quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

44º Capítulo - «Le temps passe, l'amour reste»

Boa noite!
Decidi deixar aqui um pequeno recado no início do capítulo para não se sentirem «perdidas». Um ano, um longo ano cheio de conquistas e derrotas, passou na vida deste casal. E agora? Leiam e percebam como tudo mudou ;) 

Cerca de 1 ano depois

- Parabéns para nós – coloquei a minha mão sobre a dele e o seu sorriso intensificou-se.
- Talvez esteja na hora – olhei-o confusa perante aquela sua afirmação – acho que chegou o nosso momento, Rita – simplesmente não me apeteceu dizer nada. Fiquei a olhá-lo enquanto atrapalhado parecia tentar encontrar as palavras certas – eu não tenho discurso preparado nem anel nem…bem isso também não interessa – largou a minha mão e pegou no seu copo bebendo um pouco de vinho. Pousou o copo e pôs, desta vez, as suas duas mãos sobre a minha – queres casar?
- Contigo? – perguntei sem pensar muito bem naquilo que perguntava.
- Não, com o vizinho! Rita! – parecia chateado e nervoso ao mesmo tempo - havia de ser com quem? – questionou.
- Contigo claro – assentei a minha outra mão sobre as suas – e obrigada por isto – olhou-me como que esperando algo mais da minha parte, uma resposta talvez – não é obrigada que se diz, pois não? – acabei por me rir juntamente com ele – como nunca ouvi ninguém recusar um pedido de casamento e não quero ser a primeira, eu vou dizer que sim! – sorri e o Stephan gargalhou contagiando-me a mim.
- Anda, vamos lá fora – incentivou-me. Pegou no seu copo e eu acabei por pegar no meu. Caminhámos os dois por entre algumas mesas daquele restaurante, que o Stephan conhecia bem, e fomos até àquela varanda.
- Esta vista é simplesmente magnífica! – exclamei, dando uns passos em frente até ao limite daquele espaço. A paisagem era fantástica. O mar, o pôr-do-sol e todos aqueles raios de sol que ainda refletiam na água límpida com uma ligeira ondulação.
Olhei para trás reparando que o Stephan colocava o copo no chão e me olhava atento.
- Continua o que estás a fazer e não me largues a mão – pediu.
Voltei a virar-me para aquela bonita vista.
- Le temps passe, l'amour reste – sussurrei perante aquele silêncio que se tinha formado.
- Isso já é tudo familiarização com a língua francesa? – perguntou. Dei uns passos atrás sendo acolhida no conforto do seu abraço.
- Sem gritos, sem choros, sem brinquedos ou comida espalhada por todo o lado – apertou um pouco mais os seus braços em torno do meu corpo – estávamos a precisar destes momentos só para nós.
Colocou o telemóvel à nossa frente enquanto editava a fotografia que tinha tirado.
- Não me digas que vais finalmente embelezar as tuas redes socias comigo? – perguntei a rir-me – estava a ver que nunca mais te apercebias do quanto uma fotografia minha vale mais do que qualquer tua que possas pôr – falei, fazendo desta vez a cara mais séria possível.
Larguei-me dos seus braços e virei-me de frente para ele. Colocou uma das suas mãos no meu pescoço.
- Quero só elucidar as pessoas de que continuamos juntos para a tristeza de algumas delas.
- Stephan…esquece isso – pedi, virando-me novamente de costas para ele, encostando depois o meu corpo ao seu.
- Não consigo. Não foram maldosos comigo mas contigo, Rita. – olhou-me sério - e isso magoou-me mais do que qualquer coisa. Estávamos a passar por um momento complicado e as pessoas não souberam respeitar isso.
- Esquece isso Stephan, por favor. Já passou – coloquei desta vez eu as minha mãos sobre o seu rosto – está tudo bem – assegurei – deixa-me lá ver bem isso – peguei no seu telemóvel e olhei aquela foto.

