sexta-feira, 22 de agosto de 2014

31º Capitulo - « Não digas que tudo se vai resolver porque não vai! »

- Rita…tu tens mesmo a certeza que queres ir?
- Tenho.
- Mas…mesmo depois de saberes que a Andrea está a viver em casa dele?
- Gabriela – agarrei as suas mãos – sim, eu sei que não passa de um mal-entendido e eu quero resolver tudo entre nós. Quero voltar a ser a Rita que era com ele e quero voltar a tê-lo perto de mim, eu preciso tanto dele, entendes?
- Tu é que sabes, não sou rapariga de te impedir do que quer que seja e…se é o que queres, vai.
- Podias vir comigo, Gabi.
- Na mala? – perguntou rindo – quando é que voltas?
- Depende.
- Depende, Rita?
- Sim, não tenho bilhete de volta, só de ida. Depende de como as coisas correrem. Mas em princípio devo voltar domingo, não sei é as horas.
- Eu venho-te buscar, depois diz-me qualquer coisa.
- Sim…
A Gabriela chegou perto de mim e abraçou-me. Há tanto tempo que não recebia um abraço daqueles.
- Porta-te bem – disse largando-me. Beijou a minha testa e afastou-se de mim – adoro-te.
- Eu também. – assegurei passando os meus dedos pela sua face. – estás diferente, estás mais bonita. – a seu rosto tinha mudado desde a ultima vez que tinha estado com ela, estava diferente mas mais bonita.
- Não sabes o que dizes – disse com um tom de voz estranho – tens de ir – alertou-me.
- Sim, tenho…mas sinto que me estás a esconder algo…
Via nos olhos dela que havia algo que ela não me estava a contar. Virou a cara para o lado quando acabei de falar, por mais que ela me tentasse esconder o que quer que fosse, não conseguia porque eu a conheço bem.
- Quando eu voltar, nós falamos. Sim? – perguntei esperando que ela olhasse para mim novamente.
- Sim – olhou-me. Estava triste, eu notava-o – vai lá. – chegou novamente junto a mim dando-me agora um beijo na bochecha – estou aqui, sempre que precisares.



- Milanello claro – disse o Manu – onde é que achas que ele está?
- Podia estar em casa…
- Ele já voltou ao ginásio e tem sido lá acompanhado.
- Está bem.
- Rita…?
- Sim.
- Quanto à Andrea…não lhe digas que fui eu que te disse.
- Eu ia acabar por saber de qualquer forma e tenho a certeza que não se passa de um assunto mal resolvido e haverá uma boa explicação para ele não me ter dito nada – tentei convencer-me a mim própria daquilo que dizia.
- Tem calma e paciência com ele, as lesões não têm sido fáceis. Há quase dois meses que ele não joga e ter-te longe não tem ajudado.
- Eu entendo. Vou ligar-lhe e ver se vou ter com ele.
- Faz isso. Beijinho.
- Beijo.
Desliguei a chamada e saí do quarto rumando até à sala. A palavra separação deteve-me no cimo das escadas. O Salvador e a Francesca estavam sentados um em frente ao outro na sala.
- Não sei como lhe contar da separação – o Salvador falava com preocupação na voz – ela é frágil, mesmo que não pareça – prestei mais atenção à conversa tentando perceber de quem falavam - e acho que as coisas com o Stephan não andam muito famosas, tenho medo que ela se vá baixo.
Eu…era de mim que falavam. Os meus pais…seriam os meus pais a separarem-se?
Aquela conversa entre eles não estava a ter sentido nenhum. Comecei a descer as escadas tentando fazer o máximo de barulho possível para que eles me ouvissem.
- Olá – saudei chegando perto deles.
- Rita…olá – disse-me o Salvador levantando-se e colocando-se à minha frente.
- Está tudo bem? – perguntei tentando com que me dissesse algo, não iria ser eu a fazê-lo.
- Sim…claro. Porque não haveria de estar? – estava nervoso e eu notava-o – vais…?
- Vou ter com o Stephan – disse fazendo um movimento em direção à porta.
- Mas…está tudo bem entre vocês? – perguntou agarrando uma das minhas mãos.
- Sim, melhor…se não estão acho que vão ficar – disse-lhe sorrindo – agora…eu vou embora. – disse largando a mão dele – adeus.
- Adeus – disseram os dois de uma forma pouco animada.
Caminhei em direção à porta. A separação seria entre a Francesca e o Salvador? Tinha-a notado tensa a ela e ele nervoso e nada batia certo. Porque não saberia ele como me contar da separação deles?
Fugi desses pensamentos e concentrei-me no que devia. No Stephan.
Saí de casa e fui caminhando pela rua o mais provável era perder-me por aqueles lados mas precisava de pensar, de me concentrar, no que ia fazer em seguida. Ligar ao Stephan pareceu-me sem dúvida o melhor. Demorei algum tempo a encontrar o seu numero, as minhas mãos pareciam não estar coordenadas com tudo o resto e o frio não ajudava.
- Rita… - há muito tempo que já não havia um simples ‘’olá’’ entre nós.
- Stephan – sussurrei com um certo medo do que podia vir a seguir.
- Tenho saudades tuas – disse com uma voz calma e doce.
- Eu também – não era mentira, as saudades eram mesmo sentidas da minha parte – como estás? Onde estás? Com quem estás? – não sei se foram demasiadas perguntas mas precisava de ouvir rapidamente uma resposta a todas elas.
- Calma – riu, tinha saudades daquele riso de verdade – estou bem, estou no centro de treinos e estou sozinho desde manhã – pela primeira vez tive a ligeira sensação que não me dizia a verdade. A voz dele ficou estranha depois daquele ‘’calma’’. Provavelmente mentira-me ao dizer-me que estava bem, como podia estar ele bem não pondo os pés em campo há mais de dois meses? – Ouve amor, tenho que desligar. Preciso de acabar uns exercícios para depois ir para casa.
- Sim, tudo bem – disse compreendendo o seu lado – beijo, eu…amo-te – disse-o sem receio nem dúvidas. Um estranho silêncio invadiu-nos, a sua respiração era intensa, era a única coisa que eu conseguia ouvir.
- Eu…claro que também te amo – o seu tom de voz mudou, passou de uma voz triste a uma voz alegre.


