sábado, 4 de outubro de 2014

33º Capitulo - « Eu estou aqui Stephan...para ti »

- E o Pedro?- movimentei-me no sofá, estar na mesma posição há algum tempo fazia com que a minha perna já estivesse dormente.
- Acabei com o Pedro há uns meses.
- E já lhe disseste que estás grávida dele?
A conversa ia longa, já há mais de uma hora que falávamos. A Gabriela tinha-me admitido tudo, já tinha feito o teste e estava grávida de dois meses. Não tinha tido coragem para fazer nenhuma ecografia. Como era magra a sua barriga pouco se notava ainda mas se olhasse com atenção já via algo de bonito realmente.
- Rita – agarrou as minhas mãos e olhou-me como que suplicando que parasse com as perguntas – podemos parar por aqui, pelo menos por hoje por favor?
- Claro – assenti com a cabeça e acariciei-lhe o cabelo sorrindo-lhe.
- Ouve e tu? Achas que…?
- Não sei, a ultima vez que me envolvi com o Stephan foi estranho.
- E…o Rafael?
- Gabriela? Achas mesmo que eu me envolvi com o Rafael naquela noite?
- Porque não?
- Ele é demasiado bom amigo, e se não cometi o erro de me envolver com ele só lhe posso agradecer mesmo a ele que não permitiu que nada acontecesse.
- Então?
- Foram só uns beijos, quando tentei algo mais ele pôs um travão. – relembrei-me daquela noite para contar tudo à Gabriela.


- Posso ser sincero? – o silêncio pairava naquele quarto já há algum tempo. O Rafael falou despertando a minha atenção.
- Claro que podes.
- Se eu soubesse que não o amavas…tinha acontecido.
- Obrigada por não te teres deixado levar pelo meu desespero.
- Tudo bem…és demasiado preciosa para mim. Se tivesse acontecido teria sido um erro.
- Ele traiu-me – virei-me na cama encarando o Rafael – ele traiu-me. Na realidade ele nunca deixou de ser aquele rapaz que dá tudo por uma boa noite de sexo.
- Achas?
- Há uns tempos irias concordar comigo…
- Ouve pequena, por muito que isto me vá custar a admitir ele não é esse rapaz. Ele deu provas de não o ser, o teu irmão contou-me coisas e eu vi nos olhos dele…ele ama-te Rita.
- Ele mentiu-me.
- Todos erramos.
- Mas…não sei.
- Eu estou aqui se precisares – puxou-me para ele beijando-me a testa.
- Eu agradeço-te por isso.


- Então não houve nada? – perguntou agarrando-me as mãos.
- Não, claro que não. Ele é um bom amigo.
- E disse que o Stephan te ama…
- O que não sei se é verdade.
- Ouve, ele está lesionado. Não deve ter paciência para nada…ainda por cima agora vai ser operado.
- Mas tem paciência para a tal Alessa?
- Não posso falar sobre isso porque não sei mas…quando estivemos todos juntos, nos olhos dele eu vi amor, eu vi paixão. Olhava-te de uma forma totalmente intensa, e sorria-te com um sorriso sincero. Aí eu percebi que tu tinhas encontrado o homem da tua vida…estavas tão apaixonada, estavam os dois tão felizes. Tenho saudades de te ver assim.
- Tudo mudou, não foi? E eu nem me apercebi.
- O teu irmão disse que ele vai ser operado aqui no Porto.
- E de repente o mundo parece ficar a meu favor, o meu ex-namorado vai ser operado aqui no Porto onde eu estou a passar as minhas férias de Natal.
- Vais lá vê-lo?
- Duvido, ainda nem operado foi e além do mais acho que me ia a baixo se o visse.
- Ias ceder, queres tu dizer.
- Provavelmente…
- Vá – levantou-se e agarrou a minha mão – vamos dormir que amanhã é véspera de Natal.
- Já viste as horas? Já é véspera de Natal.
- Tens razão – sorriu e fomos as duas em direção quarto. Dormir iria-nos fazer bem a nós as duas.


- Bom dia! – o Francisco entrou na sala apenas de boxers o que deu para gozarmos ainda um pouco.
- Vai-te vestir, Francisco! Olha que eu depois não te resisto – gozou a Gabriela.
- Sou gay, ninguém me resiste.
- O pior é que ninguém te pode ter. – disse.
- A não ser que seja rapaz – completou a Gabriela.
Sentou-se junto a nós que tomávamos o pequeno-almoço no sofá.
- Um gay, uma grávida e uma traída. Que trio fantástico. – atirei.
- Quem está grávida? – perguntou o Francisco num tom normal.
- Eu mas a Rita está com um atraso.
- Um atraso? – perguntou ele.
- Sim mas deve ser do Natal.
- O Natal dá atrasos?
- Não sei! Mas tem que haver alguma explicação. Eu, Rita, não posso estar grávida.
- Podes! Se andaste lá a dar-lhe à grande e à francesa no italiano é normal.
- Neste caso é: à grande e à italiana. – atirou a Gabriela.
- Não falem nele. Vá, deixem o Stephan de lado. Falemos em ti, Francisco.
- O rapaz que eu gosto tem namorada.
- Nunca me aconteceu isso, por acaso. – falei levantando-me e percorrendo a sala.
- A mim já e é horrível – disse a Gabriela – estamos tão bem os três que eu nem palavras tenho. Vamos comer chocolate e ser felizes por uns momentos.




