sábado, 29 de novembro de 2014

36º Capitulo - «Todos os caminhos…vão dar a Milão.»

- É bom saber que ela está bem – abri a porta do apartamento da Gabriela e entrei juntamente com o Stephan – vamos lá amanhã de manhã?
- Sim, claro – respondeu.
- Invadindo a casa da Gabriela! – brinquei. Pousei as minhas coisas no quarto e voltei para a sala segundos depois, para ir ter com o Stephan – até me custa a ter deixado lá sozinha, esta noite.
- Teve que ser, não te deixaram lá ficar. Além disso a Gabi começou logo a barafustar a dizer que passava bem a noite só com o Miguel.
- Sim e mandou-nos para casa dela porque disse que os ares do Porto são bons para a prática sexual.
O Stephan gargalhou e eu fiz o mesmo. Realmente só a Gabriela para depois de um susto daqueles com o Miguel, nos mandar para casa dela porque devíamos estar juntos.
- Eu gostava de saber onde está o meu irmão.
- Somos dois! Aquele teu familiar é tão anormal.
- Ele anda atrás do amor.
- O amor é que não deve andar atrás dele. Manda-lhe uma mensagem, Ste. Diz para ele vir ter aqui senão nós ficamos à seca.
- Nós nunca vamos ficar à seca. Há tanta coisa para fazer.
- Tipo o quê? – ele sorriu e olhou-me daquela forma provocadora – excluindo o que estás aí a pensar!
- Eu estava a pensar que podíamos dormir, eu estou tão cansado.
- É normal bebé – deitou a sua cabeça nas minhas pernas e acariciei-lhe a face – não estavas habituado a festa todos os dias, é o que dá!
- Tu não deves andar a fazer a mesma vida que eu! Ou então tens amnésia. – comecei a rir-me enquanto ele tentava fazer cara séria – sabes que mais? Continua a deixar-me sem nada que quando quiseres eu dou-te uma tampa!
- Eras incapaz disso!
- Veremos, veremos.
- Ste lindo - coloquei as minhas mãos nas suas bochechas e apertei-as – se quiseres…podemos…
- Deves estar a gozar comigo! Agora que mandei uma mensagem ao meu irmão e que tu dizes isso?
- Calma, não é agora será depois – brinquei.
- Ainda hei de descobrir o que é que queres com isto.
- O teu sofrimento, Stephan Kareem El Shaarawy.
- Queres casar-te comigo?
- Isso é um pedido?
- Não. É uma pergunta daquelas sem segundas intenções. Para planear o meu futuro.
- Ah, entendo! – ironizei por causa da forma como falou – ainda não sei, os teus nomes são demasiado esquisitos. Rita El Shaarawy, fica estranho!
- Se não fica bem no teu nome, em qual é que há de ficar?
- Isso quer dizer que o meu nome é bonito?
- Quer dizer que tu és a única que vai herdar o meu e a única a quem vai ficar bem.
- E a futura mulher do teu irmão?
- Oh Stephan, foste tão romântico agora. Adorei o que tu disseste. Amo-te cada vez mais – ironizou – ele não vai ter futura mulher nenhuma!
- És muito mimado – juntei os meus lábios aos dele num beijo calmo e apaixonado – estás sempre à espera de miminhos! Sim, Stephan. Foste um romântico ao dizeres que me querias para tua mulher.
Tocaram à campainha. O Stephan retirou a sua cabeça das minhas pernas e eu levantei-me indo abrir a porta.
- Cunhada! – o Manu entrou, dando-me dois beijos em seguida – o que é que tu e o meu irmão querem de mim?
- A tua companhia…talvez – voltei a sentar-me no sofá e o Stephan a colocar a sua cabeça nas minhas pernas. Acariciava-lhe o cabelo enquanto o Manu nos olhava.
- Pensei que vos chegava a companhia um do outro.
- A Rita anda-me a dar tampas!
- Isso não era para dizer, fofinho – mexi-me no sofá colocando as costas, que me doíam direitas - dói-me as costas – queixei-me. Continuei a mexer no cabelo do Stephan e a tentar perceber o que fazer com aquele cabelo – exageras-te no gel hoje!
- Não ia ao lugar, tive que fazer alguma coisa.
- Ninguém diria que andam sem sexo. O cabelo dele não vai ao sítio, a ti doí-te as costas…
- Aí está! As aparências iludem – dei um pequeno beijo na bochecha do Stephan – mas como vês, nós até sem sexo somos felizes.
- Vais-te naturalizar? – perguntou o Manu, sentando-se finalmente à nossa frente.
- Eu naturalizava-te era a cabeça! Para que é que eu me vou naturalizar?
- Para seres meia portuguesa, meia italiana! Quem não quer ter dupla nacionalidade?
- Eu! Para dupla nacionalidade basta o teu irmão, meio egípcio.
- Mas os nossos filhos podem ter dupla nacionalidade, não podem?
- Claro, Stephan.
- Meu Deus, já falam em filhos!
- Lá tinhas tu que estragar o momento! – atirei – nós gostamos de falar em filhos, em casar, em nomes a herdar…nós somos assim, habitua-te! – passei os meus dedos pelo rosto do Stephan, já me tinha esquecido de como a sua pele era suava – e tu, oh cunhado? – decidi apostar chamá-lo da forma como me denominava a mim -  como andam as coisas com a Mara?
- Ela é uma rapariga tão espetacular.
- Para quem dizia que as portuguesas eram chatas…
- Ela é diferente! – defendeu – não é inconveniente como tu, é linda e é mesmo dedicada ao que faz.
- E é ruiva e toda fofinha. E é prima da Mariana, vamos lá ver se a tratas bem!
- Eu trato. Raparigas como aquelas não se encontram todos os dias.
- E ainda não foram para a cama… - acrescentou o Stephan.
- Tu andas um tarado! E é preciso ir para a cama para estar-se apaixonado, como o teu irmão está? – perguntei.
- Não mas…ajuda.
- Ajuda…és mesmo tolinho, tu.
- Tens uma borbulha! – o Stephan apontou para o meu queixo escandalizado.
- Vais-me deixar por causa da borbulha?
- Acho que sim. Sabes porque é que tens borbulhas? Falta de sexo!
- E tu a dar-lhe! Eu vou-te deixar!
- Ai vou-te deixar, ai vou-te comer, ai és tão linda, ai os nossos filhos vão ter dupla nacionalidade. Credo! Vocês já enjoam.
- Ele está a habilitar-se a que eu o mande embora. – falei para o Stephan, rindo-me em seguida.
- Já escolheram os nomes para os vossos filhos?
- Ainda não…mas temos que escolher! – disse o Stephan.
- Estava a ser irónico. Bem, eu vou-me embora que daqui a um bocado a Mara está a acabar o turno. Almoçamos amanhã os quatro? – propôs.
- Que boa ideia! Nós vamos ao hospital de manhã ver a Gabriela e depois encontramo-nos para almoçar.
- Obrigada pela conversa em que praticamente só falámos em sexo e falta dele…
- Mentira! – atirei – também falámos na tua relação com a Mara.
- Vá, até amanhã. – ele dirigiu-se à porta, saindo depois.
- O teu irmão está apaixonado. – dei um beijo na bochecha do Stephan. Virou a cara em seguida para me beijar os lábios.
Levantou a sua cabeça das minhas pernas e levantou-se do sofá. Ofereceu-me a sua mão e eu agarrei-a, levantando-me assim.
- Vamos lá acabar com as borbulhas, sou melhor que creme! – disse enquanto nos encaminhávamos para o quarto.
- Não estavas cansado?
- Estava, dizes bem: eu estava cansado.
- Mas oh Stephan, eu estou tão cansada. – parei à entrada do quarto, e encostei a minha cabeça ao seu peito.
- Deves andar a fazer vida dupla, rapariga!
- Amanhã, eu prometo que amanhã tens a tua melhor noite de sempre.
- A Gabriela não vem para casa amanhã?
- Não, só vem depois.
- Então…vamos dormir?
- Sim, por favor. Eu só quero dormir, estou tão cansada, fofinho.
- Anda então, minha namorada dupla. Vamos dormir.




