sábado, 18 de outubro de 2014

34º Capitulo - « Eu ainda não acredito que estou grávida...»

- Não! Claro que não. Tu não fazes mesmo ideia do quanto és importante para mim, pois não?
- Agora não…conseguiste estragar isso.
- Não peço que me perdoes de um momento para o outro, não o peço porque nem eu te consigo perdoar pelo que fizeste mas ouve, peço-te que me respeites e confies em mim.
- Isso é impossível! – levantei-me andando no quarto até à porta – como é que queres que confie em ti no fim disto tudo? Nós perdemos a confiança um no outro.
- Anda cá – pediu fazendo um gesto para que me senta-se perto dele – sabes qual é o nosso problema? Perdemos metade do tempo a pensar no passado mas principalmente perdemos ainda mais tempo a pensar no futuro. Preocupamo-nos com um futuro que é impressível e eu pergunto-me às vezes porque pensamos nele. E de um momento para o outro de tanto pensarmos no futuro vemos o nosso presente a ser arruinado, porque deveríamos pensar no presente e não pensamos. Eu quero esquecer o passado, eu quero deixar de pensar no futuro, eu apenas quero estar contigo no presente. – agarrou a minha mão e puxou-me para mais perto dele – não sei o que queres para o teu futuro mas eu vou deixar de pensar nele. Quero viver o presente e por isso quero que vás comigo para Itália até voltares às aulas. Quando eu sair daqui quero levar-te comigo e quero que cuides de mim. Uma semana? É pouco tempo mas eu quero passa-lo contigo. Vens comigo para Itália?
Aquela pergunta? Tinha uma resposta muito fácil.




