sexta-feira, 13 de março de 2015

39º Capitulo - « o Matteo é como se fosse nosso desde que nasceu »

- Rita continuas linda e…com um miúdo nos braços… - o Rafael sentou-se à minha frente e olhou-me como que tentando entender porque estava eu com o menino – tiveste um filho e não me contaste?
- Sim Rafa, tive um filho e ele já tem oito meses! – ironizei.
- Não é teu primo, pois não?
- Não. É uma história longa mas resumindo é o Matteo – peguei na sua pequena mão e acenei na direção do Rafael – e está comigo e com o Stephan.
- Por falar no teu namorado, onde é que ele anda?
- Milão, a época ainda não acabou.
- Mundial…?
- Pouca probabilidade… – ajeitei o Matteo nas minhas pernas, e este colocou as suas mãos em cima da mesa da esplanada. Aquele assunto já me tinha deixado um pouco desconfortável, olhei em volta e respirei. Se a mim me tinha deixado assim, imagino como deve deixar o Stephan.
- O Salvador está cá? – olhei-o, livrando-me de todos aqueles pensamentos.
- Não. A Gabriela não está aconselhada a fazer viagens com aquela barriga enorme e o Salvador também não a quer deixar sozinha.
- Gabriela grávida do Salvador…que filme! – começou a rir-se e acompanhei-o, realmente até tinha a sua graça ainda assim continuava a parecer demasiado surreal – eu ainda não acredito nisto, o meu melhor amigo vai ser pai de um filho que também pertence à Gabi.
- Agora imagina, eles os dois a viverem em Milão. Sozinhos, numa casa. A Gabriela com o seu sentido de humor cada vez mais acentuado, graças à gravidez, e o meu irmão, cada vez mais amoroso, a falar com a barriga dela.
- Demasiado difícil de acreditar.
- Mas é a verdade, meu caro. A verdade nua e crua.
- Como é que estás?
O ambiente de repente mudou. Fez-se silêncio e o meu olhar caiu sobre o Matteo que mexia no meu telemóvel, tinha conseguido alcança-lo e eu nem tinha dado conta. Em circunstâncias normais, ter-lhe-ia retirado o telemóvel mas não agora,…não agora que me tinha feito a pergunta mais difícil que eu não conseguia responder.
- Não sei, deve ser a melhor resposta que te consigo dar: não sei.
- Mas sentes-te bem?
- Agora sim. Sinto-me bem mas deixo de sentir quando entro naquele quarto de hospital portanto é um sentimento distinto.
- És mais forte do que o que pensas, sabes?
- Tenho a plena consciência de que se agora não tivesse o Matteo, a minha vida era muito mais complicada – peguei numa das suas mãos e beijei-a num ato de puro carinho – ele dá-me tanta força.
- Estás tão crescida. Parece que ainda ontem íamos para a escola todos juntos.
- Tu com os teus engates foleiros e eu com o pior engate que podia ter arranjado…
- Passado, certo? Mas ainda hoje me lembro do dia em que o conheci.
- Eu também me lembro desse dia mas não pelos mesmos motivos…nessa altura acho que ainda tinha um fraquinho por ti. E ainda nem namorava com o Filipe a sério.
- E quando é que passou a ser a sério?
- Não sei mas…maldita a hora.

- Não achas que és nova de mais para teres um namorado? – o Rafael colocou a sua mão por cima do meu ombro. Revirei os olhos e afastei-me dele no instante a seguir.
- E tu não achas que se eu quisesse que me desses opiniões acerca da minha vida, que tas pedia? – perguntei determinada.
- O teu irmão vai adorar saber que tens namorado!
- O meu irmão, tal como tu, não tem nada que opinar na minha vida amorosa.
- Estás muito senhora do teu nariz!
- Cala-te, Rafael! Não tens a Cátia ou Márcia lá à tua espera?
- Isso é tudo inveja do meu último engate?
- Não! É tudo desejo que te cales!
- É aquele o teu namorado? – o Filipe caminhava na nossa direção, mais propriamente na minha.
Quando me alcançou, beijou-me num curto e até desajeitado beijo.
