sábado, 22 de agosto de 2015

42º Capitulo - « Eu vou perdê-lo…e a culpa é toda minha »

Peguei na sua mão quase gelada enquanto me olhava. Olhava-me e eu percebia a dor que ia naquele corpo, a dor que ia naquele coração.
Já não o reconhecia. Estava magro. Estava frágil. Estava dorido. As poucas rugas que até há pouco tempo eram mínimas e pouco salientes, agora cobriam o seu rosto e eram fundas.
- Rita… - ajeitou-se na cama, subiu o seu tronco e ficou com uma postura diferente. Uma postura mais rígida – não esperava que viesses.
- Tinha que vir – ajeitei-me naquela cadeira e cruzei as pernas – não só por ti mas também por mim…
- Ou seja…passa-se alguma coisa, certo?
- Pai – arrastei a cadeira e o meu corpo para mais perto da cama – eu estou aqui para te apoiar, os meus problemas e os meus assuntos agora não interessam.
- Aí é que te enganas. Interessam, Rita. Interessam muito mais que o meu estupido cancro nos pulmões. Interessam muito mais que qualquer dor que eu esteja a sentir. És minha filha, eu quero saber o que se passa contigo. Podes confiar em mim, podes-me contar tudo como sempre fizeste.
- É complicado – respirei fundo e deixei a minha cabeça cair sobre uma das suas pernas por cima daquele cobertor que o cobria. Olhava-o e tentava decidir por onde começar – eu estou grávida – vi a admiração estampada no seu rosto – e sinto mais medo que felicidade neste momento.
- E…porquê?
- Porque tenho dezanove anos e vivo uma vida de uma pessoa de trinta. Há imenso tempo que eu e o Stephan não vivemos a vida que devemos. Eu sinto que perdi toda a minha juventude. De um momento para o outro fiquei com o Matteo e agora estou grávida e…acho que a gravidez é um desejo do Stephan, não meu…
- Tu não queres estar grávida? Tu não queres essa criança, Rita?
- Não sei, talvez queira é só que…não sei. Estou tão confusa que não imaginas. Não estou a conseguir ter uma vida feliz. Eu tento, juro que tento mas é tanta coisa. Eu passo a vida em casa, agarrada ao computador por causa da revista. Depois é o processo do Matteo e o Stephan que não está nada animado.
- Está lesionado outra vez?
- Não mas a época não lhe está a correr como queria. Era tudo bastante bonito quando tudo estava a correr bem mas as coisas já não são assim. São mais as vezes que ele fica no banco do que as que joga e isso afeta-o imenso. Antes do Matteo, eu conseguia dar-lhe a atenção devida, conseguia suportá-lo mas agora não. Tenho uma criança que precisa mais do meu apoio do que ele e não sei como vai ser quando nascer esta criança – terminei, passando a mão pela minha barriga.
A cada momento que passava. tentava mentalizar-me que tinha um ser a crescer dentro de mim, fruto do meu amor com o Stephan. Um bebé que iria ser só meu e dele. Mas algo não batia certo, algo dentro de mim me dizia que este bebé não me estava destinado.
- O Stephan faz anos para a semana – comentei no fim de todo aquele silêncio.
- Eu não sei o que te dizer.
- Já percebi pai – voltei a agarrar a mão dele, aquela que eu tinha largado há pouco. Já não estava tão gelada. Ou talvez fosse a minha que já não estivesse tão quente – eu arranjo-me. Tal como me arranjei até agora.
- Sabes, Rita? Desde que fiquei doente que aprendi umas quantas coisas. Primeiro, que devemos dizer mais aos nossos amigos e família o quanto os amamos e segundo que devemos dar mais valor às simples coisas da vida, a um dia de sol, a uma gargalhada intensa, a um carinho de um filho… - colocou a sua outra mão por cima da minha – por isso obrigada por estares aqui, obrigada por abdicares de uns dias da tua vida em Itália e teres vindo para aqui. Perdoa-me por não te conseguir ajudar nesta fase da tua vida mas às vezes precisamos de ser nós mesmo a encontrar o caminho sem a ajuda de outrem – abriu-se um pequeno sorriso no seu rosto, através dele ainda conseguia ver uma dor inexplicável – tu és forte e vais encontrar as respostas a todas as perguntas que tens na tua cabeça.



Cheguei finalmente a Lisboa. No fim daquelas horas todas no comboio, cheguei finalmente a casa.