A decisão foi tomada e na manhã de Natal rumei até Castelo Branco, uma viajem longa mas que achei necessária. Mudei de opinião quanto a passar o Natal longe deles, as conversas com a Gabriela mudaram a minha maneira de ver as coisas por isso decidi ir ter com eles. Mesmo com a família quase destruída sentia-me na obrigação de estar com eles.
O dia de Natal foi bom, distraí-me de tudo e esqueci o Stephan até ter recebido uma mensagem dele que quase me fez vir abaixo.

Feliz Natal meu amor.
Amo-te

Senti-me quase como se nada tivesse mudado mas tinha…tudo tinha mudado e para pior. Nada estava igual mas para ele parecia que estava. Perguntei-me várias vezes se estaria ele agarrado ao telemóvel à espera de uma resposta da minha parte. Mas eu não era capaz de responder a tal coisa.




Voltei ao Porto uns dias depois. Hoje era o dia, o Stephan havia sido operado de manhã. Permanecia no sofá com o portátil nas pernas à espera de notícias sobre a operação dele. Sabia que elas iriam aparecer só não sabia quando.
- Falei com o teu irmão – a voz da Gabriela apareceu e sobressaltou-me – ele disse-me que o Stephan já recebe visitas.
- Boa. Já marcaste a tua ecografia?
- Sim, amanhã faço. Vens comigo? – perguntou a medo.
- Claro! Isso nem se pergunta.
- Vou arrumar umas coisas no quarto – informou – Rita? – olhei para trás – vai-te vestir já que ainda estás de pijama, sabes o caminho para o hospital e sei que queres muito ir…queres que te leve?
- Fazias isso…por mim?
- Agora sou eu que digo que isso nem se pergunta!