Estava quase na hora de almoço mas a fome era nula. Ainda não tinha arranjado coragem para ir até casa do Stephan, a coragem nunca me tinha faltado, porque é que agora não a tinha?
Sentia-me demasiado perdida e com receio do que pudesse encontrar quando o visse. Podia encontrar um Stephan alegre mas de todo não iria ser assim. Tenho-o andado a sentir demasiado distante, talvez por causa da lesão…ou não.
Percorria as ruas de Milão perdida nos meus pensamentos, não tinha medo de andar sozinha, sentia-me bem e até segura na verdade.
- Olá! Mario Balotelli, mas porque raio apareceste à minha frente?
- Olá. – saudei tentando transmitir algum entusiasmo algo que não sucedeu.
- Já não te via há muito tempo!
- Pois é. – disse-lhe começando a ficar um pouco receosa com o rumo que a conversa pudesse vir a levar.
- Vieste ver o Stephan? – não me apetecia dizer nada por isso apenas assenti com a cabeça – ele estava no centro de treinos com a Alessa. – explicou. E quem é que é a Alessa?
- Alessa? – perguntei confusa.
- Sim, Rita tu sabes quem é a Alessa. Tem estado com o Stephan a fazer a recuperação, está com ele já há um mês. – baixei o meu olhar, mirei um chão por uns segundos.  Ele mentiu-me – é atleta do Milan a miúda, tu sabes quem é.
- Claro… - voltei a olhá-lo – a Alessa…


