sábado, 18 de outubro de 2014

34º Capitulo - « Eu ainda não acredito que estou grávida...»

- Não! Claro que não. Tu não fazes mesmo ideia do quanto és importante para mim, pois não?
- Agora não…conseguiste estragar isso.
- Não peço que me perdoes de um momento para o outro, não o peço porque nem eu te consigo perdoar pelo que fizeste mas ouve, peço-te que me respeites e confies em mim.
- Isso é impossível! – levantei-me andando no quarto até à porta – como é que queres que confie em ti no fim disto tudo? Nós perdemos a confiança um no outro.
- Anda cá – pediu fazendo um gesto para que me senta-se perto dele – sabes qual é o nosso problema? Perdemos metade do tempo a pensar no passado mas principalmente perdemos ainda mais tempo a pensar no futuro. Preocupamo-nos com um futuro que é impressível e eu pergunto-me às vezes porque pensamos nele. E de um momento para o outro de tanto pensarmos no futuro vemos o nosso presente a ser arruinado, porque deveríamos pensar no presente e não pensamos. Eu quero esquecer o passado, eu quero deixar de pensar no futuro, eu apenas quero estar contigo no presente. – agarrou a minha mão e puxou-me para mais perto dele – não sei o que queres para o teu futuro mas eu vou deixar de pensar nele. Quero viver o presente e por isso quero que vás comigo para Itália até voltares às aulas. Quando eu sair daqui quero levar-te comigo e quero que cuides de mim. Uma semana? É pouco tempo mas eu quero passa-lo contigo. Vens comigo para Itália?
Aquela pergunta? Tinha uma resposta muito fácil.




- Estás bem? – perguntei assim que os meus pousaram sobre as pernas do Stephan.
- Sim.
- Não te dói nada?
- Não, está tudo bem.
- Já tomaste os medicamentos todos?
- Sim, mãe.
- Não, Ste. A D. Lucia não está cá.
- Tem saudades tuas, ela.
- Ela nem me conhece…
- Já te viu! E já presenciou o teu sono pesado.
- Mas não te dói mesmo nada?
- Não, Rita. Está tudo bem. Se já não somos namorados e te preocupas assim, imagina se fossemos…
Encostei-me para trás sem dizer uma única palavra.
- Rita?
- O quê?
- Posso-te fazer uma pergunta?
- O quê?
Reparei que ele ia falar quando a campainha tocou. Salvei-me de uma pergunta a que provavelmente a resposta iria ser complicada. Levantei-me e fui em direção à porta abrindo-a.
- Voltaste? – perguntou o Balotelli entrando em casa sem que eu lhe desse qualquer tipo de permissão. Sempre o mesmo.
- Parece que sim… - falei fechando a porta e voltei para junto do Stephan que já tinha cumprimentado o Mario.
- Mas vocês já andam outra vez?
- Aqui a única pessoa que deixou de andar foi o Stephan e foi porque foi operado ao pé. – atirei.
- Que piada, Ritita! – falou dando-me um encontrão.
- Olha que me aleijas, bruto! – barafustei batendo-lhe no braço.
- Desculpa lá, porcelanazinha. Então como é que estás, oh mano?
- O mano está bem e estava melhor sem ti aqui a chatear.
Olhou-me não muito contente para depois olhar o Stephan outra vez.
- Estou bem – respondeu o Stephan.
- Vais superar isto rápido, és forte e isto não te vai deitar a baixo – era a primeira vez que o ouvia a dizer algo acertado na vida.
- Que bonito, Balo – falei com um sorriso.
- Ele esteve quase a deixar escapar uma lágrima – brincou o Stephan.
- Isso é mentira. Mas olha, vou sentir a tua falta nos treinos.
- Daqui a uns meses eu volto.
- Muito bem eu vou-me embora – levantou-se e despediu-se do Stephan para depois me mandar com uma almofada – vejam lá se resolvem as coisas, se é que me entendem.
- Entendo, entendo mas preferia nem entender. Dessa cabecinha só vem porcaria. – atirei.
- Sexo! Vocês precisam de sexo!
- E tu de juízo! – gritei antes de ele fechar a porta da entrada e desaparecer.
Encostei-me para trás e coloquei os meus pés em cima das pernas do Stephan mais uma vez.
- Sabes que ele tem razão?
Olhei-o pouco convencida daquilo que dizia. Mandou-me um olhar mais provocador e volte a olhá-lo desta vez mais séria como que repreendendo-o. Era isto, nós falávamos por olhares.
- Vais dormir comigo hoje?
- Devia?
- Sim, devias. Estou sozinho cá em casa imagina que me acontece alguma coisa.
- Que tal…chamares por mim já que eu estou no quarto ao lado?
- Falha-me a voz de noite…
- Falha-te a voz… - disse ironizando – estás a vez a palma da minha mão? – assentiu com a cabeça para eu prosseguir – eu conheço-te como ela. Sei bem o que queres Stephan.
- Não, não sabes Rita!
- Sei sim.
- Não sabes não! Não estou em condições disso.
- Não sabia que o pé te afetava…o resto.
- Tu provocas! Eu a ser querido e a dizer que não quero que durmas comigo para haver sexo…
- Não queres? – interrompi.
- O quê?
- Sexo.
- Tu é que não queres!
- Vamos mudar de assunto.
- Mas afinal tu queres ou não queres?
- Não interessa! – atirei, tentando que aquele assunto acabasse.
- És muito complicada… - começou a mexer nos meus pés, se aquilo era suposto serem massagens não estava a dar resultado.
- Estás a fazer-me cocegas. – reclamei com cara séria.
- Não te estás a rir! – desta vez começou mesmo a passar as suas mãos pelos meus pés com intenção de me fazer cocegas.
- Stephan! – reclamei já a rir-me. Retirei os meus pés de cima das suas pernas e fiquei a olhá-lo enquanto ele também sorria.
- Nós já não namoramos pois não? – perguntou de rajada.
- Queres mesmo que eu te responda a essa pergunta?
- É só que…acho que já não faz sentido estarmos separados, entendes?
- Entendo. Mas também entendo que nos magoamos um ao outro e vai ser complicado tudo voltar ao normal.
- Eu conheço-te tão bem – arrastou-se no sofá chegando perto de mim, passou a sua mão pela minha face – eu já não imagino a minha vida sem ti. Sem as tuas chamadas, sem as tuas preocupações, sem o teu carinho…a minha vida sem tudo isso já não é a minha vida. – afastou-se de mim mas sem deixar de me olhar – sim, eu devia ter percebido isto mais cedo mas só percebi agora. E mais vale tarde que nunca e Rita, eu quero tanto estar contigo. Quero tanto ser feliz contigo. Sei que somos novos e temos uma relação diferente de o normal – noutra ocasião tinha substituído temos uma relação por tínhamos, mas não me dei a esse trabalho. Estava a gostar verdadeiramente de ouvir aquelas palavras vindas da boca dele – mas…eu sinto que és assim a mulher da minha vida porque não me imagino com qualquer outra.
- Isso foi tão bonito, Stephan… - aproximei-me dele beijando-lhe o rosto – mas dá-me tempo. A minha cabeça anda uma confusão.
- Eu dou-te todo o tempo do mundo porque eu sei, e não estou a ser convencido, eu sem mesmo que tu ainda me amas.
- Sim, Stephan, eu ainda te amo e muito.



