segunda-feira, 12 de outubro de 2015

43º Capitulo - « Tu tens os teus brinquedos! O pu? »

Os momentos anteriores corriam pela minha cabeça a uma velocidade surreal. O sangue, o desespero, a culpa e a confusão. Não me conseguia identificar com a Rita dos últimos tempos. Não conseguia perceber as minhas atitudes e a falta de amor-próprio que eu andava a demonstrar. Não conseguia estar calma. Estava arrependida e…finalmente tinha caído em mim.
Ajeitei-me no sofá, e enrolei-me na manta que tinha sobre o meu corpo. Ouvi alguns passos mas não olhei para trás. Era o Stephan certamente, quem mais poderia ser?
- Estás melhor? – colocou-se de joelhos e agarrou uma das minhas mãos.
- Sim, acho que sim.
- Rita – acabou por se sentar ali no chão a olhar-me – eu estou verdadeiramente preocupado contigo. Tu não falaste comigo, tu não tens sequer me contado como está a tua gravidez – fez-me uma carícia no rosto e voltou a falar – provavelmente tu não queres falar sobre isto, acabaste de ter a tua segunda ameaça de aborto. Tu sentes-te, culpada por isso? – acenei com a cabeça e ele prosseguiu – mas não tens que te sentir culpada.
- Mas a culpa é minha – a voz saiu-me mais arrastada que o normal – tens todo o direito de me culpar se acontecer alguma coisa ao nosso filho.
- Mas eu não o vou fazer – levantou-se do chão. Acabei por me levantar e sentar-me, fiz sinal para se sentar junto a mim e caí nos seus braços.
- Desculpa – sussurrei – eu não tenho sido de todo uma boa namorada nem uma boa mãe.
- Tens sido maravilhosa – acabei por me afastar dele e olhá-lo – só te peço que fales mais comigo. Fechaste-te muito nestes últimos tempos.
- Desculpa – voltei a pedir, encostando a minha cabeça ao seu peito – não era a minha intenção, acho que o medo tomou conta de mim. Desculpa.
- Chega de desculpas – puxou-me para o seu colo e acolheu-me nos seus braços – como é que te sentes? – levou a sua mão à minha barriga e fez algumas caricias.
- Sinto-me bem – admiti – mas ainda não assimilei tudo – peguei nas suas duas mãos e coloquei-as na minha barriga, pousando em seguida as minhas por cima das suas – acreditas que aqui está o nosso filho? Acreditas que vamos ser pais de um bebé só nosso?
- Acredito.
- É bom, não é?
- É ótimo! – encostou os seus lábios à minha testa por alguns segundos – temos que falar sobre a Maddalena.
- O que há para falas sobre a Maddalena? – perguntei olhando-o.
- Meti-a cá em casa e tu nem soubeste, talvez…não sei mas…desculpa, devia-te ter dito.
- Está tudo bem – garanti, colocando as minhas mãos no seu rosto – eu gosto dela, apesar de não a conhecer.
- Estava a pensar que… - acabei por pegar na manta e a colocar sobre mim e o Stephan - como vais ter que ficar mais tempo em casa e…
- Vou?
- Rita é que nem tentes opor-te! Sabes bem que tens uma gravidez de risco e quanto menos movimento na tua vida melhor.
- Certo – assenti com a cabeça, não o podia contrariar.
- Pensei que a Maddalena te podia ajudar com o Matteo.
- Mas se eu fico cá em casa…
- Mas é sempre bom teres alguém perto de ti, entendes? E podias construir uma amizade com ela, não? – perguntou como que tentando perceber se fazia uma pergunta absurda.
- Hum…
- O que se passa?
- Estava a pensar que desde que vim para cá, e mesmo antes de vir, conheci imensa gente mas nenhuma se tornou minha verdadeira amiga entendes? Dei-me com namoradas e mulheres dos teus colegas mas nenhuma se tornou muito próxima, sabes?
- Entendo – falou encostando os seus lábios a uma das minhas bochechas – não é só contigo que isso se passa, na minha profissão são poucos, mesmo poucos, os colegas de equipa que se tornam amigos.
- O Mario foi um deles?
- O Mario? – perguntou olhando-me espantado – o Balotelli?
- Sim, quem havia de ser?
- Não sei, nunca o chamaste Mario – disse rindo-se – ele é parvo…
- Eu sei mas eu gosto do Balo!
- Viste? Tu costumas chamá-lo Balo!
