quarta-feira, 1 de julho de 2015

41º Capitulo - «Nunca foste uma rapariga com falta de coragem»


Não era uma surpresa. Por mais que eu quisesse acreditar que ela não voltaria, sabia que mais tarde ao mais cedo ia entrar naquela casa e abalar a nossa vida. Ia retirar-me o bem mais precioso que eu tinha adquirido há uns meses.
E aqui estava ela…pronta a levar consigo uma parte de mim.
- Boa noite – disse assim que deu uns passos e o Stephan fechou a porta – eu gostava de falar com vocês se pudesse ser.
- Sim, claro – o Stephan falou – mas se não te importasses de esperar um bocadinho até a festa terminar, é que temos cá muita gente em casa.
- Claro…não há problema – olhou para mim e em seguida para o Matteo. Não sorri, não mostrei nenhuma satisfação em a ter ali, o medo de o perder aterrorizava-me agora mais do que nunca – um ano, não é? Como ele cresceu…


Acabei de deitar o Matteo na nossa cama e fiquei a olhá-lo por algum tempo. Dormia profundamente, o dia tinha sido cansativo tanto para ele como para nós. Dei-lhe um pequeno beijo na testa e rumei ao andar de baixo.
A Andrea estava sentada no sofá em frente ao Stephan e mal falavam quando cheguei perto deles. Sentei-me ao lado do Stephan que desde logo me agarrou uma das mãos.
- Eu não o quero levar, Rita – estaria eu a sonhar? Teria mesmo ela dito tais palavras? – eu sei que…isto é estranho…
Se era! Se por um lado não queria que ela o levasse, por outro ela era a verdadeira mãe dele como é que o conseguia deixar assim? Como é que não o queria de volta?
- Ele é meu filho – a verdade, a crua e dura verdade – mas eu fugi, por mais que estivesse a cuidar do Matteo eu não me sentia mãe dele. Eu não estava preparada para tal missão, é uma responsabilidade enorme e os meses que cuidei dele percebi que não sentia o verdadeiro afeto mãe e filho. Eu acredito que esse afeto exista e eu vejo-o quando olho para ti – olhou para mim com um leve sorriso nos lábios – e para o Matteo.
- Não o vais levar? Não o queres? Vais deixá-lo connosco? – tinha que fazer todas aquelas perguntas e mais umas quantas eu precisava de respostas.
- Ele agora é vosso, pais são quem educa e dá amor e eu não soube ser mãe.
- Mas…tu cuidaste dele até aos 7 meses!
- Rita –levantou-se do lugar onde estava sentada e rumou até junto de mim, sentou-se e agarrou umas das minhas mãos olhando-me – depois de ter o Matteo a minha vida tornou-se um verdadeiro caos. Fui tendo a ajuda da minha tia mas cheguei a um ponto que já não dava. Aí tentei aproveitar-me de ti – olhou para o Stephan – e mais uma vez peço desculpa por isso. Quando saí daqui e disse que ia falar com os meus pais, eu não tive coragem…quando vos deixei o Matteo, fui para outro país e tenho lá estado até agora. Eu refiz a minha, sei que isto parece de loucos…deixo-vos o meu filho e vou-me embora para outro país e refaço a minha vida sem ele…mas não é. Seria muito desumano da minha parte, chegar aqui depois de passarem tanto tempo com ele e tratarem-no como vosso filho, levá-lo agora comigo por isso é que não o vou fazer. Ele é mais feliz convosco de que comigo, eu tenho a certeza disso.
- Bem, eu não sei o que dizer – olhei para o Stephan – e agora…?
- Agora vamos arranjar maneira de ele ser vosso legalmente, porque a verdade…é que agora são vocês os pais dele.