Bati à porta esperando que alguém ma abrisse. Sentia-me um quanto nervosa por voltar uns dias para a minha família. Tinha imensas saudades do Afonso. Dos seus abraços, das palavras parvas nos momentos certos, daquele carinho de irmão mais novo que só ele me sabia dar.
- Mana? – abriu a porta e ficou a olhar para mim com uma cara estranha. Estava mais alto que a última vez que o havia visto. Já carregava os dezasseis há uns bons meses. Já estava mais perto dos dezassete na verdade. À minha frente via um homem a formar-se – o que é que estás aqui a fazer, chata? E onde está o puto?
- Vim ver-te! – entrei e pousei as minhas malas no chão enquanto o mirava – estás diferente! – abracei-o assim que consegui, já estava praticamente da minha altura – o puto, como tu insistes em chamá-lo, ficou com o Stephan.
- E…isso é seguro? – ri-me com aquela pergunta juntamente com ele.
- Creio que não, por isso é que a mãe dele foi lá passar uns dias.
- Hum – ficou a olhar para mim por alguns segundos – tu também estás diferente, está tudo bem?
- Sim, sim – não lhe iria contar nada, por agora – emprestas-me o teu PC? Não trouxe o meu e precisava mesmo de falar com o Stephan…tal como antigamente.
- Sim, claro – deu uns passos em direção ao sofá e pegou no portátil entregando-mo em seguida – é todo teu.
- Vou para o quarto se não te importares…
Assentiu com a cabeça, sorrindo-me em seguida. Peguei nas minhas duas malas e no PC e encaminhei-me para o quarto.
Estava tal e qual como o tinha deixado, não havia nem uma única mudança. Encostei as malas a um canto e deitei-me sobre a cama. Agora era fácil: ligar o PC e iniciar uma videochamada para o Stephan…ou talvez não fosse assim tão fácil.
Assim que iniciei a primeira videochamada, desliguei-a imediatamente. Não sei se me sentia preparada para falar com ele. Ainda há pouco tempo tinha deixado Itália e estava cheia de saudades deles mas eu não estava bem e o Stephan ia perceber isso.
Fui surpreendida com a videochamada da parte dele, hesitei por uns segundos mas acabei por aceitar.
- Olá! – estava no sofá da sala, com o Matteo no colo e a sua alegria era evidente – ui, o que é que se passa?
- Stephan… - a voz saiu-me um frágil e arrastada. Não tinha um discurso estudado nem fazia a mínima ideia do que lhe havia de dizer.
- É o teu pai?
- Não sei…
- Ele está pior?
- Está igual. Continua internado no Porto e por este andar não volta para casa tão cedo.
- Vai correr tudo bem, vais ver – assegurou-me.
- Eu espero que sim. Bem, eu estou cansada e se calhar vou-me deitar. Está tudo bem com ele? – perguntei referindo-me ao Matteo.
- Sim, está! Descobri a nova perdição dele, iogurtes de…
- Amora – interrompi, levando a que ele me olhasse espantado – não é novo, Stephan. São os preferidos dele mas nada de lhe dares sempre os mesmos! Ele tem que se habituar a comer de tudo.
- Mas…devias ver a cara dele quando lhe dei iogurtes de morango! Era uma cara de sofrimento!
- Sim…imagino! – ironizei, rindo-me em seguida. O ambiente tinha mudado de uma forma extraordinária.
Sorria-me e eu sorria-lhe ao mesmo tempo que o Matteo gesticulava na direção da câmara.
- Se calhar vou-me deitar e ver se durmo um pouco.
- Vai sim, continuas com um humor estranho e esses olhos…bem que precisas de dormir! Manda beijinho à mãe, manda – num simples gesto o Matteo uniu os lábios e fez aquele típico som de um beijo, rindo-se em seguida.
- Beijinho grande, prometo que em breve estou de volta.
- Nós amamos-te.
- E eu amo-vos a vocês – terminei, desligando em seguida a videochamada - Afonso? – chamei, esperando que ele ouvisse e viesse ter comigo ao quarto.
- Diz – entrou no quarto, ficando à porta a olhar-me.
- Eu vou deitar-me e tentar dormir, não me chamem para jantar e quando a mãe chegar…diz-lhe que eu estava mesmo cansada e tinha que dormir.
- Está bem – veio até mim, pegou no seu PC e deu-me um leve beijo na testa – boa noite, mana.
- Boa noite…puto – pisquei-lhe o olho e ele acabou por se rir. Saiu do quarto e eu deitei-me, sem tirar a roupa que trazia, e coloquei uma manta para cobrir-me. O cansaço apoderava-se de mim a cada instante.

