sábado, 9 de agosto de 2014

30º Capitulo - « Obrigada…darás uma boa mãe para os meus sobrinhos »

Querido Stephan,

Sinto-me incapaz de falar contigo nos próximos dias. A tua voz faz-me ficar nervosa e com o nervosismo sabes bem que não digo nada de jeito.
Aos poucos sinto que tudo se está a desmoronar, não te culpo a ti obviamente, culpo-me a mim que de um momento para outro parece que deixei de ser a mesma Rita. Nada me faz acreditar no nosso amor. Estarei a ser muito dura com estas palavras? Na verdade não sei mas é o que sinto. As pessoas mudam e comigo a mudança foi radical, nunca pensei que isto me acontecesse. Sei que te amo, eu sei…mas eu acho que a nossa relação se está a transformar numa obrigação.

Não, não. Rasguei aquela folha. Não podia deitar um ano de namoro ao lixo por causa de mim…sou eu a culpada disto tudo. Porque raio me está a acontecer isto e porque raio deixei de acreditar em nós. Peguei noutra folha e comecei a escrever algo diferente, comecei por dispensar o querido no início.

Stephan,
És sem dúvida uma pessoa especial e completa. Ao teu lado sinto-me bem e feliz, melhor…eu sentia-me. Agora não e sinceramente não entendo o que se passa. Será a distância? Talvez ela nos esteja a dar sinais do que esta relação não vai dar mais.
Há uma semana…quando estiveste cá e quando fizemos amor eu não me sentia como me sentia antes, serei eu? Serás tu? Talvez sejamos os dois.

Não…isto não é normal. Para que é que estou a escrever isto se nem sequer lhe vou mandar. Ele não vai ler isto!
Rasguei aquele papel e pu-lo ao lado do outro também já rasgado. Peguei noutro papel mas agora com uma intenção. Havia coisas a dizer-lhe…coisas que ele precisava de saber.

Tenho um rapaz a viver cá em casa desde Setembro, chama-se Juan e é espanhol.
Há uns dias recomecei a falar com o meu ex-namorado.
O Rafael tentou beijar e falou mal de ti, disse que eu estava cega e que não via o mal que me fazias.

Rasguei agora o papel com mais força e em bocados menores. Sentia-me frustrada comigo mesma.
Agora começava a entender…eu tenho-lhe mentido, não lhe tenho contado nada do que se tem passado. A culpa é minha e só minha.
Olhei para o meu pulso e vendo a pulseira de perolas que ele me tinha dado quando fizemos um ano de namoro desfiz-me em lagrimas. Fui eu…apenas eu que estraguei tudo.
Deitei-me na cama e enquanto mexia na pulseira, dei algumas voltas com ela no pulso relembrando vários dos nossos momentos, como poderia agora estar a nossa relação à beira do precipício?

- É assim, eu sei que o tempo que nós passamos juntos foi mínimo, e para ti talvez não tenha tido nenhum significado – fez uma pausa – mas para mim teve e muito acredita. Talvez nunca mais te veja, ou nunca mais ouça falar de ti, ou talvez…talvez isto seja só o início. O facto de talvez nunca mais te ver assusta-me, de nunca mais ver esse teu sorriso perfeito. Mas eu tenho esperança, tenho esperança que um dia possas vir a ser minha. Sinto-me mal sabendo que a primeira mulher que me fez tremer que me fez ficar nervoso quando estou junto a ela se vai embora. Tu despertas-te em mim um sentimento que não conhecia, um sentimento muito especial que me faz querer agarrar-te e nunca mais te largar, não lhe posso chamar de amor porque ainda não é tão forte mas talvez lhe chame de paixão. Não vou desistir de ti acredita, porque sei que te hei-de ver neste mesmo sítio e chamar-te de namorada.

Foi a primeira vez que se declarou a mim, de certa forma, foi a primeira vez que me admitiu que se sentia atraído por mim e nem mais de 24 horas tinham passado desde a primeira vez que tínhamos trocado algumas palavras. Agora bem que podia andar um ano para trás e relembrar-me de tudo. Talvez na verdade a nossa relação não tenha perdido nem o amor nem o brilho. Talvez seja eu que não vejo tal coisa agora mas provavelmente existe e está lá.
Havia dois momentos, no meio de tantos eram os que mais me deixavam com um sorriso na cara apenas a relembra-los. São eles: o pedido de namoro e a primeira vez que fizemos amor. Dos momentos mais bonitos, mais sentidos e que me fizeram ver o quanto o Stephan me amava.