- Já lhe contaste? – coloquei os meus pés sobre a mesa de centro e encostei-me para trás no sofá.
- Não, ainda não lhe contei – admiti.
- E porquê?
- Porque não tenho coragem – peguei no Matteo que até então estava no colo do Mattia e puxei-o para as minhas pernas. Colocou as suas mãos na minha barriga e senti-me especial.
- Nunca foste uma rapariga com falta de coragem – atirou dando a mão ao Matteo.
- Mas agora sou, uma rapariga com falta de coragem assumida! – o menino continuou a mexer na minha barriga e a brincar, até me puxou a camisola para baixo e mais uns puxões no cabelo – está tão irrequieto, meu Deus! – peguei nele e coloquei-o no chão.
- Deve ser das circunstâncias! – disse apontando para a minha barriga.
- Cala-te lá! – atirei – ouvi dizer que tens uma namorada nova, é verdade?
- Sim.
- Conheço-te há quase dois anos e já te conheci umas quantas namoradas.
- Foram 2!
- Com esta 3!
- Sou um bom amigo, sim? Um bom jogador e um bom parceiro de equipa. Fala com o Stephan, ele confirma-te isso!
- E o que é que isso tem a ver?
- Tenho um feitio peculiar e elas gostam…
- Gostam? – olhei-o espantada com aquela afirmação – e porque é que te deixam?
- Elas não me deixam, eu é que as deixo!
- E porquê?
- Não sou um homem de uma mulher só.
- Ah, muito mais esclarecida! – gozei.
- A ti é que não sei como te aturam! – disse dando-me um encontrão – o cão?
- O Dacky está algures lá fora.
- Posso levá-lo?
- Já não tens uma namorada?
- Sim mas…sempre quis ter um cão.
- Compra um, olha! Agora queres ficar com o meu, não? – ele riu-se e eu fechei os meus olhos por alguns segundos – o Stephan foi aonde afinal?
- Não sei, apenas disse para eu vir para aqui porque não é bom deixar-te sozinha com um bebé e um cão.
- Ele preocupa-se tanto comigo, já reparaste? – perguntei sorrindo.
- Já reparei, já! E eu em vez de estar com a Maddalena estou aqui.
- Ui que a terceira tem nome!
- Rita, não digas isso. A terceira? Isso não é forma de tratar a rapariga.
- A primeira chamava-se Erika e era loira! A segunda chamava-se…Giulia, não era? – ele acenou que sim com a cabeça e prossegui – e era morena e tinha olhos verdes e esta chama-se Maddalena e… - falei com esperança que ele prosseguisse e contasse como ela era.
- Tem olhos castanhos, cabelo castanho e pronto.
- Que bela descrição! Não estarás a falar de mim?
- Não! – disse dando-me outro encontrão – tens medo? – disse fazendo sina para a minha barriga.
- Apenas…isto parece estranho mas tenho um mau pressentimento, acho que isto não vai correr bem, entendes? Tenho 19 anos, há uma grande probabilidade de o meu corpo não saber reagir a isto.
- Estás com quantas semanas ou lá como é que isso se conta?
- 8 semanas, creio eu.
- Isso é muito tempo!
- Não é não – ri-me sozinha enquanto ele me olhava quase chocado – são apenas 8 semanas é muito mas mesmo muito pequeno ou pequena. Para aí do tamanho de um feijão.
- Tens enjoos e essas coisas?
- De manhã por vezes mas são raros.
O telemóvel Mattia tocou e este afastou-se. Baixei-me e peguei no Matteo colocando-o sobre as minhas pernas.
- Adorava saber onde é que se meteu o teu pai – falei fazendo-lhe algumas cócegas. No fim de se babar e se rir, encostou-se ao meu peito e acalmou.
- Essa criança muito bem está toda feliz como a seguir acalma e parece que adormeceu, é normal? – o Mattia voltou a sentar-se ao meu lado.
- Acho que sim. Brincam, fazem birras, gritam até acordar os vizinhos e depois de um momento para o outro acalmam.
- Eu tenho que me ir embora – anunciou – o dever chama-me.
- Manda beijinho à Maddalena.
- Mando, mando – levantou-se e deu-me dois beijinhos, fez uma pequena caricia na cabeça do Matteo e dirigiu-se à prota – o teu cão acabou de entrar – o Dacky correu até ao sofá sentando-se aos meus pés a olhar-me – até amanhã.
- Até amanhã – acabei por dizer.
Fiz sinal ao Dacky para subir para o sofá e assim o fez deitando-se ao meu lado. Cães bem-mandados, quem nunca os sonhou ter? Eu finalmente arranjei um.
- Se a Leci visse isso ficava com muitos ciúmes – disse o Stephan assim que entrou em casa. Leci, a minha Leci. A minha boxer, querida e tão afetuosa.
- Tenho saudades dela e…preciso de ir a Portugal – falei olhando séria para ele – eu preciso de ver o meu pai, Stephan. Ele ainda não saiu do hospital e isso assusta-me. Pensei que ele ia para casa e iam continuar os tratamentos mas…ele ainda continua internado.
- Tudo bem – ele sentou-se ao meu lado e agarrou o meu rosto entre as suas mãos – é o teu pai e eu entendo que queiras ir lá. Por mim estás à vontade e sabes disso.
- Mas ao mesmo tempo não te quero deixar aqui, com o Matteo e o início da época, tenho medo.
- Andas muito medricas – deu-me um curto beijo nos lábios e retirou o Matteo do meu colo, colocando-o nas suas pernas – estive com a Andrea.
- E não me disseste nada…
- Tu andas…estranha, acho melhor tratar disto contigo longe – ele só podia estar a gozar comigo – e não olhes assim para mim, sabes bem que andas demasiado nervosa com isto tudo. Vai ser complicado, bastante complicado tornar o Matteo legalmente nosso mas acredito que vamos conseguir.
- Prometi à Gabriela que passava lá em casa hoje – falei, ignorando um pouco aquele assunto. Levantei-me e olhei para ele – vamos lá?