- Não gosto nada deste hospital – comentou o Stephan assim que entrámos.
- São más recordações que tens daqui, não passam disso – entrelaçou a sua mão com a minha e fomos até ao andar onde estava a Gabriela.
Quando entrámos no quarto dela não podia ter ficado mais admirada. Estava com uma caixa de gelado na mão, duvido que lhe tivessem autorizado a comer aquilo no hospital.
- Quem é que te deu isso, Maria Gabriela? – perguntei entrando no quarto.
- O Salvador! – respondeu de rajada. Reparei que se arrependeu depois e ficou a olhar para o gelado mantendo o seu olhar fixo ali.
- O que é que o meu irmão…?
- Cheguei! E Encontrei as tuas gomas! – o Salvador entrou no quarto e assim que me viu a mim e ao Stephan parou ficando a olhar fixamente par a Gabriela e depois para nós.
- O que é que se passa aqui? – perguntei confusa.
- Nada de especial… - o Salvador deu uns passos em frente chegando perto da Gabriela e dando-lhe o pacote de gomas para as mãos.
- Obrigada, nós agradecemos – a Gabriela passou a mão na barriga enquanto falava.
- Devíamos… - o Salvador voltou a falar, sentou-se na cama da Gabriela e olhou-nos.
- Sim, eles merecem saber a verdade.
- Que verdade? – perguntei confusa.
- Rita – o Salvador começou a falar - sabes? Tu vais ser mesmo tia.
-Eu não estou a perceber!claro que estou a perceber! Mas quero ouvir da boca do Salvador, todas as palavras a serem ditas.
- O Miguel não é só o filho da Gabriela, o Miguel é também meu filho.
Olhei para o Stephan e vi um sorriso na sua cara. Como é que ele conseguia sorrir?
- Estou chocada – falei baixou e coloquei a minha testa no peito no Stephan.
- Isto é só a primeira impressão, isto já lhe passa.
- Não passa nada! O meu irmão e a minha melhor amiga andaram a fazer sexo nas minhas costas!
- Não foi nas tuas costas, fofinha. Deve ter sido numa cama. – o Stephan falou e olhei-o com vontade de o espancar – eu não digo mais nada…
- Rita…aconteceu. – disse a Gabriela.
- Não! Se eu estivesse grávida podia dizer: aconteceu, sim podia, mas vocês não! Porque não aconteceu, não era suposto acontecer.
- Estás…chateada? – perguntou o Salvador.
- Não, estou muito feliz mas não o consigo demonstrar porque estou chocada! – o Stephan riu-se juntamente com o Salvador.
- Não foi planeado. – disse a Gabriela.
- Claro que não foi! Que eu saiba tinhas namorado tal como ele tinha namorada – fechei os olhos e respirei fundo. Coloquei-me em bicos de pés e coloquei as minhas mãos em torno do pescoço do Stephan – hum, sabes uma coisa?
- Acho que nem quero saber!
- Stephan!
- Quando tu me olhas assim, assustas-me e sei o que queres! E que mudanças de humor são essas?
- Não tenho mudanças de humor nenhumas! Só que… - coloquei a minha mão nas suas costas, por baixo da sua camisola.
- Rita! – olhava-me chocado – primeiro nada, nada e agora isto?
- O que é que se passa aí? – perguntou o Salvador.
- Continua a olhar para o teu filho e para a mãe da teu filho, sim? Não interrompas aqui a nossa conversa!
- A tua irmã está-me a assediar. – disse o Stephan.
 - Parvo! – dei-lhe uma chapada no peito – agora é que ficas sem nada!
- Como se eu fosse ter alguma coisa!
- E ias! Hoje até ias mas já não vais ter.
- Muito bem. Nós acabámos de vos contar que eu e o Salvador fizemos um filho e que se vai chamar Miguel e vocês estão para aí a falar de sexo?
- Estamos. Ela anda-me a dar tampas e agora está toda on fire.
- E tu em vez de aproveitares estás a mandar vir comigo.
- Eu não me meto na vossa vida mas…deviam ir para casa – aconselhou a Gabriela.
- Não podemos – peguei no pulso do Stephan e olhei para as horas – porque vamos ter um almoço e está na hora! – fui em direção a eles e dei um beijo na testa da Gabriela e dei uma chapada no braço do meu irmão – vais ser pai, agora. Eu só estou a reagir assim porque ainda não estou em mim, aviso já. Portem-se bem, até um dia. – agarrei a mão do Stephan e saímos daquele quarto. – vamos ter com eles a onde?
- Ao restaurante onde estivemos ontem – respondeu. Fiquei em silêncio e continuamos a caminhar – vais-me dar uma tampa hoje à noite?
- Talvez não. – respondi tentando fazer a cara mais séria.
- Talvez?
- Sim, porta-te bem e coiso.
- Coiso?
- Sim coiso! Para lá com as perguntas.
- És mesmo doida! – deu-me um beijo na bochecha e continuamos o nosso caminho.