- Porque tu também o chamas Balo! – falei, rindo-me em seguida – preciso de ti mais do que nunca, Stephan.
Passou a sua mão pelo meu rosto, deixando-a depois no meu pescoço.
- E eu estou aqui – sussurrou – eu nunca te vou deixar desemparada!



- Porta-te bem, por favor! – repetiu pela quarta vez, deu um beijo na testa do Matteo e olhou para mim sério – tenho a ligeira sensação que não vais fazer nada do que te estou a dizer!
- Hum-hum – sorri ligeiramente e apertei o Matteo contra o meu peito.
- A Maddalena está cá, se precisares de alguma coisa pede-lhe mas não faças esforços, certo? Pensa no bebé – avisou passando a sua mão pela minha barriga.
- Estou de pijama, eu não vou a lado nenhum – garanti, cruzando as pernas e encostando-me para trás no sofá.
- Maddalena, toma conta dela – uniu os seus lábios com os meus num calmo beijo e depois começou a caminhar em direção à porta.
- Eu tomo – garantiu ela, levantando a mão e sorrindo.
Assim que ouvi a porta a bater levantei-me e vi a Maddalena a olhar-me como que repreendendo-me.
- Eu não acredito que vais fazer isso – falou abanando a cabeça. Entreguei-lhe o Matteo, que ela tomou-o nos seus braços.
- O Stephan é chato! – defendi-me – eu estou bem, a sério. Eu costumo recuperar rápido das gripes e assim!
- O que tu tiveste não foi uma gripe, Rita.
- Maddalena – sentei-me ao seu lado e olhei-a, era bonita, bastante bonita – como é que o Mattia te chama?
- Mad maior parte das vezes.
- Então posso chamar-te Mad? – propus.
- Sim, claro.
- Então, Mad – acabei por pegar no Matteo que me olhava atento e colocá-lo no chão, já caminhava razoavelmente, com os braços no ar para ter algum equilíbrio ou agarrado aos moveis e ao sofá – o Stephan faz anos no fim da semana e eu sinto-me na obrigação de lhe organizar assim uma festa bonita, sabes?
- Há quanto tempo é que vocês namoram?
- Não sei, já lhe perdi a conta – acabei por me rir juntamente com ela – bem, conheço o Stephan há dois anos e namoramos quase há dois anos. Para o mês, novembro, fazemos os dois anos.
- E já têm dois filhos…
- Bem, este é nosso – falei passando a minha mão pela barriga, finalmente começava a ganhar afinidade àquele ser – e o Matteo não é nosso mas passou a ser. A Andrea, a mãe biológica dele, teve que dar autorização para a adotarmos e o processo vai em andamento.
- Que máximo!
- É um máximo é mas agora vou ter que preparar a festa dele – falei pegando no portátil e no meu telemóvel.
- Rita? – olhei para ela, esperando que falasse – quantas namoradas já conheceste do Mattia? – devo ter feito uma cara estranha, não esperava aquela pergunta – sê sincera comigo, por favor.
- Bem, conheci a Erika quando comecei a namorar com o Stephan e a Giulia o ano passado.
- Ele tem assim tão má fama?
- Não! – disse rapidamente – quer dizer, não sei. Eu conheci o Mattia porque é da idade do Stephan e joga com ele, não é? E conheci o seu passado amoroso mas…eu gosto dele, é boa pessoa isso te garanto. Foi o primeiro a saber que eu estava grávida!
- A sério?
- Sim! Eu gosto dele e sei que posso confiar nele.
- E obrigada por confiares em mim e me teres aqui contigo.
- O Stephan tem razão, eu preciso de alguém que seja o meu braço e direito e que me ajude a tomar conta da criança – falei, olhando para o Matteo – é bom ter-te encontrado a ti – admiti sorrindo – mas agora preciso da tua ajuda, eu quero mesmo que este aniversário dele seja um máximo.
Ouvimos a porta bater e a Maddalena ia-se levantar para abrir a porta, o que eu impedi. Não estava inválida! Caminhei em direção à porta e abri-a. O Salvador e a Gabriela entraram com o Miguel na alcofa.
Cumprimentaram-me e entraram, colocando em seguida a alcofa do Miguel em cima do sofá.
- Como é que estás? – perguntou o Salvador, abraçando-me em seguida.
