segunda-feira, 21 de julho de 2014

28º Capitulo - « Rita…não me faças isto princesa! »

- Bom dia. – saudei ao chegar à cozinha.
- Bom dia! – responderam em conjunto o Salvador e a Francesca.
Sentei-me à mesa e reparei que estavam os dois com os olhos postos em mim.
- Estás bem miúda? – perguntou o Salvador dando-me uma leve chapada no braço.
- Porque não haveria de estar?
- Se calhar porque vieste cá para estar com o teu namorado e não estás.
- O meu namorado tem agora um filho para cuidar.
- Estás grávida? – este Salvador tem com cada pergunta mais estúpida.
- Não, não estou. Alguém ficou por mim. – atirei.
- O quê? O que dizes tu? – perguntou olhando para mim sério.
- Salvador…ontem à noite apareceu uma rapariga quando eu estava com o Stephan e ela disse que era a mãe do filho dele e porra! Porque é que tinha que vir alguma coisa estragar a minha felicidade? – já guardava há tempo demais aquilo só para mim e agora tinha dito tudo ao Salvador com a Francesca ali também presente.
O Salvador chegou-se mais perto de mim fazendo com que a minha cabeça embatesse no sue peito, acariciou-me o cabelo e sussurrou numa voz doce:
- Tudo vai ficar bem pequena…vais ver que não passa tudo de um mal entendido. – afastou-se de mim e eu limpei  as lágrimas que já me escorriam pelo rosto – e se essa criança for mesmo dele? Tu…aceitas?
- Não sei – levantei-me da cadeira percorrendo a cozinha a um passo acelerado – eu não sei…quer dizer…um filho não é um boneco não é? É uma responsabilidade para o Stephan, é algo que lhe pertence, algo que faz parte dele e…eu tenho medo…eu tenho tanto medo. Eu não sei como lidar com isto.
- Nós estamos aqui – assegurou a Francesca agarrando-me a mão – mas…Ritinha tens voo daqui a poucas horas.
- Pois é… - levantei-me da cadeira – eu vou-me preparar…Portugal espera-me.


- Fofinha? – aquela voz…não me mexi sequer, apenas continuei a olhar as pessoas que andavam de um lado para o outro naquele aeroporto – Rita…não me faças isto princesa!
Tocou-me no braço e virei-me para trás, mirei os olhos dele. Não eram os olhos do meu Stephan, eram uns olhos diferentes que me faziam arrepiar, cheios de mágoa, arrependimento e sobretudo tristeza. Sentia que ele precisava do meu abraço tanto ou mais quanto eu precisava do dele. Atirei-me para os braços dele. Aquele cheiro…eu já tinha saudades daquele cheiro.
- Desculpa, desculpa, desculpa – repetia vezes sem conta a mesma palavra enquanto me beijava a testa – eu magoei-te e nunca foi minha intensão faze-lo, eu desiludi-te…
- Não Stephan – interrompi-o, não podia continuar a culpar-se de algo que não fez com intenção – não digas nada por favor, ouve apenas…
Foi-nos audível o chamamento para o meu voo, tinha que ser rápida, tinha que lhe dizer tudo o que sentia em poucas palavras. O Salvador e a Francesca já tinham ido embora já há algum tempo. Apenas eu e ele permanecíamos ali.
- Sei que nunca me quiseste magoar e sei que não sabias da existência dessa criança, eu entendo ou melhor…eu tento entender mas torna-se complicado para mim. Tenho 18 anos…há ainda circunstâncias na vida com as quais eu não sei lidar e o meu namorado ter um filho é uma delas. Eu tenho que ir…Portugal espera-me e Stephan, meu amor, se aquele filho for mesmo teu, a tua obrigação é assumi-lo, fazer dele a criança mais amada e feliz do mundo porque desde o início que sei que darás um ótimo pai…e eu prometo que nesse caso vou tentar entender…tentar viver com isso no meu dia-a-dia, é tudo apenas uma questão de me habituar. Eu tenho de ir e…eu amo-te fofinho.
- Também te amo. – disse unindo por fim os nossos lábios num beijo calmo e já com alguma saudade.