Peguei no Miguel com todo o cuidado. Já tinha mais de dois meses, aquele ser tão pequeno e inocente. Uma tia e madrinha muito babada que eu me tinha tornado.
Sentei-me na cama e a Gabriela apareceu no quarto. Estávamos só as duas ali, naquele espaço.
- Vamos lá que está na hora de dar de mamar – levantei-me e entreguei-lhe o Miguel.
Ficou a olhar para mim durante alguns segundos depois de lhe entregar o filho, olhou-me de cima a baixo.
- O que foi Gabi? – perguntei confusa. Porque me olhava assim tão atenta?
- Estás com umas mamas! Tu estás grávida, não estás? – notava-se assim tanto? Sim é certo que notei que os soutiens já me assentavam de outra forma mas daí a ela notar! – vá, Rita. Conheço-te há anos, responde sem medo.
- Como é que sabes? Nota-se assim tanto?
- Um bocadinho. O Stephan ainda não notou que isso cresceu? – disse levando-me a rir.
- Sei lá, tenho 19 anos é normal que isto ainda cresça, não?
- Não, é um crescer diferente. Não sei, chama-lhe instinto de recém-mamã – sentou-se finalmente na cama e começou a dar de mamar ao Miguel – o Stephan sabe?
- Não… - falei caminhando pelo quarto.
- E porque é que ele não sabe? Eu sei que ele é suficientemente esquisito para pôr fim ao vosso sexo e começar com teorias de «o bebé ouve«, ou «vamos magoar o bebé», ou ainda «ele é muito novo para ver estas coisas» mas conta-lhe!
Não sei se era suposto eu rir-me mas ri. Voltei para junto dela e coloquei-me à sua frente mas de pé.
- Umas das razões para não lhe contar é que tenho medo das reações dele e as outras razões…eu não sei mas é tudo muito recente.
- Quantas semanas?
- 8 pelas minhas contas.
- Eu estava de 8 semanas quando te contei a ti e ao Francisco.
- Sinto-me estranha sabes, é estranho estar supostamente grávida.
- Quem te manda andares na boa vida! Só engravida quem anda na boa e louca diversão. Como é que aconteceu?
- Eu vou ser sincera. Há uns tempos, antes das nossas férias de Verão o Stephan andava só a falar em filhos e filhos, até chegou a dizer que eu estava grávida e já a fazer filmes…a ideia até me agradou e na altura e deixei de tomar a pílula.
- Ele soube?
- Sim, a ideia até partiu dele mas não deixámos de ter cuidados. Continuamos a tê-los todos, acho que eu deixar a pilula foi a nossa forma de sonharmos, nada mais que isso.
- Mas aconteceu…
- Sim, aconteceu e agora eu não sei como lidar com isto.
- Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças é apenas…um bebé, o teu bebé.
- Sim, está bem mas…é estranho e com esta história toda da Andrea e de não querer o Matteo, está tudo uma confusão e ainda não tive tempo para pensar direito em tudo isto.
- Mas pensa porque isto é sério, Rita – fiz uma caricia na bochecha do Miguel.
- Vou ter com eles – saí do quarto e rumei ao andar de baixo.
O Stephan e o Salvador estavam no chão, a jogar PlaySation para variar. O Matteo estava no meio das pernas do Stephan a brincar com um brinquedo qualquer. Sentei-me no meio deles os dois que jogavam atentos.
- Que tal a Gabriela chata? – perguntou o Stephan dando-me uma cotovelada sem me aleijar.
- Vai bem, ser mãe fez-lhe bem – encostei a minha testa ao ombro do Stephan, os enjoos tinham-me batido à porta.
- O que é que tens? – perguntou o Salvador olhando para mim.
- Fiquei enjoada de repente, deve ter sido das bolachas que comi à tarde.
- Comeste assim tantas?
- O pacote todo – admiti.
- Agora pagas pelo pacote das bolachas! – disse o Salvador – ninguém te mandou comê-las.
- Vamos para casa? – pedi rodeando o pescoço do Stephan e encostando-me às suas costas.
- Sim – virou-se para trás e deu-me um beijo sorrindo-me – deixa-me só acabar o jogo.