- Estás bem? – perguntei assim que os meus pousaram sobre as pernas do Stephan.
- Sim.
- Não te dói nada?
- Não, está tudo bem.
- Já tomaste os medicamentos todos?
- Sim, mãe.
- Não, Ste. A D. Lucia não está cá.
- Tem saudades tuas, ela.
- Ela nem me conhece…
- Já te viu! E já presenciou o teu sono pesado.
- Mas não te dói mesmo nada?
- Não, Rita. Está tudo bem. Se já não somos namorados e te preocupas assim, imagina se fossemos…
Encostei-me para trás sem dizer uma única palavra.
- Rita?
- O quê?
- Posso-te fazer uma pergunta?
- O quê?
Reparei que ele ia falar quando a campainha tocou. Salvei-me de uma pergunta a que provavelmente a resposta iria ser complicada. Levantei-me e fui em direção à porta abrindo-a.
- Voltaste? – perguntou o Balotelli entrando em casa sem que eu lhe desse qualquer tipo de permissão. Sempre o mesmo.
- Parece que sim… - falei fechando a porta e voltei para junto do Stephan que já tinha cumprimentado o Mario.
- Mas vocês já andam outra vez?
- Aqui a única pessoa que deixou de andar foi o Stephan e foi porque foi operado ao pé. – atirei.
- Que piada, Ritita! – falou dando-me um encontrão.
- Olha que me aleijas, bruto! – barafustei batendo-lhe no braço.
- Desculpa lá, porcelanazinha. Então como é que estás, oh mano?
- O mano está bem e estava melhor sem ti aqui a chatear.
Olhou-me não muito contente para depois olhar o Stephan outra vez.
- Estou bem – respondeu o Stephan.
- Vais superar isto rápido, és forte e isto não te vai deitar a baixo – era a primeira vez que o ouvia a dizer algo acertado na vida.
- Que bonito, Balo – falei com um sorriso.
- Ele esteve quase a deixar escapar uma lágrima – brincou o Stephan.
- Isso é mentira. Mas olha, vou sentir a tua falta nos treinos.
- Daqui a uns meses eu volto.
- Muito bem eu vou-me embora – levantou-se e despediu-se do Stephan para depois me mandar com uma almofada – vejam lá se resolvem as coisas, se é que me entendem.
- Entendo, entendo mas preferia nem entender. Dessa cabecinha só vem porcaria. – atirei.
- Sexo! Vocês precisam de sexo!
- E tu de juízo! – gritei antes de ele fechar a porta da entrada e desaparecer.
Encostei-me para trás e coloquei os meus pés em cima das pernas do Stephan mais uma vez.
- Sabes que ele tem razão?
Olhei-o pouco convencida daquilo que dizia. Mandou-me um olhar mais provocador e volte a olhá-lo desta vez mais séria como que repreendendo-o. Era isto, nós falávamos por olhares.
- Vais dormir comigo hoje?
- Devia?
- Sim, devias. Estou sozinho cá em casa imagina que me acontece alguma coisa.
- Que tal…chamares por mim já que eu estou no quarto ao lado?
- Falha-me a voz de noite…
- Falha-te a voz… - disse ironizando – estás a vez a palma da minha mão? – assentiu com a cabeça para eu prosseguir – eu conheço-te como ela. Sei bem o que queres Stephan.
- Não, não sabes Rita!
- Sei sim.
- Não sabes não! Não estou em condições disso.
- Não sabia que o pé te afetava…o resto.
- Tu provocas! Eu a ser querido e a dizer que não quero que durmas comigo para haver sexo…
- Não queres? – interrompi.
- O quê?
- Sexo.
- Tu é que não queres!
- Vamos mudar de assunto.
- Mas afinal tu queres ou não queres?
- Não interessa! – atirei, tentando que aquele assunto acabasse.
- És muito complicada… - começou a mexer nos meus pés, se aquilo era suposto serem massagens não estava a dar resultado.
- Estás a fazer-me cocegas. – reclamei com cara séria.
- Não te estás a rir! – desta vez começou mesmo a passar as suas mãos pelos meus pés com intenção de me fazer cocegas.
- Stephan! – reclamei já a rir-me. Retirei os meus pés de cima das suas pernas e fiquei a olhá-lo enquanto ele também sorria.
- Nós já não namoramos pois não? – perguntou de rajada.
- Queres mesmo que eu te responda a essa pergunta?
- É só que…acho que já não faz sentido estarmos separados, entendes?
- Entendo. Mas também entendo que nos magoamos um ao outro e vai ser complicado tudo voltar ao normal.
- Eu conheço-te tão bem – arrastou-se no sofá chegando perto de mim, passou a sua mão pela minha face – eu já não imagino a minha vida sem ti. Sem as tuas chamadas, sem as tuas preocupações, sem o teu carinho…a minha vida sem tudo isso já não é a minha vida. – afastou-se de mim mas sem deixar de me olhar – sim, eu devia ter percebido isto mais cedo mas só percebi agora. E mais vale tarde que nunca e Rita, eu quero tanto estar contigo. Quero tanto ser feliz contigo. Sei que somos novos e temos uma relação diferente de o normal – noutra ocasião tinha substituído temos uma relação por tínhamos, mas não me dei a esse trabalho. Estava a gostar verdadeiramente de ouvir aquelas palavras vindas da boca dele – mas…eu sinto que és assim a mulher da minha vida porque não me imagino com qualquer outra.
- Isso foi tão bonito, Stephan… - aproximei-me dele beijando-lhe o rosto – mas dá-me tempo. A minha cabeça anda uma confusão.
- Eu dou-te todo o tempo do mundo porque eu sei, e não estou a ser convencido, eu sem mesmo que tu ainda me amas.
- Sim, Stephan, eu ainda te amo e muito.



