sexta-feira, 13 de março de 2015

39º Capitulo - « o Matteo é como se fosse nosso desde que nasceu »

- Rita continuas linda e…com um miúdo nos braços… - o Rafael sentou-se à minha frente e olhou-me como que tentando entender porque estava eu com o menino – tiveste um filho e não me contaste?
- Sim Rafa, tive um filho e ele já tem oito meses! – ironizei.
- Não é teu primo, pois não?
- Não. É uma história longa mas resumindo é o Matteo – peguei na sua pequena mão e acenei na direção do Rafael – e está comigo e com o Stephan.
- Por falar no teu namorado, onde é que ele anda?
- Milão, a época ainda não acabou.
- Mundial…?
- Pouca probabilidade… – ajeitei o Matteo nas minhas pernas, e este colocou as suas mãos em cima da mesa da esplanada. Aquele assunto já me tinha deixado um pouco desconfortável, olhei em volta e respirei. Se a mim me tinha deixado assim, imagino como deve deixar o Stephan.
- O Salvador está cá? – olhei-o, livrando-me de todos aqueles pensamentos.
- Não. A Gabriela não está aconselhada a fazer viagens com aquela barriga enorme e o Salvador também não a quer deixar sozinha.
- Gabriela grávida do Salvador…que filme! – começou a rir-se e acompanhei-o, realmente até tinha a sua graça ainda assim continuava a parecer demasiado surreal – eu ainda não acredito nisto, o meu melhor amigo vai ser pai de um filho que também pertence à Gabi.
- Agora imagina, eles os dois a viverem em Milão. Sozinhos, numa casa. A Gabriela com o seu sentido de humor cada vez mais acentuado, graças à gravidez, e o meu irmão, cada vez mais amoroso, a falar com a barriga dela.
- Demasiado difícil de acreditar.
- Mas é a verdade, meu caro. A verdade nua e crua.
- Como é que estás?
O ambiente de repente mudou. Fez-se silêncio e o meu olhar caiu sobre o Matteo que mexia no meu telemóvel, tinha conseguido alcança-lo e eu nem tinha dado conta. Em circunstâncias normais, ter-lhe-ia retirado o telemóvel mas não agora,…não agora que me tinha feito a pergunta mais difícil que eu não conseguia responder.
- Não sei, deve ser a melhor resposta que te consigo dar: não sei.
- Mas sentes-te bem?
- Agora sim. Sinto-me bem mas deixo de sentir quando entro naquele quarto de hospital portanto é um sentimento distinto.
- És mais forte do que o que pensas, sabes?
- Tenho a plena consciência de que se agora não tivesse o Matteo, a minha vida era muito mais complicada – peguei numa das suas mãos e beijei-a num ato de puro carinho – ele dá-me tanta força.
- Estás tão crescida. Parece que ainda ontem íamos para a escola todos juntos.
- Tu com os teus engates foleiros e eu com o pior engate que podia ter arranjado…
- Passado, certo? Mas ainda hoje me lembro do dia em que o conheci.
- Eu também me lembro desse dia mas não pelos mesmos motivos…nessa altura acho que ainda tinha um fraquinho por ti. E ainda nem namorava com o Filipe a sério.
- E quando é que passou a ser a sério?
- Não sei mas…maldita a hora.

- Não achas que és nova de mais para teres um namorado? – o Rafael colocou a sua mão por cima do meu ombro. Revirei os olhos e afastei-me dele no instante a seguir.
- E tu não achas que se eu quisesse que me desses opiniões acerca da minha vida, que tas pedia? – perguntei determinada.
- O teu irmão vai adorar saber que tens namorado!
- O meu irmão, tal como tu, não tem nada que opinar na minha vida amorosa.
- Estás muito senhora do teu nariz!
- Cala-te, Rafael! Não tens a Cátia ou Márcia lá à tua espera?
- Isso é tudo inveja do meu último engate?
- Não! É tudo desejo que te cales!
- É aquele o teu namorado? – o Filipe caminhava na nossa direção, mais propriamente na minha.
Quando me alcançou, beijou-me num curto e até desajeitado beijo.
- Rafael – falei e ele olhou-me – é o Filipe, o meu namorado - tinha um olhar zangado, se não o conhecesse tão bem diria que estava com ciúmes e pronto a qualquer momento a atacar o Filipe – olha aquela não é a tua amiga Márcia? – perguntei apontando para o portão da escola – parece que arranjou outro engate – disse ao vê-la a beijar um rapaz.