Acordei com alguém a sair do meu quarto. Peguei no telemóvel, eram 2:45 da manhã. Será que só agora é que tinha chegado a casa ou só agora é que me veio ver? Talvez nenhuma das duas hipóteses. Era comum a minha mãe se deitar tarde quando tinha problemas. Provavelmente só agora iria para a cama e passou pelo meu quarto para se certificar que eu dormia.
Despi a roupa que trazia, vestindo em seguida um pijama. Estar sozinha naquele quarto estava a meter-me uma confusão danada. Olhei novamente para as horas e saí do quarto caminhando para o quarto do Afonso. Abri a porta do quarto e pela sua respiração percebi que não dormia. Entrei para o lado esquerdo da cama e deitei-me junto dele. Não disse uma única palavra e então ajeitei-me na cama preparando-me para dormir.
- Tens medo de dormir sozinha? – perguntou numa voz baixa e calma.
- Talvez… - respondi no mesmo tom – já são uns belos meses a dormir acompanhada.
- É menino ou menina? – perguntou, apanhando-me completamente de surpresa. Acendi imediatamente a luz do candeeiro e ele olhou-me – o Stephan contou-me… - esclareceu segundos depois.
- E tu não contaste a ninguém, pois não?
- Não, não…mas não vais contar à mãe?
- No momento certo, irei fazer isso. Agora vamos dormir – incentivei, apagando a luz do candeeiro e voltando-me a ajeitar na cama.
- Mas…gostavas que fosse menino ou menina?
- Desde que venha com saúde…
- Oh! Por favor! – parecia indignado e acabei por me rir – toda a gente responde isso! Sê mais original!
- Então…mas é a verdade. Nós queremos sempre é que eles tenham saúde mas…pronto, eu acho que é menino.
- Eu quero uma menina.
- Porquê?
- Porque o Matteo e o Miguel são meninos. Que tal uma miúda para se juntar à festa, não? – ri-me novamente e cheguei-me mais para junto dele, agarrando-o como fazia quando ele era mais novo – é mesmo necessário que me agarres?
- Hum-hum. E nem tentes opor-te porque eu sei que gostas…
- Gosto…não sei de onde é que tiraste essa ideia – ajeitou-se na cama mas continuei agarrada a ele – boa noite, mana.
- Boa noite.


- A noite cai lá fora, a noite a cintilar – o Stephan acenou com a cabeça.
- Sim é essa! Tens que cantar para ele dormir.
- Mas o som deve ficar todo distorcido! Ele ainda se assusta com a minha voz!
- Não assusta nada, o som fica ótimo porque o meu telemóvel é ótimo.
- Sim, claro que é ótimo! Tão ótimo que resistiu ao banho de sopa que levou no outro dia. Por isso mesmo as colunas já não devem funcionar bem, devem ter sopa lá dentro!
- Não digas disparates! Canta lá!
- O que eu não faço por ti, Stephan! – sentei-me na cama, tossi duas vezes e ele começou a rir-se que nem o perdido.
- Ouve, é melhor aqueceres a voz! – ironizou.
- Goza, goza meu caro…depois dizes adeus à música e tens que o adormecer sozinho!
- Canta, por favor.
- A noite cai lá fora, a lua a cintilar. Uma estrelinha brilha e vai-te aconchegar – comecei a entoar a música numa voz calma e doce com esperança que ele adormecesse sem eu ter que cantar a música toda – escovar os dentinhos, casar os botões, chegando o soninho vão ser dois heróis. Juntos vão viajar por sonhos de encantar…
Olhei para o ecrã e o Stephan tinha a camara apontada para o Matteo. Estava na nossa cama, agarrado ao seu habitual peluche com o qual se tinha habituado a dormir. Parecia que já tinha adormecido. O Stephan ainda lhe fazia algumas carícias no rosto mas ele não se mexia nem dava sinais de estar acordado.
- Vestir o pijama e sempre a sorrir, salta para a cama é hora de dormir. O soninho vai chegar, com ele…vais sonhar… - sorri ao ver que ele dormia agora sereno, com aquela respiração mais pesada – o soninho chegou…e vai-te aconchegar…
- Obrigado e boa noite.
- Boa noite.
Acabou por desligar a videochamada e eu deitei-me sobre a cama. Senti uma picada na barriga levando depois lá a minha mão. Talvez fosse normal estas coisas de vez em quando.
 Virei-me na cama colocando as minhas duas mãos sobre a barriga, aquela dor não passava e tornava-se cada vez mais intensa.
- Mãe? – chamei, não aguentando mais aquela dolorosa sensação.