Deve ser das primeiras vezes que volto a Portugal e me sinto aliviada com isso. Voltar a casa é sem dúvida…bom.
Voltar à faculdade e conseguir distrair-me de tudo ainda foi melhor. Mantive o computador desligado durante alguns dias porque achei impossível conseguir falar com ele, sentia-me estranha, sentia-me perdida. Seria o fim?

A semana tinha terminado e este fim-de-semana ia até Setúbal, precisava de estar com o Afonso e os meus pais, precisava da minha cama. Precisava de matar saudades de tudo.
Era sexta-feira e estava num dos parques de Coimbra, a Ana e a Vera tinham estado comigo a rever um trabalho. Tinham acabado de se ir embora há uns minutos quando alguém se senta junto a mim. Olhei para o lado e não podia acreditar no que via.
A lembrança da última conversa invadiu-me o pensamento.


Começamos a caminhar, um pouco sem destino. De repente alguém me agarra o braço o que faz olhar para trás.
Era ele…nesse momento tudo me passou a frente, todo o ano, todos os momentos, todo o sangue…O que eu mais temia…era ele, voltar a vê-lo.
Como é que um sentimento tão bonito como o amor pode virar odio? Porque a verdade é que eu odeio aquele rapaz.
No momento e que o vi voltei ao passado, a minha vida andou para trás como se fosse a coisa mais normal do mundo. Via-me ali com ele, com o rapaz que me fez destruir a minha vida em segundos.
Explodi, estava na hora de falar, na hora de lhe dizer tudo o que sempre lhe quis dizer mas nunca tive coragem.
- Não tens vergonha na cara? – Continuava-me a agarrar o braço – fazes o favor de me largar? Não sou a rapariga que conheces-te em tempos, tenho muito gosto de te dar uma chapada se for preciso!
- Não sejas bruta, nunca o foste.       
- Eh pá oh Filipe, menos rapaz, não és o centro do mundo! Não te ponhas a falar como se ainda fossemos amigos, já nem digo namorados não é?
- Não vejo porque não! Sei que ainda me amas.
- Tu? A única coisa que tu sabes é gozar com as pessoas! Mas podes bem sair daqui porque comigo já não pega! Amar? Quando descobrires o que é realmente amar…esquece tu nunca vais descobrir, porque para saber o que é amar, é preciso, muita coisa! Uma delas é respeitar uma coisa que tu não sabes nem nunca soubeste fazer.
E nem penses em falar, porque da tua boca não quero ouvir mais nada! Tu na minha vida? És passado, apenas passado e nada mais que passado. E sabes uma coisa? O esforço foi pouco! Eu sei que tentas-te destruir a minha vida, eu sei que sim, mas não é que eu tenho uma vida fantástica? Melhor que a que tinha antes de te conhecer. Obrigada, sabes eu agradeço-te! Porque fizeste-me crescer! Fizeste-me ver que a vida não é um mar de rosas, e que há muitos cabrões que gostam de estragar a vida ás pessoas. Graças a ti, sou uma pessoa muito melhor. Comigo ninguém brinca, e tu muito menos! Agora se queres um conselho? Ninguém te curte, e tens muito que aprender na vida! Cresce…e desaparece!