Não podia ficar mais contente com aquela última notícia do ano.
Os planos tinham sido mudados e o meu local para a passagem de ano era mesmo Itália. A Gabriela tinha vindo para cá, ainda não sei como o Salvador a convenceu mas aconteceu.
 A minha falta de iniciativa em certos aspetos fez com que nunca tivesse intenção de fazer teste algum que fosse. Também não contei nada ao Stephan (como é obvio).
O dia 31 de Dezembro tinha chegado. Corria normalmente tal e qual como outro qualquer. Tive a confirmação que não estava grávida a meio da manhã e claro que não me contive nas palavras e falei bem alto um: não estou grávida. Mal sabia eu que o Stephan estava no corredor e ouviu tudo.
- Eu ouvi bem? – fez-me aquela pergunta de rajada, especado a olhar para mim.
- Não sei Stephan…tens problemas de audição? É melhor ir ver isso se achas que…
- Rita! – interrompeu-me – tu tinhas suspeitas de estar grávida e não me contaste nada?
- Porque haveria eu de contar?
- Porque se estivesses grávida era eu…o pai…– parou de falar por uns minutos e olhou-me como que tentando perceber o que me ia na cabeça - certo?
- Eu não acredito que estás a pôr isso em causa!
- Estou! Claro que estou! Estou a pôr isso em causa tal como tu já o fizeste, ou já te esqueceste que me perguntaste se eu te tinha traído com a Alessa?
- Perguntei porque tinha dúvidas!
- E eu também as tenho! – atirou.
- Tens razão…mas claro que se eu estivesse grávida eras tu o pai.
- É bom saber isso. E…porque é que não me contaste?
- Porque estamos separados.
- Isso não é verdade, porque é que não me contaste? – insistiu.
- Não sei…fiquei totalmente baralhada, tudo isto mexeu comigo…eu não sei, voltei a ser insegura, voltei a ter medo de falhar.
- A falta que um homem faz a uma mulher… - veio para perto de mim com a ajuda das muletas e depois de vários movimentos estranhos abraçou-me – posso beijar-te? – perguntou a medo.
- Deves! – respondi sem hesitar.
Não esperei que ele fizesse algo, levei as minhas mãos ao seu pescoço e fiz os meus lábios embaterem com os seus. A magia destes beijos era extremamente espetacular. O facto de não estarmos comprometidos e agirmos como tal tornava esta nossa relação tão especial. Aquele simples beijo fez-me acreditar que a única coisa que tinha mudado eramos nós, o nosso amor continuava intacto. No fim de tanto duvidar cheguei à conclusão que o problema eramos nós que tínhamos mudado, que tínhamos crescido e até o nosso amor tinha crescido de certa forma, estava mais maduro.
- Vocês já se beijam? – a Gabriela acabava de aparecer naquele corredor.
- Stephan expulsa-a daqui – pedi na brincadeira.
- Gabriela, desaparece da minha casa!
- Não acredito que me estás a fazer isto cunhado. – atirou.
- E eu não acredito que te andas a meter com o irmão do Stephan! – fingi-me chocada enquanto pronunciava aquelas palavras.
- Deus me livre! Aquele rapaz fala mais que a minha professora de Design de comunicação. Esteve ontem a tarde inteira a falar-me sobre a infância dele, depois falou sobre a ex-namorada dele, em seguida da paixão dele: a Mara e depois ainda disse que eu devia chamar o meu filho Lorenzo.
Foi impossível não rir com aquilo.
- Eu sempre soube…os segundos filhos saem sempre mais perfeitos.
- Nisso eu concordo, eu sou muito mais perfeita que o Salvador. – disse fingindo-me convencida.
- Os filhos únicos também são perfeitos! – atirou a Gabriela – olhem só para mim.
- Como vai esse bebé? – o Stephan fez aquela pergunta e notei o desconforto da Gabriela naquele assunto.
- É estranho. Eu ainda não acredito que estou grávida…e é complicado perceber que tenho uma vida a crescer dentro de mim. Resumindo eu ainda não entrei na realidade e a ecografia também não me ajudou nisso. – suspirou e passou a mão pelo seu cabelo – é estranho mas acredito que isto vá a ser uma experiência espetacular.
- E esse curso de Designer e Comunicação?
- Devo conseguir acabar este ano. E depois com esforço, sei que conseguirei fazer o último ano.
- Depois fazes Erasmus cá e o Stephan toma conta do teu filho.
- Não digas isso nem a brincar! – disse o Stephan.
- Tem calma Stephan, só tomarás conta de bebés quando a Rita estiver grávida – a Gabriela olhou-me piscando-me o olho. Ela ainda não sabia da novidade!
- Não…não está grávida – esclareci.
- Que pena! Eu a pensar que o Miguel iria ter companhia para brincar…
- Já lhe deste nome? – perguntei perplexa.
- Já! Miguel se for menino e Francisca se for menina. – concluiu levando-nos a sorrir.