Não podia ficar mais contente com aquela última notícia do ano.
Os planos tinham sido mudados e o meu local para a passagem de ano era mesmo Itália. A Gabriela tinha vindo para cá, ainda não sei como o Salvador a convenceu mas aconteceu.
 A minha falta de iniciativa em certos aspetos fez com que nunca tivesse intenção de fazer teste algum que fosse. Também não contei nada ao Stephan (como é obvio).
O dia 31 de Dezembro tinha chegado. Corria normalmente tal e qual como outro qualquer. Tive a confirmação que não estava grávida a meio da manhã e claro que não me contive nas palavras e falei bem alto um: não estou grávida. Mal sabia eu que o Stephan estava no corredor e ouviu tudo.
- Eu ouvi bem? – fez-me aquela pergunta de rajada, especado a olhar para mim.
- Não sei Stephan…tens problemas de audição? É melhor ir ver isso se achas que…
- Rita! – interrompeu-me – tu tinhas suspeitas de estar grávida e não me contaste nada?
- Porque haveria eu de contar?
- Porque se estivesses grávida era eu…o pai…– parou de falar por uns minutos e olhou-me como que tentando perceber o que me ia na cabeça - certo?
- Eu não acredito que estás a pôr isso em causa!
- Estou! Claro que estou! Estou a pôr isso em causa tal como tu já o fizeste, ou já te esqueceste que me perguntaste se eu te tinha traído com a Alessa?
- Perguntei porque tinha dúvidas!
- E eu também as tenho! – atirou.
- Tens razão…mas claro que se eu estivesse grávida eras tu o pai.
- É bom saber isso. E…porque é que não me contaste?
- Porque estamos separados.
- Isso não é verdade, porque é que não me contaste? – insistiu.
- Não sei…fiquei totalmente baralhada, tudo isto mexeu comigo…eu não sei, voltei a ser insegura, voltei a ter medo de falhar.
- A falta que um homem faz a uma mulher… - veio para perto de mim com a ajuda das muletas e depois de vários movimentos estranhos abraçou-me – posso beijar-te? – perguntou a medo.
- Deves! – respondi sem hesitar.
Não esperei que ele fizesse algo, levei as minhas mãos ao seu pescoço e fiz os meus lábios embaterem com os seus. A magia destes beijos era extremamente espetacular. O facto de não estarmos comprometidos e agirmos como tal tornava esta nossa relação tão especial. Aquele simples beijo fez-me acreditar que a única coisa que tinha mudado eramos nós, o nosso amor continuava intacto. No fim de tanto duvidar cheguei à conclusão que o problema eramos nós que tínhamos mudado, que tínhamos crescido e até o nosso amor tinha crescido de certa forma, estava mais maduro.
- Vocês já se beijam? – a Gabriela acabava de aparecer naquele corredor.
- Stephan expulsa-a daqui – pedi na brincadeira.
- Gabriela, desaparece da minha casa!
- Não acredito que me estás a fazer isto cunhado. – atirou.
- E eu não acredito que te andas a meter com o irmão do Stephan! – fingi-me chocada enquanto pronunciava aquelas palavras.
- Deus me livre! Aquele rapaz fala mais que a minha professora de Design de comunicação. Esteve ontem a tarde inteira a falar-me sobre a infância dele, depois falou sobre a ex-namorada dele, em seguida da paixão dele: a Mara e depois ainda disse que eu devia chamar o meu filho Lorenzo.
Foi impossível não rir com aquilo.
- Eu sempre soube…os segundos filhos saem sempre mais perfeitos.
- Nisso eu concordo, eu sou muito mais perfeita que o Salvador. – disse fingindo-me convencida.
- Os filhos únicos também são perfeitos! – atirou a Gabriela – olhem só para mim.
- Como vai esse bebé? – o Stephan fez aquela pergunta e notei o desconforto da Gabriela naquele assunto.
- É estranho. Eu ainda não acredito que estou grávida…e é complicado perceber que tenho uma vida a crescer dentro de mim. Resumindo eu ainda não entrei na realidade e a ecografia também não me ajudou nisso. – suspirou e passou a mão pelo seu cabelo – é estranho mas acredito que isto vá a ser uma experiência espetacular.
- E esse curso de Designer e Comunicação?
- Devo conseguir acabar este ano. E depois com esforço, sei que conseguirei fazer o último ano.
- Depois fazes Erasmus cá e o Stephan toma conta do teu filho.
- Não digas isso nem a brincar! – disse o Stephan.
- Tem calma Stephan, só tomarás conta de bebés quando a Rita estiver grávida – a Gabriela olhou-me piscando-me o olho. Ela ainda não sabia da novidade!
- Não…não está grávida – esclareci.
- Que pena! Eu a pensar que o Miguel iria ter companhia para brincar…
- Já lhe deste nome? – perguntei perplexa.
- Já! Miguel se for menino e Francisca se for menina. – concluiu levando-nos a sorrir.



- Promessas de ano novo? – juntei o meu copo com o do Stephan e deixei a minha cabeça cair sobre o seu peito.
- Vamos ser felizes e vamos voltar a ser um casal…
- Vamos passar férias juntos no verão, tu vais recuperar rápido e voltar ao que eras ou melhor ainda…
- Vamos ser bons tios lá do Miguel ou da Francisca…
- E vamos aprender a lidar um com o outro com o passar dos anos.
- E vamos ser muito felizes.
- Já disseste isso – ri-me juntamente com ele.
- Foi só para realçar a ideia. – colocou uma das suas mãos em volta dos meus ombros. Senti-me protegida – vais voltar a ser minha, não vais?
- Sim, não sei quando mas vou, prometo.