- Vamos aterrar – o Stephan andou mais um pouco com o Matteo no ar e depois colocou-o no seu peito.
- E agora vamos dormir…
- Não! Vamos dar mais uma volta, não é? – o Mateo riu-se e o Stephan elevou-o novamente no ar, continuando com o aviãozinho – estás mal humorada ou é só impressão minha?
- Não sei, talvez…
Colocou o Matteo novamente no seu peito e levantou-se da cama. Embalou por alguns minutos o menino e colocou-o no berço. Achava mesmo que aquilo ia resultar?
- Nem 5 minutos o embalaste, achas mesmo que isso vai resultar?
- Acho! Ainda não chorou nem se levantou.
- Hum, está bem – colocou o seu corpo por cima do meu e ficou a olhar-me por alguns segundos.
- Essas mamas…
- Oh! Parou! – saí debaixo dele e fiquei a olhá-lo enquanto se ria que nem um perdido – o que é que as minhas mamas têm?
- Estão…diferentes!
- Diferentes…
- Não tens nada para me contar?
Avançou na minha direção e ficou à minha frente sentado. Cruzei as pernas e fiquei a olhar para ele, olhar intimidador.
- Não me olhes assim! – atirou – a última vez que o fizeste engasguei-me!
- Quem semeia ventos, colhe tempestades!
- Mas eu não semeei nada, que conversa é essa?
- É uma forma de dizer que só tens o que mereces.
Ajeitou-se na cama e deitou a sua cabeça nas minhas pernas. Fiz algumas caricias no seu rosto e no seu cabelo.
- Tenho uma novidade para ti.
- Tens? – não se mexeu, nem olhou para mim.
- Tenho, aconteceu uma coisa nas nossas férias de verão.
- Foi? – e continuou a não se mexer, parecia que sabia e que estava à espera do que lhe ia dizer.
- Sim, engravidaste-me.
- Foi? – ok, desta resposta é que não estava à espera – espera lá o quê? – finalmente caiu em si. Levantou-se e olhou para mim – eu fiz o quê?
- Eu estou grávida – falei finalmente.
- Grávida? Mesmo grávida? Como assim grávida?
Deixei a minha cabeça cair sobre as minhas mãos. Estava em choque ou então não sei, é parvoíce pura.
- Oi? – coloquei as minhas mãos no seu rosto – estou grávida de 8 semanas, tu vais ser pai e eu vou ser mãe. Ok? Outra vez, porque já o somos.
- Eu não acredito, vamos ter um filho? Só nosso? – perguntou beijando-me depois intensamente – vamos ser 4?
- Sim, vamos ser 4 – confirmei, abraçando-o depois. 

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Olá!
É que eu nem sei bem o que vos dizer, reparei que este ano ainda só publiquei 3 capítulos. É uma vergonha, eu sei! Mas peço imensas desculpas, a vida nem sempre é fácil.
Eu vou tentar compensar, vou mesmo tentar!
E deixo-vos aqui este, com uma novidade mas muito calmo.
Fico à espera dos vossos comentários, não desistam da história! Imagino que seja uma chatice esperar tanto mas eu prometo que vou tentar melhorar.
Beijinhos,
Mahina

3 comentários:

  1. Olá

    Adoreiiiiiiiiiiii *_* E eles agora vão ser 5 *_*



    Beijinhos´


    Catarina

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  2. Ai *-* Que fofos...
    "Vamos ser 4?
    Sim, vamos ser 4" Own *-* Morri... Fofo demais...
    Quero já o próximo please...
    Beijinhos
    Rita B.

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  3. Olá :)
    Realmente estás a ser uma demorada em publicar, mas depois deste capitulo e desta revelação...a demora valeu a pena :D
    A Rita grávida?...UAU *.*
    Espero que este bebé seja uma lufada de ar fresco na relação e espero que consigam adoptar o outro bebé ;)
    Bjs e quero o próximo sff :)

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