segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

37º Capitulo - « Ela…um amor verdadeiro? »

- Bom dia, bom dia! – passei a minha mão pela cara do Stephan, que estava concentrado no portátil. Pousei a minha mala em cima do sofá e segui até à cozinha.
- Vieste fazer-me o almoço? – perguntou.
- Não o fizeste, pois não?
- Nop!
- Bem me parecia, por isso é que eu estou aqui. – dei uns passos em direção à sala e encostei-me à parede de onde conseguia mirá-lo – porque tu sem mim…não te desenrascas!
- Muito bem, pessoa que acha que eu sem ela não me desenrasco, como correu a manhã?
- Bem, a Milena tem sido espetacular comigo. – voltei para a cozinha e comecei a preparar o almoço – e a tua manhã? Fizeste alguma coisa?
- A cama!
- Como se isso fosse alguma coisa!
- Não embirres comigo, por favor! À tarde vou para o centro de treinos, devo fazer ginásio. Vens comigo?
- Queres que eu vá contigo? – caminhei pela cozinha até o conseguir olhar.
- Eu queria que viesses comigo. O Balo tem saudades tuas!
- Oh tem! Eu é que não tenho dele!
- Tens sim! Eu sei que tens!
Caminhei até à sala e gatinhei no sofá em direção a ele.
- Vais tomar ali conta do nosso almoço, que eu preciso de ir lá cima durante um bocadinho, pode ser? – passei as minhas mãos pela sua face e beijei-o em seguida.
- Não me responsabilizo se o almoço queimar!
- Stephan! Deixa lá de ser parvo.
- Hum-hum – brincou com o meu cabelo durante uns segundos e depois olhou-me mais sério – não me disseste uma palavra acerca da carta do teu pai.
- Hum, isso…
Olhei o teto relembrando cada palavra daquela carta.

Stephan,
Podia começar esta carta de diferentes formas. Decidi começá-la falando-te da Rita.
Sei que ainda não sabes mas um dia saberás o quanto um filho é importante. Muda tudo e faz tudo mais belo, é um facto.
A Rita por ser talvez a minha única filha foi quem sempre protegi mais. É rapariga e um dia vais perceber que com as meninas temos que ser os «piores» pais do mundo. Temos que as proteger porque achamos, sim no fundo só achamos porque na verdade elas são sempre mais impulsivas, responsáveis e desenrascadas do que alguma vez imaginámos.
Há umas semanas tomei uma decisão. Não foi nada fácil tomar essa decisão mas infelizmente teve que ser. Podes-me julgar mas foi a única forma que arranjei para sair de tudo isto sem magoar ninguém.
Eu tenho uma doença. Não vou aprofundar esse assunto porque se te contar a ti a Rita também ira saber e eu não quero. Pode parecer cruel mas eu só a quero proteger. Tanto a Margarida como o Salvador sabem disto mas tinha que esconder ao Afonso e à Rita, por serem os meus filhos mais novos e por não os querer ver sofrer por mim.
Quero que a protejas por mim nestes tempos em que vou ficar longe. Quero que cuides dela, que a apoies nas decisões que ela tomar, por mais malucas que possam parecer, ela sabe o que faz! Sempre soube!
Por mais discussões e mais palavras feias que digam um ao outro, ela neste momento vai precisar mais de ti do que qualquer outra pessoa…porque ela ama-te como nunca imaginou amar alguém. E eu sei que tu a amas. Sei porque olhas para ela da mesma forma que sempre olhei para a Margarida.
Peço-te que não lhe contes que recebeste esta carta já. Ela precisa de tempo para aceitar a minha ausência.
Quando voltar, porque eu vou voltar, quero-vos ver juntos. Quero vê-la feliz e sei que és tu que lhe proporcionas essa felicidade.
Obrigado por tudo o que tens sido para ela.