Bati à porta duas vezes, sabia que era o suficiente para ele ouvir.
Não podia estar mais irritada mais revoltada com isto tudo. Sentia-me completamente enganada e traída. Além de ter a Andrea a viver lá em casa com o filho, agora havia uma Alessa vinda não sei de onde.
A porta abriu-se e olhei-o com uma enorme vontade de falar tudo de uma vez. Vi o espanto estampado na sua cara.
- Rita…tu estás aqui? – deu uns passos em frente aproximando-se de mim, a sua intenção era beijar-me mas não permiti que o fizesse, afastei a minha cara da dele e olhou-me confuso – o que é que…?
Continuei a olhá-lo com desprezo, algo que ele notou. Perante isso agarrou o meu braço sem exercer muita força e puxou-me para dentro de casa fechando a porta a seguir.
- O que é que se passa? – perguntou olhando-me sério.
- Ainda perguntas? – olhou-me confuso, achava que talvez eu não fosse descobrir – sabes como é que sou Stephan e não penso andar aqui com rodeios. Porque é que me mentiste?
- Menti?
- Mentiste! Disseste que estavas sozinho desde manhã e pelos vistos estavas com uma tal de Alessa que eu nunca ouvi falar. Depois tens a Andrea e o miúdo cá em casa e não te dignaste a dizer-me, era o mínimo Stephan…nós já andamos estranhos estas coisas só vêm fazer pior. Explica-me! Por favor! Diz-me porque é que me mentiste!
O silêncio surgiu, ele olhava-me e não dizia uma única palavra.
- A Alessa percebe-me! – atirou sem que eu contasse com isso – ela também está lesionada! Ela sabe o que eu estou a passar, ela sabe o que é este sofrimento de não podermos fazer o que mais amamos, ela dá-me apoio! – tinha elevado a sua voz e podia ver a sua cara triste.
- E eu não percebo? – perguntei elevando também o meu tom de voz – Sim, tens razão. Provavelmente, eu não percebo mas sabes que mais? Eu dava tudo para ser eu a estar no teu lugar, não me importava de até ficar meses numa cama de hospital, desde que tu estivesses bem…eu também estaria. Dói! Dói saber que tu estás mal, que não estás a fazer o que mais amas por causa de uma maldita lesão mas dói mais ainda saber que me mentiste, isto assim não dá – dei umas pequenas voltas na sala, estava inquieta – como é que podemos ter uma relação se tu não confias em mim? Se confiasses em mim…tinhas-me dito.
- Quem és tu para falar de confiança? – fez com que eu parasse e agarrou-me um dos pulsos – diz-me! Quem és tu para falar de confiança quando tens um espanhol qualquer a viver em tua casa há dois meses! – olhou-me como repreendendo-me, senti-me pequenina naquele momento. Largou-me o pulso de seguida.
Tudo se estava a desmoronar, sentia-me a morrer lentamente. Começava a ficar sem forças e dei uns passos em direção ao sofá colocando ali a mão.
Um choro de um bebé fez-se ouvir e depressa percebi que vinha do andar de cima.
- E ela? – perguntei com a voz mais calma.
- Ela apenas precisava de um teto! – disse exaltado – e foi o que fiz e tu não tens nada a ver com isso! A vida é minha, a casa é minha e eu ponho cá dentro quem eu quiser tal e qual como fizeste com o espanhol!
- Não fui eu que o meti lá em casa! A minha tia acolheu-o porque ele está cá a estudar.
- E porque não me contaste?
- Para evitar reações como estas! E como é que sabes?
- A tua tia não sabia que me tinha que esconder a estadia do espanhol lá em casa.
- Tal como o teu irmão não sabia que devia esconder a estadia da Andrea cá nem o Balotelli sabia que eu desconhecia a Andrea! – atirei num tom irónico – o que é que ela tem a mais que eu? Espera…eu sei. Ela dá-te sexo!
Tinha-me descontrolado, não media as palavras nem o tom em que as dizia. O choro do bebé tinha-se intensificado.
- Quem me garante que o teu amigo não te dá o mesmo?
- Tu estás a admitir Stephan! Tu estás a admitir que te enfiaste na cama com ela! Sim, claro o nosso amor é muito forte e dizer amo-te é muito bonito mas sabes? É preciso senti-lo! – estava completamente fora de mim, levei a minha mão, que tremia, à pulseira de pérolas que ele me tinha oferecido há uma semana – sabes uma coisa? – retirei a pulseira e ofereci-lha mas ele continuou como estava nem a mão esticou – fica com ela, dá-lhe uso! Oferece-a à tua amiga.
Olhou-me com desprezo, pegou na pulseira e atirou-a ao chão de uma forma violente e por momentos tive medo do que do que pudesse ele fazer a seguir. Foi em direção à porta e saiu batendo-a com uma força elevada.
Não podia acreditar que tudo tinha acabado, as palavras tinham sido ruins e tinham doido como tudo. Não havia volta a dar.
O choro do bebé tinha parado. O silêncio invadia aquela casa. Sentei-me no sofá ainda com as mãos a tremerem-me.
A cabeça doía-me, as lágrimas corriam-me pela face e a dúvida pairava sobre mim, teria ele me traído?
Olhei à minha volta, aquela casa trazia-me boas recordações. E agora também más, esta discussão iria ficar na minha memória por muito tempo.
O choro do bebé voltou a aparecer, desta vez ainda mais intenso. Senti alguém a descer as escadas apressadamente e olhei vendo a Andrea. Agora não me parecia tão arrogante como da primeira vez. Olhou para mim quando chegou ao andar de baixo e seguiu até à cozinha.
Limpei as minhas lágrimas e silenciosamente fui até ao andar de cima. O bebé continuava a chorar e sentia-me na obrigação de ir até lá. Percorri o corredor até ao quarto de hóspedes, era de lá que vinha o choro.
Vagarosamente fui até à cama onde ele estava deitado. Sentei-me junto a ele e comecei por fazer umas breves caricias na sua face.
- Olá – disse com uma voz doce tentando com que ele se acalmasse. Milagrosamente ele parou de chorar, não percebi como nem porquê mas aquela pequena pérola deixou de chorar – como te chamas tu? Rita! És mesmo estúpida o miúdo nem fala. – reparei num babete que estava em cima da cama e peguei nele, dizia: Matteotens um nome tão lindo! – levantei-me da cama e coloquei-me de joelhos no chão ficando assim ao seu nível – e és muito bonito – e só de pensar que ele podia ser filho do Stephan…
- Olá – a Andrea estava encostada à porta a mirar-me. Tinha um sorriso na cara e um biberon na mão. Deu uns passos na nossa direção e eu levantei-me um pouco embaraçada. Ela sentou-se na cama e pegou na criança. – conheceste a Rita, foi? – disse numa voz doce. Ela sabia o meu nome. Sentei-me na cama e olhei-os. – queres dar-lhe? – perguntou referindo-se ao biberon.
Não lhe respondi apenas abri os braços para receber o Matteo. As crianças acalmavam-me, tinha conseguido passar de um estado lamentável a um estado completamente espetacular, sentia-me tão bem.
Com cuidado fui dando-lhe o biberon, os olhos dele estavam fixos nos meus o que me deslumbrou por completo.
- Ouve – a Andrea começou a falar e percebi que vinha uma conversa longa – desculpa se fui arrogante quando nos conhecemos. Eu não queria de tudo que isto…vos afetasse. Tens tempo?
- Sim – assegurei – não quero ficar muito tempo nesta casa mas estou aqui para ouvir o que me quiseres contar.
- Vou ser rápida. Nunca tive sexo com o Stephan em toda a minha vida mas estive presente quando uma amiga minha o engatou e conseguiu levá-lo para a cama – custava-me bastante ouvir tais palavras – engravidei na mesma noite e o pai, esse nem me lembro quem é. Fui muito cabra, eu admito, ao usar o Stephan para tentar arranjar uma vida melhor mas não deu em nada, ele não é burro nenhum e sabe bem que entre nós nunca aconteceu nada. O que te estou a contar agora já é do conhecimento do Stephan e eu estou aqui em casa com o Matteo porque apenas lhe pedi duas semanas para contar aos meus pais e voltar para casa deles. – ouvi com atenção tudo o que ela disse. Ela tinha sido sincera comigo… - e desculpa se vos causei problemas.
- Está tudo bem – assegurei – se não está…acho que vai ficar.
Entreguei-lhe o Matteo que já tinha acabado o biberon. Agradeci-lhe por me ter dado a oportunidade de lhe dar o biberon e saí do quarto.
Andei uns passos para a frente chegando até ao quarto do Stephan, sentia-me mal por estar a entrar no quarto dele assim…sem permissão. Mirei as suas coisas, a roupa desajeitada por cima da mesma cadeira de sempre e…havia algo novo. Era uma foto nossa, estava emoldurada e estava tão bonita. Tinha sido tirada nos meus anos quando ele tinha ido a Portugal. Uma lágrima escorregou-me pelo rosto. Como podia tudo acabar assim?