- Bem – respondi, abrindo um sorriso – a sério – confirmei, perante a sua expressão duvidosa. Acabei por me colocar junto da Maddalena com intenção de a apresentar.
- Maddalena, este é o meu irmão, o Salvador – falei, apontando para ele que lhe sorriu – e é a Gabriela, a namorada dele e minha amiga – caminhei para junto dela que tinha o Miguel já nos seus braços – e eles têm um filho que é o Miguel.
- Vamos lá tratar da festa? – propôs o Salvador – não viemos cá passear! – olhei-o espantada, não esperava que ele fosse ajudar-me com isto – achavas que te íamos deixar fazer a festa sozinha, principalmente agora que estás grávida?



A noite já ia longa e por mais que eu tentasse dormir não conseguia. Fazia o máximo esforço para me virar na cama e não me mexer muito ou fazer barulho, o Stephan estaria a dormir certamente.
- O bebé já dá pontapés e eu não sei? – ou não, afinal não estava a dormir. Acabou por acender o candeeiro e me olhar.
- Oh – puxei a roupa da cama para trás, estava com calor mesmo que fosse Outubro. Acabei por me deitar de barriga para baixo, apoiar o um cotovelo na almofada e colocar as minhas pernas por cima das suas – tenho uma insónia.
- Ai é uma insónia?
- É, é – dobrou-se sobre o seu corpo e puxou a roupa da cama para cima, tapando-nos – dá-me um beijinho – pedi, deitando a minha cabeça na almofada à frente da sua – anda lá – supliquei, perante a sua expressão de estranheza.
- Está bem – encostou apenas os seus lábios aos meus por breves segundos.
- Que beijo mais foleiro!
- Andas a ficar muito exigente – arrastou-se na cama e envolveu a minha cintura com os seus braços, deixando cair depois a sua cabeça sobre o meu peito – estou cheio de sono.
- Então porque é que não dormes?
- Porque – apertou os seus braços em volta do meu corpo – quando começámos a namorar eu disse que te queria nas lesões e nas dores de cabeça o que também inclui as insónias.
- Vais ficar comigo até eu conseguir dormir?
- Sim – largou o meu corpo e deitou-se ao meu lado, olhando-me – o que te preocupa?
- Nada.
- Nada mesmo? – perguntou com aquela expressão tão dele de quem estava desconfiado.
- Nada mesmo, Stephan – com o meu dedo indicador percorri o seu tronco sob o seu olhar atento.
- Já compraste a minha prenda?
- Oh sim! Tu até me deixas sair de casa e tudo para eu comprar a tua prenda!
- Bem visto… - olhei-o e ele sorriu – mas eu aposto que tu já saíste de casa.
- E apostas bem! Mas não foi para te comprar a prenda, como deves deduzir.
Ficou um silêncio estranho, constrangedor até. O seu olhar prendeu-se no teto e com a sua mão fazia pequenas caricias nas minhas costas.
- Rita – virou a sua cabeça e olhou-me – estou um pouco farto disto – acho que o meu coração parou, parou por aqueles segundos em que ele me olhava sério e não dizia nada – e quando digo isto, refiro-me ao que nos tornámos. Tornámo-nos em adultos sem querer.
- As circunstâncias levaram-nos a isso, tu sabes.
- Sei, sei. Mas também sei que por minha culpa tu perdeste a tua juventude.
- Stephan… – levei a minha mão ao seu rosto.
- Deixa-me falar por favor – pegou na minha mão retirando-a do seu rosto – eu sinto-me culpado por isto tudo. Tu tens crescido demasiado rápido, tens dezanove anos Rita. Não mereces esta vida, de todo! – não me dignei a interromper, ele precisava de dizer aquilo. Eu sentia-o – já olhaste à nossa volta? Desististe do teu curso para isto…estar presa a mim.
- Mas eu gosto disto, Stephan. Eu sou feliz aqui, entendes? Eu sou feliz ao teu lado. Eu gosto tanto de estar ao teu lado…
- Eu não te mereço – falou abanando a sua cabeça – não te mereço de todo.
- Tu fizeste por me merecer – larguei a minha mão da sua e voltei a percorrer o seu tronco – deixa de pensar essas coisas, anda lá.
- Então promete-me – levantou o seu corpo e sentou-se na cama, acabei por fazer o mesmo a olhá-lo – promete-me que deixas de pensar tão a frente como tens feito. Vive, Rita! Tu consegues divertir-te e ser responsável ao mesmo tempo.