Duarte

- Isso…? – falou o Stephan despertando-me.
- Foi complicado, tranquilizador mas até bom de ler. Estou preocupada com ele mas ao mesmo tempo fico feliz por ele não me ter abandonado sem razão aparente.
- Ele é teu pai – acariciou-me o cabelo – preocupa-se contigo e nunca te ia abandonar.
- Eu sei mas…foi tudo muito rápido e estranho. Nem sabia bem o que pensar.
Levantei-me do sofá e compus-me para em seguida subir as escadas até ao quarto.
- Não te esqueças de ver o almoço! – avisei.
Caminhei até ao quarto e entrei. Arrumei alguma roupa que estava pelo quarto. Peguei na minha agenda e percorri-a, sabia que me tinha esquecido de alguma coisa.
pílula! – lembrei-me. Abri a primeira gaveta da minha mesa-de-cabeceira, assustei-me quando reparei que não estava ali. Percorri o quarto todo, fui até à casa de banho e não a encontrei em lado nenhum, só podia ter um culpado.
- Stephan! – chamei, suficientemente alto para ele ouvir no andar de baixo.
- Diz lá – disse momentos depois, quando chegou junto a mim.
- O que fizeste tu à minha pílula?
- Nada! Juro que não fiz nada – falou com cara séria – podia ter feito e não era nada má ideia mas a sério que não fiz nada.
- Então onde é que ela está?
- Não sei. – olhou em volta para depois ficar com um olhar estranho.
Olhei para o chão e reparei que o casaco que tinha apanhado há pouco estava outra vez no chão. Ia-me baixar para o apanhar quando o Stephan começou a reclamar.
- Não apanhes isso! – agarrou a minha mão e puxou-me para junto dele – não tens nada que apanhar isso! Depois ficas mal das costas. Vá, vamos embora.
- E vamos deixar o casaco no chão? – perguntei não percebendo aquele comportamento estranho dele.
- Sim! Eu depois venho cá apanhar o casaco.
- Tu não estás bem. – coloquei a minha mão na sua testa e olhei-o de alto a baixo – o que se passa?
- Nada!
- Eu vou mas é apanhar o casaco – baixei-me e apanhei o casaco sob o olhar atento do Stephan – como vês apanhei o casaco e estou ótima das costas! – ironizei.
Senti algo na minha perna e vi o Stephan a tapar os olhos. Olhei para baixo e lancei um grito, assustada.
- O que é que…?
- Olha! Um bulldog francês! – atirou interrompendo-me.
- Queres-me fazer acreditar que não sabias que o cão estava aqui?
- Não é o cão, Rita! É o Dacky!
- E porque é que o Dacky está aqui em casa? E tu não tinhas medo de cães, Stephan? – disparei.
- Surpresa!- falou com um sorriso – isso já passou! A tua cadela é que também é muito grande e mete medo. O Dacky é pequenino.
- E a quem é que roubaste o cão?
- Juro que a ninguém!
- Stephan!
- A cadela do Riccardo Montolivo teve crias e pronto…
- Há quanto tempo é que o Dacky está aqui a viver?
- Ora…há uma semana e meia.
- E onde é que o tens guardado?
- No quarto ao lado.
Saí do quarto e fui até ao do lado. Tinha ração e água em duas taças e tinha uma cama num dos cantos.
- Como é que o conseguiste esconder e eu não dei por nada? Ele não ladra?
- É calmo, Rita – já tinha o cão nos braços e acariciava-lhe o pelo – e eu não te contei nada porque não tínhamos falado de ter um cão e não sabia se tu querias.
- Ele é bonito! – peguei no cão e coloquei-o em cima da cama – podemos ficar com ele.
- Que alivio – suspirou – pensei que fosses mandá-lo embora.
- Não! Isso, eu nunca faria. Podia era trocar-te por ele.
- Eras incapaz.
- Vai ver o almoço! – mandei.
O Stephan saiu do quarto. Coloquei o cão no chão e junto de um dos cantos do quarto encontrei a minha pílula. A carteira dos comprimidos estava mordida e babada. Afinal o Stephan não tinha mesmo culpa do desaparecimento da pílula.
Desci com o cão atrás de mim. Ouvia a voz do Stephan, devia estar a falar com alguém ao telemóvel.
Reparei que estava a falar para o ecrã do portátil e falava sobre futebol.
- O próximo jogo, fico eu com o Real Madrid!
- Estás a perder já queres trocar de equipa! – era a voz do Afonso e sorri ao ouvi-la. Corri em direção ao Stephan e fiquei junto dele.
- A tua irmã veio cuscar! – atirou o Stephan – estamos a jogar online, fofinha.
- Oh maninha. O teu namorado está a levar um baile…
- Nem te atrevas! Fiz mal a escolha da equipa apenas isso.
- Pausa! – decretou o Afonso – temos que ter uma conversa séria.
- Que se passa? – perguntei.
- Estou de férias de Páscoa, não achas que está na altura de cumprires uma promessa, Rita?
- Que promessa? – perguntei confusa.
- Levar-me a ver um jogo do Milan.
- O Stephan ainda não está a jogar e nas próximas jornadas não há jogos assim muito interessantes.
- Olha, eu acho uma boa ideia. Passas aqui uns dias connosco e vamos ver um jogo do Milan. Sinto falta daquele estádio e estou a precisar de ir ver um jogo, estou. – falou o Stephan.
- O teu namorado percebe disto!
- Falas com a mãe. Se ela te deixar vir, diz-nos alguma coisa. Ficas depois em casa do Salvador.
- Não! Por favor uma grávida e um irmão apaixonado é o que não preciso neste momento! – disse o Afonso.
- Ficas cá em casa! – concluiu o Stephan.
- E dorme com o cão.
- Têm um cão?
- O Stephan decidiu arranjar um cão, que posso eu fazer?
- Aceitá-lo! Como se chama?
- Dacky! – respondeu o Stephan animado.
- Agora deixando o cão e a tua vinda para Itália de lado, nós precisamos de almoçar.
- Eu vou ajudar a mãe com o almoço.
- Faz isso faz! Vai-lhe dando graxa, pode ser eu assim ela te deixe vir. Beijo!
- Beijo. – retribuiu.
Levantei-me do sofá indo em direção à cozinha. Senti o Stephan a agarrar-me a mão e olhei-o.
- Amanhã tenho a entrevista, não te esqueceste, pois não?
- Não, não. Claro que não.
- Vens comigo?
- Claro. – declarei sorrindo.