Obrigado por estes 3 anos
Le temps passe, l'amour reste
- Não sou a única familiarizada com a língua – brinquei, devolvendo-lhe em seguida o telemóvel – o Natal já é para o mês que vem.
- Estás preparada para viver a decisão que tomaste?
- Mais que preparada – assegurei – pode ter sido das decisões mais difíceis que tomei mas é o melhor – voltei a encostar-me a ele, peguei nos seus braços colocando-os em torno de mim – já viste como a nossa vida mudou? Estamos a viver no Mónaco! – exclamei. Ainda parecia tudo tão surreal.
Como tudo tinha mudado. O facto de o Stephan ter sido emprestado ao Mónaco por uma temporada veio mudar a nossa vida para melhor, sem dúvida alguma.
- Num apartamento com a melhor vista de todas! – brincou, encostando os seus lábios à minha cabeça – tive medo que não viesses comigo depois de tudo o que se passou.
- Já arrisquei tudo o que tinha arriscar na minha vida. Para ser sincera não pensei muito neste assunto. Não pensei nas consequências ou nos riscos. Apenas me aventurei e está a correr muito bem até agora.
- E que tal a sensação de a equipa ser mais portuguesa de que francesa?
- É ótima. Nem imaginas o quanto me sinto bem com os teus colegas de equipa. Fomos super bem recebidos e é bastante engraçado ver-te falar português com alguém sem ser comigo – ele riu enquanto eu me aconchegava mais a ele – está a ficar frio.
- Vamos lá para dentro?
- Sim, é o melhor – acabou por me largar e caminhámos os dois para dentro do restaurante. Sentei-me na minha cadeira desbloqueando em seguida o telemóvel – está para morrer alguém – comentei.
- O que se passa?
- Três chamadas da Milena.
- Que artigo é que tu não entregaste a tempo desta vez? – ironizou, rindo-se em seguida.
- Nenhum! E eu entrego sempre os artigos a tempo! – ripostei, rindo-me juntamente com ele – não te importas que eu lhe ligue?
- Não, claro que não.
- Vamos ver se ela atende – retribuí a chamada, esperando que ela atendesse – boa noite, sócia! – saudei.
- Bonsoir mademoiselle – comecei a rir-me com o seu fraco francês – vá, a sério eu odeio esta língua. Parece tudo bonito até quando dizes coisas mais feias.
- Não me digas que sabes dizer palavras feias em francês?
- Sei! E quando as ouvi a primeira vez pensei que a rapariga estava a convidar o rapaz para ir tomar um café – comecei a rir-me com a naturalidade que dizia aquilo. Estava a ser sincera, eu sabia-o – mas depois percebi que…estava a mandar o rapaz tomar o café sozinho num lugar longínquo. Mas bem falemos de coisas importantes. Preciso da tua imaginação magnífica para um artigo bomba na próxima edição.
- Então eu tinha planeado fazer o artigo sobre a investigação do cancro da mama, depois já tenho começado o de como não engordar no Natal e…que tipo de artigo bomba é que queres mesmo?
- Um daqueles magníficos e anónimos teus…é pedir muito?
- Por enquanto não consigo, Milena. Quando eu conseguir e me sentir preparada para isso, faço o testemunho da minha experiência na nossa revista, não tenhas dúvidas disso mas não por enquanto…
- Sim, eu entendo – falou interrompendo-me.
- Posso fazer uma coluna sobre a minha nova vida no Mónaco se quiseres…
- Sabes que isso era do melhor, não sabes? Há leitoras…e fãs loucas também por saber como está a vossa vida por aí.
- Pensando melhor… - olhei para o Stephan, que me olhava atento – é melhor não. É mais seguro deixar as coisas como estão. Eu prometo que tento arranjar um artigo bomba mas é melhor não ser nada íntimo.
- Olha desculpa. Eu tenho feito bastante pressão para escreveres sobre ti e não devia. As pessoas adoram o que escreves é a verdade mas também começa a ser cusquice e nós não somos uma revista de fofocas – suspirei, esperando que ela dissesse mais alguma coisa – já agora porque é que estás em Nápoles?
- Como é que tu…? – ninguém sabia, ninguém mesmo sabia para onde tínhamos ido.
- Tens um namorado burro que pôs a localização na foto.
- Stephan! – chamei a sua atenção – puseste a localização na fotografia que publicaste?
- Não… - respondeu, pegando rapidamente no telemóvel – eu tenho quase a certeza que não – a Milena ria-se do outro lado da linha – pois não pus não!
- Claro que não pôs. Eu é que já estive nesse restaurante. Tem bom gosto o bichinho – declarou – mas eu nem sabia se era mesmo mas parecia-me pela varanda. Apostei e acertei.
- Então e…já falámos tudo?
- Estás a despachar-me?
- Talvez. Só tenho mais uma noite em Nápoles há que aproveitar.
- Então eu deixo-vos. Tenta só não te esquecer que preciso de ti em Milão na próxima semana.
- O Stephan já me marcou a viagem, não te preocupes.
- Aproveitem the last night então, beijinhos.
- Beijinhos – retribuí desligando em seguida a chamada.
- É mesmo a última noite, não é?
- Parece que sim – respondi, sorrindo-lhe – mas acredita que foram dois dias que me souberam a dois meses. Agora há que voltar à rotina e cuidar do que temos.
- Pensei passar por Milão ou mesmo ir a Paris mas já não temos tempo. Prometo que pela altura do Natal vamos a Paris.
- Fica prometido – sorri. Coloquei a minha mão sobre a sua – temos que celebrar o nosso noivado de alguma maneira.

- É menina – anunciou a obstetra depois de me limpar a barriga – e aposto que vai ser muito mexerica.
- Stephan – chamei a atenção dele, parecia ter hipnotizado – é menina!
- E agora? – aquela pergunta fez-me rir tanto a mim como à obstetra.
- Agora está tudo ótimo com a Rita – disse ela – a bebé está bem e o melhor que têm a fazer é aproveitar a gravidez ao máximo.
- E vamos aproveitar, tem sido tudo tão bom – falei sorrindo – vamos ter uma menina e já temos o nosso Matteo em casa. Vai ser tão bom – voltei a manifestar a minha alegria. Não podia estar mais contente.
- Vou-vos deixar a sós – disse a médica saindo do consultório.
- Eu não estou a conseguir ter uma reação, desculpa – coloquei a minha camisola para baixo e sentei-me na maca olhando para ele que rapidamente se ajoelhou aos meus pés – vamos ter uma menina – falou como que tentando cair em si.
- Quero tanto senti-la – admiti colocando a minha mão sobre a minha barriga que já se notava.
- E vais senti-la – falou colocando as suas mãos no meu rosto – vai correr tudo bem – finalizou dando-me um beijo na testa.