- Promessas de ano novo? – juntei o meu copo com o do Stephan e deixei a minha cabeça cair sobre o seu peito.
- Vamos ser felizes e vamos voltar a ser um casal…
- Vamos passar férias juntos no verão, tu vais recuperar rápido e voltar ao que eras ou melhor ainda…
- Vamos ser bons tios lá do Miguel ou da Francisca…
- E vamos aprender a lidar um com o outro com o passar dos anos.
- E vamos ser muito felizes.
- Já disseste isso – ri-me juntamente com ele.
- Foi só para realçar a ideia. – colocou uma das suas mãos em volta dos meus ombros. Senti-me protegida – vais voltar a ser minha, não vais?
- Sim, não sei quando mas vou, prometo.





Antes de voltar para Coimbra e recomeçar as aulas, havia algo a fazer. Só ficava tranquila quando fizesse aquilo. Por isso pus o meu plano em marcha e no dia antes de ir para Coimbra fui em busca do Pedro.
Consegui recolher informações sem que a Gabriela se apercebesse disso. Adquiri uma morada, talvez fosse a casa dele.
Bati à porta quando consegui chegar ao destino. Só tinha visto uma ou duas fotografias dele, este plano podia correr mal.
- Pedro? – perguntei assim que um rapaz me abriu a porta.
- Sim e tu és…?
- Rita, tu não me deves conhecer…
- E tu conheces-me?
- Eu sou amiga da Gabriela.
- Ah…
- Ela está grávida – falei de rajada.
- E…o que é que eu tenho a ver com isso? – ia falar mas ele continuou – Rita, acredito que sejas amiga dela, ela falou-me várias vezes de ti e bem – sorri enquanto ele fez o mesmo – mas…esse bebé não é meu. Pode custar a acreditar mas é verdade. E se houve razão para eu e a Gabi acabarmos…foi mesmo esse bebé, que foi concebido quando ainda andávamos. 






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Bom dia!
Mais um capítulo, com duvidas tiradas (espero eu).
Bom fim de semana!
Beijos,
Mahina

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