Quando cheguei a casa do Salvador fui direta para o quarto, precisava de ficar sozinha mas por agora esse meu desejo não iria ser realizado. O Salvador entrou no quarto despertando-me.
- O que se passa?
- Não quero falar sobre isso. – disse firme.  
- Pode não ser sobre isso mas vamos ter que falar à mesma.
- O que é que se passa? E podes ir bem direto ao assunto.
- Os pais vão-se separar – atirou de rajada.
- Porquê? – perguntei perplexa. Como se reage a uma noticia destas?
- Rita…eu não sei.
- Não sabes…muito bem! – senti-me a descontrolar outra vez, a vontade de chorar voltou e a de desaparecer também  - mas sabes que eles se vão separar desde quando?
- A mãe falou-me nisso há três semanas.
- O quê? – eu não podia acreditar – três semanas? – perguntei estupefacta – mas…porra! Porque é que toda a gente me esconde as coisas? – tudo se tinha descontrolado. As palavras, as lágrimas e até a minha respiração.
O Salvador chegou perto de mim e abraçou-me, senti aquele abraço de irmão, aquele aconchego de amigo mas não era suficiente…não para a tamanha dor que estava a sentir.
- Calma – sussurrou-me – tudo se vai resolver.
- Não! – larguei-me dele – não vai! Porque é que estás a dizer isso Salvador? Não há volta a dar! Eu e o Stephan acabámos passado um ano de namoro, os pais vão-se separar e…a minha melhor amiga ficou estranha de um momento para o outro. Não digas que tudo se vai resolver porque não vai! – gritei gastando as minhas forças todas.
Em passo lento e com um choro compulsivo avancei em direção à cama. Sentei-me tentando recuperar forças. A minha cabeça latejava sentia-me completamente estafada.
Deitei-me na cama sob o olhar atento do Salvador. Ele veio até mim, sentou-se e passou suavemente a sua mão pelo meu cabelo. O cansaço ia apoderando-se de mim a cada segundo que passava.
- Eu estou aqui – foi a última coisa que ouvi da boca do Salvador.


Acordei cheia de dores de cabeça e confusa sem perceber à primeira vista onde me encontrava. Tinha um bilhete ao meu lado, era a letra do Salvador.

Consegui bilhete para Portugal amanhã de manhã.
Come alguma coisa, precisas de te alimentar.
Adoro-te pequena

Salvador

Não tinha vontade alguma de comer, parecia que tinha um nó no estomago. Levantei-me devagar e fui até ao andar debaixo, coloquei água a aquecer, precisava de um chá para conseguir enfrentar o resto do dia.


Consegui ver a Gabriela ao longe e comecei a correr na sua direção, precisava de senti-la, precisava tanto dela.
- Meu amor – sussurrou quando me abracei a ela. Não contive as lágrimas mais uma vez. Tentei-me controlar mas era mais forte do que eu. – chorar faz bem – sussurrou mais uma vez – desde que não faças aqui um rio no aeroporto – brincou fazendo com que um sorriso aparecesse no meu rosto.
Entrelaçou a sua mão com a minha e caminhámos as duas em direção ao parque de estacionamento. O silêncio era total e quando entramos no seu carro decidi quebrá-lo.
- Gabriela…eu e o Stephan acabámos.
- Acabaram? – perguntou admirada mas ao mesmo tempo preocupada.
- Sim a palavra não foi explícita mas no fim da feia discussão que tivemos tenho a certeza que o namoro acabou. E… - tentei arranjar coragem – os meus pais vão-se separar.
- Oh – quando teve aquela reação percebi que ela já sabia – eu lamento, por tudo Rita.
- Preciso tanto de ti, Gabriela.
- E eu estou aqui – colocou a sua mão sobre a minha – sempre, eu estarei aqui sempre para tudo o que precisares, ouviste?
- Obrigada – deixei escapar mais umas lágrimas – obrigada por seres…essa pessoa maravilhosa. Obrigada por me dares apoio desde sempre e por me dares também esse amor incondicional, sem ti…eu não estava aqui agora.
- Não digas asneiras – passou os seus dedos pela minha face numa caricia – promete-me apenas que te vais tentar divertir neste resto de domingo.
- Eu prometo que vou tentar – assegurei.
- Vamos lá conhecer os Portuenses cá da zona – disse levando-me a rir.
Esta sim era a minha Gabriela, presente e animada. Não estava distante, agora sim eu reconhecia a minha melhor amiga.