- Estás despenteada! – assim que eu e o Stephan nos sentámos à mesa levámos com aquela boca do Manu.
- Se estás a tentar insinuar alguma coisa, podes parar por aí! – atirei.
- Tão simpática que estás hoje.
- Olá Mara, como é que estás? – perguntei, tinha-a à minha frente com um sorriso enorme – ah, e como é que consegues aturar o meu cunhado?
- Ele é fofo! E eu estou bem, obrigada.
- É fofo – virei-me para o Stephan – o teu irmão não é fofo.
- Pois não é não. – disse ele.
- Ele é fofo! – a Mara acariciou o rosto do Manu – e nunca fui tão bem tratada por um homem.
- As portuguesas são chatas… - atirei, metendo veneno.
- Rita! Isso não é para dizer! – o Manu olhou-me perplexo.
- Tu disseste isso Manuel? – a Mara falou e eu e o Stephan começamo-nos a rir. Recebemos o olhar repreendedor do Manu e contivemo-nos nas gargalhadas.
- Disse mas já foi há muito tempo. Eu só conhecia a Rita e como podemos confirmar ela é chata por isso pensei que eram todas como ela. Mas depois conheci-te e comprovei o contrário. Tu és magnífica e nada chata.
- Ah, que lindo – disse eu e o Stephan ao mesmo tempo.
- Se eu agora quisesse ser mazinha dizia que já me estão a enjoar mas como eu sou uma pessoa decente digo que, tu finalmente arranjaste uma namorada à maneira.  
- Muito obrigada – o Manu colocou a sua mão por cima da mão da Mara e sorriu.