- Sabes quem é que está aqui? – perguntei, voltando ao real e esquecendo todas aquelas memórias.
- Quem?
- A Mara. Lembraste dela, certo?
- Hum, Mara… - comecei a rir-me sozinha perante as expressões que fazia, devia conhecer algumas e não pelos motivos mais dignos.
- A prima da Mariana.
- Ah, essa Mara! Sim, eu sei quem é.
- E por falar em Mariana. Há uma pregunta que já ando há algum tempo para te fazer.
- Diz-me lá.
Um barulho despertou-me e olhei para o chão, verificando aquilo que já previa. O meu telemóvel tinha acabado de cair. Baixei-me com cuidado, já que tinha o Matteo nas minhas pernas.
- Ai, ai. Para a próxima é mais seguro trazer o telemóvel do Stephan, o que me dizes? – falei, levando o Matteo a esboçar um dos seus sorrisos, de quem não tinha percebido nada do que eu tinha dito mas que tinha adorado que eu tivesse falado para ele – dá-me os teus óculos de sol, por favor – pedi colocando a minha mão na direção das do Rafael – ele adora óculos.
- É possível que eu fique sem uma lente?
- É possível que fiques sem óculos mas pensa, é para o bem de uma criança.
- O que eu não faço para o bem de uma criança…mas faz lá a pergunta.
- O Salvador contou-te que traiu a Francesca?
- A Francisca? Contou, contou!
- Francesca, Rafael. O nome dela é Francesca.
- Ou isso. Vai dar tudo ao mesmo – olhou para o Matteo por uns minutos, o menino brincava com os óculos dele mas não os estragava. Apenas colocava os seus pequenos dedos nas lentes – ele falou comigo sobre isso, uma vez. Mas nunca me disse com quem é que a tinha traído.
- Agora sabemos que foi com a Gabriela.
- Gabriela essa que traiu o Pedro.
- Sim, é esse o raciocínio. Dava um bom filme – constatei.
- E o Afonso, como é que está?
- Está abalado com isto do meu pai, claro. E também está naquela fase de: sofreu o primeiro desgosto amoroso a sério e agora virou vadio.
- Vadio?
- Sim. Passamos por uma rapariga na rua e ele começa logo a divagar. Está a ficar igual a ti! – o Rafael olhou-me fingindo-se muito chocado – agora a falar a sério. Podias falar com ele? O Salvador não está cá e ele não me ouve.
- Sim, eu faço isso.
- Obrigada – coloquei uma das minhas mãos por cima das suas e sorri-lhe.
- Tudo bem mas agora deixa-me conhecer melhor este miúdo – levantou-se da cadeira e avançou na minha direção, colocando-se ao nível do Matteo – és tão engraçado! Tens pinta de quem vais ser um Rafael.
- Desde que não seja um Rafael engatatão! – brinquei, levando a que agora até ele se risse.