Os seus dedos finos percorriam-me o pescoço as suas mãos desceram até ao meu peito e senti o esquecimento a apoderar-se de mim. A sua voz rouca sussurrou-me ao ouvido:
- És tão perfeita.
As suas mãos deixaram o meu peito livre agarrando depois as minhas nádegas de uma forma firme e algo violenta. Os seus lábios apoderaram-se do meu pescoço e senti todo aquele fogo e desejo que já não sentia há tanto.
- Tinha-me esquecido do quanto perfeita és – sussurrou mais uma vez, em seguida mordeu-me o pescoço deixando depois um rasto e saliva por todo ele.
Levei as minhas mãos às suas costas também eu me tinha esquecido de como elas eram. Entrei com as minhas mãos no interior da sua camisola ficando em contacto com a sua pele e usei as minhas unhas como forma de resistir àquele desejo maldito.
- Não! – afastou-se de mim deixando-me confusa – não posso! Nós não podemos Rita.
- Porquê? – perguntei confusa.
- O teu irmão…o teu namorado.
- Ex-namorado – corrigi.
- Mesmo assim…
- Rafael – aproximei-me novamente dele e fiz com que as suas mãos voltassem a cair sobre o meu rabo – ouve – sussurrei-lhe ao ouvido de uma forma sensual – não há nada que nos impeça, somos livres, somos descomprometidos e nada mas mesmo nada nos impede de sermos um do outro e de fazer desta noite a mais perfeita de sempre.
- O teu irmão…
- Não, o meu irmão não tem nada a ver connosco. Eu já não tenho dezasseis anos, tenho dezoito e tenho plena consciência do que posso e quero fazer.
Fez alguma pressão sobre as minhas nádegas levando-me a subir para o seu colo, atacou os meus lábios fazendo assim com que o desejasse de uma forma louca. Ainda assim sentia-o tenso.
- Rafa…deixa-te levar e relaxa – sussurrei mordendo-lhe depois o lábio inferior.



_________________________________________________________________


Olá, olá, OLÁ!!!
1 ano, 1 ano, 1 ANO!!!
Tenho muito a dizer, por isso vou enumerar.

1) Um ano, já passou um ano e eu mal acredito. Parece que foi ontem mas não foi há um ano! Um ano de muita escrita, momentos bons e momentos maus e aqui estou eu, um ano depois!

2) Estes últimos dois/três capítulos (28º, 29º, 30º) foram um completo desastre e eu tenho noção disso! Não fiquei, de todo, contente com eles mas espero que este capítulo vos tenha deixado contente.

3) E um ano depois há: 31 capítulos publicados, 146 comentários e mais de 7 500 visualizações (são as melhores leitoras do mundo!).

4) Não sou muito boa com palavras, por vezes não sei bem o que dizer mas sinto-me lisonjeada por ao longo deste ano ter recebido o vosso carinho, o vosso apoio e especialmente por me lerem.

5) Um grande obrigada a ti, Ana Patrícia Moreira, por todas as dicas, apoio, motivação e por estares sempre presente quando preciso. Se não fosses tu esta história (e as outras duas) não existiam.

6) E por último quero mais uma vez agradecer-vos a vocês, é tão bom ler os vossos comentários e saber que estão aí desse lado, posso enumerar algumas de vocês que comentaram ao longo deste ano e me deixaram com sorrisos na cara: Catarina, Sílvia, Ana Patrícia, Joana, Ana, Cátia, Sofia, Rita, Lari, anónimas bonitas a vocês OBRIGADA.

Agora, gostava muito que me dessem as vossas opiniões sobre do capítulo e da história em si. Peço-vos por favor um comentário por mais pequeno que seja. Gostava mesmo de ler os vossos comentários. O que acham do novo fundo? (não tenho muito jeito mas foi o melhor que arranjei)


1 ano!!! (ainda não estou em mim)

Parabéns a I Will Wait For You 



Obrigada por tudo mais uma vez,
Beijinhos,


Mahina 


PS: Um pedido: espreitem por favor Be my forever - capitulo 3. Os vossos comentários são preciosos e eu preciso de opiniões. 

sábado, 9 de agosto de 2014

30º Capitulo - « Obrigada…darás uma boa mãe para os meus sobrinhos »

Querido Stephan,

Sinto-me incapaz de falar contigo nos próximos dias. A tua voz faz-me ficar nervosa e com o nervosismo sabes bem que não digo nada de jeito.
Aos poucos sinto que tudo se está a desmoronar, não te culpo a ti obviamente, culpo-me a mim que de um momento para outro parece que deixei de ser a mesma Rita. Nada me faz acreditar no nosso amor. Estarei a ser muito dura com estas palavras? Na verdade não sei mas é o que sinto. As pessoas mudam e comigo a mudança foi radical, nunca pensei que isto me acontecesse. Sei que te amo, eu sei…mas eu acho que a nossa relação se está a transformar numa obrigação.

Não, não. Rasguei aquela folha. Não podia deitar um ano de namoro ao lixo por causa de mim…sou eu a culpada disto tudo. Porque raio me está a acontecer isto e porque raio deixei de acreditar em nós. Peguei noutra folha e comecei a escrever algo diferente, comecei por dispensar o querido no início.