- Rita? Vamos? – olhei para ele sorrindo.
- Estava aqui perdida nas memórias – admiti, levantando-me em seguida – vamos lá, então – peguei na minha mala e comecei a sair do quarto. O Stephan seguia-me com um sorriso misterioso no rosto – o que se passa? – perguntei assim que entrámos no elevador.
- Estava-me a lembrar de umas coisas, queria falar contigo mas agora só no avião que temos mais tempo.
- Está bem mas…com a carinha com que estás até tenho medo! – falei rindo-me.


Olhava através da janela do avião. Ainda não tínhamos descolado. O Stephan tinha dispersado para tirar fotografias com uns fãs que tinham aparecido.
- Então jeitosa? – olhei para o lado sorrindo.
- Não me estás a tirar fotos pois não? – questionei, retirando a manta que tinha no lugar dele. Coloquei a manta sobre as minhas pernas – tornei-me a tua modelo?
- Creio que sim. Agora que descobri que tenho uma namorada gira já não quero tirar mais selfies – comecei a rir-me e ele mostrou-me a fotografia – é gira não é?
- Não sei, não sei – sorri-lhe e encostei a cabeça ao seu ombro – vais publicá-la?
- Posso?
- Acho que os teus seguidores vão achar estranho publicares uma foto com menos de 24 horas de diferença.
- Por isso é melhor não publicar?
- Não sei, tu é que sabes beleza.
- Devias publicá-la tu – disse entregando-me o seu telemóvel.
- Eu? – acenou com a cabeça – então eu publico – afirmei mexendo no seu telemóvel.

De volta a casa
- Está bom, socialite? – brinquei dado que o Stephan era muito pouco ativo nas redes sociais.
- Está bom sim – agarrou a minha mão entrelaçando-a com a dele – tens falado com o Afonso ou com o Salvador?
- Não, Stephan. Nem com o meu pai, nem com a minha mãe…e não sei se algum dia voltarei a ter com eles a relação que tinha antes.
- Eu não queria nada que isto fosse assim…
- Não – coloquei as minhas mãos o seu rosto e aproximei-me mais dele – não digas isso. Quando o dizes parece que tens culpa desta quebra de relações.
- E não tenho?
- Não, claro que não – disse-lhe, largando a sua cara e ajeitando-me no banco – odeio quando te culpas disto, Stephan – virei-me para ele, olhando-o séria – sair de Itália foi a melhor coisa que nos aconteceu neste ano, sem dúvida.
- Rita…
- Eu não vou chorar, prometo – encolhi-me tapando-me com a manta e olhando-o – pois…se calhar até vou mas…deixa-me chorar – pedi.
- Sabes o que é que eu pensei? – abriu um sorriso magnífico, levando-me a acalmar por dentro – podemos mandar uma camisola ao Afonso do Mónaco.
- Era uma boa ideia.
- Achas que ele vai gostar? – acenei com a cabeça e sorriu-me – então já temos o que mandar para o Afonso no Natal.
- Eu tenho tantas saudades do meu irmão – admiti – é o meu irmão mais novo. É sangue do meu sangue. Custa-me tanto estar longe dele.
- Eu sei Rita – agarrou-me uma das mãos.
- Eu não falo com ele porque simplesmente não sei como o abordar. Não sei sequer o que ele pensa disto tudo. E se ele me perguntar o porquê de me ter afastado deles? O que é que eu vou responder? – coloquei as minhas mãos sobre o meu rosto – às vezes apetece-me tanto apanhar um avião e ir ter com ele. Apetece-me dizer-lhe que eu estou aqui para ele e que nunca o vou deixar mas não consigo – retirei as mãos da minha cara e olhei para o Stephan – será que ele tal como a minha mãe acha que eu não liguei nada ao meu pai e o coloquei em segundo plano? – senti os braços do Stephan a receberem-me – tu sabes bem o quanto me custou esconder-lhes tudo, não sabes?
- Sei, claro que sei – senti os seus lábios na minha testa e fechei os olhos, tentando libertar-me de todas as recordações que teimavam não me deixar – tem calma – respirei mais calmamente e encostei a minha cabeça ao seu peito – está tudo bem, já passou.