- Rita… - sussurrou. Coloquei-me sobre a cama e aos poucos gatinhei na sua direção. Fiquei frente a frente com ele. Olhei-o nos olhos e senti-me totalmente rendida àquele olhar – o que é que estás a fazer…?
- O que já não faço há imenso tempo… - num movimento rápido empurrei o cabelo para trás, este que já me cobria os olhos – aliás, o que já não fazemos há imenso tempo – avancei mais um pouco na sua direção, ficando agora a uma distância aceitável dos seus lábios.
Avancei ainda mais na sua direção e deixei que colocasse, agora, as suas mãos ao meu corpo. Até este tipo de toque já era escasso nos últimos tempos. Coloquei as minhas mãos na sua face e beijei-o, também como há muito não o fazia. As suas mãos entraram em contacto com a minha pele, tinha as mãos quentes tal como lhe era característico. Deixou os meus lábios livres e avançou para o meu pescoço. Sentia o calor dos seus lábios a arrepiar-me a cada segundo que passava, tal e qual como da primeira vez. Nada havia mudado, começava a sentir-me nervosa por me entregar a ele. Não era a primeira e de certeza que não seria a última mas o Stephan sempre teve este efeito em mim e quem sabe se sempre o terá.
- Diz-me que isto não é o choro do Matteo – parou de me beijar e deixou a sua cabeça cair sobre o meu peito.
- Não Stephan. É impossível! O Matteo está em casa do meu irmão – encostei os meus lábios ao seu pescoço, elevando-lhe a cabeça.
- Rita, ouve! – afastei-me dele e fizemos silêncio. Sim, era o choro do Matteo. Não sei como, não sei porquê mas era o choro dele.
- Oh meu Deus! – foi a minha vez de deixar a minha cabeça cair sobre o seu peito – aquilo é o intercomunicador de certeza – constatei – provavelmente, a esperteza da minha amiga é tanta que levou um e deixou o outro – fizemos mais algum silêncio e reparámos que tinha parado o choro – finalmente parou.
- É melhor ires desligá-lo – aproximei-me dele e depositei-lhe um leve beijo nos lábios.
Levantei-me e percorri a pequena distância que havia entre o nosso quarto e o outro. Realmente também não estava a entender porque tínhamos ali o intercomunicador, deveria estar na sala ou no nosso quarto, não ali. Peguei nele e desliguei-o, voltando depois para o quarto.
- Finalmente, sós.
- É melhor fechar a porta do quarto à chave – brincou levando-me a sorrir. Fechei a porta, não à chave mas fechei-a.
Caminhei em direção a ele e sentei-me no seu colo.
- Era uma vez… - beijei-lhe o pescoço enquanto me puxava para ele.
- Hum, gosto bastante dessas histórias.
- Deixa-me continuar, Stephan! – repreendi afastando-me dele – era uma vez uma rapariga, chamada Rita. Ela apaixonou-se…
- Deixa-me adivinhar – subiu a minha camisola, e colocou as suas mãos nas minhas costas – por um rapaz que se chamava Stephan e era giro como eu?
- E não é que era mesmo? – pus as minhas mãos na sua camisola e ele elevou os braços, ajudando-me assim a retirá-la – depois ele também se apaixonou por ela, penso eu…
- E pensas muito bem! Acho que foi amor há primeira vista.
- Que dura há precisamente… - apoderei-me dos lábios dele, passando as minhas mãos pelo seu tronco.
- Um ano e seis meses – finalizou, depois de quebrar aquele beijo.
Moveu-se na cama e levou-me consigo. Deitou-se com cuidado por cima de mim e retirou-me a camisola de uma forma delicada mas rápida.
- Sabes… - deixou os seus dedos deslizarem pelo meu rosto num ato delicado – há coisas que não se conseguem explicar e o amor que sinto por ti é uma delas – com o seu dedo indicador percorreu o meu pescoço e peito acabando no meu tronco – é tão intenso e louco ao mesmo tempo – tomou os meus lábios e coloquei as minhas mãos nas suas costas.
Olhei-o tentando perceber o que lhe ia na cabeça enquanto me retirava as calças. Atirou aquela peça de roupa para o meio do chão e voltou a juntar os nossos corpos.
- Algum dia vamos conseguir fazer isto sem que tu te arrepies só com um beijo? – beijou-me o ombro e como esperado arrepiei-me, estava em mim, estava na maneira que reagia a ele – ou que não tremas quando te passo as mãos pela barriga? – afastou-se de mim e sempre com seu olhar preso no meu passou as suas mãos pelo meu tronco levando-me a tremer e a arrepiar-me só com aquele toque.
- Stephan! – repreendi-o, enquanto ele se ria – não digas e não faças essas coisas assim, senão aí é que me arrepio mais!
- É por isso que isto é tão…bom!
- Bom? – levantei o meu tronco e olhei-o – eu a pensar que a palavra para definir melhor isto era magnífico!
- E é! – puxou o meu corpo para o seu e sentei-me sobre as suas pernas olhando-o – juro que é – afastou-me o cabelo que me tapava um dos lado do rosto e beijou-me em seguida o pescoço.
Bastaram mais alguns minutos para a entrega ser total como sempre fora. Sentia-me totalmente completa e realizada naqueles momentos. Conseguia-me esquecer de todos os problemas e de todas as complicações que havia. Eramos só nós, apenas nós e mais ninguém naquela troca de carinho e amor.