Antes de voltar para Coimbra e recomeçar as aulas, havia algo a fazer. Só ficava tranquila quando fizesse aquilo. Por isso pus o meu plano em marcha e no dia antes de ir para Coimbra fui em busca do Pedro.
Consegui recolher informações sem que a Gabriela se apercebesse disso. Adquiri uma morada, talvez fosse a casa dele.
Bati à porta quando consegui chegar ao destino. Só tinha visto uma ou duas fotografias dele, este plano podia correr mal.
- Pedro? – perguntei assim que um rapaz me abriu a porta.
- Sim e tu és…?
- Rita, tu não me deves conhecer…
- E tu conheces-me?
- Eu sou amiga da Gabriela.
- Ah…
- Ela está grávida – falei de rajada.
- E…o que é que eu tenho a ver com isso? – ia falar mas ele continuou – Rita, acredito que sejas amiga dela, ela falou-me várias vezes de ti e bem – sorri enquanto ele fez o mesmo – mas…esse bebé não é meu. Pode custar a acreditar mas é verdade. E se houve razão para eu e a Gabi acabarmos…foi mesmo esse bebé, que foi concebido quando ainda andávamos. 






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Bom dia!
Mais um capítulo, com duvidas tiradas (espero eu).
Bom fim de semana!
Beijos,
Mahina

sábado, 4 de outubro de 2014

33º Capitulo - « Eu estou aqui Stephan...para ti »

- E o Pedro?- movimentei-me no sofá, estar na mesma posição há algum tempo fazia com que a minha perna já estivesse dormente.
- Acabei com o Pedro há uns meses.
- E já lhe disseste que estás grávida dele?
A conversa ia longa, já há mais de uma hora que falávamos. A Gabriela tinha-me admitido tudo, já tinha feito o teste e estava grávida de dois meses. Não tinha tido coragem para fazer nenhuma ecografia. Como era magra a sua barriga pouco se notava ainda mas se olhasse com atenção já via algo de bonito realmente.
- Rita – agarrou as minhas mãos e olhou-me como que suplicando que parasse com as perguntas – podemos parar por aqui, pelo menos por hoje por favor?
- Claro – assenti com a cabeça e acariciei-lhe o cabelo sorrindo-lhe.
- Ouve e tu? Achas que…?
- Não sei, a ultima vez que me envolvi com o Stephan foi estranho.
- E…o Rafael?
- Gabriela? Achas mesmo que eu me envolvi com o Rafael naquela noite?
- Porque não?
- Ele é demasiado bom amigo, e se não cometi o erro de me envolver com ele só lhe posso agradecer mesmo a ele que não permitiu que nada acontecesse.
- Então?
- Foram só uns beijos, quando tentei algo mais ele pôs um travão. – relembrei-me daquela noite para contar tudo à Gabriela.


- Posso ser sincero? – o silêncio pairava naquele quarto já há algum tempo. O Rafael falou despertando a minha atenção.
- Claro que podes.
- Se eu soubesse que não o amavas…tinha acontecido.
- Obrigada por não te teres deixado levar pelo meu desespero.
- Tudo bem…és demasiado preciosa para mim. Se tivesse acontecido teria sido um erro.
- Ele traiu-me – virei-me na cama encarando o Rafael – ele traiu-me. Na realidade ele nunca deixou de ser aquele rapaz que dá tudo por uma boa noite de sexo.
- Achas?
- Há uns tempos irias concordar comigo…
- Ouve pequena, por muito que isto me vá custar a admitir ele não é esse rapaz. Ele deu provas de não o ser, o teu irmão contou-me coisas e eu vi nos olhos dele…ele ama-te Rita.
- Ele mentiu-me.
- Todos erramos.
- Mas…não sei.
- Eu estou aqui se precisares – puxou-me para ele beijando-me a testa.
- Eu agradeço-te por isso.


- Então não houve nada? – perguntou agarrando-me as mãos.
- Não, claro que não. Ele é um bom amigo.
- E disse que o Stephan te ama…
- O que não sei se é verdade.
- Ouve, ele está lesionado. Não deve ter paciência para nada…ainda por cima agora vai ser operado.
- Mas tem paciência para a tal Alessa?
- Não posso falar sobre isso porque não sei mas…quando estivemos todos juntos, nos olhos dele eu vi amor, eu vi paixão. Olhava-te de uma forma totalmente intensa, e sorria-te com um sorriso sincero. Aí eu percebi que tu tinhas encontrado o homem da tua vida…estavas tão apaixonada, estavam os dois tão felizes. Tenho saudades de te ver assim.
- Tudo mudou, não foi? E eu nem me apercebi.
- O teu irmão disse que ele vai ser operado aqui no Porto.
- E de repente o mundo parece ficar a meu favor, o meu ex-namorado vai ser operado aqui no Porto onde eu estou a passar as minhas férias de Natal.
- Vais lá vê-lo?
- Duvido, ainda nem operado foi e além do mais acho que me ia a baixo se o visse.
- Ias ceder, queres tu dizer.
- Provavelmente…
- Vá – levantou-se e agarrou a minha mão – vamos dormir que amanhã é véspera de Natal.
- Já viste as horas? Já é véspera de Natal.
- Tens razão – sorriu e fomos as duas em direção quarto. Dormir iria-nos fazer bem a nós as duas.