Stephan,
És sem dúvida uma pessoa especial e completa. Ao teu lado sinto-me bem e feliz, melhor…eu sentia-me. Agora não e sinceramente não entendo o que se passa. Será a distância? Talvez ela nos esteja a dar sinais do que esta relação não vai dar mais.
Há uma semana…quando estiveste cá e quando fizemos amor eu não me sentia como me sentia antes, serei eu? Serás tu? Talvez sejamos os dois.

Não…isto não é normal. Para que é que estou a escrever isto se nem sequer lhe vou mandar. Ele não vai ler isto!
Rasguei aquele papel e pu-lo ao lado do outro também já rasgado. Peguei noutro papel mas agora com uma intenção. Havia coisas a dizer-lhe…coisas que ele precisava de saber.

Tenho um rapaz a viver cá em casa desde Setembro, chama-se Juan e é espanhol.
Há uns dias recomecei a falar com o meu ex-namorado.
O Rafael tentou beijar e falou mal de ti, disse que eu estava cega e que não via o mal que me fazias.

Rasguei agora o papel com mais força e em bocados menores. Sentia-me frustrada comigo mesma.
Agora começava a entender…eu tenho-lhe mentido, não lhe tenho contado nada do que se tem passado. A culpa é minha e só minha.
Olhei para o meu pulso e vendo a pulseira de perolas que ele me tinha dado quando fizemos um ano de namoro desfiz-me em lagrimas. Fui eu…apenas eu que estraguei tudo.
Deitei-me na cama e enquanto mexia na pulseira, dei algumas voltas com ela no pulso relembrando vários dos nossos momentos, como poderia agora estar a nossa relação à beira do precipício?

- É assim, eu sei que o tempo que nós passamos juntos foi mínimo, e para ti talvez não tenha tido nenhum significado – fez uma pausa – mas para mim teve e muito acredita. Talvez nunca mais te veja, ou nunca mais ouça falar de ti, ou talvez…talvez isto seja só o início. O facto de talvez nunca mais te ver assusta-me, de nunca mais ver esse teu sorriso perfeito. Mas eu tenho esperança, tenho esperança que um dia possas vir a ser minha. Sinto-me mal sabendo que a primeira mulher que me fez tremer que me fez ficar nervoso quando estou junto a ela se vai embora. Tu despertas-te em mim um sentimento que não conhecia, um sentimento muito especial que me faz querer agarrar-te e nunca mais te largar, não lhe posso chamar de amor porque ainda não é tão forte mas talvez lhe chame de paixão. Não vou desistir de ti acredita, porque sei que te hei-de ver neste mesmo sítio e chamar-te de namorada.

Foi a primeira vez que se declarou a mim, de certa forma, foi a primeira vez que me admitiu que se sentia atraído por mim e nem mais de 24 horas tinham passado desde a primeira vez que tínhamos trocado algumas palavras. Agora bem que podia andar um ano para trás e relembrar-me de tudo. Talvez na verdade a nossa relação não tenha perdido nem o amor nem o brilho. Talvez seja eu que não vejo tal coisa agora mas provavelmente existe e está lá.
Havia dois momentos, no meio de tantos eram os que mais me deixavam com um sorriso na cara apenas a relembra-los. São eles: o pedido de namoro e a primeira vez que fizemos amor. Dos momentos mais bonitos, mais sentidos e que me fizeram ver o quanto o Stephan me amava.

- Rita…
- Espera, não me vais pedir em casamento pois não?
- Não…
- Ah, ainda bem, podes continuar.
- Rita, nós conhecemo-nos há pouco mais de um mês, aqui neste mesmo sitio, foi quando te vi pela primeira vez e sinto que de certo modo San Siro estará ligado a nós para sempre, parece pouco tempo eu sei, 30 dias,  mas eu sinto que te conheço há anos. No pouco tempo que estivemos juntos sei tanto sobre ti, acordas mal-humorada quando não te deixam dormir até às horas que queres, quando estás nervosa mexes no cabelo, demoraste mais tempo do que eu a dizer que me amavas porque querias ter certezas, simplesmente tudo isso é perfeito em ti. És teimosa, és refilona e quando não te fazem as vontades és uma chata, por outro lado, as tuas qualidades: demoras pouco tempo até te relacionares com alguém, és uma querida, és uma irmã mais velha muito preocupada porque adoras o Afonso e és…muito especial. As nossas diferenças todas completam-nos.
Estava petrificada, não tinha palavras não sabia o que dizer, não sabia mesmo.
- Eu…
- Shiu – disse-me – eu ainda não acabei.
Comecei a mexer no cabelo, como ele disse quando estou nervosa é o que faço, ele sorriu, ele entendeu que eu estava nervosa.
- Não preciso de mais tempo, não preciso de provas nenhumas, eu simplesmente sei que és tu quem eu quero ao meu lado nos verões quentes e nos invernos frios, nas tuas dores de cabeça e nas minhas lesões, quero-te agora e sempre…Rita, tu queres namorar comigo?
Agarrei-me ao pescoço dele e abracei-o bem de força precisava de o sentir, que ele era real, que ele estava ali.
- Claro que sim – respondi – és tipo assim o homem da minha vida.
- E tu és tipo assim a pequenita da minha vida. – disse usando a mesma linguagem que eu.
- Amo-te, sabes?
- Sei – respondeu – e eu também te amo.