- Rita, o que estás a comer? – virei-me para trás de repente, o Stephan tinha-me assustado, não o esperava ali.
- Cereais – levantei a taça para ele poder ver – com chantilly.
- O quê? – perguntou quase como que escandalizado com o que acabara de lhe dizer.
- Sim, estou a comer cereais com chantilly – caminhei novamente em direção à sala e sentei-me no sofá junto da Cristina que segurava o Matteo nos seus braços. O Stephan colocou-se à minha frente e olhava-me sério – é bom! – concluí, levando mais uma colher à boca.
- Deve ser ótimo! – ironizou.
- O que estás a comer? – a Cristina fez-me aquela pergunta olhando-me atenta.
- Cereais…com chantilly.
- Isso é tão bom – a Carlotta sorriu-me – eu comia isso quando estava grávida!
- Ah! – o Stephan olhou para mim ainda mais sério.
- Não…
- Sim! – insistiu.
Levantei-me e fui em direção à cozinha, olhei para trás e verifiquei que caminhava atrás de mim.
- Não, Stephan.
- Sim, sim!
- Não, não!
- Há quanto tempo é que deixaste de tomar a pilula?
- Eu não deixei de tomar a pilula! Só me esqueci de tomar há uns dois dias – coloquei a taça dos cereais na banca.
- E há duas semanas e ontem…
- Shh – coloquei o meu dedo indicador sobre os seus lábios – já temos um – coloquei as minhas mãos nas suas costas e juntei os nossos lábios num beijo calmo – mas…querias? – afastei-me dele e olhei-o.
- Não vou dizer que não mas também não vou dizer que sim – olhei-o confusa – é assim, resumindo não temos idade para isso.
- É verdade! Estamos na idade de sair à noite.
- Há quanto tempo é que não saímos à noite?
- Há muito… - peguei na sua mão e caminhámos em direção à sala novamente.
A sala estava cheia, era provavelmente a última vez que eles se uniam como equipa, alguns já tinham propostas e provavelmente nuca mais estariam juntos.
- Ritinha? – o Balotelli chamou por mim, estava sentado no chão a jogar uma coisa qualquer na PlayStation – não queres jogar comigo?
- Jogo, jogo! – encaminhei-me para junto dele e sentei-me, agarrando no comando que o Riccardo me passou – eu fico com o Real Madrid!
- Rita! – o Stephan sentou-se ao meu lado – devias ficar com o Milan e marcar golos comigo!
- Stephan, querido – passei a minha mão pela sua face e dei-lhe um beijo rápido – eu quero ganhar o jogo, não perder.
- Só por isso fico com o Milan! – disse o Balotelli.
- Então fica, eu vou ganhar! – atirei convencida de mim mesma.
Escusado será dizer que levei logo um golo, nos primeiros cinco minutos. Eu não sabia jogar aquilo. Os cursos intensivos do Stephan para me ensinar a jogar não tinham dado em nada.
- Golo! – o Stephan gritou atrás de mim e olhei-o – olha! Fui eu que marquei!
- Não! Foi ele que marcou com o teu boneco – disse apontando para o Balotelli – estou a perder por dois, respeita-me por favor e faz alguma coisa!
- Rita! Chuta! Não! – olhei-o nada contente com toda aquela gritaria – era para o outro lado. Acabaste de marcar autogolo com…o Casillas.
- Que vergonha! – o Balotelli falou, peguei numa almofada que estava sobre o sofá mais próximo e atirei-lha.
- Vergonha nada! Vou buscar os meus cereais com chantilly que é melhor – entreguei o comando ao Stephan e caminhei até à Cristina e a Carlotta que brincavam com o Matteo.
- Ele é tão calmo, Rita! – sentei-me no chão perto delas, o Matteo viu-me e começou a mexer os seus pequenos braços na minha direção – ele quer a mamã! – a Carlotta entregou-me e coloquei-o sobre as minhas pernas.
Mamã, aquela palavra tinha-me feito uma imensa confusão. Ele estava connosco há poucos meses mas tinha-se tornado meu filho, na verdade. Fui eu quem passou noites em claro com a chegada dos primeiros dentes e fui eu quem observou orgulhosa a primeira vez que gatinhou até mim. Teria eu ganhado um filho sem sequer me aperceber?
- Rita? – a Cristina chamou-me e olhei-a esquecendo todos aqueles pensamentos – ele é assim sempre? Calmo?
- Não, claro que não. Vocês não queriam cá estar quando lhe nasceu o primeiro dente, acreditem. Foi terrível – concluí. Levou as suas mãos aos meus cabelos como sempre – agora é um amor e puxa cabelos que se farta!