- Rafael – falei e ele olhou-me – é o Filipe, o meu namorado - tinha um olhar zangado, se não o conhecesse tão bem diria que estava com ciúmes e pronto a qualquer momento a atacar o Filipe – olha aquela não é a tua amiga Márcia? – perguntei apontando para o portão da escola – parece que arranjou outro engate – disse ao vê-la a beijar um rapaz.

- Sabes quem é que está aqui? – perguntei, voltando ao real e esquecendo todas aquelas memórias.
- Quem?
- A Mara. Lembraste dela, certo?
- Hum, Mara… - comecei a rir-me sozinha perante as expressões que fazia, devia conhecer algumas e não pelos motivos mais dignos.
- A prima da Mariana.
- Ah, essa Mara! Sim, eu sei quem é.
- E por falar em Mariana. Há uma pregunta que já ando há algum tempo para te fazer.
- Diz-me lá.
Um barulho despertou-me e olhei para o chão, verificando aquilo que já previa. O meu telemóvel tinha acabado de cair. Baixei-me com cuidado, já que tinha o Matteo nas minhas pernas.
- Ai, ai. Para a próxima é mais seguro trazer o telemóvel do Stephan, o que me dizes? – falei, levando o Matteo a esboçar um dos seus sorrisos, de quem não tinha percebido nada do que eu tinha dito mas que tinha adorado que eu tivesse falado para ele – dá-me os teus óculos de sol, por favor – pedi colocando a minha mão na direção das do Rafael – ele adora óculos.
- É possível que eu fique sem uma lente?
- É possível que fiques sem óculos mas pensa, é para o bem de uma criança.
- O que eu não faço para o bem de uma criança…mas faz lá a pergunta.
- O Salvador contou-te que traiu a Francesca?
- A Francisca? Contou, contou!
- Francesca, Rafael. O nome dela é Francesca.
- Ou isso. Vai dar tudo ao mesmo – olhou para o Matteo por uns minutos, o menino brincava com os óculos dele mas não os estragava. Apenas colocava os seus pequenos dedos nas lentes – ele falou comigo sobre isso, uma vez. Mas nunca me disse com quem é que a tinha traído.
- Agora sabemos que foi com a Gabriela.
- Gabriela essa que traiu o Pedro.
- Sim, é esse o raciocínio. Dava um bom filme – constatei.
- E o Afonso, como é que está?
- Está abalado com isto do meu pai, claro. E também está naquela fase de: sofreu o primeiro desgosto amoroso a sério e agora virou vadio.
- Vadio?
- Sim. Passamos por uma rapariga na rua e ele começa logo a divagar. Está a ficar igual a ti! – o Rafael olhou-me fingindo-se muito chocado – agora a falar a sério. Podias falar com ele? O Salvador não está cá e ele não me ouve.
- Sim, eu faço isso.
- Obrigada – coloquei uma das minhas mãos por cima das suas e sorri-lhe.
- Tudo bem mas agora deixa-me conhecer melhor este miúdo – levantou-se da cadeira e avançou na minha direção, colocando-se ao nível do Matteo – és tão engraçado! Tens pinta de quem vais ser um Rafael.
- Desde que não seja um Rafael engatatão! – brinquei, levando a que agora até ele se risse.




- Rita… - sussurrou. Coloquei-me sobre a cama e aos poucos gatinhei na sua direção. Fiquei frente a frente com ele. Olhei-o nos olhos e senti-me totalmente rendida àquele olhar – o que é que estás a fazer…?
- O que já não faço há imenso tempo… - num movimento rápido empurrei o cabelo para trás, este que já me cobria os olhos – aliás, o que já não fazemos há imenso tempo – avancei mais um pouco na sua direção, ficando agora a uma distância aceitável dos seus lábios.
Avancei ainda mais na sua direção e deixei que colocasse, agora, as suas mãos ao meu corpo. Até este tipo de toque já era escasso nos últimos tempos. Coloquei as minhas mãos na sua face e beijei-o, também como há muito não o fazia. As suas mãos entraram em contacto com a minha pele, tinha as mãos quentes tal como lhe era característico. Deixou os meus lábios livres e avançou para o meu pescoço. Sentia o calor dos seus lábios a arrepiar-me a cada segundo que passava, tal e qual como da primeira vez. Nada havia mudado, começava a sentir-me nervosa por me entregar a ele. Não era a primeira e de certeza que não seria a última mas o Stephan sempre teve este efeito em mim e quem sabe se sempre o terá.