- Combinei com a minha psicóloga esta tarde. Ela vem cá a casa. Não te importas, pois não? – perguntei assim que o Stephan se preparava para sair.
- Não, claro que não. Qualquer coisa que precisares liga-me, por favor.
- Assim o farei. Levas o Matteo, não levas?
- Sim. Não sei é dele! Matteo? – chamou.
Apareceu na sala já com a pequena mochila na mão.
- Mãe – falou. Levantou os braços e sentei-o ao meu lado no sofá. Comecei a calçar-lhe os sapatos – um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete… - olhei para ele, estava confuso. Incrível como trocava sempre o oito em português com o oito em italiano – otto? – não o dizia com nenhuma confiança e comecei a rir-me.
- É oito – corrigi-o. Peguei-lhe ao colo e entreguei a pequena mochila dele ao Stephan – e o resto?
- Nove e dez! – falou todo feliz.
- Agora em italiano – incentivou o Stephan.
- Não, pai! – abanou a cabeça e fez aquela cara terrível.
- Pensas que quê? O teu filho já sabe o que lhe apetece fazer e o que não apetece. E contar até dez em italiano é coisa que não lhe está a apetecer.
- Gua, mãe! – pediu colocando as suas pequenas mãos sobre as minha bochechas.
Coloquei-o no chão e andei em direção à cozinha para ir buscar o seu copo com água. Dirigi-me depois novamente à sala e entreguei-lha.
- Não é para te molhares todo – avisei.
Bebeu a água sempre com o seu olhar preso ao meu o que me levou a rir.
- Mãe o pu? – o mesmo boneco de sempre e a mesma pergunta de sempre. A saga do pu iria continuar por muitos anos.
- Queres levar o pu?
- Sim, quelo – acenou com a cabeça – dá pai – pediu a mochila ao Stephan, que lha entregou rapidamente.
- O pu não está aí – avisei- está no quarto. Eu vou lá.
- Não! – parecia chateado, colocou a mão aberta e esticou o braço como que impedindo-me de ir ao quarto – eu mãe – concluí que aquele «eu mãe» significava que ele ia lá buscar o boneco.
- Já está muito independente! – falou o Stephan – e já constrói umas frases jeitosas.
Apareceu pouco tempo depois com o boneco na mão. O Stephan pegou-lhe e eu aproximei-me deles dando um beijo a cada um.
- Tchau! – disse abanando a mão.
- Adeus, meninos! – sorri-lhes e acabaram por sair.
Sentei-me no sofá e segundos depois ouvi a campainha. De certeza que se tinham esquecido de alguma coisa. Encaminhei-me para a porta e abri-a apercebendo-me de que era a minha psicóloga e não eles.
- Bom dia, Rita – saudou-me – posso entrar?
- Claro, entre Elizabeth – entrou e fechei a porta. Fiz-lhe sinal para nos encaminharmos para o sofá – podemos ficar aqui?
- Sim, sim. Está tudo bem?
- Penso que sim. Voltei há poucos dias de Nápoles, fomos só os dois.
- Correu bem?
- Sim – sorri-lhe – menos quando voltámos. No avião estivemos à conversa e veio o assunto de sempre ao de cima.
- Já pensaram em ter mais filhos, Rita?
- Não sei. Desde que perdemos a Ellie que a nossa vida mudou por completo e provavelmente o Stephan até tem medo de tocar neste assunto. Ele sabe o quanto eu sofri, o quanto eu desesperei quando tive o parto prematuro – começava novamente a ficar com frio quando tocava naquele assunto – aquelas duas semanas foram as mais desafiantes da minha vida. Tinha a minha vida dentro de uma incubadora. Era tão pequena, tão frágil…
- Como é que reagiu? Como é que viveu esse momento?
- Mal. É difícil para mim falar dele. Talvez por isso é que só agora estou a falar disto pormenorizadamente consigo – fiz uma pausa e respirei fundo – todos os dias me recordo daquelas mãos mínimas e daqueles pés tão lindos. Decidi não contar nada a ninguém e talvez esse tenha sido o meu maior erro.
- Como assim?
- Pouca gente da minha família soube de tudo o que se passou. As duas semanas em que a Ellie viveu ninguém a viu, ninguém lhe tocou, ninguém soube da sua existência a não sermos nós. Foi a nossa decisão e não me arrependo dela.
- Duas semanas? Foi esse o tempo que teve para conhecer a sua filha?
- Sim. E a primeira e a última vez que me deixaram pegar nela foi no dia em que ela partiu. Eu percebi, eu tinha o pressentimento que algo não estava bem. Os médicos deixaram-me pegar na minha filha. Foi a primeira vez que a tive nos braços mas foi o momento em que caí em mim e percebi que ma iam tirar a qualquer momento…para sempre. Aquele ser tão bonito, indefeso e inteiramente meu. Por todas estas razões e mais algumas não sei quando é que voltaremos a pensar em ter filhos. Eu tenho medo…imenso medo.





E aqui está o capítulo! E agora só espero que comentem e me digam o que acharam! Estou ansiosa por ler esses comentários!
Mahina


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

43º Capitulo - « Tu tens os teus brinquedos! O pu? »