- Olá. – disse calmo. Não me cumprimentava com ironia, apenas me cumprimentava.
- Olá. – pela primeira vez, sentia-me calma a falar com ele. Não me sentia com vontade de fugir, estava a ser tudo normal.
- Não vais fugir?
- Não – sorri um pouco, ele conhecia-me…ainda.
- Voltaste para cá? Há uns dias vi-te passar por aí.
- Sim, decidi fazer aqui a faculdade.
- E está a correr bem?
- Sim. – respondi calmamente, olhei para ele a segunda vez desde que se sentou ali. – e tu? – tinha uma certa curiosidade em saber o que tinha feito ele da vida.
- Consegui entrar bioquímica – claro que conseguiu, ele nunca foi mau aluno, muito pelo contrário era dos melhores alunos no curso dele. – eu mudei – a frase típica… - e falo a verdade, não digo isto da boca para fora. Sair do secundário fez-me bem e estar agora na universidade e conhecer novas pessoas…
- Fez-te crescer… - completei – há muito que precisavas disso…de crescer e também de te livrares de certa gente do secundário.
- Podemos…
- Combinar qualquer coisa? – eu conhecia-o e era isso que ele ia perguntar. Sorriu para depois continuar o seu raciocínio.
- Sim, combinarmos algo eu queria-te apresentar alguém. – virou-se para mim e agarrou-me a mão, não me afastei nem nada parecido, senti-a que agora podia confiar nele – Sei que te fiz muito mal Rita e peço-te desculpa por isso mas tu foste muito importante na minha vida e sempre o serás.
- Vou este fim-de-semana para Setúbal, quando voltar podemos combinar algo. – larguei a mão dele e levantei-me do banco – agora eu tenho que me ir embora, que ainda me vou embora esta noite.
- Adeus – disse-me.
- Adeus – retribui-lhe um sorriso e comecei a caminhar para fora do parque.
- Rita? – chamou-me. Olhei para trás esperando algo da parte dele – obrigada.
- De nada…Filipe. – falei começando depois a fazer o meu caminho até casa.
Sentia-me bem, estranhamente bem. Não tinha remorsos ou coisa do género. Consegui manter uma conversa com o meu ex-namorado quase um ano depois da última conversa e notei o quanto ele estava diferente. Foi sem dúvida uma boa conversa.
Cheguei a casa e chamei pela minha tia, não obtive resposta provavelmente não estava em casa. Fui até ao meu quarto começando a ver a roupa que iria levar.
- Rita? – era a voz do Juan tinha acabado de chegar a casa provavelmente.
- Sim? Estou no quarto!
Poucos segundos depois ele entrou no quarto e sentou-se ao fundo da minha cama, estava animado. Tinha um sorriso lindo na cara que parecia contagiar.
- Sim… - disse esperando que ele me contasse alguma coisa.
- Tenho duas novidades!
- Que são…
- Mira, yo no sé…es que…
- Fala! – pedi.
- Há alguém
- Isso é bom! – disse animada. Era bom sinal ele encontrar aqui alguém com quem pudesse partilhar as suas coisas.
- Não sei se é.
- Estás a começar a assustar-me – larguei a roupa que arrumava e sentei-me ao pé dele – porque é que não é bom?
- Ela tem namorado.
- Oh meu Deus! Com tanta rapariga por aí, tu apaixonaste por uma que tem namorado.
- Mas ela quer…
- Ela quer? se ela quer porque é que tem namorado, afinal? e tu queres? – perguntei depois.
- Sim.
- Então são dois a querer.
- Não sei o que fazer, Rita.
- Não faças nada…não por agora. O que tiver que ser…será. – levantei-me novamente da cama para ir acabar de fazer a mala.
- Estás bem, tu?
- Vou indo…
- Com as duas pernas, não é? – perguntou levando-me a sorrir.
- É. – respondi sem grandes vontades de falar no meu estado.
- Boa viagem! – disse dando-me um beijo na bochecha sem eu esperar.
- Gracias. – disse tentando imitá-lo.
Riu-se e saiu do quarto deixando-me novamente sozinha.