- Rita…
- Espera, não me vais pedir em casamento pois não?
- Não…
- Ah, ainda bem, podes continuar.
- Rita, nós conhecemo-nos há pouco mais de um mês, aqui neste mesmo sitio, foi quando te vi pela primeira vez e sinto que de certo modo San Siro estará ligado a nós para sempre, parece pouco tempo eu sei, 30 dias,  mas eu sinto que te conheço há anos. No pouco tempo que estivemos juntos sei tanto sobre ti, acordas mal-humorada quando não te deixam dormir até às horas que queres, quando estás nervosa mexes no cabelo, demoraste mais tempo do que eu a dizer que me amavas porque querias ter certezas, simplesmente tudo isso é perfeito em ti. És teimosa, és refilona e quando não te fazem as vontades és uma chata, por outro lado, as tuas qualidades: demoras pouco tempo até te relacionares com alguém, és uma querida, és uma irmã mais velha muito preocupada porque adoras o Afonso e és…muito especial. As nossas diferenças todas completam-nos.
Estava petrificada, não tinha palavras não sabia o que dizer, não sabia mesmo.
- Eu…
- Shiu – disse-me – eu ainda não acabei.
Comecei a mexer no cabelo, como ele disse quando estou nervosa é o que faço, ele sorriu, ele entendeu que eu estava nervosa.
- Não preciso de mais tempo, não preciso de provas nenhumas, eu simplesmente sei que és tu quem eu quero ao meu lado nos verões quentes e nos invernos frios, nas tuas dores de cabeça e nas minhas lesões, quero-te agora e sempre…Rita, tu queres namorar comigo?
Agarrei-me ao pescoço dele e abracei-o bem de força precisava de o sentir, que ele era real, que ele estava ali.
- Claro que sim – respondi – és tipo assim o homem da minha vida.
- E tu és tipo assim a pequenita da minha vida. – disse usando a mesma linguagem que eu.
- Amo-te, sabes?
- Sei – respondeu – e eu também te amo.

A partir daquele momento passei a ser uma rapariga comprometida, com o homem mais completo e carinhoso à face da terra, pelo menos era o que eu achava e…ainda acho apesar de tudo.

Em cada beijo, em cada simples beijo, nos completávamos um ao outro, parecia que tudo encaixava que os meus lábios foram feitos para os dele. Cada toque é algo especial. São momentos perfeitos, em que tudo parece um sonho. Sonhava encontrar alguém que me fizesse feliz e encontrei o Stephan e como ele mo diz muitas vezes: ele é bem real.
Levei a minha mão ao interior da camisola do Stephan e senti-o a arrepiar-se. Percorrer assim o seu corpo, estar em contacto com a sua pele é algo novo para mim. Sinto-me bem. Não sinto que esteja a ser atrevida, sinto-me eu.
Tenho o meu lado mais doido e o meu lado mais calmo, o lado que maior parte das vezes é o que o Stephan vê mas hoje tenho a certeza que conhecerá o meu lado mais provocante e doido, conhecerá a Rita mais solta e que o fará conhecer cada parte de mim, cada recanto do meu corpo.
Senti as suas mãos frias nas minhas costas e a sua boca a percorrer o meu pescoço. Ergui os braços e num gesto retirou-me uma das minhas camisolas. Agarrou as minhas pernas com delicadeza levantando-se do sofá. Permaneci no colo dele entrelaçando as minhas pernas à volta da sua cintura.
Andou um pouco até ao início das escadas subiu o primeiro degrau entre beijos e caricias.
Vamos cair Ste…- avisei separando os nossos lábios.
Também acho que sim – disse entre risos e beijos.
Desci do seu colo e subi as escadas em passo acelerado, estava desejosa de o ter só para mim.
O Stephan veio atrás de mim. Poisou as suas mãos na minha cintura e foi caminhando encostando-me à parede. Acabei por retirar a sua única camisola e com as minhas mãos percorrer o seu tronco. As suas mãos percorriam o meu corpo aceleradamente apenas o toque dele me fazia levar a esta loucura extrema.
Retirou-me a minha segunda e ultima camisola e fez com que subisse para o seu colo mais uma vez.
Tu deixas-me louco! – atirei já com a respiração descontrolada.
E eu a pensar que…- tornou a beijar-me antes de acabar a frase -…que eras apenas tu que provocavas isso em mim.
- No. – pronunciei antes de o voltar a beijar.
Chegámos à altura em que estava tudo descontrolado, os nossos beijos eram tudo menos calmos. Havia paixão, loucura mas acima de tudo havia amor. Havia amor em cada toque, em cada caricia.
Após pequenos passos chegamos finalmente ao quarto do Stephan. Com brandura deitou-me sobre a cama. Cada toque dele era calmo e delicado, os beijos passaram a ser menos descontrolados e a cada momento o desejo aumentava. Tudo se resumia a mim e a ele, a nós e a entrega um ao outro.
Os nossos corpos uniram-se como se conhecessem desde sempre. Por momentos senti-me completa.