Colocou o seu corpo sobre o meu. Aproximou os seus lábios da minha testa e beijou-a levemente.
- Sinto-te em baixo – saiu de cima de mim e deitou-se ao meu lado.
- É complicado. – ajeitei o cabelo que me caia sobre os olhos – saber que a minha melhor amiga e o meu irmão se envolveram e vão ter um filho…como podes imaginar, não foi fácil. Sinto-me feliz por um lado…mas por outro, sinto-me tão chocada. Foi mesmo um choque, eu nunca pensei que isto pudesse acontecer. E depois magoa-me que eles me tenham escondido isto, principalmente eles, entendes?
- Sim, fofinha. Eu entendo mas lá no fundo só te quiseram proteger.
- Tal como o Salvador me está a fazer em relação ao assunto do meu pai?
- Rita, há algo que… - notei hesitação na forma como falava.
- O que foi, Stephan?
- É sobre o teu pai…ele deixou-me algo há uns meses.
- O quê? – levantei-me e sentei-me no fundo da cama. Segundos depois já tinha o Stephan sentado ao meu lado.
- Uma carta.
- Uma carta?
- Sim. Foi mais ao menos uns dias antes de termos aquela horrível discussão e eu não tive oportunidade de te contar. Além disso na carta ele disse para eu não te contar logo em seguida, segundo o teu pai precisavas de aceitar isto primeiro…
- Isto o quê?
- A ausência dele.
- Eu não quero aceitar a ausência dele!
- Mas involuntariamente, tu aceitaste. E era isso que ele queria.
- Vais-me contar, vais-me mostrar a carta? Stephan, tu não imaginas o quanto eu preciso disso.
- Eu não a tenho cá, não a trouxe para Portugal. Quando voltarmos a Itália eu mostro-te – fixei o meu olhar no chão, sentia-me perdida…novamente – ouve, Rita agarrou as minhas mãos e fez-me olhar para ele – há uma frase que o teu pai escreveu que me fez pensar durante muitos dias – baixou o olhar para segundos depois me voltar a olhar – «por mais discussões e mais palavras feias que digam um ao outro, ela neste momento vai precisar mais de ti do que qualquer outra pessoa…porque ela ama-te como nunca imaginou amar alguém» - senti os meus olhos a encherem-se de lágrimas mas eu não ia chorar, não podia. – senti-me tão culpado, Rita. Tivemos uma discussão horrível, por momentos pensei que tudo tinha acabado e depois o problema do teu pai…eu devia ter estado ao teu lado e nem capaz disso fui.
- Estás agora – encostei os meus lábios à sua bochecha e deixei depois a minha testa ir ao encontro da sua – o passado não importa, eu confio no meu futuro…eu confio em ti.


- Creio que…há uma coisa que te presente – o Stephan levantou-se da cama, andou até ao seu saco e de um bolso retirou algo que não consigo identificar. Voltou a deitar-se ao meu lado. Pegou na minha mão e colocou-me no pulso a pulseira que me tinha dado no nosso aniversário de namoro. A pulseira que eu lhe tinha devolvido quando tivemos aquela discussão.

«(…)Sim, claro o nosso amor é muito forte e dizer amo-te é muito bonito mas sabes? É preciso senti-lo!– estava completamente fora de mim, levei a minha mão, que tremia, à pulseira de pérolas que ele me tinha oferecido há uma semana – sabes uma coisa? – retirei a pulseira e ofereci-lha mas ele continuou como estava nem a mão esticou – fica com ela, dá-lhe uso! Oferece-a à tua amiga.»

- Sempre tiveste momentos de parvoíce e quando me devolveste a pulseira foi um desses momentos.
- Ah, muito obrigada. É sempre bom saber que o meu namorado me acha parva.
- Tal como tu dizes, o passado não importa.
Ouvimos a porta bater mas nem nos mexemos. Provavelmente era a Gabriela e meu irmão.
- Se estão despidos, vistam-se! – a voz da Gabriela soou pela casa.
- Hum-hum, é que nem me vou mexer. – disse o suficientemente alto para ela me ouvir.
- Chegámos! – atirou ela entrando no quarto – e vocês estão vestidos! – caminhou na direção da cama e deitou-se no meio de nós por cima dos lençóis – vou ter que deixar de ir às aulas…
- Porquê? – perguntei.
- O senhor doutor não deixa. Repouso mais repouso e ainda mais repouso. A minha vida está acabada! – fingiu chorar o que nos levou a rir – Vá, agora a sério! Que porra! Eu gosto de me mexer e agora vou ter que estar em repouso e ter cuidado e essas tretas todas.
- É para o bem do Miguel.
- E vou ficar aqui sozinha! Passar os meus dias sozinha, nesta casa.
- Sabes que tens sempre uma solução – o Salvador que até agora estava calado a olhar-nos encostado à porta, falou.
- Não! Não e não!
- Porque não? – perguntei percebendo ao que o Salvador se referia. Ele queria levá-la para Itália.
- Porque não! Além de querer que o meu filho nasça no meio de pessoas decentes… - brincou, levando o Stephan a olhar para ela sério. Acabou por se rir e acabar o raciocínio – é complicado ir para um país que eu não conheço, onde não tenho nada.
- Tens-nos a nós. – falei.
- A mim não devia ter! Ela insinuou que eu não era decente! – brincou, falando depois mais sério – devias vir connosco.
- Eu não sei…
- Ouve, Gabriela. Nós vamos ter um filho, sim. Mas eu não quero que fiquemos juntos só por causa disso. Tu sabes bem que eu sou completamente apaixonado por ti – demasiado choque em tão poucos dias. Olhei estupefacta para o Salvador que pronunciava aquelas palavras – e tu também já me admitiste que o és por mim. Tu tens que vir connosco
- Deixando o choque de lado – falei – porque isto ainda é um bocadinho difícil de digerir. Pensa em ti Gabriela e também pensa no Miguel, vai ser bom para vocês. E eu preciso tanto mas tanto de ti lá. Encara isto como um recomeço. O Miguel, o amor que eu não sabia que existia pelo meu irmão – eles riram-se – e Itália.
- É inevitável – suspirou – todos os caminhos…vão dar a Milão. 