- Mesmo grávida? Tu não me deixas sair de casa.
- Não deixo e tu sabes bem porquê – olhei-o, esperando que continuasse o seu raciocínio – bem, se calhar tenho sido demasiado severo contigo mas…eu tenho medo… - passou a mão pelo seu cabelo – eu não sei bem como dizer isto ou até se o hei de dizer mas…eu estou preocupada contigo e não com ele neste momento – falou apontando depois para a minha barriga – tu e o Matteo são a minha prioridade neste momento. Ele também será porque é o nosso filho – olhei para a minha barriga, as quase 12 semanas não se notavam nada mesmo nada – mas neste momento o importante és tu, eu quero que te sintas bem e sei que ainda não criaste uma relação com o nosso bebé e a verdade é que nem eu – admitiu, colocou as suas mãos na minha face – vamos com calma. Cada coisa a seu tempo.
- Obrigada – agradeci deixando a minha cabeça cair sobre o seu ombro.
- Eu estava a pensar em amanhã irmos a Savona – olhou para o telemóvel que tinha na mesa-de-cabeceira – ou melhor, hoje. A minha mãe está lá sozinha.
- Está bem.
- Está mesmo bem? – perguntou desconfiado – eu sei que no dia dos meus anos vamos ficar pouco tempo juntos porque vou ter a concentração para o jogo – deu-me um beijo na testa e olhou-me – podemos sempre não vir muito tarde aproveitar a noite!
- Uh, a noite! Só se for a partir da meia-noite!
- E será, já passaram as insónias?
- Vamos ver – voltei-me a deitar juntamente com ele – posso ir buscar o Matteo?
- Rita! – repreendeu-me.
- Mas…anda lá. Supostamente amanhã temos A noite! – falei rindo, dando enfase àquele «a» - e depois…não é? – acabei por me rir com a cara que ele fazia – preciso dele aqui, no meio de nós.
- Eu vou buscá-lo – disponibilizou-se. Levantou-se da cama e sorriu-me antes de sair do quarto.
Ajeitei-me na cama puxando os lençóis até me taparem o rosto.
- Chegámos – falou em voz baixa, com o Matteo no seu colo.
Afastou os lençóis e colocou o menino no meio de nós, dentando-se depois. Dormia sereno e não tinha acordado no caminho até ao nosso quarto.
- Vamos dormir?
- Hum-hum – o Matteo mexeu-se e virou-se colocando depois a sua mão no meu peito sem abrir os olhos – já podes apagar a luz - informei, sorrindo.



- Du du dá! – ia batendo com as mãos na mesa e pronunciando aqueles sons.
- Stephan? – chamei enquanto arrumava a loiça do pequeno almoço. Inclinei-me sobre a bancada e desbloqueei o telemóvel, precisava de mandar uma mensagem ao Salvador. Era suposto haver uma festa quando chegássemos a casa e não era eu que ia tratar dela.
- Mã! – quase que gritou o que me levou a olhar para o Matteo séria.
- O que foi? – perguntei. Estendeu os seus braços na minha direção e apercebi-me que era o telemóvel que ele queria – não – abanei a cabeça enquanto ele me olhava nada contente – tu tens os teus brinquedos! O pu?
Abanou a cabeça com aquele ar de chateado o que me fez rir à gargalhada.
- Olha o que eu encontrei! – o Stephan apareceu finalmente na sala com o boneco preferido do menino na mão – estava debaixo do sofá.
- Papá! – começou a agitar os braços na direção do boneco.
- Não, não! – arranquei o boneco das mãos do Stephan – o pu é meu! – agarrei o boneco contra o meu peito.
- Mã! – voltou a expressar aquele som com um grito em seguida.
O Stephan colocou-se atrás de mim, rodeando depois a minha cintura com os seus braços.
- És tão má – falou perto do meu ouvido, beijando-me a bochecha em seguida.
- Não sou má, não! Ele tem que aprender que não pode esconder o pu debaixo do sofá e depois gritar por ele como se alguém o tivesse roubado! – coloquei o meu indicador sobre o nariz do meu filho – tens que tratar bem do pu.
- Já não dizes coisa com coisa – largou-me e foi em direção ao Matteo, retirando-o da cadeira – estás pronta?
- Sim, sim. Só me falta ir buscar o saco com as coisas dele.
- Está na sala – informou.