Algumas lagrimas escorreram pelo meu rosto involuntariamente. Não podia acabar assim…não uma história como a nossa tão…verdadeira. Precisava de algo mais real, não que as lembranças não o fossem, mas precisava de comprovar agora de sentir que o nosso amor não ia morrer apenas por eu me sentir confusa. Percorri todo o quarto, eu sabia que tinha trazido a carta que ele me tinha dado uma das vezes que me despedi de Milão. Precisava de a ler, de voltar a sentir que o nosso amor era real e que aquilo não era uma carta mas sim a carta, a nossa carta e de voltar a acreditar que tudo o que vinha escrito nela era real.
Finalmente encontrei-a, no meio de dois livros em cima da secretária. Quando voltei para Coimbra trouxe-a comigo e lia-a todas as noites antes de dormir. Era das poucas coisas em que podia tocar, ler neste caso, e senti-lo presente.
Voltei-me a deitar na cama e abri a carta.

Rita,
Por onde hei-de começar? Para te ser sincero nunca escrevi uma carta na vida, muito menos em português, como sabes tive a pequena (grande) ajuda da Francy.
Não sei onde estás agora nem em que momento da tua vida estás. Dei-te esta carta e disse-te para a leres quando não estivesses bem e precisasses de mim ou apenas quando as saudades fossem muitas.
Agora sim, vou escrever o que te quero dizer há muito tempo mas a coragem é pouca. Sabes que não sou romântico de natureza e às vezes quero-te dizer certas coisas mas não consigo, simplesmente não saem.
És especial para mim, tu sabes disso e digo-to algumas vezes. Mudaste completamente a minha vida, acho que isso nunca te disse mas sei que desconfias. És a mulher da minha vida, sim tu és a mulher da minha vida.
Relações sérias nunca foi o meu forte e nunca as pensei ter antes dos 30 anos (estou a ser sincero) mas depois apareceste tu de uma forma inesperada. Podia ter olhado para milhares de raparigas naquele momento mas foi para ti que olhei, podia-me ter apaixonado por outra qualquer mas foi por ti que me apaixonei, até podia ter ''corrido'' atrás de uma outra rapariga mas foi atrás de ti que ''corri''. Senti aquela necessidade de correr atrás, senti algo dentro de mim que me dizia: é aquela a tal, não a deixes fugir! E a verdade é que nunca tinha sentido aquilo antes, a necessidade de ter alguém por perto. Hoje necessito de ti a cada minuto que passa, desespero outros tantos para te ter junto a mim novamente. 
Vezes sem conta me tento mentalizar que são apenas uns quilómetros e que são temporários mas no fundo sei que não são. Mas eu não desisto! Eu não desisto de ti, Rita, eu não desisto de nós, não agora, não nunca.
Nós vamos ficar juntos, sei que sim, sei que um dia vamos estar juntos e felizes. E quando formos velhinhos vamos ficar orgulhosos do nosso passado.
Vai começar 2013, para te ser sincero não o prevejo muito bom. Vai ser o ano em que vamos lutar pelo nosso amor mas sem nunca desistir. Vai ser o ano em que acabas o 12º ano e decides o que fazer da tua vida. Mas sabes que mais? Não importa o tempo que vais ficar mais em Portugal, eu quero que sejas feliz, que tires o curso que sempre sonhaste e depois sim, pensamos num futuro a dois porque eu esperarei por ti o tempo que for necessário. Podem ser um, dois, três, cinco ou nove anos mas no fim desses anos eu vou estar aqui de braços abertos para te receber.
Sabes que te amo, e nunca disse um amo-te tão sentido a alguém, a verdade é que nunca o disse a ninguém mas agora sinto necessidade em o dizer porque não há outra palavra que exprima o que sinto por ti. Na verdade nem um ''amo-te'' é suficiente para dizer o quanto és importante para mim.
Amo-te muito Rita,