- Diz-me que isto não é o choro do Matteo – parou de me beijar e deixou a sua cabeça cair sobre o meu peito.
- Não Stephan. É impossível! O Matteo está em casa do meu irmão – encostei os meus lábios ao seu pescoço, elevando-lhe a cabeça.
- Rita, ouve! – afastei-me dele e fizemos silêncio. Sim, era o choro do Matteo. Não sei como, não sei porquê mas era o choro dele.
- Oh meu Deus! – foi a minha vez de deixar a minha cabeça cair sobre o seu peito – aquilo é o intercomunicador de certeza – constatei – provavelmente, a esperteza da minha amiga é tanta que levou um e deixou o outro – fizemos mais algum silêncio e reparámos que tinha parado o choro – finalmente parou.
- É melhor ires desligá-lo – aproximei-me dele e depositei-lhe um leve beijo nos lábios.
Levantei-me e percorri a pequena distância que havia entre o nosso quarto e o outro. Realmente também não estava a entender porque tínhamos ali o intercomunicador, deveria estar na sala ou no nosso quarto, não ali. Peguei nele e desliguei-o, voltando depois para o quarto.
- Finalmente, sós.
- É melhor fechar a porta do quarto à chave – brincou levando-me a sorrir. Fechei a porta, não à chave mas fechei-a.
Caminhei em direção a ele e sentei-me no seu colo.
- Era uma vez… - beijei-lhe o pescoço enquanto me puxava para ele.
- Hum, gosto bastante dessas histórias.
- Deixa-me continuar, Stephan! – repreendi afastando-me dele – era uma vez uma rapariga, chamada Rita. Ela apaixonou-se…
- Deixa-me adivinhar – subiu a minha camisola, e colocou as suas mãos nas minhas costas – por um rapaz que se chamava Stephan e era giro como eu?
- E não é que era mesmo? – pus as minhas mãos na sua camisola e ele elevou os braços, ajudando-me assim a retirá-la – depois ele também se apaixonou por ela, penso eu…
- E pensas muito bem! Acho que foi amor há primeira vista.
- Que dura há precisamente… - apoderei-me dos lábios dele, passando as minhas mãos pelo seu tronco.
- Um ano e seis meses – finalizou, depois de quebrar aquele beijo.
Moveu-se na cama e levou-me consigo. Deitou-se com cuidado por cima de mim e retirou-me a camisola de uma forma delicada mas rápida.
- Sabes… - deixou os seus dedos deslizarem pelo meu rosto num ato delicado – há coisas que não se conseguem explicar e o amor que sinto por ti é uma delas – com o seu dedo indicador percorreu o meu pescoço e peito acabando no meu tronco – é tão intenso e louco ao mesmo tempo – tomou os meus lábios e coloquei as minhas mãos nas suas costas.
Olhei-o tentando perceber o que lhe ia na cabeça enquanto me retirava as calças. Atirou aquela peça de roupa para o meio do chão e voltou a juntar os nossos corpos.
- Algum dia vamos conseguir fazer isto sem que tu te arrepies só com um beijo? – beijou-me o ombro e como esperado arrepiei-me, estava em mim, estava na maneira que reagia a ele – ou que não tremas quando te passo as mãos pela barriga? – afastou-se de mim e sempre com seu olhar preso no meu passou as suas mãos pelo meu tronco levando-me a tremer e a arrepiar-me só com aquele toque.
- Stephan! – repreendi-o, enquanto ele se ria – não digas e não faças essas coisas assim, senão aí é que me arrepio mais!
- É por isso que isto é tão…bom!
- Bom? – levantei o meu tronco e olhei-o – eu a pensar que a palavra para definir melhor isto era magnífico!
- E é! – puxou o meu corpo para o seu e sentei-me sobre as suas pernas olhando-o – juro que é – afastou-me o cabelo que me tapava um dos lado do rosto e beijou-me em seguida o pescoço.