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Boa noite!
Espero que este capitulo vos tire muitas dúvidas ;) !
Fico à espera dos vossos comentários.
Beijinho, 
Mahina 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

35º Capitulo - « Isso é só impressão tua, deixa-me apalpar »

***
Notazinha: No ultimo capitulo eu esqueci-me de pôr a ultima parte, não sei como fiz aquilo mas faltou completar o capítulo. As minhas desculpas. Atualizei há pouco tempo e para quem não viu, o capitulo acaba assim:


«Antes de voltar para Coimbra e recomeçar as aulas, havia algo a fazer. Só ficava tranquila quando fizesse aquilo. Por isso pus o meu plano em marcha e no dia antes de ir para Coimbra fui em busca do Pedro.
Consegui recolher informações sem que a Gabriela se apercebesse disso. Adquiri uma morada, talvez fosse a casa dele.
Bati à porta quando consegui chegar ao destino. Só tinha visto uma ou duas fotografias dele, este plano podia correr mal.
- Pedro? – perguntei assim que um rapaz me abriu a porta.
- Sim e tu és…?
- Rita, tu não me deves conhecer…
- E tu conheces-me?
- Eu sou amiga da Gabriela.
- Ah…
- Ela está grávida – falei de rajada.
- E…o que é que eu tenho a ver com isso? – ia falar mas ele continuou – Rita, acredito que sejas amiga dela, ela falou-me várias vezes de ti e bem – sorri enquanto ele fez o mesmo – mas…esse bebé não é meu. Pode custar a acreditar mas é verdade. E se houve razão para eu e a Gabi acabarmos…foi mesmo esse bebé, que foi concebido quando ainda andávamos. »


Agora sim, capitulo 35:



2 meses depois

- Nem acredito que vais embora, principalmente no teu dia de anos! – passou a mão pela sua barriga já grande – o Miguel não acha piada nenhuma à tia Rita se ir embora – é verdade, já sabia o sexo do bebé, era mesmo um menino.
- O Miguel sabe bem que a tia Rita só se vai embora porque é o melhor para ela.
- Hum, eu ainda tenho dúvidas disso mas bem….
- Eu não posso estar à espera que a minha vida seja fantástica do dia para a noite, eu não posso esperar que me sinta feliz quando não faço nada por isso. Eu já perdi demasiadas coisas na minha vida, não me posso habilitar a perder o Stephan. Além disso não estou a gostar do curso.
- Sempre foi o que quiseste.
- Sim mas…agora apercebi-me que não é. Além disso o clima em Itália a propício à minha pele. Lá nunca apanho borbulhas na cara! – brinquei um bocadinho.
- Vamos lá ver se o Miguel deixa… - olhei-a confusa para depois perceber o que ela queria fazer, tentava abraçar-me e conseguiu – abraço das melhores amigas! E acho que vou chorar…
- A gravidez deixa-te sensível?
- Muito! – olhei-a e tinha uma lágrima a escorrer-lhe pela face. Limpei-lha com cuidado – como é que a tua mãe aceitou isto?
- Nem eu sei. Acho que deixou de me tentar proteger e deixar-me decidir o que quero fazer da minha própria vida. Acredito que lhe custe, vai ficar só com o Afonso mas...sei que ela vai ser feliz e que tudo vai correr bem por cá.
- O Miguel não quer que a tia se vá embora.
- O Miguel sabe que a tia só vai embora para ficar perto do tio.
- Ei! Eu ainda não o aceitei como tio do meu filho.
- Gabi!
- Pronto, está bem. Se tanto insistes…mas o Miguel quer prendas do tio italiano. – deixei a minha cabeça cair sobre o seu ombro – eu vou ter tantas saudades tuas, meu amor.
- Não vou para o outro lado do mundo. Itália é ali ao lado.
- Não é não! É longe, quando ele começar a dar pontapés quem é que vai sentir?
- O pai dessa criança.
- Rita…sabes bem que isso não vai acontecer.
- Porque é que me mentiste? – perguntei calmamente, tinha que lhe perguntar aquilo. Precisava de uma resposta.
- O que é que estás para aí a dizer?
- Eu sei que o Pedro não é o pai do Miguel.
- Como é que tu…?
- Eu fui ter com ele, Gabriela. Eu queria-te ajudar, se ele fosse o pai da criança ele tinha o direito de saber, o direito e o dever de cumprir o papel dele como pai. E bem, eu fiz figura de parva porque ele me disse com as letras todas que não era o pai do teu filho e que tu o tinhas traído.
- Eu…Rita, não interessa, está bem? Sim, eu traí o Pedro e sim esta criança não é dele e pronto, ficamos por aqui.
- Não, não ficamos! Quem é, Gabriela?
- Não interessa!
- Eu pensei que fossemos amigas, pensei que confiasses em mim.
- E confio, Rita mas este assunto não interessa a ninguém. Eu sou a mãe do Miguel e ponto.
- És tão teimosa!
- Anda cá – fez com que eu encosta-se a minha cabeça ao seu ombro, colocou a sua mão na barriga e eu fiz o mesmo - viste? Assim estamos bem. Não precisamos de nenhum homem a mandar em nós. Eu vou ser feliz com o Miguel. E agora vamos festejar que a tia Rita faz dezanove anos hoje!