Os momentos anteriores corriam pela minha cabeça a uma velocidade surreal. O sangue, o desespero, a culpa e a confusão. Não me conseguia identificar com a Rita dos últimos tempos. Não conseguia perceber as minhas atitudes e a falta de amor-próprio que eu andava a demonstrar. Não conseguia estar calma. Estava arrependida e…finalmente tinha caído em mim.
Ajeitei-me no sofá, e enrolei-me na manta que tinha sobre o meu corpo. Ouvi alguns passos mas não olhei para trás. Era o Stephan certamente, quem mais poderia ser?
- Estás melhor? – colocou-se de joelhos e agarrou uma das minhas mãos.
- Sim, acho que sim.
- Rita – acabou por se sentar ali no chão a olhar-me – eu estou verdadeiramente preocupado contigo. Tu não falaste comigo, tu não tens sequer me contado como está a tua gravidez – fez-me uma carícia no rosto e voltou a falar – provavelmente tu não queres falar sobre isto, acabaste de ter a tua segunda ameaça de aborto. Tu sentes-te, culpada por isso? – acenei com a cabeça e ele prosseguiu – mas não tens que te sentir culpada.
- Mas a culpa é minha – a voz saiu-me mais arrastada que o normal – tens todo o direito de me culpar se acontecer alguma coisa ao nosso filho.
- Mas eu não o vou fazer – levantou-se do chão. Acabei por me levantar e sentar-me, fiz sinal para se sentar junto a mim e caí nos seus braços.
- Desculpa – sussurrei – eu não tenho sido de todo uma boa namorada nem uma boa mãe.
- Tens sido maravilhosa – acabei por me afastar dele e olhá-lo – só te peço que fales mais comigo. Fechaste-te muito nestes últimos tempos.
- Desculpa – voltei a pedir, encostando a minha cabeça ao seu peito – não era a minha intenção, acho que o medo tomou conta de mim. Desculpa.
- Chega de desculpas – puxou-me para o seu colo e acolheu-me nos seus braços – como é que te sentes? – levou a sua mão à minha barriga e fez algumas caricias.
- Sinto-me bem – admiti – mas ainda não assimilei tudo – peguei nas suas duas mãos e coloquei-as na minha barriga, pousando em seguida as minhas por cima das suas – acreditas que aqui está o nosso filho? Acreditas que vamos ser pais de um bebé só nosso?
- Acredito.
- É bom, não é?
- É ótimo! – encostou os seus lábios à minha testa por alguns segundos – temos que falar sobre a Maddalena.
- O que há para falas sobre a Maddalena? – perguntei olhando-o.
- Meti-a cá em casa e tu nem soubeste, talvez…não sei mas…desculpa, devia-te ter dito.
- Está tudo bem – garanti, colocando as minhas mãos no seu rosto – eu gosto dela, apesar de não a conhecer.
- Estava a pensar que… - acabei por pegar na manta e a colocar sobre mim e o Stephan - como vais ter que ficar mais tempo em casa e…
- Vou?
- Rita é que nem tentes opor-te! Sabes bem que tens uma gravidez de risco e quanto menos movimento na tua vida melhor.
- Certo – assenti com a cabeça, não o podia contrariar.
- Pensei que a Maddalena te podia ajudar com o Matteo.
- Mas se eu fico cá em casa…
- Mas é sempre bom teres alguém perto de ti, entendes? E podias construir uma amizade com ela, não? – perguntou como que tentando perceber se fazia uma pergunta absurda.
- Hum…
- O que se passa?
- Estava a pensar que desde que vim para cá, e mesmo antes de vir, conheci imensa gente mas nenhuma se tornou minha verdadeira amiga entendes? Dei-me com namoradas e mulheres dos teus colegas mas nenhuma se tornou muito próxima, sabes?
- Entendo – falou encostando os seus lábios a uma das minhas bochechas – não é só contigo que isso se passa, na minha profissão são poucos, mesmo poucos, os colegas de equipa que se tornam amigos.
- O Mario foi um deles?
- O Mario? – perguntou olhando-me espantado – o Balotelli?
- Sim, quem havia de ser?
- Não sei, nunca o chamaste Mario – disse rindo-se – ele é parvo…
- Eu sei mas eu gosto do Balo!
- Viste? Tu costumas chamá-lo Balo!
- Porque tu também o chamas Balo! – falei, rindo-me em seguida – preciso de ti mais do que nunca, Stephan.
Passou a sua mão pelo meu rosto, deixando-a depois no meu pescoço.
- E eu estou aqui – sussurrou – eu nunca te vou deixar desemparada!