Bastaram mais alguns minutos para a entrega ser total como sempre fora. Sentia-me totalmente completa e realizada naqueles momentos. Conseguia-me esquecer de todos os problemas e de todas as complicações que havia. Eramos só nós, apenas nós e mais ninguém naquela troca de carinho e amor.




- Rita, o que estás a comer? – virei-me para trás de repente, o Stephan tinha-me assustado, não o esperava ali.
- Cereais – levantei a taça para ele poder ver – com chantilly.
- O quê? – perguntou quase como que escandalizado com o que acabara de lhe dizer.
- Sim, estou a comer cereais com chantilly – caminhei novamente em direção à sala e sentei-me no sofá junto da Cristina que segurava o Matteo nos seus braços. O Stephan colocou-se à minha frente e olhava-me sério – é bom! – concluí, levando mais uma colher à boca.
- Deve ser ótimo! – ironizou.
- O que estás a comer? – a Cristina fez-me aquela pergunta olhando-me atenta.
- Cereais…com chantilly.
- Isso é tão bom – a Carlotta sorriu-me – eu comia isso quando estava grávida!
- Ah! – o Stephan olhou para mim ainda mais sério.
- Não…
- Sim! – insistiu.
Levantei-me e fui em direção à cozinha, olhei para trás e verifiquei que caminhava atrás de mim.
- Não, Stephan.
- Sim, sim!
- Não, não!
- Há quanto tempo é que deixaste de tomar a pilula?
- Eu não deixei de tomar a pilula! Só me esqueci de tomar há uns dois dias – coloquei a taça dos cereais na banca.
- E há duas semanas e ontem…
- Shh – coloquei o meu dedo indicador sobre os seus lábios – já temos um – coloquei as minhas mãos nas suas costas e juntei os nossos lábios num beijo calmo – mas…querias? – afastei-me dele e olhei-o.
- Não vou dizer que não mas também não vou dizer que sim – olhei-o confusa – é assim, resumindo não temos idade para isso.
- É verdade! Estamos na idade de sair à noite.
- Há quanto tempo é que não saímos à noite?
- Há muito… - peguei na sua mão e caminhámos em direção à sala novamente.
A sala estava cheia, era provavelmente a última vez que eles se uniam como equipa, alguns já tinham propostas e provavelmente nuca mais estariam juntos.
- Ritinha? – o Balotelli chamou por mim, estava sentado no chão a jogar uma coisa qualquer na PlayStation – não queres jogar comigo?
- Jogo, jogo! – encaminhei-me para junto dele e sentei-me, agarrando no comando que o Riccardo me passou – eu fico com o Real Madrid!
- Rita! – o Stephan sentou-se ao meu lado – devias ficar com o Milan e marcar golos comigo!
- Stephan, querido – passei a minha mão pela sua face e dei-lhe um beijo rápido – eu quero ganhar o jogo, não perder.
- Só por isso fico com o Milan! – disse o Balotelli.
- Então fica, eu vou ganhar! – atirei convencida de mim mesma.
Escusado será dizer que levei logo um golo, nos primeiros cinco minutos. Eu não sabia jogar aquilo. Os cursos intensivos do Stephan para me ensinar a jogar não tinham dado em nada.
- Golo! – o Stephan gritou atrás de mim e olhei-o – olha! Fui eu que marquei!
- Não! Foi ele que marcou com o teu boneco – disse apontando para o Balotelli – estou a perder por dois, respeita-me por favor e faz alguma coisa!
- Rita! Chuta! Não! – olhei-o nada contente com toda aquela gritaria – era para o outro lado. Acabaste de marcar autogolo com…o Casillas.
- Que vergonha! – o Balotelli falou, peguei numa almofada que estava sobre o sofá mais próximo e atirei-lha.
- Vergonha nada! Vou buscar os meus cereais com chantilly que é melhor – entreguei o comando ao Stephan e caminhei até à Cristina e a Carlotta que brincavam com o Matteo.
- Ele é tão calmo, Rita! – sentei-me no chão perto delas, o Matteo viu-me e começou a mexer os seus pequenos braços na minha direção – ele quer a mamã! – a Carlotta entregou-me e coloquei-o sobre as minhas pernas.