- Estou morta! – atirei-me para cima do sofá, deitei-me abrindo os braços. Tínhamos andado a correr mais de uma hora, já não o fazia há muito tempo, por isso mal me conseguia mexer.
- Não estás nada. – o Stephan deitou-se sobre mim, beijando-me em seguida o pescoço.
- Acho que estou com uma amigdalite. – falei apalpando depois as minhas amígdalas. Na verdade estava uma mais inchada que a outra.
- Isso é só impressão tua, deixa-me apalpar – colocou as suas mãos no meu pescoço e à medida que ia passando as suas mãos pelo meu pescoço, olhava-me com uma impressionante intensidade. Acabei por sorrir enquanto o contemplava – não me olhes assim, Rita!
- Tinha saudades de te olhar assim, sabes? – continuei a sorrir e segundos depois ele também me sorria.
- E eu tinha saudades de estar assim, tão próximo de ti – mexeu-se, ficando apenas com uma perna sobre mim e o seu tronco. Encostou a sua cabeça ao meu ombro e deixou-se ficar assim.
- Arrependes-te de alguma coisa, Stephan? – coloquei a minha mão dentro na sua camisola e comecei a mover a minha mão sobre as suas costas.
- Hum, não. – colocou uma das suas mãos na minha cintura por baixo da minha camisola, ficando assim em contacto com a minha pele – e tu?
- Também não.
- E continuas a amar-me?
- Sabes? Eu cada vez te amo mais. É impressionante, até. Tu estás cada vez mais chato, cada vez mais resmungão – mordeu-me o ombro fazendo com que eu parasse de falar e me começasse a rir – mas…cada vez tenho mais certezas que és tu o homem da minha vida. Já passámos por muito juntos. Não imaginas o quanto cresci ao teu lado.
- Não cresceste muito, Rita. Ainda não me chegas aos ombros – brincou – mas sabes? Eu também cresci muito ao teu lado, foste como o sol num dia cinzento. Vieste mudar tudo, para melhor claro.
- Já tinha saudades destas conversas lamechas. – virei-me no sofá. O Stephan saiu de cima de mim e deitou-se ao meu lado. Ficámos assim virados um para o outro. Continuava com a minha mão nas suas costas e ele com a sua mão na minha cintura.
- Rita? – juntei os meus lábios aos dele num curto beijo. Separei segundos depois os nossos lábios e esperei que ele continuasse com o que ia supostamente dizer – eu nunca quis que desistisses da tua vida em Portugal por causa de mim, nunca quis que abdicasses de ter um futuro maravilhoso só para vires para perto de mim mas…ter-te aqui é das coisas mais magníficas de sempre.
- Há um momento na nossa vida que temos que escolher. Ou continuamos a vida que temos planeada ou mudamos completamente os nossos planos. Pouca gente os muda mas há quem o faça, por vezes mudar de país é mudar completamente os planos e foi isso que eu fiz. Além da minha família não há nada que me prenda em Portugal. Desisti do jornalismo, sim é um facto mas eu ao longo deste tempo tenho percebido que o que me motiva e o que gosto de fazer é mesmo fotografar. É tão espantoso, eternizar momentos, capturar aqueles instantes. Quando a memória nos falha são as fotografias que nos conseguem fazer relembrar os bons momentos, entendes isso?
- Entendo, sim. E tenho a dizer que se é isso que queres fazer, luta.
- E agora é um bom momento para eu te dizer o mesmo – olhei-o desta vez com cara mais séria – nada de desistires do futebol. Acredito que a lesão te tenha deitado a baixo mas não te podes ir a baixo, Stephan.
- Eu não me irei a baixo, eu prometo. Contigo aqui, tudo vai ser diferente. Posso considerar-te a minha fonte de inspiração – falou sorrindo.
- Uh, também podias ser a minha. Podes ser a minha cobaia.
- Cobaia, Rita? – perguntou fazendo-se ofendido.
- Sim, és sexy. Eu, tu e uma máquina fotográfica acho que fazíamos um belo trabalho!
- Eu, tu e uma cama também…
- Não vai acontecer, pretendo manter-me virgem até ao casamento – ironizei, fazendo cara séria.
- Podemo-nos casar hoje se quiseres.
- Tarado! – coloquei a minha mão no seu peito afastando-o.
- Oh Rita?
- Diz.
- O que é intercâmbio? – olhei-o desconfiada.
- Espera, deixa-me pensar como te explicar isto. Intercâmbio acontece entre estudantes, é tipo o meu irmão vir para cá e um aluno italiano ir para lá. Mas…porquê?
- Tu e o meu irmão fizeram isso – olhei-o confusa.
- Ah! Não pode! – atirei perplexa – ele está em Portugal?
- E tu estás aqui. – colocou os seus braços em torno do meu corpo abraçando-me.
- Ele está apaixonado?
- Não tanto como eu – respondeu levando-me a rir – e a Gabi?
- Tem uma barriga tão bonita. - peguei no telemóvel e mostrei-lhe umas fotografias que ela me tinha mandado.