- Porta-te bem, por favor! – repetiu pela quarta vez, deu um beijo na testa do Matteo e olhou para mim sério – tenho a ligeira sensação que não vais fazer nada do que te estou a dizer!
- Hum-hum – sorri ligeiramente e apertei o Matteo contra o meu peito.
- A Maddalena está cá, se precisares de alguma coisa pede-lhe mas não faças esforços, certo? Pensa no bebé – avisou passando a sua mão pela minha barriga.
- Estou de pijama, eu não vou a lado nenhum – garanti, cruzando as pernas e encostando-me para trás no sofá.
- Maddalena, toma conta dela – uniu os seus lábios com os meus num calmo beijo e depois começou a caminhar em direção à porta.
- Eu tomo – garantiu ela, levantando a mão e sorrindo.
Assim que ouvi a porta a bater levantei-me e vi a Maddalena a olhar-me como que repreendendo-me.
- Eu não acredito que vais fazer isso – falou abanando a cabeça. Entreguei-lhe o Matteo, que ela tomou-o nos seus braços.
- O Stephan é chato! – defendi-me – eu estou bem, a sério. Eu costumo recuperar rápido das gripes e assim!
- O que tu tiveste não foi uma gripe, Rita.
- Maddalena – sentei-me ao seu lado e olhei-a, era bonita, bastante bonita – como é que o Mattia te chama?
- Mad maior parte das vezes.
- Então posso chamar-te Mad? – propus.
- Sim, claro.
- Então, Mad – acabei por pegar no Matteo que me olhava atento e colocá-lo no chão, já caminhava razoavelmente, com os braços no ar para ter algum equilíbrio ou agarrado aos moveis e ao sofá – o Stephan faz anos no fim da semana e eu sinto-me na obrigação de lhe organizar assim uma festa bonita, sabes?
- Há quanto tempo é que vocês namoram?
- Não sei, já lhe perdi a conta – acabei por me rir juntamente com ela – bem, conheço o Stephan há dois anos e namoramos quase há dois anos. Para o mês, novembro, fazemos os dois anos.
- E já têm dois filhos…
- Bem, este é nosso – falei passando a minha mão pela barriga, finalmente começava a ganhar afinidade àquele ser – e o Matteo não é nosso mas passou a ser. A Andrea, a mãe biológica dele, teve que dar autorização para a adotarmos e o processo vai em andamento.
- Que máximo!
- É um máximo é mas agora vou ter que preparar a festa dele – falei pegando no portátil e no meu telemóvel.
- Rita? – olhei para ela, esperando que falasse – quantas namoradas já conheceste do Mattia? – devo ter feito uma cara estranha, não esperava aquela pergunta – sê sincera comigo, por favor.
- Bem, conheci a Erika quando comecei a namorar com o Stephan e a Giulia o ano passado.
- Ele tem assim tão má fama?
- Não! – disse rapidamente – quer dizer, não sei. Eu conheci o Mattia porque é da idade do Stephan e joga com ele, não é? E conheci o seu passado amoroso mas…eu gosto dele, é boa pessoa isso te garanto. Foi o primeiro a saber que eu estava grávida!
- A sério?
- Sim! Eu gosto dele e sei que posso confiar nele.
- E obrigada por confiares em mim e me teres aqui contigo.
- O Stephan tem razão, eu preciso de alguém que seja o meu braço e direito e que me ajude a tomar conta da criança – falei, olhando para o Matteo – é bom ter-te encontrado a ti – admiti sorrindo – mas agora preciso da tua ajuda, eu quero mesmo que este aniversário dele seja um máximo.
Ouvimos a porta bater e a Maddalena ia-se levantar para abrir a porta, o que eu impedi. Não estava inválida! Caminhei em direção à porta e abri-a. O Salvador e a Gabriela entraram com o Miguel na alcofa.
Cumprimentaram-me e entraram, colocando em seguida a alcofa do Miguel em cima do sofá.
- Como é que estás? – perguntou o Salvador, abraçando-me em seguida.
- Bem – respondi, abrindo um sorriso – a sério – confirmei, perante a sua expressão duvidosa. Acabei por me colocar junto da Maddalena com intenção de a apresentar.
- Maddalena, este é o meu irmão, o Salvador – falei, apontando para ele que lhe sorriu – e é a Gabriela, a namorada dele e minha amiga – caminhei para junto dela que tinha o Miguel já nos seus braços – e eles têm um filho que é o Miguel.
- Vamos lá tratar da festa? – propôs o Salvador – não viemos cá passear! – olhei-o espantada, não esperava que ele fosse ajudar-me com isto – achavas que te íamos deixar fazer a festa sozinha, principalmente agora que estás grávida?