Mamã, aquela palavra tinha-me feito uma imensa confusão. Ele estava connosco há poucos meses mas tinha-se tornado meu filho, na verdade. Fui eu quem passou noites em claro com a chegada dos primeiros dentes e fui eu quem observou orgulhosa a primeira vez que gatinhou até mim. Teria eu ganhado um filho sem sequer me aperceber?
- Rita? – a Cristina chamou-me e olhei-a esquecendo todos aqueles pensamentos – ele é assim sempre? Calmo?
- Não, claro que não. Vocês não queriam cá estar quando lhe nasceu o primeiro dente, acreditem. Foi terrível – concluí. Levou as suas mãos aos meus cabelos como sempre – agora é um amor e puxa cabelos que se farta!


- Vais dormir aí? – estava deitada no sofá com o Matteo a dormiu sobre o meu peito. O Stephan levantou-me os pés e sentou-se, colocando depois os meus pés assentes sobre as suas pernas.
- Por mim dormia. Ele está sossegado e se eu me vou levantar ainda acorda.
- Fazemos um acordo, eu vou deitá-lo com todo o cuidado e tu vais para a cama.
- Se o acordas mato-te, Stephan.
- Eu tenho cuidado, prometo – pegou nele com toda a delicadeza e começou a subir as escadas devagar.
Levantei-me do sofá lentamente. Apaguei as luzes da sala e subi até ao andar de cima. Em vez de ir direita para o nosso quarto passei pelo do Matteo reparando que o Stephan estava a mira-lo do berço.
Cheguei perto dele e abracei-o, deixando a minha cabeça cair sobre as suas costas. Fez-se algum silêncio e apenas as nossas respirações se ouviam.
- Não quero ficar sem ele – falei baixo e com algum receio da reação do Stephan.
Por mais que ele se afeiçoasse à criança, encarava sempre este assunto com alguma frieza. Acho que no seu íntimo lutava contra ele mesmo. Uma parte de si quer tanto o Matteo como eu…mas sei que a outra parte tem receio que a Andrea chegue e o leve de nós tal e qual como nos o entregou, de uma forma rápida e sem explicação evidente.
- Eu também não – fez com que me largasse dele e agarrou as minhas mãos, entrelaçando-as em seguida.
- Já passou tanto tempo…podemos começar a encarar isto como deve ser? Posso começar a trata-lo como meu filho e incentiva-lo a que a primeira palavra dele seja “mamã”?
- Mas…
- E promete-me que se a Andrea voltar e o levar ficas do meu lado e me enxugas cada lágrima que eu derramar…por favor Stephan – implorei num baixo tom de voz.
Virou-se lentamente e encarou-me, voltou a agarrar as minhas mãos e vi-lhe um ligeiro sorriso no rosto.
- Eu prometo isso e muito mais. Ele merece fazer parte da nossa família, aliás ele merece ter uma família – levei uma das minhas mãos ao seu rosto e vi novamente aquele pequeno sorriso – no meio disto tudo o meu maior medo…és tu. Não sei como irás reagir se ele nos deixar e temos que ser racionais, ele pode-se ir embora daqui a uns meses, semanas, dias ou até horas mas se é isto que queres, assim será.
- Obrigada – acabei por dizer – eu não aguento mais pegar nele cada manhã, dar-lhe banho e de comer, e não o poder chamar de filho. Ele não é meu mas…é como se fosse. Ste… o Matteo é como se fosse nosso desde que nasceu.
- Eu sei – puxou o meu corpo para perto do seu e deu-me um leve beijo na testa – estamos juntos, aconteça o que acontecer – garantiu-me.




O sol de Junho raiava pelo jardim. Deitei-me na espreguiçadeira e peguei numa revista enquanto ouvia o Stephan a falar com o Matteo que já começava a articular os sons de maneira a se começar a perceber qualquer coisa.
Enquanto folheava a revista ouvia algumas das “meias palavras” que o Matteo já dizia. Uma das que mais dizia era “ma” e “pá”, eram precisas semanas até ouvirmos a sua primeira palavra.