- Olhem quem chegou! – disse o meu pai abrindo a porta permitindo-me entrar em primeiro lugar.
A minha mãe e o meu irmão estavam sentados no sofá mas foi a Leci quem em primeiro chegou até mim.
- Leci – sussurrei enquanto me baixava para ficar ao seu nível. A festa que fazia era imensa por me ver ali, os cães são mesmo os melhores amigos do Homem.
- Olha esta! Liga primeiro à cadela do que à família. – barafustou o Afonso.
- Oh, anda aqui à mana – abri os meus braços e dei alguns passos em direção a ele – meu irmão ciumento que até da cadela tem ciúmes.
Cumprimentei a minha mãe para depois ir colocar as coisas no meu quarto voltando depois à sala.
- Nós vamo-nos deitar – informou a minha mãe referindo-se a ela e ao meu pai.
- Vocês não se deitem muito tarde! – avisou o meu pai.
- Não…lá para as três da manhã. – disse o meu irmão baixo levando-me a rir. Que saudades tinha eu do meu pequeno.
- Conta-me coisas Afonso! Com estão a correr as aulas e o resto?
- Vai tudo numa boa…
- Vai tudo numa boa…- disse imitando-o – mas está tudo bem, certo?
- Sim…sentimos a tua falta aqui como podes imaginar.
- Eu também sinto a vossa, de verdade.
A Leci subiu para o sofá onde nós estávamos deitando-se nas minhas pernas.
- Ela também tinha saudades tuas…
- E eu dela e vossas.
O toque do meu telemóvel despertou-me, olhei para o visor e…o Stephan. O que é que eu ia fazer agora?
Desde a semana passada que mal nos falamos, evito-o ao máximo. Não por mal, apenas porque não consigo lidar com a ideia de ele puder ser pai. Tenho mantido o computador desligado, evitando assim as videochamadas e as conversas que temos quando me liga são curtas e secas.
- Afonso…atende por favor – pedi entregando-lhe o telemóvel – diz que estou no banho ou inventa qualquer coisa…eu não estou com vontade de falar com ele.
- Não. – disse devolvendo-me o telemóvel.
- Não?
- Não Rita, eu não vou fazer isso! És tu quem tens que falar com ele. Não o podes evitar para toda a vida.
- Porque não…? – perguntei suspirando.
O telemóvel deixou de tocar e senti-me aliviada.
- Ele vai ligar outra vez e tu tens que prometer que vais atender.
- Afonso…isto não é uma brincadeira de crianças…
- Mas tu estás a agir como uma criança! Estás a fugir aos problemas e tu não és assim…podes não ter vontade de falar com ele mas ele merece o teu respeito, entendes? Ele não fez nada de mal, pode ter feito há mais de nove meses mas não agora…ele não tem culpa que agora apareça uma maluca qualquer a dizer que tem um filho dele, ele não escolheu acontecer isso.
- Sim…se calhar até tens razão.
- Não é se calhar é mesmo. Eu tenho razão.
- Mas…Afonos, como sabes tu isso?
- Há uns dias falei com o Salvador, ele contou-me.
- Os pais…?
- Não, eles não sabem de nada.
- Ainda bem – disse mais aliviada. Se os meus pais soubessem não sei como as coisas iriam correr.
O meu telemóvel começou novamente a tocar, o Afonso olhou-me com cara séria. Era agora…eu tinha que falar com ele.
Levantei-me do sofá da sala indo até ao meu quarto. Deitei-me na cama e atendi a chamada.
- Rita… – falou baixo, como se suplicando que eu lhe falasse.
- Olá – saudei sem muito animo.
- Porque é que me andas a evitar…Rita?
- Eu não… - não, não lhe iria mentir – sim, ando a evitar-te e a razão tu deves saber bem qual é…
- Vieram os resultados do teste de paternidade…hoje.
- E vais-me dizer se és ou não o pai daquela criança? – o nervosismo começava a aumentar e começava também a sentir uma pequena impressão na barriga e o Stephan nunca mais me dava aquela maldita resposta.



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Boa noite (:
Aqui está mais um capítulo.
Espero que as vossas férias estejam a correr bem!
Espreitem a Be my forever – capitulo 2 , estou a precisar imenso das vossas opiniões. 
E também as espero aqui neste capitulo.
Beijos,
Mahina ღ

2 comentários:

  1. Olá


    Adoreiii e espero que ele nao seja o pai da criança :)


    Beijinhos


    Catarina

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  2. Olá :)
    Espero bem que a criança não seja filho dele
    Próximo sff bjs :)

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