- Eu olho para isto e apetece-me logo ter um filho. - acrescentei. 
- Podemos resolver isso se quiseres!
- Ai, Stephan! – afastei-o mais um vez de mim mas sem sucesso – eu estou a falar a sério!
- E eu também! Nunca falei tão a sério na minha vida, eu quero ter filhos contigo.
- Sabes? – levantei-me, ele deitou-se de barriga para cima e eu sentei-me sobre a sua cintura. Entrelaçámos as nossas mãos e eu prossegui – eu adorava, adorava mesmo ser mãe e tu ainda me dás mais vontade que isso aconteça – ele riu-se, levando-me a rir também – mas depois penso que só tenho dezanove anos e que se calhar não é a melhor altura. Primeiro ainda quero arranjar aqui emprego e preciso de me adaptar a esta nova vida.
- E se acontecesse?
- Se acontecesse eu não iria rejeitar o nosso filho, seria das coisas mais bonitas que podiam acontecer – ele sorriu, aquele sorriso sincero e ternurento – mas nada de sabotar a coisa. Vou começar a trazer a pilula sempre comigo que tu és perigoso! – atirei levando a que ele se risse.
- Juro que não irei sabotar nada.
- Hum, eu até acredito em ti.
- Só tens que acreditar em mim! No fim de dois anos e quatro meses de namoro, acho que confiança um no outro é o que não falta, certo?
- Certo. A confiança ganhasse com o tempo e acho que nós já ganhámos a confiança um do outro.
- E Rita…vamos começar a viver juntos e a construir a nossa vida. Se houver algo que não te agrade, se tiveres alguma dúvida, se achares que algo esteja a correr mal por favor fala comigo.
- Eu farei isso se tu também fizeres o mesmo.
- Prometo – beijou uma das minhas mãos num gesto de carinho. Separou as nossas mãos e colocou as suas nas minhas costas fazendo pressão, para eu me deitar sobre ele – estou mesmo feliz em te ter aqui.
- E eu estou mesmo feliz em estar aqui.


- Está frio! – constatei.
- Entra – o Salvador abriu-me a porta e eu entrei na sua casa – como estás?
- Bem. Na verdade não podia estar melhor. – sorri e a muito custo o Salvador abriu um sorriso mas que pouco me convenceu – e tu?
- Estou mais ao menos.
- Precisas de uma namorada – olhou-me pouco convencido – pronto, se calhar não é de uma namorada que precisas mas ambos sabemos que precisas de algo. Que tal um pai? – não resisti, precisava de tocar neste assunto. O Salvador sabia de alguma coisa que eu nem fazia ideia – ouve, eu já não tenho doze anos e adorava ser informada das coisas importantes como por exemplo: o porquê de o meu pai me ter abandonado.
- Ele abandonou-nos a todos.
- Porque tu e a mãe deixaram! Eu sei que vocês sabem de alguma coisa que eu não sei.
- Nós não podemos fazer nada! – atirou de uma forma totalmente descontrolada. Olhei-o perplexa, não esperava aquela reação – quanto menos souberes, melhor é para ti. – finalizou com uma voz mais calma.
- Não devia ser eu a decidir o que era melhor para mim?
- Não compliques, por favor.
- Não estou a complicar! Eu só quero saber a verdade!
- Tu não queres saber a verdade. Quando souberes vais desejar nunca a ter pedido. Confia em mim, tu precisas de estabilidade. Mudaste completamente a tua vida, precisas de calma.
- Estou farta disto. – não elevei a minha voz, não falei com raiva, apenas disse a verdade num tom calmo – estou farta que me escondam a verdade e que tu, Salvador, não me contes nada. Sempre confiei em ti. Sempre foste e és o meu maior apoio além da Gabriela e…eu não esperava isto de ti. Estás a ter um comportamento igual à Gabriela.
- O que fez a Gabriela? – ficou com cara estranha. Queria e conseguiu mudar o assunto.
- O ex-namorado dela não é o pai do Miguel e ela não me conta quem é o pai.
- Deve ter os motivos dela.
- Os motivos dela? Somos as melhores amigas e ela está a esconder-me uma coisa importante.
- Sabes que…às vezes as pessoas escondem coisas para nos proteger?
- É essa a vossa sorte, acredito que me estejam a esconder coisas para me proteger mas…eu não vou desistir de saber a verdade nem no caso do pai, nem no caso do filho da Gabi.
- És muito teimosa. Concentra-te um bocadinho em ti. Pensa no teu futuro.
- Estou à tua espera para me tratares do futuro.
- Amanhã falo com a minha chefe. Com sorte começas a acompanhar-me em alguns trabalhos.
- Hum, tem mesmo que ser contigo?
- Pegar ou largar, minha cara irmã.
- Eu adoro-te, Salvador! – abracei-o, dando-lhe um beijo na bochecha.




