles dois. – disse apontando para o Salvador e a Francesca.
- E eu a pensar que era para esses dois. – disse referindo-me ao Afonso e ao Rafael.
O Rafael olhou para mim e mandou-me com uma das almofadas.
- Sou muito homem! – reclamou.
- O meu irmão não se queixou. – disse levando os presentes a rir menos o Afonso.
- As tuas bocas passam-me ao lado, minha querida irmã.
- Não duvido, não duvido. – disse atirando novamente com a almofada para perto deles. - Bem, nós vamos.
- Tenham cuidado. – disse o Salvador.
- É de noite mas não me perco, descansa. – disse saindo finalmente por aquela porta.


- Gosta tanto disto – disse suspirando.
Estávamos há pouco mais de meia hora a olhar o mar sentados na areia. O Stephan acolhia-me nos braços dele enquanto trocávamos alguns beijos e caricias.
- Eu adoro estar aqui contigo, sem termos de fugir.
- Nunca fugimos de ninguém Stephan. – disse rindo.
- Percebes o que eu quero dizer, em Milão podemos sempre ser apanhados aqui…é tudo muito mais calmo e o risco de sermos apanhados é menor.
- Sinto-me tão bem contigo. – admiti.
- E eu contigo.
- Somos muito pirosos não somos? - perguntei levando-o a rir.
- Também é preciso, ou não?
- É. – virei-me um pouco para trás olhando-o nos olhos e beijando-o - Pronto para uma noite a três?
- A três? – perguntou sem perceber.
- A Gabi dorme connosco.
- É suposto ter medo? – perguntou receoso.
- Não Stephan, vais ver que será uma noite tranquila.


- Tenho dois avisos a fazer. – disse a Gabi sentando-se no fundo da cama.
- O quê? – perguntei a medo.
- Nada de diversão noturna.
- Gabriela! – reclamei.
- Estou a precaver-me.
- Qual é o outro?
- Não falem Italiano que isso irrita-me muito. – disse com uma cara enjoada o que levou eu e o Stephan a rir.
- Tens a certeza que não queres dormir aqui? – perguntou o Stephan – eu não me importo de ir dormir para o chão.
- Não. A Rita ia ter contigo de noite à mesma por isso não vale a pena. E vocês são um casal até bonito que precisam de matar saudades mas sem movimentos por favor.
- Não somos nenhuns coisos. – reclamei.
- Coisos, pois coisos. Durmam! – disse a Gabriela apagando a luz e deitando-se na sua cama inventada.
- Ela estava a falar a sério não estava? – perguntou o Stephan baixinho colocando as suas mãos em volta da minha cintura.
- Estava, muito a sério. – respondi-lhe.
- És mesmo linda. – disse beijando-me.
- Oh, tu também meu amor. – disse-lhe juntando os nossos lábios.
- Oh por favor! – reclamou a Gabriela – os vossos beijos e as vossas declarações são audíveis aqui! Quero dormir! – disse a Gabriela o que nos levou a rir aos dois.


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Boa noite meninas :)
Aqui fica mais um capitulo.
Espero as vossas opiniões.
Beijinhos,
Mahina 

3 comentários:

  1. Olá!
    Adoro, não eu amo ser uma privilegiada que leu este capy antes de ser publicado....mas olha vou voltar a ler daqui a nada porque é simplesmente perfeito. À medida que leio as lágrimas a escorrerem-me pela cara. Aquela sensação de que é tudo tão....deles, tão único, tão especial...faz-me chorar. Eu choro com todos os capitulos da fic, choro porque isto tudo mexe de uma forma completamente licbçqwejh comigo.
    Só o facto de eles serem despreocupados e quererem aproveitar o tempo um com o outro é...inexplicável. Eu amo isto, amo eles, amo mesmo! E preciso de mais.

    Sabes bem que amo isto, amo os "meus" meninos!
    Espero o próximo
    Ana Patrícia.

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  2. Olá :)
    Desta vez não me vou alongar muito nos comentários porque tu sabes que eu adoro esta fic :)
    Por isso digo que quero o próximo capitulo o mais rápido possível sff ;)
    Bjs :*

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