A noite já ia longa e por mais que eu tentasse dormir não conseguia. Fazia o máximo esforço para me virar na cama e não me mexer muito ou fazer barulho, o Stephan estaria a dormir certamente.
- O bebé já dá pontapés e eu não sei? – ou não, afinal não estava a dormir. Acabou por acender o candeeiro e me olhar.
- Oh – puxei a roupa da cama para trás, estava com calor mesmo que fosse Outubro. Acabei por me deitar de barriga para baixo, apoiar o um cotovelo na almofada e colocar as minhas pernas por cima das suas – tenho uma insónia.
- Ai é uma insónia?
- É, é – dobrou-se sobre o seu corpo e puxou a roupa da cama para cima, tapando-nos – dá-me um beijinho – pedi, deitando a minha cabeça na almofada à frente da sua – anda lá – supliquei, perante a sua expressão de estranheza.
- Está bem – encostou apenas os seus lábios aos meus por breves segundos.
- Que beijo mais foleiro!
- Andas a ficar muito exigente – arrastou-se na cama e envolveu a minha cintura com os seus braços, deixando cair depois a sua cabeça sobre o meu peito – estou cheio de sono.
- Então porque é que não dormes?
- Porque – apertou os seus braços em volta do meu corpo – quando começámos a namorar eu disse que te queria nas lesões e nas dores de cabeça o que também inclui as insónias.
- Vais ficar comigo até eu conseguir dormir?
- Sim – largou o meu corpo e deitou-se ao meu lado, olhando-me – o que te preocupa?
- Nada.
- Nada mesmo? – perguntou com aquela expressão tão dele de quem estava desconfiado.
- Nada mesmo, Stephan – com o meu dedo indicador percorri o seu tronco sob o seu olhar atento.
- Já compraste a minha prenda?
- Oh sim! Tu até me deixas sair de casa e tudo para eu comprar a tua prenda!
- Bem visto… - olhei-o e ele sorriu – mas eu aposto que tu já saíste de casa.
- E apostas bem! Mas não foi para te comprar a prenda, como deves deduzir.
Ficou um silêncio estranho, constrangedor até. O seu olhar prendeu-se no teto e com a sua mão fazia pequenas caricias nas minhas costas.
- Rita – virou a sua cabeça e olhou-me – estou um pouco farto disto – acho que o meu coração parou, parou por aqueles segundos em que ele me olhava sério e não dizia nada – e quando digo isto, refiro-me ao que nos tornámos. Tornámo-nos em adultos sem querer.
- As circunstâncias levaram-nos a isso, tu sabes.
- Sei, sei. Mas também sei que por minha culpa tu perdeste a tua juventude.
- Stephan… – levei a minha mão ao seu rosto.
- Deixa-me falar por favor – pegou na minha mão retirando-a do seu rosto – eu sinto-me culpado por isto tudo. Tu tens crescido demasiado rápido, tens dezanove anos Rita. Não mereces esta vida, de todo! – não me dignei a interromper, ele precisava de dizer aquilo. Eu sentia-o – já olhaste à nossa volta? Desististe do teu curso para isto…estar presa a mim.
- Mas eu gosto disto, Stephan. Eu sou feliz aqui, entendes? Eu sou feliz ao teu lado. Eu gosto tanto de estar ao teu lado…
- Eu não te mereço – falou abanando a sua cabeça – não te mereço de todo.
- Tu fizeste por me merecer – larguei a minha mão da sua e voltei a percorrer o seu tronco – deixa de pensar essas coisas, anda lá.
- Então promete-me – levantou o seu corpo e sentou-se na cama, acabei por fazer o mesmo a olhá-lo – promete-me que deixas de pensar tão a frente como tens feito. Vive, Rita! Tu consegues divertir-te e ser responsável ao mesmo tempo.
- Mesmo grávida? Tu não me deixas sair de casa.
- Não deixo e tu sabes bem porquê – olhei-o, esperando que continuasse o seu raciocínio – bem, se calhar tenho sido demasiado severo contigo mas…eu tenho medo… - passou a mão pelo seu cabelo – eu não sei bem como dizer isto ou até se o hei de dizer mas…eu estou preocupada contigo e não com ele neste momento – falou apontando depois para a minha barriga – tu e o Matteo são a minha prioridade neste momento. Ele também será porque é o nosso filho – olhei para a minha barriga, as quase 12 semanas não se notavam nada mesmo nada – mas neste momento o importante és tu, eu quero que te sintas bem e sei que ainda não criaste uma relação com o nosso bebé e a verdade é que nem eu – admitiu, colocou as suas mãos na minha face – vamos com calma. Cada coisa a seu tempo.
- Obrigada – agradeci deixando a minha cabeça cair sobre o seu ombro.
- Eu estava a pensar em amanhã irmos a Savona – olhou para o telemóvel que tinha na mesa-de-cabeceira – ou melhor, hoje. A minha mãe está lá sozinha.
- Está bem.
- Está mesmo bem? – perguntou desconfiado – eu sei que no dia dos meus anos vamos ficar pouco tempo juntos porque vou ter a concentração para o jogo – deu-me um beijo na testa e olhou-me – podemos sempre não vir muito tarde aproveitar a noite!
- Uh, a noite! Só se for a partir da meia-noite!
- E será, já passaram as insónias?
- Vamos ver – voltei-me a deitar juntamente com ele – posso ir buscar o Matteo?
- Rita! – repreendeu-me.
- Mas…anda lá. Supostamente amanhã temos A noite! – falei rindo, dando enfase àquele «a» - e depois…não é? – acabei por me rir com a cara que ele fazia – preciso dele aqui, no meio de nós.
- Eu vou buscá-lo – disponibilizou-se. Levantou-se da cama e sorriu-me antes de sair do quarto.
Ajeitei-me na cama puxando os lençóis até me taparem o rosto.
- Chegámos – falou em voz baixa, com o Matteo no seu colo.
Afastou os lençóis e colocou o menino no meio de nós, dentando-se depois. Dormia sereno e não tinha acordado no caminho até ao nosso quarto.
- Vamos dormir?
- Hum-hum – o Matteo mexeu-se e virou-se colocando depois a sua mão no meu peito sem abrir os olhos – já podes apagar a luz - informei, sorrindo.