- Bom dia! – o Francisco entrou na sala apenas de boxers o que deu para gozarmos ainda um pouco.
- Vai-te vestir, Francisco! Olha que eu depois não te resisto – gozou a Gabriela.
- Sou gay, ninguém me resiste.
- O pior é que ninguém te pode ter. – disse.
- A não ser que seja rapaz – completou a Gabriela.
Sentou-se junto a nós que tomávamos o pequeno-almoço no sofá.
- Um gay, uma grávida e uma traída. Que trio fantástico. – atirei.
- Quem está grávida? – perguntou o Francisco num tom normal.
- Eu mas a Rita está com um atraso.
- Um atraso? – perguntou ele.
- Sim mas deve ser do Natal.
- O Natal dá atrasos?
- Não sei! Mas tem que haver alguma explicação. Eu, Rita, não posso estar grávida.
- Podes! Se andaste lá a dar-lhe à grande e à francesa no italiano é normal.
- Neste caso é: à grande e à italiana. – atirou a Gabriela.
- Não falem nele. Vá, deixem o Stephan de lado. Falemos em ti, Francisco.
- O rapaz que eu gosto tem namorada.
- Nunca me aconteceu isso, por acaso. – falei levantando-me e percorrendo a sala.
- A mim já e é horrível – disse a Gabriela – estamos tão bem os três que eu nem palavras tenho. Vamos comer chocolate e ser felizes por uns momentos.




A decisão foi tomada e na manhã de Natal rumei até Castelo Branco, uma viajem longa mas que achei necessária. Mudei de opinião quanto a passar o Natal longe deles, as conversas com a Gabriela mudaram a minha maneira de ver as coisas por isso decidi ir ter com eles. Mesmo com a família quase destruída sentia-me na obrigação de estar com eles.
O dia de Natal foi bom, distraí-me de tudo e esqueci o Stephan até ter recebido uma mensagem dele que quase me fez vir abaixo.

Feliz Natal meu amor.
Amo-te

Senti-me quase como se nada tivesse mudado mas tinha…tudo tinha mudado e para pior. Nada estava igual mas para ele parecia que estava. Perguntei-me várias vezes se estaria ele agarrado ao telemóvel à espera de uma resposta da minha parte. Mas eu não era capaz de responder a tal coisa.




Voltei ao Porto uns dias depois. Hoje era o dia, o Stephan havia sido operado de manhã. Permanecia no sofá com o portátil nas pernas à espera de notícias sobre a operação dele. Sabia que elas iriam aparecer só não sabia quando.
- Falei com o teu irmão – a voz da Gabriela apareceu e sobressaltou-me – ele disse-me que o Stephan já recebe visitas.
- Boa. Já marcaste a tua ecografia?
- Sim, amanhã faço. Vens comigo? – perguntou a medo.
- Claro! Isso nem se pergunta.
- Vou arrumar umas coisas no quarto – informou – Rita? – olhei para trás – vai-te vestir já que ainda estás de pijama, sabes o caminho para o hospital e sei que queres muito ir…queres que te leve?
- Fazias isso…por mim?
- Agora sou eu que digo que isso nem se pergunta!