Coloquei o pano sobre a bancada e fui com eles em direção à sala. Peguei na minha mala e depois no saco com as coisas do Matteo.
- Vamos lá embora? – avançamos em direção à porta, peguei nas chaves do carro que continham também a chave de casa – as chaves estão aqui…e podemos ir! – falei abrindo a porta.
- As tuas chaves de casa?
- Estão… - pois, tinha-as dado ao Salvador – lá em cima – falei um pouco atrapalhada – mas não vale a pena ir buscar, estão aqui as tuas, não é?
- Sim, claro.
Saímos os dois de casa e andámos em direção ao carro. O Stephan abriu a porta detrás e colocou o menino na cadeirinha. Quando acabou de lhe apertar o cinto saiu dali. Coloquei o saco dele no banco ao lado e debrucei-me sobre ele, dando-lhe um beijo na testa.
- Mã pu – falou devagar e sem a expressão de mal-humorado presente.
- Queres o pu? – perguntei com um sorriso.
- Pu! – voltou a repetir agitando os braços.
- Aqui tens - dei-lhe o boneco para as mãos que ele agarrou – agora vais dormir com o pu até chegarmos à casa da avó Lúcia.
Fechei a porta do carro e avancei para o lugar de pendura.
- Não sei se… - o Stephan pós a mão na testa, fechou os olhos por alguns segundos o que me assustou.
- Estás bem? – perguntei colocando as minhas mãos sobre as suas pernas.
- Sim é só que…dói-me a cabeça e… - retirou a mão da testa e olhou-me com uma expressão séria – posso pedir-te para não fazeres perguntas, preciso apenas que conduzas tu por enquanto. Sei que não estás habituada a fazer viagens tão grandes mas podemos sempre trocar a meio e…
- Tudo bem – interrompi – só quero que quando não estiveres bem me digas, certo?
 Acenou com a cabeça e aproximou-se de mim. Beijou-me pouco tempo depois enquanto colocava as suas mãos sob a minha camisola.
- Du du dá! – afastamo-nos assim que o Matteo se manifestou, olhámos os dois para trás. Mexia no boneco mas olhávamo-nos atentos – pu! – falou oferecendo-nos o boneco o que nos levou a rir.



O dia que passámos em Savona foi maravilhoso. A mãe do Stephan tratava-me como uma autêntica filha. Todo aquele carinho que tinha tanto por mim como pelo Matteo era notório.
Fiquei atenta àquela dor de cabeça estranha dele mas não deu qualquer sinal de esta ainda se manter.
Fiz os possíveis e os impossíveis para demorar o máximo de tempo possível em Savona. A ideia era mesmo chegar a casa perto da meia-noite e parece que consegui!
- O Matteo já vai a dormir – comentei assim que ele entrou com o carro no portão.
- Foi um dia bastante cansativo.
- E a dor de cabeça?
- Está boa – confirmou sorrindo – não costumo ser muito propício a dores de cabeça, não sei do que foi mas já passou.
Estacionou o carro e apressei-me a sair para ir buscar o Matteo ao banco detrás. Por muito que me custasse ter que o acordar tinha que o fazer. Iria acordar certamente quando entrássemos em casa e podia-se assustar.
Meio acordado, meio a dormir colocou a sua cabeça no meu peito e eu peguei na mala e no saco.
- Eu levo isso – ofereceu-se o Stephan pegando naquelas coisas.
Detive-o quando ia colocar a chave na porta. Olhou-me desconfiado e decidi avançar.
- Parabéns, papá – coloquei a mão que não segurava o Matteo no seu pescoço e com alguma dificuldade estiquei-me conseguindo beijá-lo.
- Obrigado, mamã – sorriu-me e deu-me um leve beijo na testa.
- Agora prepara-te – falei assim que rodou a chave da porta.
- Han?
- SURPRESA!!! – olhou para mim para no instante seguinte olhar para a sua frente. Todas aquelas vozes a gritar «surpresa» tinha sido maravilhoso.
Eu tinha conseguido, com algumas  pessoas a ajudarem-me, é verdade, mas eu tinha conseguido preparar-lhe uma festa. Tinha conseguido que ele sorrisse com vontade. Tinha conseguido com que ele celebra-se o seu aniversário junto dos que mais gosta. Tinha conseguido fazê-lo feliz, que é o que realmente importa.


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Boa noite!
Aqui está mais um capitulo, espero que desfrutem dele.
Beijinhos e boa semana,
Mahina