- Stephan Kareem El Shaarawy, 21 anos – começou Dario a falar - estamos aqui hoje para falar de ti não é? – perguntou sorrindo ao que o Stephan correspondeu também com  um sorriso. – Vamos começar por falar um pouco de ti, nasceste em Savona no dia 27 de Outubro de 1992, como foi a tua infância?
- Acho que foi normal, se é assim que lhe posso chamar, desde novo que jogar futebol me estava nas veias foi algo que pareceu ter nascido comigo, um sonho que agora é realidade.
- Partiste muita coisa lá por casa?
- Hum…- o Stephan sorriu provavelmente lembrando-se de tudo – sim, parti várias coisas até, destruí várias oliveiras e parti muitas jarras, ainda hoje é o dia em que se parte jarras lá em casa.
Sorri ao lembrar da última vez que tinha havido uma destruição lá em casa.


Ouvi um barulho vindo do interior de casa, levantei-me da espreguiçadeira e fui até à sala onde vi uma jarra partida no chão.
- Stephan El Shaarawy! – gritei.
- Diz amor meu. – disse saindo da cozinha chegando até à sala.
Olhei para a jarra no chão e olhei para ele esperando por alguma explicação.
- Ah, o que aconteceu ali? – disse fazendo a sua cara de inocente pouco convincente.
- Manuel! – chamei esperando que ele também aparecesse ali.
- Cunhada, que se passa? – disse aparecendo na sala, olhei para a jarra e voltei a olhar para ele.
- O que é que se passou ali, meu? – perguntou fazendo-se de surpreso.
- A bola? – perguntei esticando as mãos – dêem-me a bola.
O Stephan foi até à parte de trás do sofá e retirou de lá a bola de futebol. Entregou-me para as mãos.
- Vocês parecem duas crianças sabem?- perguntei. – depois, vão os dois explicar à D. Lucia como é que partiram a jarra dela.
- Oh fofinha, eu não tenho culpa que a minha mãe venha cá por jarras a casa. – disse o Stephan defendendo-se. – eu não as pedi.
- Não têm espaço suficiente lá fora para brincarem?
- Ter temos. – disse o Manu – mas aqui é muito melhor.
- É melhor é… - disse voltando para o exterior com a bola na mão.