- Vais dormir aí? – estava deitada no sofá com o Matteo a dormiu sobre o meu peito. O Stephan levantou-me os pés e sentou-se, colocando depois os meus pés assentes sobre as suas pernas.
- Por mim dormia. Ele está sossegado e se eu me vou levantar ainda acorda.
- Fazemos um acordo, eu vou deitá-lo com todo o cuidado e tu vais para a cama.
- Se o acordas mato-te, Stephan.
- Eu tenho cuidado, prometo – pegou nele com toda a delicadeza e começou a subir as escadas devagar.
Levantei-me do sofá lentamente. Apaguei as luzes da sala e subi até ao andar de cima. Em vez de ir direita para o nosso quarto passei pelo do Matteo reparando que o Stephan estava a mira-lo do berço.
Cheguei perto dele e abracei-o, deixando a minha cabeça cair sobre as suas costas. Fez-se algum silêncio e apenas as nossas respirações se ouviam.
- Não quero ficar sem ele – falei baixo e com algum receio da reação do Stephan.
Por mais que ele se afeiçoasse à criança, encarava sempre este assunto com alguma frieza. Acho que no seu íntimo lutava contra ele mesmo. Uma parte de si quer tanto o Matteo como eu…mas sei que a outra parte tem receio que a Andrea chegue e o leve de nós tal e qual como nos o entregou, de uma forma rápida e sem explicação evidente.
- Eu também não – fez com que me largasse dele e agarrou as minhas mãos, entrelaçando-as em seguida.
- Já passou tanto tempo…podemos começar a encarar isto como deve ser? Posso começar a trata-lo como meu filho e incentiva-lo a que a primeira palavra dele seja “mamã”?
- Mas…
- E promete-me que se a Andrea voltar e o levar ficas do meu lado e me enxugas cada lágrima que eu derramar…por favor Stephan – implorei num baixo tom de voz.
Virou-se lentamente e encarou-me, voltou a agarrar as minhas mãos e vi-lhe um ligeiro sorriso no rosto.
- Eu prometo isso e muito mais. Ele merece fazer parte da nossa família, aliás ele merece ter uma família – levei uma das minhas mãos ao seu rosto e vi novamente aquele pequeno sorriso – no meio disto tudo o meu maior medo…és tu. Não sei como irás reagir se ele nos deixar e temos que ser racionais, ele pode-se ir embora daqui a uns meses, semanas, dias ou até horas mas se é isto que queres, assim será.
- Obrigada – acabei por dizer – eu não aguento mais pegar nele cada manhã, dar-lhe banho e de comer, e não o poder chamar de filho. Ele não é meu mas…é como se fosse. Ste… o Matteo é como se fosse nosso desde que nasceu.
- Eu sei – puxou o meu corpo para perto do seu e deu-me um leve beijo na testa – estamos juntos, aconteça o que acontecer – garantiu-me.