- Rita, não é? – Milena, era o nome da chefe do meu irmão. Parecida simpática. Devia ter uns trinta anos no máximo.
- Sim.
- És bonita! – não esperava aquele elogio dela.
- Obrigada.
- O Salvador falou-me sobre ti, vieste para Itália há pouco tempo?
- Sim.
- E queres-me contar porquê? – olhei-a um pouco sem saber o que dizer – vá, o teu irão já me contou metade da história. Nós damo-nos bem e sem ser convencida posso dizer que sou uma pessoa de confiança e…não sei, adorava tanto ouvir a tua história.
- Eu vim para Itália por causa do meu namorado…e não sou mas…principalmente foi por isso.
- Que é…o El Shaarawy?
- Sim.
- Começaste a licenciatura em jornalismo?
- Sim mas acabei por nem fazer um ano. Queria mesmo vir para cá e além disso percebi o que queria mesmo era fotografia.
- Sempre foi o meu sonho, sabes? Depois o meu pai faleceu e deixou-me o jornal e eu decidi dedicar-me somente a dirigir isto. Bem, mudando de assunto. Fizeste um curso de fotografia?
- Sim, durou um ano mais ao menos.
- O que mais gostas de fotografar?
- Tudo. Por enquanto não tenho preferência.
- Isso é ótimo. Eu tenho uma proposta para ti mas antes uma pergunta: desististe de vez do jornalismo?
- Não…quer dizer, não sei, eu adoro escrever e o jornalismo ainda me fascina imenso.
- Hum, eu entendo. Estás disposta a aprender, certo?
- Claro.
- Então aqui vai a minha proposta. És nova, tens dezanove anos. Por mim punha-te já a trabalhar mas sem estares licenciada, aqui é complicado. Eu tenho uma parceria com uma agência, consigo pôr-te a fazer uns trabalhos lá e consigo que ganhes formação cá. Vai dar trabalho, não digo que não, mas é a tua oportunidade. Eu e o teu irmão conseguimos ajudar-te nos primeiros tempos, ele com o jornalismo e eu com a fotografia. Ainda não te vi a trabalhar mas pareces-me igualzinha ao teu irmão, fazes as coisas com amor e isso é meio caminho andado para tudo sair bem. Aceitas?
- Claro!
- Podes começar a tratar-me por tu, além de uma chefe tens aqui uma amiga.
- Obrigada Milena, obrigada mesmo. Agradeço-te do fundo do coração.
- Sou muito esquisita e por isso ando adiar contratar gente. Tu vieste assim ocupar um lugar que já precisava de ser ocupada há algum tempo. E vou parecer desesperada mas…finalmente uma mulher neste jornal! Uma amiga para mim! – falou levando-me a rir.




- Rita! O teu telemóvel!
- Stephan…estou aqui ao teu lado, escusas de gritar. – virei-me na cama e agarrei-me a ele. Coloquei uma das minhas pernas sobre as suas.
- O teu telemóvel, amor da minha vida - deu-me o telemóvel para a mão. O número era desconhecido, não o tinha na minha lista. Larguei o Stephan e levantei-me, sentando-me na cama e atendendo depois o telemóvel.
- Sim? – falei ao atender.
- Rita! – era a voz da Gabriela, uma voz diferente, uma voz de sofrimento - Rita, eu estou tão mas tão aflita, oh meu Deus!
- Gabriela? Fala comigo, o que é que se passa?
- Eu estou mal, eu senti umas dores estranhas e oh Rita, eu não quero perder o Miguel.
- Onde é que tu estás?
- No hospital, eu estou no hospital mas…eu não me sinto bem. Eu preciso tanto de ti, eu não quero perder o Miguel!
- Gabi, quem é que está contigo?
- O meu pai. Veio hoje de Madrid e… - a voz falhou-lhe, senti a sua respiração profunda – eu preciso de ti, Rita. Eu nunca senti tanto medo como hoje. Tenho um mau pressentimento, tenho mesmo.
Olhei em volta, o Stephan olhava-me preocupado. Levantei-me da cama e comecei-me a vestir.
- Eu apanho o próximo voo e…eu estou aí ainda hoje – acabei por dizer, desliguei a chamada e petrifiquei pensando em tudo aquilo.
- Fofinha – o Stephan levantou-se vindo até mim – o que se passa? – colocou a sua mão no meu rosto e inclinei ligeiramente a cabeça sentindo-o assim mais perto.
- A Gabi…ela está no hospital por causa do bebé e…eu não consigo ficar aqui sem fazer nada. Não consigo ser indiferente a este assunto.
- Vamos lá ficar muito tempo? – afastou-se abrindo uma gaveta.
- Não sei, mas…vamos? – perguntei, esboçando um ligeiro sorriso.
- Achas que eu te ia deixar ir sozinha? Principalmente é o nosso miúdo que está em causa, ele e a mãe chata.
- Oh Ste… - coloquei as minhas mãos nas suas costas e abracei-o.
- Chora lá um bocadinho! – gozou levando-me a gargalhar.
- Eu não choro.
- Só se não calhar. – fez-me dar meia volta e colocou as suas mãos sobre a minha barriga puxando-me para si. Em seguida beijou-me uma das bochechas mordendo-me depois – vamos lá, temos uma grávida que precisa de nós.



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Boa noite, meninas!
Espero que gostem deste capitulo. Sei que já passou quase um mês desde a ultima vez que publiquei aqui um capitulo mas a inspiração tem sido complicada, bastante até!
No meu ponto de vista a história ganhou agora um novo rumo, que espero que seja bom, na vossa opinião.
Beijinhos
Bom fim de semana,
Mahina ღ