- Como é a relação com o teu irmão?
- Muito boa, apesar das discussões e de tudo o resto que agora não interessa – disse o Stephan rindo – temos uma relação boa, é o meu irmão mais velho, mesmo que por vezes não pareça, é um exemplo de vida para mim e foi sempre ele que me incentivou e me apoiou desde o início no mundo do futebol.
- Achas que ele tem orgulho em ti?
- Tenho a certeza – disse a sorrir.

A entrevista ia tendo sempre interrupções. O Dario tinha tranquilizado o Stephan. Para ao caso de algo correr menos bem podiam sempre voltar a gravar.
Passaram a uma parte engraçada em que o Dario dizia algumas palavras e o Stephan falava sobre elas.

- Fama
- Chegou até mim muito cedo mas felizmente, consegui manter sempre os pés bem assentes na terra.
- Mãe
- Uma heroína. Uma mãe é sempre uma mãe, e eu até hoje na minha vida profissional tive sempre a sorte de a ter por perto e isso foi-me sempre essencial. Esteve sempre do meu lado quando precisei, apoiou-me e…não tenho muito mais a dizer. Sem ela não era o que sou hoje.
- Filhos.
- Algo a pensar, é um desejo não posso dizer que não, mas acho que ainda tenho que viver um pouco mais antes de entrar nessa nova etapa.
- 92
-  O ano em que nasci daí o meu número da camisola do Milan.
- Rita – disse o Dario sorrindo.
Por momentos senti-me pequenina como até se o chão me tivesse fugido. O Stephan olhou para mim e sorriu, voltou-se para o Dario preparando-se para falar.
- A minha namorada, uma das pessoas mais importantes para mim na vida. Tem-me apoiado em tudo, tanto nas lesões que tive como nos outros problemas do dia-a-dia e sei que está aqui para mim sempre que eu precisar. Além de namorada é também minha amiga o que é muito importante numa relação.
Sorri, enquanto olhava o Stephan. Nunca pensei que falasse assim de mim. Principalmente numa entrevista que iria ser vista por toda a gente.

- Como é jogar no AC Milan?
- É ótimo. Sinto-me totalmente em casa. O Milan ajudou-me desde o início a construir a minha carreira e tem-me ajudado muito na lesão.
- O Balotelli? O que tens a dizer dele?
- É uma pessoa espetacular, contrariamente ao que algumas pessoas pensam. Fora de campo é um dos meus melhores amigos, aconselha-me, ouve-me e ajuda-me. Dentro de campo também sempre tivemos uma boa relação. Eu adoro trabalhar com ele.
- O que é que te fascina mais? Fintar, marcar ou ouvir o teu nome ser gritado em San Siro?
- Acho que tudo um pouco. Marcar é sempre uma sensação única. E sentir o apoio dos adeptos é maravilhoso, é indispensável para o sucesso de uma equipa.

Fizeram uma pausa para depois avançar para um assunto mais delicado.

- Agora vamo-nos centrar nesta época, o que correu mal?
- Tudo…- disse o Stephan um pouco distante, reparei como aquele assunto lhe trazia más recordações – às vezes quando achamos que tudo vai correr bem é quando as coisas correm pior e esta época foi isso, quando o verão acabou começaram os piores momentos da minha vida até hoje.
- Foi difícil lidar com tudo?
- Muito, foi como se o sonho que falei há pouco acabasse num estalar de dedos. Vi tudo a desmoronar-se lesões atrás de lesões até que fui operado em Dezembro e só há pouco tempo voltei a pisar o relvado que tanto me faz sentir bem.
- Durante todo o tempo que estiveste parado, o que pensavas?
- Pensei em tanto. Não vou mentir, eu pensei que tudo tivesse acabado via cada vez o futebol mais longe da minha vida e por momentos pensei no que iria ser de mim sem fazer o que tanto amo.
- Foi duro?
- Foi a pior coisa que passei até hoje, não puder jogar deu comigo em louco literalmente. Quando fui operado…foi daqueles momentos que pensei duas vezes se o que queria para o meu futuro era o futebol.
- E é?
- É, o futebol é das coisas que me faz mais feliz neste mundo e deixar de jogar futebol é deixar de viver. Se foi difícil? Foi horrível, eu nunca pensei passar tanto tempo sem puder por os pés em campo mas vale a pena quando volto ao relvado, sei que tudo o que passei até hoje valeu a pena.
- Foi difícil para ti mas também para os que te rodeiam certo?
- Sim não digo que tenha sido mais difícil para eles, porque não foi claro, mas por exemplo para a Rita foi tão difícil como foi para mim porque ela deixou de me ver como eu era e passou a ver um Stephan muito mais distante e admito até que o meu feitio não é fácil e quando estava lesionado pior. – disse sorrindo para mim -  Descarreguei sempre em cima de quem mais amava e acredito que os tenha feito sofrer bastante até, mas a verdade é que essa nunca foi a minha intenção. O pior é que quando temos que dizer adeus, nem que seja por uns tempos, ao nosso sonho acho que mudamos a nossa forma de ver as coisas.
- Agora vês a tua vida de forma diferente?
- Muito, dou muito mais valor a coisas que se calhar não dava valor nenhum antigamente.