O sol de Junho raiava pelo jardim. Deitei-me na espreguiçadeira e peguei numa revista enquanto ouvia o Stephan a falar com o Matteo que já começava a articular os sons de maneira a se começar a perceber qualquer coisa.
Enquanto folheava a revista ouvia algumas das “meias palavras” que o Matteo já dizia. Uma das que mais dizia era “ma” e “pá”, eram precisas semanas até ouvirmos a sua primeira palavra.
Peguei no telemóvel e comecei a ver algumas notícias até que uma certa me despertou.
- Stephan? – chamei.
Pousei o telemóvel ao meu lado e esperei que ele chegasse a mim. O Matteo assim que me viu movimentou os braços na minha direção e proporcionou-nos mais um bonito momento quando pronunciou “ma” e se referia a mim.
- Sim meu amor, eu sei que gostas mais da ma que o pai, por isso anda cá – levantei o meu tronco e peguei nele, colocando-o sentado na minha barriga.
- O que querias, feia?
- A feia queria-te perguntar o que é isto – peguei no telemóvel e virei-o para ele.
- Isto é uma boa notícia! O Milan channel anda a fazer umas coisas engraçadas e isto é só mais uma!
- Eu li bem? Casal do mês?
- Sim. Nomeados para casal do mês e como dá para verificar os outros três nomeados são feios, por isso está no papo.
- Stephan, desde quando é que eles sabem que nós somos um casal?
- Desde que foste àquele jogo comigo quando eu estava lesionado, focaram-te bem Rita. Não me digas que não notaste? Saíste em algumas revistas na altura!
- E tu não me disseste nada?
- Pensei que soubesses! Ficaste gira!
- Ah pronto, estou muito mais descansada agora.
- Porque é que tenho a sensação que estás a ser irónica?
- Porque estou mesmo! Apareci em revistas e nem sei, achas bem? Avisas-me agora três meses depois.
- Desculpa – baixou-se dando-me um leve beijo nos lábios – não pensei que ficasses tão irritada.
- Não estou irritada – defendi-me – só gostava de ter tido conhecimento disso. E se nós ganharmos? – perguntei curiosa.
- É só uma pequena entrevista com a… - olhei para ele esperando que continuasse – esqueci-me do nome dela! Mas pronto, é só falar um bocadinho com a rapariga.
- Stephan El Shaarawy, o que é que me escondes mais? Se tens mais alguma coisa para contar é melhor ser agora.
- Ando a planear às escondidas as nossas férias.
- Hum, isso agrada-me. Incluiu a criança que me está a puxar o cabelo? – afastei o meu cabelo do alcance do Matteo e este pegou no meu telemóvel segundos depois.
- Não.
- Não? – perguntei surpreendida.
- Não. Nós merecemos alguma coisa a sós e é só uma semana. Aguentas uma semana sem ele?
- Sim…quer dizer, não sei. Com quem é que o vamos deixar?
- Existe uma coisa que se chama: avós! Ora, tu tens uma mãe e eu tenho outra, que tal?
- Não sei Stephan. A minha mãe a última vez que esteve comigo pensou que o Matteo era provisório e nem sabe de toda esta história, e a tua mãe…ela nem deve saber da existência dele, ou sabe?
- Creio que não mas era um bom momento para a conheceres!
- Não…é que não mesmo.
- Estás com medo Rita El Shaarawy? – perguntou enquanto se ria.
- Estou! – admiti sem rodeios – o que é que ela vai pensar de mim? A primeira vez que me viu eu estava pronta a esganar a Giulia, acho que não deve ter a melhor impressão de mim.
- Mas nós namoramos há mais de um ano, Rita. Tem todo o sentido que a conheças, já não digo ao meu pai, mas…a ela pelo menos, que é boa mulher.
- Nota-se! Aturar-te a ti e ao teu irmão não deve ter sido nada fácil!
- Então podemos planear um lanche antes de irmos de férias, tu conhece-la e contamos-lhe do Matteo.
- Com uma condição! Temos que ir a Portugal com ele, para ser apresentado como deve ser.
- Temos acordo! – esticou-me a mão, sorrindo depois.
- É sempre tão bom negociar consigo, caro Stephan – apertei a sua mão rindo-me em seguida. 


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Olá!
Um enorme pedido de desculpas não deve chegar mas a falta de vontade de escrever misturada com outras coisas dá nisto. Desculpem e espero que este capitulo compense.
Espero também que não tenham desistido.
Aguardo os vossos comentários, preciso deles para saber o que acham desta nova fase.
Beijinhos,
Bom fim-de-semana!
Mahina

5 comentários:

  1. Adorei! Adorei!
    Não quero que o Matteo vá embora, ele pertence ao casal maravilha... Formam uma bela família <3
    Amo os momentos mais fofos, românticos, adoráveis, amorosos, perfects da Rita com o Ste...
    Sabes o que é que podias fazer? Compensar o tempo que tiveste sem publicar, publicando rapidamente outro... Que tal?
    Fico à espera, sempre seguirei a fic...
    Beijinhos
    Rita B

    PS: Hmm férias sozinhos? ^^

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  2. Olá

    Ameii , esta história está cada vez melhor, podes demorar o tempo que precisares, o que importa é que depois apareça sempre o próximo capítulo, vale sempre a pena esperar.
    O pequeno Matteo é tão fofinho , ele tem de ficar com a Rita e com o Stephan e até que não era má ideia a Rita ficar grávida e a família aumentar xD