Peguei no telemóvel e comecei a ver algumas notícias até que uma certa me despertou.
- Stephan? – chamei.
Pousei o telemóvel ao meu lado e esperei que ele chegasse a mim. O Matteo assim que me viu movimentou os braços na minha direção e proporcionou-nos mais um bonito momento quando pronunciou “ma” e se referia a mim.
- Sim meu amor, eu sei que gostas mais da ma que o pai, por isso anda cá – levantei o meu tronco e peguei nele, colocando-o sentado na minha barriga.
- O que querias, feia?
- A feia queria-te perguntar o que é isto – peguei no telemóvel e virei-o para ele.
- Isto é uma boa notícia! O Milan channel anda a fazer umas coisas engraçadas e isto é só mais uma!
- Eu li bem? Casal do mês?
- Sim. Nomeados para casal do mês e como dá para verificar os outros três nomeados são feios, por isso está no papo.
- Stephan, desde quando é que eles sabem que nós somos um casal?
- Desde que foste àquele jogo comigo quando eu estava lesionado, focaram-te bem Rita. Não me digas que não notaste? Saíste em algumas revistas na altura!
- E tu não me disseste nada?
- Pensei que soubesses! Ficaste gira!
- Ah pronto, estou muito mais descansada agora.
- Porque é que tenho a sensação que estás a ser irónica?
- Porque estou mesmo! Apareci em revistas e nem sei, achas bem? Avisas-me agora três meses depois.
- Desculpa – baixou-se dando-me um leve beijo nos lábios – não pensei que ficasses tão irritada.
- Não estou irritada – defendi-me – só gostava de ter tido conhecimento disso. E se nós ganharmos? – perguntei curiosa.
- É só uma pequena entrevista com a… - olhei para ele esperando que continuasse – esqueci-me do nome dela! Mas pronto, é só falar um bocadinho com a rapariga.
- Stephan El Shaarawy, o que é que me escondes mais? Se tens mais alguma coisa para contar é melhor ser agora.
- Ando a planear às escondidas as nossas férias.
- Hum, isso agrada-me. Incluiu a criança que me está a puxar o cabelo? – afastei o meu cabelo do alcance do Matteo e este pegou no meu telemóvel segundos depois.
- Não.
- Não? – perguntei surpreendida.
- Não. Nós merecemos alguma coisa a sós e é só uma semana. Aguentas uma semana sem ele?
- Sim…quer dizer, não sei. Com quem é que o vamos deixar?
- Existe uma coisa que se chama: avós! Ora, tu tens uma mãe e eu tenho outra, que tal?
- Não sei Stephan. A minha mãe a última vez que esteve comigo pensou que o Matteo era provisório e nem sabe de toda esta história, e a tua mãe…ela nem deve saber da existência dele, ou sabe?
- Creio que não mas era um bom momento para a conheceres!
- Não…é que não mesmo.
- Estás com medo Rita El Shaarawy? – perguntou enquanto se ria.
- Estou! – admiti sem rodeios – o que é que ela vai pensar de mim? A primeira vez que me viu eu estava pronta a esganar a Giulia, acho que não deve ter a melhor impressão de mim.
- Mas nós namoramos há mais de um ano, Rita. Tem todo o sentido que a conheças, já não digo ao meu pai, mas…a ela pelo menos, que é boa mulher.
- Nota-se! Aturar-te a ti e ao teu irmão não deve ter sido nada fácil!
- Então podemos planear um lanche antes de irmos de férias, tu conhece-la e contamos-lhe do Matteo.
- Com uma condição! Temos que ir a Portugal com ele, para ser apresentado como deve ser.
- Temos acordo! – esticou-me a mão, sorrindo depois.
- É sempre tão bom negociar consigo, caro Stephan – apertei a sua mão rindo-me em seguida. 


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Olá!
Um enorme pedido de desculpas não deve chegar mas a falta de vontade de escrever misturada com outras coisas dá nisto. Desculpem e espero que este capitulo compense.
Espero também que não tenham desistido.
Aguardo os vossos comentários, preciso deles para saber o que acham desta nova fase.
Beijinhos,
Bom fim-de-semana!
Mahina