O Dario deu um encontrão ao Stephan. Notei que já se conheciam há algum tempo e estavam num bom clima. Avisou-o que a parte mais séria tinha acabado e que iam passar para algo mais descontraído na entrevista.

- És romântico?
- Depende dos dias. – respondeu levando o Dario a rir.
- O que te atrai numa mulher?
- Bem… - o Stephan riu e olhou para mim – sem dúvida a simplicidade. O olhar é outra das coisas, aquele olhar intenso.
- És ciumento?
- Isso é daquelas coisas que também depende dos dias mas de uma maneira geral sou.
- Consideras-te teimoso?
- É assim, eu não me considero teimoso – gargalhei baixinho ao ouvir a sua resposta, o Stephan olhou para mim sorriu e preparou-se para continuar – mas ela diz que sim. – disse olhando para mim.
Ela…um amor verdadeiro?
- Mais que verdadeiro.
- Já falamos aqui por alto na Rita, nós sabemos que é portuguesa, tu aprendeste a falar português?
- Eu já dava uns toques na língua portuguesa, como sabes tínhamos brasileiros no Milan e ainda temos, não é? Mas com ela sim, aprendi mais umas coisinhas.
- Acho que nós todos temos uma grande curiosidade, como falam os dois?
- Bem, posso começar por ser romântico e dizer que a língua do amor é só uma. – gargalharam os dois – nós falamos de todas as formas possíveis, há dias em que se fala só italiano, outros dias em que só se fala português e depois a maior parte das vezes ela fala em português e eu respondo-lhe em italiano.
- Qual foi a coisa mais marcante que ela alguma vez te disse?
- Foi talvez a primeira vez que disse que me amava, foi um momento que me arrepiou por completo e que me fez acreditar que sim, que a coisa era mesmo séria. – disse sorrindo juntamente com o Dario.
Coloquei a minha mão na testa passando depois pelo cabelo e sorri um pouco envergonhada, era bonito ouvi-lo dizer aquilo principalmente assim…para toda a gente.
- O que é português é bom? – perguntou o Dario rindo bastante.
- Temos uma boa prova disso aqui não é? – disse o Stephan olhando para mim – mas sim, o que é português é bom. Cristiano Ronaldo é um bom exemplo.
- Clubes portugueses?
- Académica de Coimbra é o que eu preciso de saber, o resto só sei por alto. Benfica que foi à final da Liga Europa e outros como Sporting, Porto, Braga e isso.
- Cantas em português?
- Isso é mais complicado. – disse sorrindo - cantar nem em português nem noutra língua qualquer, a minha praia é mais jogar futebol, cantar é para a Rita.
- Canta bem?
- Na minha opinião, sim. Mesmo que os outros achem que não, eu vou sempre achar que sim.
- Ouvi dizer que têm um cão.
- Temos! – disse o Stephan animado – chama-se Dacky e é um bulldog francês.
- O que prevês para o vosso futuro?
- Acho que tanto eu como ela já tivemos várias provas que o nosso futuro é completamente incerto mas prevejo algo bom. Desde que esteja junto dela…será bom com certeza.

Sorri ao ouvir aquelas palavras. Não podia estar mais feliz com tudo o que tinha ouvido da boca dele.