A partir daquele momento passei a ser uma rapariga comprometida, com o homem mais completo e carinhoso à face da terra, pelo menos era o que eu achava e…ainda acho apesar de tudo.

Em cada beijo, em cada simples beijo, nos completávamos um ao outro, parecia que tudo encaixava que os meus lábios foram feitos para os dele. Cada toque é algo especial. São momentos perfeitos, em que tudo parece um sonho. Sonhava encontrar alguém que me fizesse feliz e encontrei o Stephan e como ele mo diz muitas vezes: ele é bem real.
Levei a minha mão ao interior da camisola do Stephan e senti-o a arrepiar-se. Percorrer assim o seu corpo, estar em contacto com a sua pele é algo novo para mim. Sinto-me bem. Não sinto que esteja a ser atrevida, sinto-me eu.
Tenho o meu lado mais doido e o meu lado mais calmo, o lado que maior parte das vezes é o que o Stephan vê mas hoje tenho a certeza que conhecerá o meu lado mais provocante e doido, conhecerá a Rita mais solta e que o fará conhecer cada parte de mim, cada recanto do meu corpo.
Senti as suas mãos frias nas minhas costas e a sua boca a percorrer o meu pescoço. Ergui os braços e num gesto retirou-me uma das minhas camisolas. Agarrou as minhas pernas com delicadeza levantando-se do sofá. Permaneci no colo dele entrelaçando as minhas pernas à volta da sua cintura.
Andou um pouco até ao início das escadas subiu o primeiro degrau entre beijos e caricias.
Vamos cair Ste…- avisei separando os nossos lábios.
Também acho que sim – disse entre risos e beijos.
Desci do seu colo e subi as escadas em passo acelerado, estava desejosa de o ter só para mim.
O Stephan veio atrás de mim. Poisou as suas mãos na minha cintura e foi caminhando encostando-me à parede. Acabei por retirar a sua única camisola e com as minhas mãos percorrer o seu tronco. As suas mãos percorriam o meu corpo aceleradamente apenas o toque dele me fazia levar a esta loucura extrema.
Retirou-me a minha segunda e ultima camisola e fez com que subisse para o seu colo mais uma vez.
Tu deixas-me louco! – atirei já com a respiração descontrolada.
E eu a pensar que…- tornou a beijar-me antes de acabar a frase -…que eras apenas tu que provocavas isso em mim.
- No. – pronunciei antes de o voltar a beijar.
Chegámos à altura em que estava tudo descontrolado, os nossos beijos eram tudo menos calmos. Havia paixão, loucura mas acima de tudo havia amor. Havia amor em cada toque, em cada caricia.
Após pequenos passos chegamos finalmente ao quarto do Stephan. Com brandura deitou-me sobre a cama. Cada toque dele era calmo e delicado, os beijos passaram a ser menos descontrolados e a cada momento o desejo aumentava. Tudo se resumia a mim e a ele, a nós e a entrega um ao outro.
Os nossos corpos uniram-se como se conhecessem desde sempre. Por momentos senti-me completa.

Algumas lagrimas escorreram pelo meu rosto involuntariamente. Não podia acabar assim…não uma história como a nossa tão…verdadeira. Precisava de algo mais real, não que as lembranças não o fossem, mas precisava de comprovar agora de sentir que o nosso amor não ia morrer apenas por eu me sentir confusa. Percorri todo o quarto, eu sabia que tinha trazido a carta que ele me tinha dado uma das vezes que me despedi de Milão. Precisava de a ler, de voltar a sentir que o nosso amor era real e que aquilo não era uma carta mas sim a carta, a nossa carta e de voltar a acreditar que tudo o que vinha escrito nela era real.
Finalmente encontrei-a, no meio de dois livros em cima da secretária. Quando voltei para Coimbra trouxe-a comigo e lia-a todas as noites antes de dormir. Era das poucas coisas em que podia tocar, ler neste caso, e senti-lo presente.
Voltei-me a deitar na cama e abri a carta.