Não era normal, aquela dor não era nada normal. Era uma dor diferente de todas as que eu já tinha tido.
- Mãe? – voltei a chamar desta vez mais alto e com uma ponta de desespero na voz.
- O que é que se passa? – sentou-se ao meu lado na cama, tentando entender o porquê dos meus chamamentos.
- Dói tanto… - falei apontando para a minha barriga.
- Tem calma, devem ser cólicas ou… - ficou olhar para mim séria, bastante séria – estás branca tão branca filha – levou uma das suas mãos à minha testa – e fria, estás fria.
- Eu estou grávida…
- Afonso? – gritou, ela gritou e eu assustei-me. Naquele momento temi o pior. Ele pareceu rapidamente no quarto e olhou-nos preocupado – ajuda-me com a tua irmã, precisamos de a levar para o hospital.


Ameaça de aborto. Demasiado doloroso para ser verdade. Apesar de ainda não ter criado nenhuma ligação com o meu bebé, pensar que quase o perdi…parte-me o coração.
- Repouso absoluto – ouvi a enfermeira dizer aquilo pela milésima vez. Como poderia eu fazer repouso absoluto? É impossível.
- Tenho que sair de Portugal e voltar para casa, vou ter que esperar muitos dias para voltar? – questionei, enquanto ela mudava o soro.
- Isso é uma pergunta que tem que fazer diretamente ao Doutor mas creio que sim, pelo menos até a hemorragia parar e sentir-se bem e recuperada – olhou para mim, sorrindo depois – e parabéns! O seu bebé está a desenvolver-se bem, tente é ter cuidado com as emoções e os esforços.
- Sim porque…senão for eu a olhar por ele, quem será?
- Aí está – passou a sua mão na minha barriga, era a primeira vez que alguém fazia isto com a devida intenção – são uma bênção nas nossas vidas.
Saiu do quarto, deixando-me sozinha com o cateter e o soro. Tinha tomado há pouco a medicação por causa da hemorragia. Sentia-me cansada, exausta, capaz de dormir umas boas horas seguidas.
- Onze semanas, sim senhora – a minha mãe entrou no quarto. A cara não era boa, provavelmente ia-me dar algum raspanete – e não me contavas nada?
Deixei a minha cabeça cair sobre a almofada e fechei os olhos. Não sei se queria ouvir o que ela tinha para me dizer.
- O colchão da minha cama é mais confortável – falei mudando de assunto.
- Porque é que não me contaste? – perguntou de rajada.
- Porque…oh mãe eu não estou nada segura com isto, sabes? Eu estou cheia de medo. Estou apavorada por estar grávida. Isto devia ser um momento de alegria mas não está a ser.
- Filha – sentou-se junto de mim na cama e agarrou-me as duas mãos, olhando-me com uma expressão séria – tu não imaginas o quanto eu estava assustada na minha primeira gravidez. Tive algumas hemorragias e temi o pior. Só contei ao teu pai quando não conseguia mais esconder a barriga. Eu sei que tu deves estar assustada e por isso nem consegues perceber a dádiva que aí tens mas ouve…quando o medo acabar, vais-te sentir bem e única.
- Eu cada vez tenho mais medo. Eu cada vez me sinto pior, sinto que…não vou conseguir gerar este bebé aqui dentro, sinto que não estou preparada para isto.
- Foi…acidental?
- Não.
- Então…?
- Então mãe, eu não quero falar mais sobre isto. Chega deste assunto.




- Está tudo bem? – o Salvador olhou para mim com uma certa preocupação no olhar – disseste muito pouco desde que saímos do aeroporto.
- Está, só quero…chegar a casa.
- Ouve, tinhas falado na festa para o aniversário do Stephan, já pensaste em alguma coisa? Faltam poucos dias.
- Hum, não sei. Não tenho tido muito tempo para pensar nisso mas há de se arranjar alguma coisa.
- Tens a certeza que está tudo bem? Sou o teu irmão mais velho, eu sei ver quando nem tudo está bem.
- Está tudo mais ao menos. Como é que está o Miguel?
- Bem – estacionou à frente de casa do Stephan e ficou a olhar-me – eu…se calhar…bem – olhei-o incentivando-o a falar – eu quero pedir a Gabriela em casamento, eu quero casar com ela.
- Boa! Quer dizer…acho que fazes bem, a sério.
- E achas que ela vai aceitar?
- Não sei, Salvador – retirei o cinto de segurança e saí do carro. Ele fez o mesmo para me auxiliar com as malas.