- Temos que combinar um jantar um dia destes – propôs o Dario.
- Sabes que tens sempre a porta aberta.
- Vamos lá pôr um fim a esta entrevista que tenho a certeza que estás a adorar! – brincou o Dario.
- Sim, sim. Só por seres tu a fazê-la, claro. – ironizou.
- Para terminar, qual é o teu maior medo?
- Tenho medo de falhar. Medo de falhar com quem amo. E isso engloba o medo de não estar à altura das expetativas e o de perder as pessoas que amo por erros meus. A vida cada vez é mais exigente e eu tenho medo de não ser capaz de corresponder ao esperado tanto a nível pessoal como profissional.
Fez-se silêncio durante um momento para depois o Dario voltar a aliviar o ambiente.
- Desejo-te muita sorte para o teu futuro tanto profissional como pessoal e espero daqui umas semanas ver-te outra vez em campo a marcares golos.
- Obrigado! Conto contigo no jogo do meu regresso.
- Lá estarei – acabou por dizer o Dario.




Acordei com o som da campainha. A muito custo levantei-me e fui a correr até ao andar de baixo.
- O Stephan? – disparou o Manu assim que abri a porta.
- Não sei.
- Não sabes?
- Não!
- Sabes sim – insistiu – tens que saber! Vocês dormem juntos, comem juntos, fazem sabe-se lá mais o que juntos. E tu não sabes dele?
- Calma – pedi – ou casou-se e foi viver com a sogra – olhou-me como que repreendendo-me – ou… - saí dali e fui até ao sofá procurando o telemóvel – foi buscar o Afonso ao aeroporto – falei depois de encontrar o telemóvel e ver a mensagem que tinha dele.
- E tu estás aqui?
- Sim. Eu sei que até parece mal o meu namorado ter ido buscar o meu irmão ao aeroporto e eu estar aqui a dormir mas…ando cansada.
- Cansada? – já tinha fechado a porta e encontrava-se sentado junto a mim no sofá.
- Sim.
- Se calhar tens alguma doença, não é melhor ires ao médico?
- Doença? Tu de vez em quando deves-te esquecer de usar o cérebro todo para pensar. É só puro e normal cansaço.
Ouvimos um barulho estranho, olhei para as escadas e o Dacky descia-as a um passo acelerado. Acabou por saltar depois para o sofá e deitar-se nas minhas pernas.
- Isso é um cão?
- É um cão.
- E eu a pensar que o meu irmão tinha um trauma com cães.
- Passou-lhe, acho eu.
­- Achas?
- Hum-hum – respondi pensativa.
- Estás estranha!
Ouvimos a porta a abrir e o Stephan e o Afonso entraram segundos depois.
- Stephan! – exclamei indo até junto dele – já tinha saudades tuas.
- Ei! Era de mim que devias ter saudades! – barafustou o Afonso.
- E tenho! – larguei o Stephan e abracei o Afonso.
- Larga! Estás a sufocar-me.
- Desculpa, desculpa. – pedi.
Ouvimos a campainha a tocar mas ninguém se mexeu, olhámos uns para os outros na esperança que alguém a fosse abrir.
- Stephan, a casa é tua – avisei.
- Nossa.
- Tua.
- Nossa.
- Eu vou lá – cedi.
Caminhei em direção à porta para depois a abrir.
- Stephan… - pronunciei ao deparar-me com uma alcofa com um bebé.
- O que se passa? – perguntou chegando depois perto de mim – oh boa! O que é isto?
- Um bebé.
- Eu sei que é um bebé mas…
Baixei-me para analisar aquela situação estranha.
- É o Matteo! – falei perplexa.
- Como assim o Matteo? O filho da Andrea?
Remexi no cobertor que tapava o menino e encontrei lá um pequeno bilhete.
- Olha – falei abanando o bilhete.
- Lê – pediu o Stephan.
- Sei que não tenho sequer o direito de vos pedir tal coisa…mas eu preciso tanto disto, preciso que façam isto não por mim mas sim pelo Matteo. Necessito de organizar a minha vida e vocês são sem dúvida as únicas pessoas que me ouviram (de diferentes formas) e me ajudaram de certa forma. Eu confio em vocês e preciso que cuidem do meu filho durante uns meses. Eu juro que volto. – olhei o Stephan para depois acabar de ler – obrigada por tudo. Andrea. – olhei de novo para o Stephan. Baixei-me e peguei no Matteo com cuidado.
- O que é que vamos fazer? – perguntou-me.
- Não sei, Stephan. Não faço a mínima ideia do que fazer agora.