O cheiro daquele hospital enjoava-me por completo. Nem acreditava que estava prestes a ver o Stephan. A minha distração fez com que embatesse contra alguém.
- Desculpe – pedi. A enfermeira olhou para mim e nem podia acreditar no que via – Mara?
- Rita?
- Não acredito que te encontrei aqui. – admiti. A Mara era prima da Mariana, a ex-namorada do meu irmão. Vivia à nossa frente quando morávamos em Coimbra.
- Nem eu mas…o que é que fazes aqui?
- Eu… - agora as palavras não me saiam da forma que eu queria.
- Cunhada! – eu conhecia aquela voz. O Manuel…e mesmo separada do irmão dele continuava-me a chamar cunhada. – vieste ver o Stephan?
- Bem… - não, não conseguia responder àquela pergunta. Não conseguia admitir a verdade.
- Podias, apresentar-nos… - continuou a falar em português, já tinha aprendido umas coisas com o Stephan, e o português já lhe saía normal, ainda com um sotaque italiano muito carregado, o que é normal.
- Bem, a Mara é minha amiga e o Manu…
- É o irmão do Stephan, o rapaz que foi operado ao pé – completou a Mara.
- Sim, é isso. – disse ele. Boa, agora tinha ficado de olho na miúda.
- Queres que te leve ao quarto, Rita? – perguntou a Mara.
- Sim, se puderes.
- Vamos lá então.
Começamos a caminhar, o nervosismo começava a ser enorme. Por momentos comecei a tremer e a Mara apercebeu-se mesmo sem saber de nada, agarrou a minha mão e senti aquela proteção da parte dela.
- É aqui – declarou à porta de um dos quartos.
- Queres…ficar sozinha com ele?
- Sim…eu gostava mesmo que me fizessem esse favor.
- Claro – a Mara assentiu com a cabeça e tanto ela como o Manu ficaram à porta.
Respirei fundo algumas vezes antes de entrar naquele quarto.
- Rita? – olhou-me admirado quando entrei no seu quarto. Os seus olhos caíram sobre mim mirando-me de alto a baixo.
- Como estás? - perguntei quase com a voz a falhar-me.
- Mal... – cheguei-me perto da cama dele, sentei me no seu bordo olhando o – perdi tudo – acabou por dizer numa voz melancólica.
- Não digas isso – pedi. Uma parte de mim desesperava por colocar a mão na sua cara, sentir novamente a sua pele, acariciar lhre o rosto como há muito não o fazia. Acabei apenas por ficar a olhá-lo, já que a outra parte de mim dizia que era demasiado perigoso voltar a estabelecer contacto com a sua pele.
- É verdade. Perdi tudo, perdi o resto da época, vou perder o mundial e perdi-te...a ti.
- Eu estou aqui Stephan...para ti – quase num ato involuntário a minha mão encontrou o seu rosto acariciando-o. Colocou uma das suas mãos sobre a minha que permanecia na sua cara.
- Obrigada – sussurrou.
- Está tudo bem, eu estou aqui.
- Mas…
- Ouve, perdeste-me como namorada não como amiga.
- Rita…porquê? – perguntou quase numa voz de súplica.
- Não sei – retirei a minha mão da sua cara e levantei-me andando pelo quarto fora – tudo se desmoronou e quase que nem demos por isso.
- Desculpa…
- Isto não vai lá com desculpas, Stephan.
- Então com o que é que vai? O que é que eu posso fazer para tudo voltar ao normal?
- Nada…porque nada vai voltar ao normal.
- Mas…Rita, eu preciso tanto de ti.
- E eu de ti mas… - voltei a sentar-me onde estava há bocado – não podemos esquecer isto.
- Porque não?
- Porque não dá…porque mentimos um ao outro e se o fizemos por alguma razão foi…
- Mas eu preciso de ti! – agarrou a minha mão levando-a aos seus lábios e encostando-os a ela. – beija-me.
- Stephan…
- Por favor, não é a primeira e muito menos será a última. 
- Sabes que isso não vai mudar…
- Fá-lo, apenas...fá-lo  – pediu interrompendo-me.
Sentia um nervosismo enorme tal e qual como da primeira vez que ele me tocou ou até da primeira vez que eu sabia que nos íamos beijar.
Cheguei o meu rosto perto do dele. Sentia a sua respiração intensa e mesmo deitado colocou uma das suas mãos nas minhas costas. Sentia-me bloqueada e estava incapaz de acabar com o espaço que existia entre os meus lábios e os dele.
A iniciativa foi dele, e senti os seus lábios a embaterem nos meus. Senti-me feliz naqueles segundos, senti-me completa e melhor que isso senti-me completamente amada. Pena que o beijo tenha acabado e a realidade invadido o meu coração novamente.
- Stephan – precisava de fazer aquela pergunta senão desesperava imaginando qual seria a resposta – ouve, tu alguma vez me traíste com a Alessa?
O silêncio invadiu o quarto e a incerteza invadiu-me a mim. Aqueles minutos à espera de uma simples resposta fizeram-me desesperar.



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Boa noite!
E fica a pergunta no ar...
Aqui ficou mais um capitulo. Gostaram? Espero que sim. 
Aguardo os vossos comentários.
Beijos,
Mahina ღ