- Eu…tenho medo – admitiu, dando-me a segunda mala que coloquei por cima da outra.
- Olha, somos dois! – cheguei perto dele e dei-lhe um beijo na bochecha – obrigada e até logo.
Comecei a caminhar em direção à porta de entrada. Tinha que descansar, sentia-me cansada. Mais cansada que o normal.
Procurei as chaves pela mala até as encontrar. Não demorou muito até que eu abrisse a porta.
- Olá… - pousei as malas no chão e olhei para aquela rapariga que estava sentada no sofá juntamente com o Matteo. Olhou para mim e colocou o menino no chão, este veio ter comigo ainda com os braços no ar para ganhar equilíbrio.
Agarrei-o e envolvi-o nos meus braços. As saudades que eu tinha daquela criança, daquelas pequenas mãos a vaguearem no meu rosto.
- Eu sou a Maddalena – o nome não me era estranho, já o tinha ouvido em algum lado – sou a namorada do Mattia…
- Ah sim, já sei.
- Mas eu não estou aqui como namorada do Mattia mas sim como baby-sitter.
Nós tínhamos falado sobre isto há uns dias. Eu voltar ao trabalho fora de casa e nós arranjarmos alguém que cuidasse do Matteo, só não esperava que ele arranjasse essa pessoa tão cedo.
Sorri à rapariga, coloquei o menino junto dela e rumei ao andar de cima. De certeza que o Stephan estava em casa.
Passei pelo nosso quarto e pelo no Matteo. Não havia sinal dele em lado nenhum. Decidi ir até ao fundo do corredor.
Aquele quarto…que estava totalmente vazio a primeira e última vez que o tinha visto, estava agora pintado de branco. Tinha um berço em tons de amarelo claro e…
- Quando soubermos se é menino ou menina podemos acabar de completar o quarto e depois escolher o nome… - olhei para trás, confirmando que ele tinha aparecido ali.
Naquele momento tinha um sentimento de raiva a invadir-me.
- Chega! – entrei mais para dentro do quarto, olhei-o enquanto permanecia à porta – estou farta Stephan. Sabes porque é que não te contei nada? Por causa disto! Para quê? – cheguei perto do berço que tinha dois peluches sobre ele – para quê isto tudo? – peguei nos peluches, deixando-os depois cair no chão.
- O que é que se passa contigo? – perguntou dando alguns passos na minha direção e tentando agarrar-me uma das mãos.
- Não, não me toques – pedi afastando-me – eu estou farta disto. Estou farta de ter medo! Estou farta de não conseguir interagir com este bebé que tenho dentro de mim! E sabes porquê? Porque este é o teu sonho! Eu tenho 19 anos, já pensaste que se calhar eu não queria engravidar?
- Eu não te obriguei! Está bem que a ideia partiu de mim mas tu podias ter dito que não. Eu ter-te-ia respeitado.
- Mas… - a minha cabeça estava uma confusão, eu não me estava a identificar com a atitude que estava a ter – na altura pareceu-me bem mas… - encostei-me a uma das paredes, fechando os olhos por uns segundos mas agora…isto parece um pesadelo. Eu estou grávida e não consigo disfrutar disso, ele não merece – falei passando a minha mão pela barriga – e a culpa é toda minha. Tive uma ameaça de aborto em Portugal, eu não sei o que fazer…
Levei novamente as mãos à minha barriga. Aquela dor outra vez, olhei para o Stephan e ele percebeu o sofrimento porque eu estava a passar. Deixei-me cair ao chão, ainda com as costas encostadas à parede. O Stephan aproximou-se de mim e desta vez não o impedi.
As lágrimas já me caiam sobre o rosto.
- O que é que se passa? – perguntou, baixando-se ficando ao meu nível – tu…estás a sangrar, Rita!
E estava a acontecer outra vez. E desta vez podia ser mesmo o fim.
- Eu vou perdê-lo…e a culpa é toda minha…

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Olá!
Bem não me vou alongar muito mas não podia deixar passar este dia sem vos dar um capítulo.
Hoje completa dois anos que comecei esta história e tenho que agradecer-vos a vocês por estarem aí e por me apoiarem há dois anos.
Esta história conta com mais de 13700 visualizações, 191 comentários e os 42 capítulos.
Não me vou alongar muito, apenas quero agradecer-vos por estarem aí e pedir desculpa por não publicar com tanta frequência como antigamente. Por vezes as circunstâncias da vida não nos permitem fazer tudo o que desejamos.
Espero as vossas reações,
Beijinhos
Mahina ღ