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Boa noite! 
O meu presente de Natal para vocês! Um capitulo um bocadinho grande, eu sei. Desculpem.
Quero agradecer os comentários no ultimo capitulo, são sempre importantes, e espero pelos vossos comentários neste, agora.
Parabéns pela coragem da menina que leu vários capítulos e comentou. [«porque não devorar trinta e tal capítulos?» Eu tenho uma boa resposta: porque os primeiros capítulos são terriveis, eu não teria coragem. Obrigada ;) ]
Espero que esta história não tenhas perdido um interesse. Teve uns tempos mais «parada» mas espero que agora volte em grande!
Aguardo as vossas opiniões.
Beijos,
Mahina 

6 comentários:

  1. Olá!

    Ai que entrevista tão linda, amei completamente o lado fofo do Ste a fazer a Rita a mulher mais babada de sempre, que coisa mais boa!
    O Cão, opá que amor, afinal o menino El só tem medo de cães grandes, mas foi engraçada a maneira como a Rita o achou, imaginei o momento, que ternura.
    O bebé, nem acredito :o O que vai ser agora da vida do El e da Ri com um cão, e um bebé?! Não os ponhas mal e a discutir e coisas assim, eles tão óptimos assim bem e juntinhos *-*

    Ah e em relação ao facto de ter devorado "trinta e tal capítulos", foi um prazer, tu escreves demasiadamente bem para alguem não gostar. Os primeiros capítulos são sempre dificies, mas os teus, são espectaculares!! (devoraria de novo se fosse preciso!)

    Estou à espera do próximo, beijinhos.

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  2. Olá!!!
    Primeiro tenho que dizer que estou de férias e estou realmente aproveitando, já que dizem que na faculdade não se tem descanso, por isso não tenho comentado a um bom tempo. Agora que expliquei minhas condições vou começar o comentário.
    O Ste tem que aprender a desfacar melhor as coisas, como ele esconde um cão com um casaco? Ainda bem que ele perdeu o medo, já eu continuo morrendo toda vez que vejo um, enfim vamos mudar de assunto, amei a entrevista, o jeito que o Ste falou da Rita, dos problemas que passou. Foi bem profunda isso sim! E o porquê será que a Andrea deixou o Matteu, tenho certeza que eles irão cuidar da criança com todo amor e carinho de um casal de pais biológicos.
    Amo as tuas fics, e quero o próximo logo logo!
    Beijinhos!!!
    Lari Lima :D

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  3. Oi!
    Desculpa só agora comentar, mas isto de faculdade e festas de Natal e assim, não dá tempo para nada...
    Adorei o capítulo! Adoro a Rita e o Ste felizes e juntinhos outra vez <3 E depois com o cachorro fazem uma família super fofa, amo <3
    Porque é que a Andrea deixou o pequeno? Anyway, eles têm de to:-)mar conta do Matteo, ele precisa deles...
    Quando publicas mais? Eu quero mais!!
    E rápido por favooooor...
    Beijinhos
    Nana

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  4. Hello :)
    Sorry só comentar agora, mas devido ao trabalho não tenho tido tempo :/
    Sobre o capitulo gostei mt e quero mais sff :)
    Bjs

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  5. Olá!
    Oh a entrevista foi toda fofinha! Gostei! O Ste está todo maduro e coisa e tal! Até gosta de cães e tudo! Admito que também não sou muito receptiva a animais. Se não os conheço, é pânico certo!
    Obrigada por teres desvendado o mistério relativo ao pai da Rita! Afinal não engravidou a melhor amiga da filha, "só" está doente. Realmente as minhas ideias podem ser verdadeiramente bizarras e assustadoras!
    E o cansaço da Rita deixou me desconfortável. Espero que seja apenas cansaço!
    E este bebé... A Andrea não foi aquela que apareceu a dizer que tinha um filho do Ste? Acho que me lembro mais ou menos disso!
    E agora o que hão de fazer? Cuidar da criança como é óbvio!
    Espero o próximo!

    Beso
    Ana Santos

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