- Du du dá! – ia batendo com as mãos na mesa e pronunciando aqueles sons.
- Stephan? – chamei enquanto arrumava a loiça do pequeno almoço. Inclinei-me sobre a bancada e desbloqueei o telemóvel, precisava de mandar uma mensagem ao Salvador. Era suposto haver uma festa quando chegássemos a casa e não era eu que ia tratar dela.
- Mã! – quase que gritou o que me levou a olhar para o Matteo séria.
- O que foi? – perguntei. Estendeu os seus braços na minha direção e apercebi-me que era o telemóvel que ele queria – não – abanei a cabeça enquanto ele me olhava nada contente – tu tens os teus brinquedos! O pu?
Abanou a cabeça com aquele ar de chateado o que me fez rir à gargalhada.
- Olha o que eu encontrei! – o Stephan apareceu finalmente na sala com o boneco preferido do menino na mão – estava debaixo do sofá.
- Papá! – começou a agitar os braços na direção do boneco.
- Não, não! – arranquei o boneco das mãos do Stephan – o pu é meu! – agarrei o boneco contra o meu peito.
- Mã! – voltou a expressar aquele som com um grito em seguida.
O Stephan colocou-se atrás de mim, rodeando depois a minha cintura com os seus braços.
- És tão má – falou perto do meu ouvido, beijando-me a bochecha em seguida.
- Não sou má, não! Ele tem que aprender que não pode esconder o pu debaixo do sofá e depois gritar por ele como se alguém o tivesse roubado! – coloquei o meu indicador sobre o nariz do meu filho – tens que tratar bem do pu.
- Já não dizes coisa com coisa – largou-me e foi em direção ao Matteo, retirando-o da cadeira – estás pronta?
- Sim, sim. Só me falta ir buscar o saco com as coisas dele.
- Está na sala – informou.
Coloquei o pano sobre a bancada e fui com eles em direção à sala. Peguei na minha mala e depois no saco com as coisas do Matteo.
- Vamos lá embora? – avançamos em direção à porta, peguei nas chaves do carro que continham também a chave de casa – as chaves estão aqui…e podemos ir! – falei abrindo a porta.
- As tuas chaves de casa?
- Estão… - pois, tinha-as dado ao Salvador – lá em cima – falei um pouco atrapalhada – mas não vale a pena ir buscar, estão aqui as tuas, não é?
- Sim, claro.
Saímos os dois de casa e andámos em direção ao carro. O Stephan abriu a porta detrás e colocou o menino na cadeirinha. Quando acabou de lhe apertar o cinto saiu dali. Coloquei o saco dele no banco ao lado e debrucei-me sobre ele, dando-lhe um beijo na testa.
- Mã pu – falou devagar e sem a expressão de mal-humorado presente.
- Queres o pu? – perguntei com um sorriso.
- Pu! – voltou a repetir agitando os braços.
- Aqui tens - dei-lhe o boneco para as mãos que ele agarrou – agora vais dormir com o pu até chegarmos à casa da avó Lúcia.
Fechei a porta do carro e avancei para o lugar de pendura.
- Não sei se… - o Stephan pós a mão na testa, fechou os olhos por alguns segundos o que me assustou.
- Estás bem? – perguntei colocando as minhas mãos sobre as suas pernas.
- Sim é só que…dói-me a cabeça e… - retirou a mão da testa e olhou-me com uma expressão séria – posso pedir-te para não fazeres perguntas, preciso apenas que conduzas tu por enquanto. Sei que não estás habituada a fazer viagens tão grandes mas podemos sempre trocar a meio e…
- Tudo bem – interrompi – só quero que quando não estiveres bem me digas, certo?
 Acenou com a cabeça e aproximou-se de mim. Beijou-me pouco tempo depois enquanto colocava as suas mãos sob a minha camisola.
- Du du dá! – afastamo-nos assim que o Matteo se manifestou, olhámos os dois para trás. Mexia no boneco mas olhávamo-nos atentos – pu! – falou oferecendo-nos o boneco o que nos levou a rir.



O dia que passámos em Savona foi maravilhoso. A mãe do Stephan tratava-me como uma autêntica filha. Todo aquele carinho que tinha tanto por mim como pelo Matteo era notório.
Fiquei atenta àquela dor de cabeça estranha dele mas não deu qualquer sinal de esta ainda se manter.
Fiz os possíveis e os impossíveis para demorar o máximo de tempo possível em Savona. A ideia era mesmo chegar a casa perto da meia-noite e parece que consegui!
- O Matteo já vai a dormir – comentei assim que ele entrou com o carro no portão.
- Foi um dia bastante cansativo.
- E a dor de cabeça?
- Está boa – confirmou sorrindo – não costumo ser muito propício a dores de cabeça, não sei do que foi mas já passou.
Estacionou o carro e apressei-me a sair para ir buscar o Matteo ao banco detrás. Por muito que me custasse ter que o acordar tinha que o fazer. Iria acordar certamente quando entrássemos em casa e podia-se assustar.
Meio acordado, meio a dormir colocou a sua cabeça no meu peito e eu peguei na mala e no saco.
- Eu levo isso – ofereceu-se o Stephan pegando naquelas coisas.
Detive-o quando ia colocar a chave na porta. Olhou-me desconfiado e decidi avançar.
- Parabéns, papá – coloquei a mão que não segurava o Matteo no seu pescoço e com alguma dificuldade estiquei-me conseguindo beijá-lo.
- Obrigado, mamã – sorriu-me e deu-me um leve beijo na testa.
- Agora prepara-te – falei assim que rodou a chave da porta.
- Han?
- SURPRESA!!! – olhou para mim para no instante seguinte olhar para a sua frente. Todas aquelas vozes a gritar «surpresa» tinha sido maravilhoso.
Eu tinha conseguido, com algumas  pessoas a ajudarem-me, é verdade, mas eu tinha conseguido preparar-lhe uma festa. Tinha conseguido que ele sorrisse com vontade. Tinha conseguido com que ele celebra-se o seu aniversário junto dos que mais gosta. Tinha conseguido fazê-lo feliz, que é o que realmente importa.


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Boa noite!
Aqui está mais um capitulo, espero que desfrutem dele.
Beijinhos e boa semana,
Mahina