    E agora ansiosa por mais *_*


    Beijinhos


    Catarina

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  3. Olá!
    Uau já não fazia isto à algum tempo :o acho que até perdi o jeito para estas coisas.
    Tenho muita, muita coisa a dizer que acho que me vou esquecer de alguma mas bem, vá vou começar mas é antes que me esqueça. Por partes:
    - Esta nova fase deles é qualquer coisa que me deixa babadona! Stephan e Rita nasceram para se amarem, para serem pais (quer o filho nasça do resultado do sexo que me faz chorar ou, no caso do lindo Matteo, lhe ponham o menino à porta de casa). É preciso estar-se mentalmente muito forte, com uma vida estável e coragem para se aceitar um bebé assim. E a vida deles não está estável! Ou, pelo menos, não estava. Era um sobe e desce de emoções, de sentimentos e depois aparece o Matteo...poderá ter sido o anjo na vida deles. O Stephan passou pela lesão, a Rita pelo afastamento do pai, depois separaram-se e...o Matteo uniu-os. Ainda mais.
    - A relação da Rita e do Stephan está qualquer coisa! É que nem dá para explicar bem...é intensa, é repleta de amor e de momentos que viveram que os vão marcar para sempre. Eles estão crescidos, muito mais maduros relativamente ao ínicio. Choro com eles nos últimos capitulos, sabes? :o tem sido "horrivel". Se eles são super fofos choro, se estão a chatear-se choro...mas é tão bom! "- Eu prometo isso e muito mais. Ele merece fazer parte da nossa família, aliás ele merece ter uma família (...) no meio disto tudo o meu maior medo…és tu. Não sei como irás reagir se ele nos deixar (...)" - SEM PALAVRAS PARA ISTO! Palmas para ti!
    - Casal do mês? Ela não sabia que tinha aparecido nas notícias? TOP TOP podia ter ficado super chateada (ainda bem que não!) mas é tão engraçado agora que até vai conhecer a sogra e tudo!
    - Tua escrita. É qualquer coisa que eu venero e muito! Podes andar sem aquela vontade mas quando escreves...ai filha, arrepia-me, deixa-me toda pequenita e com vontade de ler mais e mais! É requintada, com um toque chique mas rebelde ao mesmo tempo. É viciante, inspiradora e mágica. É tua.

    Bom, acho que vou acabar por aqui. Acho que disse tudo o que queria dizer.
    Venero-te, sim?
    Beijo.
    Ana Patrícia.

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  4. Olá!
    Pois bem, já li isto há alguns dias mas andava difícil arranjar um tempo para comentar.
    Ora bem, começando pelo princípio. Não percebi nada. Não percebi nada do início do capítulo: Rafael, Mara, Filipe... Eu sou péssima com nomes, não me lembro de ninguém. Espera o Rafael quis saltar para cima da Rita, não quis? E depois quando ela esteve carente, ele não quis... Foi esse, não foi?
    Oh não importa nada. A melhor parte veio depois xD
    Momento hot e fofo ao mesmo tempo. Estes dois são fogo, mas também há imenso carinho e respeito entre eles.
    E o Matteo...óbvio que isto ia acabar por acontecer. Quando tomamos conta de um bebé, quando estamos 24 horas por dia para ele, é mais do que certo que uma relação única vai nascer. Os bebés são diferentes... Eles são puros, cheios de amor para dar... Podem tirar horas de sono, horas de descanso, horas a ver televisão, horas de saídas à noite, horas de sexo como o Ste e a Rita sentiram na pele, mas dão coisas incomparáveis. Acima de tudo dão nos amor e muita felicidade. Aquela felicidade pura que está associada àqueles pequenos momentos da vida. Enfim tenho um bebé por perto, sou suspeita.
    Tudo isto para dizer que compreendo a Rita. É difícil viver na incerteza e ainda é mais difícil viver sabendo que o Matteo existe, tem uma mãe, mas que essa mãe não está lá mesmo podendo voltar a qualquer momento. No fundo é um obstáculo à relaçao entre a Rita e o Matteo. A Rita tenta de certa forma "limitar" o amor que tem para lhe dar e tenta não receber tudo o que ele lhe dá porque tem medo de um dia não ser capaz de viver sem isso quando a mãe dele voltar.
    Enfim seja o que for porque o Ste prometeu limpar lhe todas as lágrimas...
    Espero o próximo!

    Beso
    Ana Santos

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