Rita,
Por onde hei-de começar? Para te ser sincero nunca escrevi uma carta na vida, muito menos em português, como sabes tive a pequena (grande) ajuda da Francy.
Não sei onde estás agora nem em que momento da tua vida estás. Dei-te esta carta e disse-te para a leres quando não estivesses bem e precisasses de mim ou apenas quando as saudades fossem muitas.
Agora sim, vou escrever o que te quero dizer há muito tempo mas a coragem é pouca. Sabes que não sou romântico de natureza e às vezes quero-te dizer certas coisas mas não consigo, simplesmente não saem.
És especial para mim, tu sabes disso e digo-to algumas vezes. Mudaste completamente a minha vida, acho que isso nunca te disse mas sei que desconfias. És a mulher da minha vida, sim tu és a mulher da minha vida.
Relações sérias nunca foi o meu forte e nunca as pensei ter antes dos 30 anos (estou a ser sincero) mas depois apareceste tu de uma forma inesperada. Podia ter olhado para milhares de raparigas naquele momento mas foi para ti que olhei, podia-me ter apaixonado por outra qualquer mas foi por ti que me apaixonei, até podia ter ''corrido'' atrás de uma outra rapariga mas foi atrás de ti que ''corri''. Senti aquela necessidade de correr atrás, senti algo dentro de mim que me dizia: é aquela a tal, não a deixes fugir! E a verdade é que nunca tinha sentido aquilo antes, a necessidade de ter alguém por perto. Hoje necessito de ti a cada minuto que passa, desespero outros tantos para te ter junto a mim novamente. 
Vezes sem conta me tento mentalizar que são apenas uns quilómetros e que são temporários mas no fundo sei que não são. Mas eu não desisto! Eu não desisto de ti, Rita, eu não desisto de nós, não agora, não nunca.
Nós vamos ficar juntos, sei que sim, sei que um dia vamos estar juntos e felizes. E quando formos velhinhos vamos ficar orgulhosos do nosso passado.
Vai começar 2013, para te ser sincero não o prevejo muito bom. Vai ser o ano em que vamos lutar pelo nosso amor mas sem nunca desistir. Vai ser o ano em que acabas o 12º ano e decides o que fazer da tua vida. Mas sabes que mais? Não importa o tempo que vais ficar mais em Portugal, eu quero que sejas feliz, que tires o curso que sempre sonhaste e depois sim, pensamos num futuro a dois porque eu esperarei por ti o tempo que for necessário. Podem ser um, dois, três, cinco ou nove anos mas no fim desses anos eu vou estar aqui de braços abertos para te receber.
Sabes que te amo, e nunca disse um amo-te tão sentido a alguém, a verdade é que nunca o disse a ninguém mas agora sinto necessidade em o dizer porque não há outra palavra que exprima o que sinto por ti. Na verdade nem um ''amo-te'' é suficiente para dizer o quanto és importante para mim.
Amo-te muito Rita,

Stephan 

2013…um ano difícil bem difícil na verdade. Tinha começado há onze meses, estamos quase no fim do ano e nada tem sido fácil por aqui.
Aquela carta tinha-me aberto os olhos, provavelmente porque as palavras do Stephan me levaram a outro mundo e me fizeram entender que as dúvidas e o medo não passaram de coisas da minha cabeça.
Há momentos na nossa vida que parece que estamos perdidos e ausentes deste mundo e é assim que me tenho sentido nos últimos tempos. A presença do Stephan não me trouxe de volta, talvez por uns breves minutos apenas, porque eu tive que encontrar o caminho de volta sozinha e parece que o encontrei…
Bateram à porta do meu quarto despertando-me.
- Posso? – perguntou o Juan. Entrou quando eu assenti com a cabeça – estás com um sorriso na cara! Finalmente…há quanto tempo já não via um assim em ti minha linda.
- Minha linda…andas-me a tratar muito bem.
- Nunca te tratei mal – atirou dando-me um levo encontrão – acho que devias voltar a Itália.
- Devia não é? Tenho que falar com o Salvador que é ele que me marca e me paga. É o que dá ter um irmão mais velho. – sim, eu tinha mesmo que ir a Itália – como está a tua avó?
- Perguntaste-me isso ontem, Rita – sorriu – ela está bem, agora sim, está bem.
- Sou preocupada – desculpei-me – ainda bem que ela está melhor, fico feliz.
- E eu fico feliz por tu estares bem. – deu-me um leve beijo na bochecha sorrindo-me cúmplice.
Tínhamos criado sem dúvida uma relação de irmãos.



Uma semana se passou.
Estava ansiosa, tal e qual como das primeiras vezes que ia para Itália. Tinha voo para esta sexta à tarde. O Stephan não sabia, não era suposto ele saber. Queria fazer-lhe uma surpresa. Iria chegar esta noite a Milão mas só no sábado ia ter com ele.
Com as malas já feitas eu pronta para rumar até ao aeroporto do Porto, liguei primeiro ao Manu, precisava de lhe dizer que ia, ele que é o meu braço direito no que se trata de visitas surpresa ao Stephan.
- Amanha de manhã estou aí, sim? – atirei assim que ele atendeu.
- Vens cá?
- Sim, eu e o teu irmão precisamos de resolver umas coisas – disse-lhe. Ouvia um barulho estranho de fundo, era…um choro de um bebé – foste inscrever-te numa cresce, cunhado? – piquei.
- Que piada – atirou com um tom seco – estou mesmo em casa do teu namorado.
- O quê? – perguntei admirada.
- Sim, a Andrea disse que tinha que ir fazer umas compras rápidas e deixou-me o miúdo e ele está para aqui a chorar.
A Andrea…a mãe do miúdo que levantou dúvidas sobre o Stephan ser o pai, estava em casa do Stephan…?
- O quê? – atirei perplexa.
- Ele não te…contou? Já fiz porcaria! E o miúdo não para de chorar, o que é que eu faço?
Reparei no seu tom assustado, ele não sabia o que fazer. Vamos Rita, deixa o facto de a Andrea e o miúdo estarem enfiados em casa do Stephan sabe-se lá desde quando e ajuda o Manu.
- Fome? Fralda?
- Não, não! Esta de barriguinha cheia e a fralda foi mudada há pouco.
- Bem, os bebés choram muitas vezes sem razão. Pode estar a sentir falta da mãe, entendes? Enrola-o numa manta bem quente que eles gostam de se sentir aconchegados, põe uma música calma que isso acalma-os, maior parte das vezes, e anda com ele de um lado para o outro devagar, o movimento também os ajuda a acalmar.
- Obrigada…darás uma boa mãe para os meus sobrinhos.
Já tive mais certezas disso…