Stephan 

2013…um ano difícil bem difícil na verdade. Tinha começado há onze meses, estamos quase no fim do ano e nada tem sido fácil por aqui.
Aquela carta tinha-me aberto os olhos, provavelmente porque as palavras do Stephan me levaram a outro mundo e me fizeram entender que as dúvidas e o medo não passaram de coisas da minha cabeça.
Há momentos na nossa vida que parece que estamos perdidos e ausentes deste mundo e é assim que me tenho sentido nos últimos tempos. A presença do Stephan não me trouxe de volta, talvez por uns breves minutos apenas, porque eu tive que encontrar o caminho de volta sozinha e parece que o encontrei…
Bateram à porta do meu quarto despertando-me.
- Posso? – perguntou o Juan. Entrou quando eu assenti com a cabeça – estás com um sorriso na cara! Finalmente…há quanto tempo já não via um assim em ti minha linda.
- Minha linda…andas-me a tratar muito bem.
- Nunca te tratei mal – atirou dando-me um levo encontrão – acho que devias voltar a Itália.
- Devia não é? Tenho que falar com o Salvador que é ele que me marca e me paga. É o que dá ter um irmão mais velho. – sim, eu tinha mesmo que ir a Itália – como está a tua avó?
- Perguntaste-me isso ontem, Rita – sorriu – ela está bem, agora sim, está bem.
- Sou preocupada – desculpei-me – ainda bem que ela está melhor, fico feliz.
- E eu fico feliz por tu estares bem. – deu-me um leve beijo na bochecha sorrindo-me cúmplice.
Tínhamos criado sem dúvida uma relação de irmãos.



Uma semana se passou.
Estava ansiosa, tal e qual como das primeiras vezes que ia para Itália. Tinha voo para esta sexta à tarde. O Stephan não sabia, não era suposto ele saber. Queria fazer-lhe uma surpresa. Iria chegar esta noite a Milão mas só no sábado ia ter com ele.
Com as malas já feitas eu pronta para rumar até ao aeroporto do Porto, liguei primeiro ao Manu, precisava de lhe dizer que ia, ele que é o meu braço direito no que se trata de visitas surpresa ao Stephan.
- Amanha de manhã estou aí, sim? – atirei assim que ele atendeu.
- Vens cá?
- Sim, eu e o teu irmão precisamos de resolver umas coisas – disse-lhe. Ouvia um barulho estranho de fundo, era…um choro de um bebé – foste inscrever-te numa cresce, cunhado? – piquei.
- Que piada – atirou com um tom seco – estou mesmo em casa do teu namorado.
- O quê? – perguntei admirada.
- Sim, a Andrea disse que tinha que ir fazer umas compras rápidas e deixou-me o miúdo e ele está para aqui a chorar.
A Andrea…a mãe do miúdo que levantou dúvidas sobre o Stephan ser o pai, estava em casa do Stephan…?
- O quê? – atirei perplexa.
- Ele não te…contou? Já fiz porcaria! E o miúdo não para de chorar, o que é que eu faço?
Reparei no seu tom assustado, ele não sabia o que fazer. Vamos Rita, deixa o facto de a Andrea e o miúdo estarem enfiados em casa do Stephan sabe-se lá desde quando e ajuda o Manu.
- Fome? Fralda?
- Não, não! Esta de barriguinha cheia e a fralda foi mudada há pouco.
- Bem, os bebés choram muitas vezes sem razão. Pode estar a sentir falta da mãe, entendes? Enrola-o numa manta bem quente que eles gostam de se sentir aconchegados, põe uma música calma que isso acalma-os, maior parte das vezes, e anda com ele de um lado para o outro devagar, o movimento também os ajuda a acalmar.
- Obrigada…darás uma boa mãe para os meus sobrinhos.
Já tive mais certezas disso…

2 comentários:

  1. Como assim? Acabas na melhor parte, isso não se faz?!
    Entendo as dúvidas da Rita, é uma relação a distância, sempre surgem esse tipo de inseguranças, eu acho que ela devia conversar com ele e também contar o que tem acontecido nessa nova fase da vida dela. Essa insegurança existe porque ela acha que ele faz o mesmo, oculta alguns fatos... Mas creio que tudo se resolve com uma boa conversa!
    E porque a Andrea está na casa do Ste? O que será que ele está escondendo? Espero que no próximo capítulo tenha a explicação, isso não é justo, cada capítulo surge uma dúvida nova... :P

    Posta logo que eu saber o que a Rita vai fazer depois dessa!
    Beijinhos!!!
    Lari Lima

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  2. Olá :)
    Finalmente arranjei tempo para ler este capitulo e adorei *.*
    Eles não podem deitar um ano de namoro e muito amor fora :/
    A Rita que pense bem sff
    Próximo sff bjs

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