O cheiro daquele hospital enjoava-me por completo. Nem acreditava que estava prestes a ver o Stephan. A minha distração fez com que embatesse contra alguém.
- Desculpe – pedi. A enfermeira olhou para mim e nem podia acreditar no que via – Mara?
- Rita?
- Não acredito que te encontrei aqui. – admiti. A Mara era prima da Mariana, a ex-namorada do meu irmão. Vivia à nossa frente quando morávamos em Coimbra.
- Nem eu mas…o que é que fazes aqui?
- Eu… - agora as palavras não me saiam da forma que eu queria.
- Cunhada! – eu conhecia aquela voz. O Manuel…e mesmo separada do irmão dele continuava-me a chamar cunhada. – vieste ver o Stephan?
- Bem… - não, não conseguia responder àquela pergunta. Não conseguia admitir a verdade.
- Podias, apresentar-nos… - continuou a falar em português, já tinha aprendido umas coisas com o Stephan, e o português já lhe saía normal, ainda com um sotaque italiano muito carregado, o que é normal.
- Bem, a Mara é minha amiga e o Manu…
- É o irmão do Stephan, o rapaz que foi operado ao pé – completou a Mara.
- Sim, é isso. – disse ele. Boa, agora tinha ficado de olho na miúda.
- Queres que te leve ao quarto, Rita? – perguntou a Mara.
- Sim, se puderes.
- Vamos lá então.
Começamos a caminhar, o nervosismo começava a ser enorme. Por momentos comecei a tremer e a Mara apercebeu-se mesmo sem saber de nada, agarrou a minha mão e senti aquela proteção da parte dela.
- É aqui – declarou à porta de um dos quartos.
- Queres…ficar sozinha com ele?
- Sim…eu gostava mesmo que me fizessem esse favor.
- Claro – a Mara assentiu com a cabeça e tanto ela como o Manu ficaram à porta.
Respirei fundo algumas vezes antes de entrar naquele quarto.
- Rita? – olhou-me admirado quando entrei no seu quarto. Os seus olhos caíram sobre mim mirando-me de alto a baixo.
- Como estás? - perguntei quase com a voz a falhar-me.
- Mal... – cheguei-me perto da cama dele, sentei me no seu bordo olhando o – perdi tudo – acabou por dizer numa voz melancólica.
- Não digas isso – pedi. Uma parte de mim desesperava por colocar a mão na sua cara, sentir novamente a sua pele, acariciar lhre o rosto como há muito não o fazia. Acabei apenas por ficar a olhá-lo, já que a outra parte de mim dizia que era demasiado perigoso voltar a estabelecer contacto com a sua pele.
- É verdade. Perdi tudo, perdi o resto da época, vou perder o mundial e perdi-te...a ti.
- Eu estou aqui Stephan...para ti – quase num ato involuntário a minha mão encontrou o seu rosto acariciando-o. Colocou uma das suas mãos sobre a minha que permanecia na sua cara.
- Obrigada – sussurrou.
- Está tudo bem, eu estou aqui.
- Mas…
- Ouve, perdeste-me como namorada não como amiga.
- Rita…porquê? – perguntou quase numa voz de súplica.
- Não sei – retirei a minha mão da sua cara e levantei-me andando pelo quarto fora – tudo se desmoronou e quase que nem demos por isso.
- Desculpa…
- Isto não vai lá com desculpas, Stephan.
- Então com o que é que vai? O que é que eu posso fazer para tudo voltar ao normal?
- Nada…porque nada vai voltar ao normal.
- Mas…Rita, eu preciso tanto de ti.
- E eu de ti mas… - voltei a sentar-me onde estava há bocado – não podemos esquecer isto.
- Porque não?
- Porque não dá…porque mentimos um ao outro e se o fizemos por alguma razão foi…
- Mas eu preciso de ti! – agarrou a minha mão levando-a aos seus lábios e encostando-os a ela. – beija-me.
- Stephan…
- Por favor, não é a primeira e muito menos será a última. 
- Sabes que isso não vai mudar…
- Fá-lo, apenas...fá-lo  – pediu interrompendo-me.
Sentia um nervosismo enorme tal e qual como da primeira vez que ele me tocou ou até da primeira vez que eu sabia que nos íamos beijar.
Cheguei o meu rosto perto do dele. Sentia a sua respiração intensa e mesmo deitado colocou uma das suas mãos nas minhas costas. Sentia-me bloqueada e estava incapaz de acabar com o espaço que existia entre os meus lábios e os dele.
A iniciativa foi dele, e senti os seus lábios a embaterem nos meus. Senti-me feliz naqueles segundos, senti-me completa e melhor que isso senti-me completamente amada. Pena que o beijo tenha acabado e a realidade invadido o meu coração novamente.
- Stephan – precisava de fazer aquela pergunta senão desesperava imaginando qual seria a resposta – ouve, tu alguma vez me traíste com a Alessa?
O silêncio invadiu o quarto e a incerteza invadiu-me a mim. Aqueles minutos à espera de uma simples resposta fizeram-me desesperar.



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Boa noite!
E fica a pergunta no ar...
Aqui ficou mais um capitulo. Gostaram? Espero que sim. 
Aguardo os vossos comentários.
Beijos,
Mahina ღ

8 comentários:

  1. Adorei
    Quero o casal junto outra vez, por favor
    Fico a espera de mais
    Beijinhos
    Nana

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  2. Ola : )
    Adorei, confesos que quero ve-los juntos outra vez!
    Espero bem que o Stephan nunca a tenha traido com a Alessa!
    Aguardo o próximo :p
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  3. que má acabares assim o capítulo... espero o próximo, beijinhos

    verô

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  4. Olá :)
    Aí!...eles que façam as pazes por favor...quero-os juntinhos e felizes sff
    Próximo sff bjs

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  5. Olá!!
    Mudei de ideias. Quero a Rita grávida!!!!!! Se o filho só pode ser do Ste então ela que esteja gravida. Tenho esperança que lhes faça bem! Mas ia ser bem complicado... A ideia da Rita seria abortar, o que acho que o Stephan ia condenar e com razão. O pobre do bebé não teria culpa nenhuma da situação. E mesmo que ela o aceitasse ela estaria em Portugal, ele em Itália. Not an easy situation... Por tudo isto acho que ela NÃO está grávida.
    E eles estão separados há pouco tempo mas eu já estou a desesperar para que se juntem! Isto assim breaks my little heart! E não, o Ste não a traiu com a tal Alessa! Óbvio que não. Ele ama-a e quem ama não trai independentemente de quão dura seja a situação. E se realmente a traiu então acabou-se! Traição não tem perdão. Quem ama não trai, quem trai uma, trai duas três quatro vezes. Não é digno de confiança! Sou radical nisto!
    E espero o próximo! Este cap deixou-me inquieta!

    Besito
    Ana Santos

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  6. Olá!!!
    Mah, isso se faz? Claro que não, agora que sabemos que o possível bebê é do Ste ela pode ficar grávida e eles podem voltar, isso se ele não tiver traído Rita, se não ela deve fazer ele sofrer um pouco para pagar...
    Fantástico o capítulo (a casa com um gay, uma grávida e uma traída foi muito bom), para manter o costume né?! E espero o próximo minha linda!
    Beijinhos!!!
    Lari Lima :*

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